Acervo da Música Brasileira / Restauração e Difusão de Partituras (AMB) foi um projeto musical da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ), Petrobras e Santa Rosa Bureau Cultural (Belo Horizonte - MG), com a coordenação musicológica de Paulo Castagna, que resultou na reorganização da Coleção Dom Oscar de Oliveira do Museu da Música de Mariana e na publicação de uma série de 9 volumes de partituras e de CDs com música sacra brasileira dos séculos XVIII e XIX, editadas a partir de fontes musicais desse acervo.
Histórico e descrição
O projeto Acervo da Música Brasileira (AMB) surgiu no ano 2000, a partir de uma parceria entre a Petrobras, o Santa Rosa Bureau Cultural e a Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (FUNDARQ), instituição que gerencia os bens e as instituições culturais dessa região eclesiástica. O trabalho teve início em fevereiro de 2001 e foi concluído em dezembro de 2003, sendo orientado por três objetivos básicos: Tratamento da Coleção Dom Oscar de Oliveira, a partir de metodologia arquivístico-musical atualizada; Edição de 51 obras sacras dos séculos XVIII e XIX em 9 volumes de partituras, por musicólogos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo Gravação, por grupos musicais de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, de todas as composições musicais editadas. Participaram do trabalho musical e musicológico do projeto, por área de atuação, os seguintes profissionais e grupos musicais: Tratamento da Coleção Dom Oscar de Oliveira: André Guerra Cotta (coordenador da área), Paulo Castagna, Maria Teresa Gonçalves Pereira, Maria José Ferro de Souza, Chiquinho de Assis (Francisco de Assis Gonzaga da Silva) e Vladmir Agostini Cerqueira; Edição: Carlos Alberto Figueiredo (coordenador da área), Marcelo Campos Hazan, Paulo Castagna, Aluízio Viegas, André Guerra Cotta, Vítor Gabriel de Araújo, Fernando Pereira Binder e Clóvis Afonso de André. Gravação: Rubner de Abreu (coordenador da área), Conjunto Calíope e Orquestra Santa Teresa (regente Júlio Moretzsohn); Coral de Câmara São Paulo e Orquestra Engenho Barroco (regente Naomi Munakata), Grupo Árcade da UFMG (regente Rafael Grimaldi), Grupo Vocal Brasilessentia e Orquestra Engenho Barroco (regente Vítor Gabriel de Araújo), Coral Ars Nova (regente Carlos Alberto Pinto Fonseca) e Coral da Escola de Música da UFMG (regente Afrânio Lacerda). Ao início do projeto, o acervo do Museu da Música encontrava-se provisoriamente instalado em uma ala lateral da residência arquiepiscopal de Mariana à Praça Gomes Freire (depois de ter permanecido no Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana até 1988), mas a divulgação desta série acabou estimulando várias outras ações de desenvolvimento do Museu da Música, entre elas a realização do I Colóquio Brasileiro de Arquivologia e Edição Musical em 2003 (cujos Anais foram impressos em 2004), o primeiro do gênero na América Latina, e o recebimento, em 4 de dezembro de 2002, do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade do IPHAN. Em 2007, após a realização do projeto, o Museu da Música foi transferido para o Palácio da Olaria, mas em 2023 retornou para a antiga residência arquiepiscopal à Praça Gomes Freire, que hoje abriga o Museu da Música e o Museu de Arte Sacra de Mariana.
O projeto Acervo da Música Brasileira conferiu uma nova situação ao Museu da Música, que resultou no recebimento do Diploma do Registro Regional para a América Latina e o Caribe (MOWLAC), do Programa Memória do Mundo da UNESCO, em 2 de dezembro de 2011, tornando esta a primeira instituição brasileira e latino-americana do gênero com esse tipo de distinção. O projeto também viabilizou a edição, em 2005, do livro Lobo de Mesquita no Museu da Música, 10º volume de partituras do Museu da Música, sob a direção de André Guerra Cotta, com obras de José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746?-1805), no bicentenário do seu falecimento, bem como a transferência do Museu da Música para o Palácio da Olaria em 2007 e a realização de novos projetos musicológicos, entre eles a Digitalização da Coleção Dom Oscar de Oliveira. A série AMB também se tornou modelo metodológico para coletâneas e projetos editoriais subsequentes, como o próprio livro Lobo de Mesquita no Museu da Música (2005) e a série Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro (PAMM), da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (2008-2011).
