thumb|350px|Em azul, os países que Francisco visitou durante o seu pontificado. Esta é uma lista das viagens apostólicas do Papa Francisco durante o seu pontificado que durou de 13 de março de 2013 até o seu falecimento em 21 de abril de 2025. Ele visitou todos os continentes habitáveis. Na sua visita às Filipinas em janeiro de 2015 reuniu cerca de seis milhões de fiéis, tornando-se o maior evento da história do papado em número de pessoas.
Depois de João Paulo II, que realizou mais de uma centena de viagens apostólicas, Francisco foi o papa que realizou o maior número de viagens, superando inclusive seus predecessores Paulo VI e Bento XVI. Apesar da idade avançada e de problemas de locomoção devido a um problema no joelho, Francisco surpreendeu pelo número de visitas dentro e fora da Itália, muitas vezes recorrendo ao uso de uma bengala ou cadeira de rodas durante suas agendas internacionais.
Apesar de seu papel ativo no exterior, Francisco foi o primeiro papa na história recente a não visitar sua terra natal, a Argentina, país que ele nunca retornou desde que saiu como cardeal de Buenos Aires à Roma, para participar do conclave papal de 2013, que o elegeu. Francisco recebeu convites de pelo menos quatro presidentes argentinos para viajar ao país, mas nenhum deles foi atendido.
Em doze anos de pontificado, Francisco foi o primeiro papa na história a visitar o Timor-Leste após a sua independência como país. Ele também foi o primeiro papa a visitar o Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Macedônia do Norte, Mianmar, Mongólia e Sudão do Sul.
Nessa lista, constam as viagens apostólicas realizadas por Francisco para fora da Itália.
2013
Francisco esteve no Rio de Janeiro para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude, visitando também o Santuário Nacional de Aparecida, no estado de São Paulo. Foi o único evento público a que o pontífice compareceu ao longo do ano de 2013 e o primeiro de seu pontificado, iniciado quatro meses antes. O papa foi recepcionado oficialmente durante uma cerimônia no Palácio Guanabara e encontrou-se com a presidente Dilma Rousseff. Em uma missa para mais de 3,5 milhões de peregrinos na Praia de Copacabana, Francisco aconselhou aos católicos a não serem "cristãos parciais", mas para viverem uma "vida de significado". A viagem havia sido agendada para seu antecessor, o Bento XVI, que acabou por renunciar ao pontificado meses antes.
2014
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Entre 24 e 26 de maio de 2014, Francisco visitou as capitais Amã e Jerusalém e a cidade de Belém. A viagem foi anunciada durante uma celebração no dia 5 de janeiro de 2014. Francisco chegou à Jordânia no dia 24 de maio e encontrou-se com o Rei Abdullah II, celebrando uma missa no Estádio Internacional de Amã posteriormente. Durante sua viagem, o papa realizou uma prece no Muro da Cisjordânia e visitou o Memorial às Vítimas do Terror acompanhado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. No encerramento da viagem, Francisco teve uma audiência sobre diálogo inter-religioso com o Patriarca Bartolomeu I.
Francisco chegou à Base Aérea de Seul em 14 de agosto para dar início à sua viagem de cinco dias à Coreia do Sul por ocasião do Dia da Juventude Asiática. O papa foi recebido pela presidente Park Geun-hye e depois se reuniu com familiares das vítimas do naufrágio do Sewol. Posteriormente, realizou seu primeiro discurso público em língua inglesa, pedindo paz e reconciliação na Península da Coreia. No Estádio de Daejeon, o pontífice celebrou uma missa campal pedindo que os cidadãos rejeitassem "modelos econômicos desumanos e novas formas de empobrecimento". Na celebração na Praça Gwanghwamun, Francisco beatificou os 124 mártires coreanos.
