miniaturadaimagem|A expansão romana na Itália. Durante o consulado de Publílio, a república romana se expandiu aceleradamente. Quinto Publílio Filão () foi um político da gente Publília nos primeiros anos da Repúbli ca Romana eleito cônsul por quatro vezes, em 339, 327, 320 e 315 a.C., com Tibério Emílio Mamercino, Lúcio Cornélio Lêntulo, Lúcio Papírio Cursor duas vezes, respectivamente. Foi também ditador em 339 a.C..
Primeiro consulado e ditadura (339 a.C.) Foi eleito cônsul em 339 a.C. com Tibério Emílio Mamercino.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 12. No contexto da Segunda Guerra Latina, os dois cônsules conduziram os romanos à vitória contra os latinos na planície Fenectana. Em seguida, Tito Emílio, que estava ocupado em cercar Pedo, retornou a Roma e soube que ao seu colega foi concedida a honra de um triunfo e exigiu que a mesma honra lhe fosse concedida. Quando o Senado se negou, Tito Emílio nomeou Quinto Publílio, que era um plebeu, ditator. Lívio o acusa de ter pensado acima de tudo em sua agenda pessoal e nos interesses de sua própria facção.
Leges Publiliae
Quinto Publílio, como ditador, nomeou Décimo Júnio Bruto Esceva como seu mestre da cavalaria e propôs as célebres Leges Publiliae, que, para todos os fins práticos, igualaram plebeus e patrícios. Aparentemente esperava-se uma grande oposição por parte dos patrícios, o que teria motivado a elevação de Filão ao cargo de ditador para que pudesse levar as propostas à frente. Como não podia haver uma nomeação à ditadura sem a aprovação do Senado, Niebuhr deduziu que, com grande probabilidade, as Leges Publiliae foram apresentadas já com a aprovação senatorial.
Segundo Lívio, havia três. A primeira afirmava que "os plebiscitos deveriam obrigar a todos os “quirites”" ("ut omnes plebiscitos Quirites tenerent"), que tem a mesma finalidade que a posterior Lex Hortensia. A segunda, "ut legum, quae comitiis centuriatis ferrentur, pactum Patres ante suffragium Auctores fierent". Por "patres" Lívio entende "cúria", a assembleia dos patrícios, e, por isto, esta lei contemplava que as cúrias deveriam confirmar os resultados das votações de todas as leis apresentadas perante a assembleia das centúrias, da qual participavam patrícios e plebeus. Na prática, o veto das cúrias à promulgação de leis pelas centúrias foi abolido. A terceira contemplava que um dos censores deveria necessariamente ser plebeu. Niebuhr conjectura ainda se não haveria uma quarta lei, contemplando que, em anos alternados, o pretor deveria ser plebeu.Barthold Georg Niebuhr, Historia de Roma, vol. III. pp. 146, & c., 154, 418, & c.Thomas Arnold, Historia de Roma, vol. II. p. 154, & c.
Anos intermediários Dois anos mais tarde, em 337 a.C., durante o consulado de Caio Sulpício Longo e Públio Élio Peto, foi o primeiro plebeu a conseguir o cargo de pretor, apesar da intensa oposição do Senado. Em 335 a.C., foi escolhido mestre da cavalaria (magister equitum) pelo ditador Lúcio Emílio Mamercino Privernato, nomeado para garantir a eleição consular do ano seguinte.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 16.
Em 332 a.C., foi censor com Espúrio Postúmio Albino Caudino, que instituíram duas novas tribos, Mecia e Scapzia. Neste mesmo ano, os habitantes de Acerra foram franqueados cidadãos romanos.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 15-17Veleio Patérculo I.14.
Segundo consulado (327 a.C.)