Concepção editorial
Do ponto de vista editorial, esta série partiu da existência de uma rede de iniciativas semelhantes, principiadas na publicação de composições sacras brasileiras dos séculos XVIII e XIX, em periódicos da primeira metade do século XX (especialmente obras de José Maurício Nunes Garcia), impressas em coletâneas a partir do Archivo de Música Religiosa de la “Capitania Geral das Minas Gerais” (Siglo XVIII), Brasil, por Francisco Curt Lange (Mendoza: Universidad Nacional de Cuyo, 1951). A partir dessa publicação, surgiram outras séries editoriais dedicadas ao patrimônio histórico-musical brasileiro, com destaque para as seguintes: Coleção Música Sacra Mineira, editada por Aluízio José Viegas, Adhemar Campos Filho e Geraldo Barbosa (Funarte, 1974-1975): 77 obras avulsas; Obras de José Maurício Nunes Garcia, editadas por Cleofe Person de Mattos (Funarte, 1978-1984): 9 volumes; Reimpressão de 12 obras da Coleção Música Sacra Mineira (Funarte, 1997, 2000, 2002): 1 volume e o catálogo de toda a coleção; Música do Brasil Colonial, editada sob a direção de Régis Duprat (Editora da Universidade de São Paulo, 1994-): 4 volumes; Editorial Baluarte, editada por Sérgio Dias (1995): 3 volumes; Música Brasileira, editada sob a direção de Régis Duprat (Editora da Universidade de São Paulo, a partir de 1999): 1 volume; Coleção Ouro de Minas, editada sob a direção de Márcio Miranda Pontes (Editora Pontes, a partir de 2005); Coleção PRAORB, editada sob a direção de Romeu do Nascimento Rabelo (Orquestra Ribeiro Bastos, a partir de 2013); Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro (PAMM), editada sob a direção de Paulo Castagna (Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, 2008-2011). Como critério de seleção das obras, a série AMB adotou a reunião de obras em torno de nove temas litúrgicos, em uma tentativa de evitar a publicação de coletâneas não-temáticas ou focadas em autores específicos, mas também como forma de privilegiar a liturgia por ter representado o principal critério de acumulação de fontes musicais nos acervos de música sacra recolhidos ao Museu da Música de Mariana. A pesquisa litúrgica - que incluiu a identificação da função cerimonial de cada peça, bem como a identificação, estabelecimento e tradução dos textos latinos - ficou a cargo de Aluízio Viegas, mas também contou com a colaboração de liturgistas e latinistas de São João del-Rei, especialmente Abgar Campos Tirado.
Paralelamente, a série deu prioridade a obras nunca antes impressas ou gravadas, além de selecionar música dos mais representativos compositores brasileiros do período, como José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (Serro, 1746? - Rio de Janeiro, 1805), Manoel Dias de Oliveira (São José del-Rei, c.1735-1813), Jerônimo de Sousa Lobo (1717-entre 1798/1803), Jerônimo de Sousa Queirós (1798-1828), João de Deus de Castro Lobo (Vila Rica, 1794-Mariana, 1832), José Maurício Nunes Garcia (Rio de Janeiro, 1767-1830), Francisco Manuel da Silva (Rio de Janeiro, 1795-1865) e Emilio Soares de Gouvêa Horta Junior (São João do Morro Grande, 1839 - Juiz de Fora, 1907).