Em 15 de junho de 2014, durante o Angelus, Francisco anunciou sua breve viagem à Tirana, na Albânia. Na ocasião, o pontífice afirmou: "Com esta breve visita, pretendo confirmar a Igreja da Albânia na fé e testemunho fiel para meu encorajamento e amor por um país que sofreu por tanto tempo por consequência de ideologias passadas". Os esquemas de segurança foram ampliados após uma notificação do governo iraquiano de que fundamentalistas islâmicos planejavam contra a vida do papa durante a visita. A viagem de onze horas de duração foi a primeira realizada por Francisco em território europeu. Durante sua visita, reuniu-se com o presidente Bujar Nishani, celebrou uma missa na Praça Mãe Teresa em Tirana, e encontrou-se com líderes religiosos. O papa também honrou aos perseguidos durante o regime comunista de Enver Hoxha; cerca de 130 clérigos cristãos morreram durante o período ditatorial.
O papa Francisco realizou uma breve viagem à França em 25 de novembro de 2014, sendo a mais rápida visita realizada por um papa. Em Estrasburgo, Francisco discursou perante o Parlamento e o Conselho Europeu exigindo um tratamento digno aos imigrantes ilegais no continente e melhores condições para os trabalhadores.
Em setembro de 2014, o papa foi convidado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan para uma visita à Turquia. O convite também foi emitido pelo Patriarcado de Constantinopla por ocasião das comemorações a Santo André. Francisco desembarcou no Aeroporto Internacional de Esenboga em 28 de novembro, sendo recebido por dignatários turcos antes de dirigir-se ao Anıtkabir, onde prestou homenagem ao fundador da República, Mustafa Kemal Ataturk. No Palácio Presidencial, o pontífice reuniu-se com o presidente Erdogan e discursou sobre diálogo inter-religioso. No dia seguinte, visitou a Mesquita Azul juntamente com líderes islâmicos. Francisco também assistiu à celebração na Catedral de São Jorge, pedindo a bênção do Patriarca Bartolomeu I para a Igreja de Roma, além de incentivar publicamente a reunificação das duas Igrejas.
2015 e O papa Francisco visitou o Sri Lanka entre 13 e 15 de janeiro e as Filipinas entre 15 e 19 de janeiro. A viagem às Filipinas foi a quarta visita apostólica ao arquipélago; Paulo VI havia visitado o país em 1970 e João Paulo II visitou em 1981 para a beatificação de Lorenzo Ruiz e Domingo Ibáñez de Erquicia e retornou em 1995 para presidir a Jornada Mundial da Juventude.
A visita de Francisco às Filipinas entrou para a história como o maior evento papal em número de pessoas, com cerca de seis milhões de espectadores na missa realizada em Manila. O número superou o recorde anterior, detido pela Jornada Mundial da Juventude de 1995.
Em 6 de junho, Francisco visitou a Bósnia e Herzegovina. Encontrou-se com com autoridades, religiosos e jovens em Sarajevo e celebrou a Santa Missa no Estádio Koševo. Para o encontro com religiosos ao chegar, o papa havia preparado um discurso, mas depois de ouvir os testemunhos de três religiosos, decidiu discursar de improviso, abandonando o que havia preparado.
, , thumb|230px|presidente Rafael Correa e papa Francisco na sacada do Palácio de Carondelet durante a visita apostólica, 2015 Em maio de 2015, a Santa Sé anunciou que o papa Francisco visitaria a Bolívia em julho do mesmo ano, assim como outros países da América do Sul. Antes da visita, o presidente boliviano Evo Morales confirmou que o pontífice se reuniria com representantes indígenas nas entrelinhas de sua agenda oficial. A agenda divulgada indicava que o papa estaria no Equador de 5 a 8 de julho, na Bolívia de 8 a 10 de julho e no Paraguai de 10 a 12 de julho, retornando ao Vaticano em 13 de julho. O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Federico Lombardi, confirmou que havia a possibilidade do pontífice experimentar folhas ou chá de coca (que no país é considerada sagrada) durante a viagem, tal como fizeram seus antecessores.
