thumb|right|215x215px|Símbolo tático da OTAN para um regimento de infantaria. Regimento é uma unidade militar tradicionalmente comandada por um coronel e composta por um número variável de batalhões ou subunidades equivalentes da mesma arma.
Em termos de organização e de funções, os regimentos dos vários exércitos podem ser divididos em dois grandes tipos, correspondentes aos sistemas Regimental e Continental. Os regimentos do primeiro tipo constituem unidades operacionais, empenháveis em combate. Já os do segundo tipo são apenas unidades administrativas, responsáveis pela gestão não operacional das suas subunidades — estas sim, constituindo unidades operacionais — em termos de recursos humanos, de instrução, de mobilização e de reserva.
A dimensão, a organização e a função dos regimentos modernos varia bastante de exército para exército, podendo mesmo variar dentro de um mesmo exército. Em alguns exércitos, pode nem sequer existir este tipo de unidades. Nos exércitos que mantêm regimentos de múltiplos batalhões como unidades operacionais de combate, dependendo do país, da arma, da organização e da função, estes têm caraterísticas muito semelhantes às de uma brigada, podendo incluir além de subunidades da arma a que estão associados, também subunidades de apoio de outras armas e de serviços. Por outro lado, alguns exércitos, por razões históricas, designam como "regimentos" algumas unidades de dimensões menores, normalmente do escalão de batalhão.
História thumb|right|215px|Bandeira do Regimént de Picardie, criado em 1564 a partir da Bande de Picardie e origem do atual 1er Régiment d'Infanterie do Exército Francês. O termo "regimento" tem a sua origem etimológica no termo latino "regimentum" que significa "governo", referindo-se, no contexto militar, a uma unidade organizada sob o governo ou comando de um chefe.
As primeiras unidades militares do tipo aproximadamente igual o ao que viria a ser conhecido como "regimento", foram os terços criados oficialmente pelo Imperador Carlos V, em 1534, mas com origens em unidades similares empregues pelas tropas de Castela já desde o século XV.
Em 1558, na França, as antigas unidades militares de infantaria conhecidas como "bandes" são transformadas em unidades mais estruturadas e permanentes, que se passam a designar "regimentos". O termo "regimento" acabou por generalizar-se e ser adoptado por quase todos os exércitos europeus.
Cada regimento era comandado por um coronel e incluía diversas companhias comandadas por capitães. Os cargos de coronel de cada regimento — bem como os de capitão de cada companhia — são normalmente comprados pelos seus titulares ou concedidos pelos monarcas a título de recompensa. Ao assumirem o seu cargo, os coronéis tornavam-se numa espécie de proprietários dos seus regimentos, responsabilizando-se pela sua administração, instrução, pagamento, fardamento e recrutamento. Como o cargo de coronel era sobretudo honorífico, o comando efetivo dos regimentos era assumido por oficiais profissionais de menor patente como os mestres de campo e os sargentos-mores.
O regimento era essencialmente uma unidade administrativa, correspondendo a um conjunto de tropas sob uma administração e um aquartelamento comuns. A unidade tática era o batalhão, com o regimento a agrupar vários destes. Nalguns exércitos, cada regimento organizava-se taticamente como um único batalhão, confundindo-se com este. Neste caso, o regimento e o batalhão constituíam, respetivamente, a vertente administrativa e a vertente tática da mesma entidade.
Os regimentos eram inicialmente constituídos por companhias de piqueiros e de arcabuzeiros (estes, mais tarde substituídos por mosqueteiros). Com a introdução da espingarda de pederneira com baioneta no final do século XVII, os piqueiros e mosqueteiros foram substituídos por fuzileiros, armados com aquele tipo de arma. Paralelamente, por essa altura, são criadas as companhias regimentais de granadeiros, inicialmente com a função de protegerem os flancos das formações de combate através do lançamento de granadas de mão, perdendo depois esta função e transformando-se nas subunidades de elite dos regimentos. Na segunda metade do século XVIII, nos regimentos da maioria dos países europeus são também introduzidas companhias de infantaria ligeira, também consideradas subunidades de elite como os granadeiros.
O conceito moderno de regimento fica completamente definido em meados do século XVIII. No final deste século, os regimentos de infantaria são geralmente constituídos por companhias de linha e por companhias de elite, distribuídas por um ou mais batalhões. As companhias de linha são as de fuzileiros (também conhecidas por companhias do centro ou de batalhão). As companhias de elite (também conhecidas por companhias de flanco ou companhias graduadas) são as de granadeiros e as de infantaria ligeira (estas, nalguns exércitos, conhecidas como caçadores, atiradores ou voltigeurs). Cada batalhão é constituído, em média, por dez companhias, das quais oito de fuzileiros, uma de granadeiros e outra de infantaria ligeira. Nesta altura existem já também regimentos de cavalaria — normalmente organizados em quatro esquadrões, cada um com duas companhias — e regimentos de artilharia.
Até ao século XIX, o regimento continua a manter-se apenas como unidade administrativa em quase todos os exércitos, com o batalhão a ser a unidade tática. No entanto, em alguns exércitos, o regimento começa também a ser uma unidade tática, constituída por dois ou mais batalhões. A utilização do regimento como unidade tática dá origem ao que é conhecido como "Sistema Continental" de organização. Em outros exércitos, contudo, apenas o batalhão se mantém como unidade tática, continuando o regimento como unidade administrativa, num sistema de organização que ficará conhecido como "Sistema Regimental".
