O ducado de Camerino, em italiano ducato di Camerino, foi um pequeno estado independente, localizado no centro de Itália e encravado nos Estados Pontifícios. Foi governado, durante quase 300 anos, pela família Varano, com origens Lombardas e proveniente do ducado de Spoleto.
Foi, inicialmente, constituído como um Senhorio (ca.1259 - 1515) mas, em 1515, o último Senhor, João Maria de Varano, foi feito duque pelo Papa Leão X. A nova dignidade só se manteve até 1539, altura em que o ducado voltou a ser reintegrado nos Estados da Igreja.Lilli, p. 27
História
O "Estado" de Camerinonoutros tempos dava-se a este termo um significado diferente, uma vez que até um pequeno feudo era denominado "Estado" era completamente circundado pelos Estados Pontifícios
A sua posição era estratégica entre os Estados da Igreja e o ducado de Urbino e ambos tinham ambições de anexação sobre Camerino. Por isso, o sistema defensivo do senhorio, governado pela família Varano, era sólido e extenso, sendo parcialmente visível ainda hoje. Salienta-se a rocca. Expressão utilizada para designar "fortalezas medievais construídas em cima de rochas" Varanoonde residiam os coletores de impostos, responsáveis pela coleta da portagem na estrada que ligava Roma ao mar Adriático; as fortalezas de Spinoli e de Santa Lucia, a rocca d'Ajello.Feliciangeli, Di alcune rocche.., p. 12
Em 1240 era um legado do Papa que ali exercia as funções governativas. Dezanove anos depois a cidade foi devastada pelo exército do rei Manfredo da Sicília, filho natural do imperador Frederico II. Muitos habitantes foram trucidados e quem se salvou regressou em 1262: entre estes, Gentile I de Varano, primeiro senhor com a anuência do Papa Alexandre IV.
A partir do século XIII, o poder político-administrativo foi sendo transferido do campo para Camerino, onde Júlio César de Varano (1444-1502), um dos mais significativos membros da família, mandara construir o Palácio Ducal, o templo da Anunciada (mausoléu da dinastia Varano), e o mosteiro dos beneditinos onde a sua filha, a futura santa Camilla Battista, viria a professar. Doou à sua esposa, Joana Malatesta (pertencente à família Malatesta, senhores de Rimini), o castelo de Lanciano, localizado perto de Castelraimondo, residência de Verão, no qual se alojou a marquesa de Mântua, Isabel d'Este que, em 1494, visitou os Varano na sua viagem a Roma e a Urbino (onde reinava a cunhada Isabel Gonzaga).Guerra Medici, pp. 29-32
Sob a administração de Júlio César e de João Maria de Varano (1502-1527), nomeado duque pelo Papa Leão X (um Médici, tio materno da mulher Catarina Cybo), o pequeno estado expande-se, os habitantes aumentaram e a atividade comercial prospera. Passou a ser cobiçado e, em 1502, César Bórgia (filho natural do Papa Alexandre VI) apoderou-se do senhorio mandando assassinar Júlio César e três dos seus filhos.
João Maria de Varano (neto de Júlio César), escapou ao massacre, regressando a Camerino após a morte do Papa Alexandre VI. No entanto, a sua própria morte, em 1527, pré-anunciou o fim do ramo dinástico e a extinção do ducado. Como também viria a acontecer no Ducado de Urbino, a disposição papal previa a reabsorção do feudo em caso de não haver herdeiro masculino: ao contrário do que viria a acontecer com Vitória Della Rovere, Grã-duquesa consorte da Toscana e última dos Della Rovereque herdou o património do avô mas não o trono de Urbino, a jovem filha do duque de Camerino, Júlia de Varano, sob a regência da mãe Catarina Cybo, conseguiu suceder ao pai, com o apoio do marido Guidobaldo II Della Rovere, duque de Urbino (com quem casara numa sumptuosa cerimónia), contrariando as pretensões da linha de Ferrara dos Varano.