Em sua passagem pelo Equador, Francisco reuniu-se com o presidente Rafael Correa, visitou sacerdotes e seminaristas católicos e realizou uma visita particular a um amigo jesuíta em Quito. Sua última celebração no país atraiu mais de 1,5 milhão de pessoas. Ao chegar na Bolívia em 8 de julho, o papa foi recebido pelo presidente Evo Morales no Aeroporto Internacional de El Alto, nas proximidades de La Paz. Em seu discurso após a chegada, Francisco afirmou que a Bolívia dava "passos importantes em direção à inclusão de setores de fronteira na economia e na vida política e social do país", destacando também o papel da Constituição boliviana como garantidor de "direitos das minorias e desenvolvimento natural". Mais tarde, em recepção no Palacio Quemado, o papa foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Condor dos Andes - a mais alta condecoração civil da Bolívia, além de um crucifixo em formato de foice e martelo (símbolos do socialismo); o presente causou muita controvérsia na imprensa internacional.
e thumb|left|250px|Papa Francisco foi o primeiro pontífice a discursar no Congresso dos Estados Unidos Em 19 de setembro de 2015, Francisco embarcou no Alitalia A330 do Aeroporto Internacional de Roma rumo ao Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, onde foi recebido em uma cerimônia de Estado. No dia seguinte, celebrou uma missa na Plaza de la Revolución, local histórico da capital cubana, pouco depois de uma reunião com o presidente do Conselho de Estado, Raúl Castro, no Palácio da Revolução. No fim do dia, o papa celebrou as Vésperas com sacerdotes, religiosos e seminaristas católicos na Catedral de Havana.
Em 21 de setembro, a comitiva papal partiu para Santiago de Cuba, após uma visita a Loma de la Cruz, de onde pronunciou uma bênção apostólica a Holguín. Ao chegar em Santiago, o papa reuniu-se com bispos cubanos no Seminário São Basílio, onde dirigiu uma prece à Virgem da Caridade do Cobre.
No dia seguinte, celebrou uma missa papal na basílica menor da Virgem da Caridade do Cobre, em Santiago de Cuba, pela manhã e encontrou-se com famílias da região na Catedral de Nossa Senhora da Assunção. Após uma benção dedicada à cidade de Santiago, o pontífice partiu para Washington, D.C, desembarcando na Base Aérea Andrews na noite de 22 de setembro.
No dia seguinte, o papa foi recebido pelo presidente Barack Obama na Casa Branca, sendo esta a terceira visita de um papa à residência do presidente norte-americano, seguindo os encontros entre Jimmy Carter e João Paulo II em outubro de 1979 e George W. Bush e Bento XVI em abril de 2008.
No mesmo dia, Francisco participou de uma celebração com bispos do país na Catedral de São Mateus, sé do Cardeal Donald Wuerl, Arcebispo de Washington. Mais tarde, no mesmo dia, celebrou uma missa papal na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, onde canonizou Junípero Serra, frade franciscano fundador de 9 das 21 missões espanholas na Califórnia.
Em 24 de setembro, Francisco discursou perante o Congresso dos Estados Unidos, tornando-se o primeiro pontífice a fazê-lo. Como encerramento de sua passagem por Washington, D.C., visitou a Igreja de St. Patrick, a mais antiga paróquia católica na capital, fundada em 1794. Em seguida, viajou para Nova Iorque para participar da Liturgia das Horas na Catedral de São Patrício juntamente com o Arcebispo Timothy Dolan.
Em 25 de setembro, o papa discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas, sendo também o primeiro papa a fazê-lo. Alguns outros papas haviam assistido à ocasião, como Paulo VI em 1965, João Paulo II em 1979 e 1995, e Bento XVI em 2008. Ao findar as cerimônias nas Nações Unidas, o pontífice dirigiu-se para uma celebração ecumênica no Memorial Nacional de 11 de Setembro.
Em 26 de setembro, Francisco visitou a cidade de Filadélfia, onde foi recebido por autoridades locais e pelo arcebispo Charles J. Chaput. O papa celebrou uma missa na Basílica-Catedral de São Pedro e Paulo e depois visitou o Independence Hall e o Encontro Mundial de Famílias. A visita encerrou-se no domingo, 27 de setembro, com uma missa. Após a cerimônia de despedida, a comitiva papal partiu para o Vaticano.
, e thumb|250px|Papa Francisco e o Cardeal John Njue durante missa celebrada na Igreja de São José, em Cangemi, Quênia, 2015