Critérios editoriais Todas as edições foram baseadas em fontes musicográficas históricas do Museu da Música de Mariana, ainda que com a eventual consulta de fontes de outros acervos, todas referidas nos volumes impressos. Por essa razão, o projeto priorizou a edição de fontes em relação à edição de obras. Além da metodologia atualmente aceita no âmbito musicológico internacional, o projeto adotou os seguintes procedimentos: Indicação de local de recolhimento (cidade, acervo e código) e descrição precisa das fontes musicais utilizadas Organização de volumes a partir de critérios litúrgicos Estudo das funções litúrgicas de cada uma das obras selecionadas Localização de versões oficiais dos textos latinos e tradução para o português daqueles nunca antes traduzidos para este idioma Explicitação dos critérios editoriais adotados Descrição das intervenções gerais realizadas pelos editores, em comentários introdutórios Aparato crítico, com o registro da situação da fonte para cada intervenção específica Disponibilização online das partituras e das fontes musicais utilizadas para a edição na página do projeto (posteriormente incorporada à página do Museu da Música de Mariana) Posterior disponibilização online das partituras e das partes cavadas no International Music Score Library Project / Petrucci Music Library (IMSLP) e no portal Musica Brasilis. Identificação das obras, nas versões disponibilizadas no IMSLP e Musica Brasilis com o código AMB (01 a 51), para facilitar sua indexação.
Volumes publicados
Partituras (2002) CASTAGNA, Paulo (coord.). Pentecostes; coordenação musicológica Paulo Castagna; coordenação editorial Carlos Alberto Figueiredo; pesquisa, edição e texto Marcelo Campos Hazan, Vítor Gabriel de Araújo, André Guerra Cotta, Paulo Castagna. Belo Horizonte: Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, 2002. 348p. (Acervo da Música Brasileira / Restauração e Difusão de Partituras, v.1) (2002) CASTAGNA, Paulo (coord.). Missa; coordenação musicológica Paulo Castagna; coordenação editorial Carlos Alberto Figueiredo; pesquisa, edição e texto Aluízio José Viegas, Carlos Alberto Figueiredo, Paulo Castagna. Belo Horizonte: Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, 2002. 300p. (Acervo da Música Brasileira / Restauração e Difusão de Partituras, v.2) ISBN 85-88966-03-4 ou 8588966034. (2002) CASTAGNA, Paulo (coord.). Sábado Santo; coordenação musicológica Paulo Castagna; coordenação editorial Carlos Alberto Figueiredo; pesquisa, edição e texto André Guerra Cotta, Paulo Castagna, Carlos Alberto Figueiredo. Belo Horizonte: Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, 2002. 300p. (Acervo da Música Brasileira / Restauração e Difusão de Partituras, v.3) ISBN 85-88966-02-6 ou 8588966026. (2002) CASTAGNA, Paulo (coord.). Conceição e Assunção de Nossa Senhora; coordenação musicológica Paulo Castagna; coordenação editorial Carlos Alberto Figueiredo; coordenação da revisão Marcelo Campos Hazan; assessoria litúrgica Aluízio José Viegas; pesquisa, edição e texto André Guerra Cotta, Carlos Alberto Figueiredo, Marcelo Campos Hazan, Paulo Castagna. Belo Horizonte: Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, 2002. 266p. (Acervo da Música Brasileira / Restauração e Difusão de Partituras, v.4) ISBN 85-88966-06-9 ou 8588966069. (2002) CASTAGNA, Paulo (coord.). Natal; coordenação musicológica Paulo Castagna; coordenação editorial Carlos Alberto Figueiredo; coordenação da revisão Marcelo Campos Hazan; assessoria litúrgica Aluízio José Viegas; pesquisa, edição e texto Carlos Alberto Figueiredo, Marcelo Campos Hazan, Paulo Castagna. Belo Horizonte: Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, 2002. 298p. (Acervo da Música Brasileira / Restauração e Difusão de Partituras, v.5) ISBN 85-88966-07-7. (2002) CASTAGNA, Paulo (coord.). Quinta-feira Santa; coordenação musicológica Paulo Castagna; coordenação editorial Carlos Alberto Figueiredo; coordenação da revisão Marcelo Campos Hazan; assessoria litúrgica Aluízio José Viegas; pesquisa, edição e texto André Guerra Cotta, Carlos Alberto Figueiredo, Clóvis de André, Paulo Castagna. Belo Horizonte: Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, 2002. 326p. (Acervo da Música Brasileira / Restauração e Difusão de Partituras, v.6) ISBN 85-88966-08-5.