Sistema Regimental thumb|right|300px|Cerimónia de apresentação de estandartes do Toronto Scottish Regiment (Queen Elizabeth the Queen Mother's Own) das Forças Armadas do Canadá. No Sistema Regimental, o regimento é uma unidade administrativa constituída por um número variável de batalhões que pode ser de apenas um a várias dezenas. Habitualmente, todos os batalhões pertencem à mesma arma.
Alguns regimentos recrutam o seu pessoal exclusivamente numa determinada área geográfica, incorporando normalmente o nome do local ou região de recrutamento na designação regimental. Em outros casos, o regimento apenas irá recrutar pessoal de um determinado grupo étnico (ex.: regimentos de Gurkhas do Exército Britânico) ou pessoal estrangeiro (ex.: Legião Estrangeira do Exército Francês). Em certos casos, são levantados novos regimentos para desempenhar novas funções especializadas no exército (ex.: 75.º Regimento de Rangers do Exército dos EUA).
Neste sistema, a unidade básica de manobra é o batalhão. O regimento cumpre uma função administrativa e de organização, mas não se apresenta no campo de batalha como uma unidade completa. O seu comando e estado-maior não faz parte da cadeia de comando operacional, assumindo apenas funções administrativas. Em termos operacionais, os comandantes dos batalhões regimentais respondem diretamente perante os comandantes da brigada ou divisão onde estão integrados. Para todos os efeitos operacionais, os batalhões regimentais constituem unidades táticas independentes.
Normalmente, existem dois coronéis em cada regimento: o coronel efetivo e o coronel honorário. O coronel efetivo é um militar de carreira que assegura a gestão administrativa do regimento, mas que não tem funções de comando tático sobre os batalhões regimentais. O coronel honorário ou coronel-chefe é uma figura cerimonial, sendo tradicionalmente escolhidos, para desempenharem esta função, oficiais generais ou membros de famílias reais em países monárquicos.
No Sistema Regimental, cada regimento é responsável pela gestão do pessoal e dos recursos dos seus batalhões, incluindo o recrutamento, a instrução básica, a colocação e a gestão dos recursos humanos. Cada regimento pode ocupar-se da formação do seu próprio pessoal em vez de o enviar para um centro de instrução comum a todas as unidades do exército. O pessoal militar que se alista num regimento raramente muda para outro ao longo da sua carreira, pelo menos até atingir as patentes de oficial general. Inclusive, quando um militar é destacado para exercer funções em academias militares, quartéis-generais ou outros destinos "extrarregimentais", continua a fazer parte — do ponto de vista administrativo — do seu regimento de origem, frequentemente mantendo o uso do uniforme e insígnias daquele. Mesmo os oficiais generais, frequentemente, apresentam-se indicando o seu regimento de proveniência, ainda que pela sua patente já não façam parte do mesmo.
O regimento converte-se num vínculo de união tanto profissional como social. Esta união inclui não só o pessoal militar que presta serviço no regimento, mas até os seus familiares e os antigos membros já reformados. Existem diversas organizações de defesa das tradições regimentais, como associações de veteranos, bandas de música, corpos de cadetes e museus. Regimento de Infantaria Regimento de Infantaria é uma unidade formada por 3 batalhões de soldados, que por sua vez é subdividido em 3 companhias. O Regimento, apesar de ser uma unidade com administração própria, é subordinado operacionalmente a uma brigada ou divisão. Comandado por um coronel ou tenente-coronel, seu efetivo gira em torno de 1000 a 1200 homens. Possui um estado-maior composto de seções de pessoal, inteligência, operações, logística e relações publicas para assessorar o comandante.
Sistema Continental thumb|right|215px|Condecorações da bandeira do 112e Régiment d'Infanterie do Exército Francês. Segundo o Sistema Continental, cada regimento é uma unidade tática formada por dois a quatro batalhões. Tradicionalmente, todos os batalhões pertencem à arma que classifica o regimento. No entanto, sobretudo a partir da Primeira Guerra Mundial, foi frequente a combinação de subunidade de armas distintas no mesmo regimento. O regimento será composto, portanto, pelos seus batalhões, por um comando e estado-maior e, ainda, por companhias ou pelotões especializados sob o controlo direto do comando regimental.
Como unidade militar, o regimento encontra-se — em termos de escalão tático — situado entre o batalhão e a divisão. No passado, em alguns exércitos, dentro de uma divisão, cada par de regimentos formava numa brigada. No entanto, depois da Primeira Guerra Mundial, regra geral, nos países onde vigora o Sistema Continental, o escalão intermédio da brigada foi eliminado. O regimentos passaram assim a ser taticamente equivalentes às brigadas dos países que as mantiveram, sendo ambos compostos por vários batalhões e agrupando-se diretamente em divisões.
No Sistema Continental, o regimento e a divisão são assim as unidades táticas fundamentais de campanha, empenhando-se normalmente de forma integral e sob comando único. O comando do regimento — chefiado pelo seu coronel — integra-se na cadeia de comando operacional, recebendo ordens do general comandante de divisão e transmitindo-as aos tenentes-coronéis ou majores comandantes dos seus batalhões. Os comandantes regimentais dispõem portanto de um comando tático em campanha.
O pessoal militar muda frequentemente de regimento para regimento ao longo da sua carreira. Assim, a formação geral e a gestão administrativa do pessoal militar é feita centralmente pelo exército e não por um regimento em particular.
Vantagens e desvantagens de cada sistema Tanto o Sistema Regimental como o Sistema Continental dispõem de vantagens e de desvantagens, um em relação ao outro.