No entanto, em 1539, o Papa Paulo III, obriga o casal a renunciar aos próprios direitos a troco de 78.000 ducados de ouro, e o feudo foi integrado nos Estados Pontifícios, após um breve governo de Octávio Farnésio (1540-1545).
Virgínia Della Rovere (1544-1571), filha do casal ducal e herdeira dos bens deixados pela sua avó, a duquesa-mãe Catarina Cybo, tentou recuperar Camerino com o apoio do consorte, Frederico Borromeo, conde de Arona, mas não conseguiu. Uma segunda tentativa, desta vez com o apoio do segundo marido Ferdinando Orsini, duque de Gravina, também falhou. Virgínia morre em Nápoles sem descendência.Guerra Medici, pp. 40-42I volti di una dinastia, pp. 16-17
Soberanos de Camerino (ca.1259 - 1539)
Gentile I de Varano, Senhor de Camerino ca.1259-1284Casou com Alteruccia d'Altino Berardo I de Varano, Senhor de Camerino 1284-1325Casou com Emma Rodolfo I de Varano, Senhor de Camerino 1284-1316juntamente com Berardo ICasou com Galatea Gentile II de Varano, Senhor de Camerino 1325-1355filho de Berardo ICasou com Gentilesca Berardo II de Varano, Senhor de Camerino 1335-1341associado ao pai Gentile II, morrendo antes deleCasou com Bellafiore Brunforte de San Ginesio Rodolfo II de Varano, Senhor de Camerino 1355-1384filho de Berardo IICasou com (1) Paolina di Mogliano, (2) Camilla Chiavelli João I de Varano, Senhor de Camerino 1384-1385 Gentile III de Varano, Senhor de Camerino 1385-1399irmão mais novo de Rodolfo IICasou com Teodora Salimbeni Rodolfo III de Varano, Senhor de Camerino 1399-1424Casou com (1) Elisabetta Malatesta, (2) Constança Smeducci Piergentile da Varano, Senhor de Camerino 1424-1433Casou com Elisabetta Malatesta João II de Varano 1424-1433Casou com Bartolomea Smeducci com Piergentile Rodolfo IV de Varano, Senhor de Camerino 1444-1464 perda do senhorio 1434-1444Casou com Camilla d'Este Júlio César de Varano, Senhor de Camerino 1444-1502juntamente com Rodolfo IV Casou com Giovanna Malatesta Venâncio de Varano, Senhor de Camerino 1502Casou com Maria Della Rovere**governo de César Bórgia (1502-1504)** João Maria de Varano, Senhor de Camerino 1504-1515; Duque de Camerino 1515-1527Casou com Catarina Cybo, regente 1527-1535 Júlia de Varano, Duquesa de Camerino 1527-1539Casou com Guidobaldo II Della Rovere, duque de Urbino
Notas
Bibliografia AA. VV., I volti di una dinastia. I da Varano di Camerino, Federico Motta Editore, Milão, 2001. Sandro Corradini, Il palazzo di Giulio Cesare Varano e l'architetto Baccio Pontelli, Studi Maceratesi, Macerata, 1969. Bernardino Feliciangeli, Notizie e documenti sulla vita di Caterina Cibo-Varano, duchessa di Camerino, Libreria Editrice Favorino, Camerino, 1881. Bernardino Feliciangeli, Di alcune rocche dell'antico stato di Camerino, Deputazione di Storia Patria per le province delle Marche, Ancona, 1904. Maria Teresa Guerra Medici, Famiglia e potere in una signoria dell'Italia centrale: i Varano di Camerino, Università degli Studi, Camerino, 2002. Camillo Lilli, Istoria della città di Camerino, tipografia Grisei, Macerata 1652. (rist. anast., Forni, Bolonha, 1991) Milziade Santoni, Della zecca e delle monete di Camerino, tipografia Ricci, Florença, 1875.
Ver também Catarina Cybo Camerino Júlia de Varano Varano (família)
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