Quinto Publílio foi eleito cônsul novamente em 327 a.C. com Lúcio Cornélio Lêntulo.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 22. Recebeu o comando do exército que estava cercando Neápolis enquanto Lúcio Cornélio invadia o território de seus aliados samnitas.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 23. Depois das eleições de dois novos cônsules, os dois receberam poderes proconsulares para poder continuar suas campanhas através de uma consulta ao Senado e um plebiscito, a primeira vez na história de Roma que pessoas foram investidas com o poder proconsular. A cidade se rendeu no ano seguinte graças à traição de dois de seus principais habitantes, que atraíram a guarnição samnita para fora da cidade e abriram os portões aos romanos, o que valeu a Quinto Publílio seu segundo triunfo.Lívio, Ab Urbe condita VIII, 25-26. No ano seguinte, iniciou a Segunda Guerra Samnita.
Terceiro consulado (320 a.C.)
Em 320 a.C., foi eleito novamente, desta vez com Lúcio Papírio Cursor,Lívio, Ab Urbe condita IX, 7. ano seguinte da vergonhosa rendição na Batalha das Forcas Caudinas. Os dois cônsules, com o exército, retornaram ao local da derrota para negociar as condições de paz impostas a Roma, deixando a negociação a cargo dos dois cônsules que as haviam aceitado,Lívio, Ab Urbe condita IX, 8-11. uma provocação que significava, de fato, o reinício dos combates.Lívio, Ab Urbe condita IX, 12. O objetivo era livrar a Apúlia dos samnitas. Porém, este fato é incerto, inclusive na época de Lívio, pois além da possibilidade de haver dois exércitos, cada um sob o comando de um cônsul, é possível que Lúcio Cornélio Lêntulo tenha sido nomeado ditador, tendo o próprio Lúcio Papírio como seu mestre da cavalaria (magister equitum).
É certo, porém que, enquanto Públílio permaneceu em Sâmnio para enfrentar o exército samnita, Lúcio Papírio foi para Lucéria, a base de Caio Pôncio e onde estavam reféns os cavaleiros romanos desde a derrota em Forcas Caudinas. O exército romano se reuniu em Argos Hippium, perto de Lucéria, sem encontrar resistência dos habitantes locais, que há muito tempo vinham sendo assediados pelos samnitas,Lívio, Ab Urbe condita IX, 13. e ali montaram a base de operações para os ataques aos samnitas.
Ali, Lúcio Papírio se viu cercado pelo samnitas, que cortaram todas as suas linhas de suprimentos e teria sido derrotado se não fosse intervenção de Quinto Publílio, que havia derrotado os samnitas numa batalha perto de Cáudio O cerco de Lucéria ficou muito mais eficaz e os samnitas foram obrigados a aceitar um confronto em campo aberto, apesar de uma tentativa dos tarentinos de evitar o confronto.Lívio, Ab Urbe condita IX, 14. Os romanos venceram o combate e, pesando nos seiscentos cavaleiros ainda reféns dos samnitas em Lucéria, massacraram todos os inimigos derrotados na batalha.
Retomado o cerco, finalmente os samnitas, exauridos pela fome e pelas dificuldades do cerco, se renderam aos romanos, que, além do saque, exigiram que os guerreiros samnitas, incluindo o comandante, Caio Pôncio, fossem humilhados pelo exército romanoLívio, Ab Urbe condita IX, 15.:
Por esta vitória, Lúcio Papírio realizou um triunfo quando voltou a Roma.Lívio, Ab Urbe condita IX, 16.
Quarto consulado (315 a.C.) Em 315 a.C., foi eleito novamente, mais uma vez com Lúcio Papírio Cursor Os dois cônsules permaneceram em Roma enquanto a campanha contra os samnitas era liderada pelo ditador Quinto Fábio Máximo Ruliano.Lívio, Ab Urbe condita IX, 22.
Ver também
Bibliografia
Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século IV a.C. Categoria:Mortos no século IV a.C. Categoria:Nascidos no século IV a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Ano de morte desconhecido Categoria:Censores da República Romana Categoria:Pretores da República Romana Categoria:Ditadores romanos Categoria:Mestres da cavalaria da República Romana Categoria:Publilii Categoria:Procônsules da Macedônia Categoria:Segunda Guerra Samnita Categoria:Guerras romano-latinas