Deltan Martinazzo Dallagnol (Pato Branco, 15 de janeiro de 1980) é um jurista e político brasileiro, filiado ao Partido Novo (NOVO), sendo atualmente dirigente partidário da legenda. Foi procurador da República de 2003 a 2021 e tornou-se notório por integrar e coordenar a força-tarefa da Operação Lava Jato, que investigou crimes de corrupção na Petrobras e em outras estatais. Foi deputado federal pelo Paraná entre fevereiro e junho de 2023, quando a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados confirmou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o condenou à perda do mandato, por fraude à Lei da Ficha Limpa.

Vida pessoal Deltan Martinazzo Dallagnol nasceu em 1980 em Pato Branco, no Paraná, filho do procurador de justiça Agenor Dallagnol e de Vilse Dallagnol. É cristão evangélico, sendo membro da igreja Batista.

Formação acadêmica e carreira profissional Dallagnol formou-se bacharel em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2002 e mestre em direito pela Harvard Law School em 2013.

Ingressou mediante concurso público no Ministério Público Federal como procurador da República em 30 de janeiro 2003, quando entrou amparado por decisão judicial pois não havia completado dois anos de conclusão do curso de Direito. Também havia sido aprovado em 1º lugar no concurso para o cargo de promotor de justiça do Ministério Público do Estado do Paraná e em 2º lugar no concurso para o cargo de juiz de direito do mesmo Estado. Especializou-se em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro, com atuações em casos grandes como Banestado, e coordenou a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Em 3 de novembro de 2021, pediu exoneração do cargo de procurador da República. Tornou-se colunista da Revista Oeste.

Carreira política Filiou-se ao Podemos (PODE) e candidatou-se ao cargo de deputado federal pelo Paraná nas eleições do dia 2 de outubro de 2022, sendo eleito como o mais votado do estado, com 344.917 votos.

Cassação Exerceu o cargo entre 1º de fevereiro e 6 de junho de 2023. No dia 16 de maio de 2023 teve o registro de sua candidatura cassado por decisão unânime do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base em uma representação apresentada à corte pela Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) e pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN). A representação afirmou que Dallagnol não poderia ter deixado a carreira de procurador da República enquanto respondia a reclamações disciplinares e sindicâncias no Conselho Nacional do Ministério Público.

O tribunal, acompanhando o voto do relator dos processos, ministro Benedito Gonçalves, entendeu que Dallagnol pediu exoneração de maneira antecipada, enquanto estavam pendentes 15 procedimentos administrativos contra si no Conselho Nacional do Ministério Público, com o intuito de burlar possibilidade de inelegibilidade por eventual condenação em processo administrativo. A defesa citou a jurisprudência no caso do Sérgio Moro, em que a inelegibilidade daria-se apenas com existência de PADs, e que não existiam contra si PADs em andamento. Ele foi considerado inelegível com base no artigo 1º, inciso I, letra “q” da Lei da Ficha Limpa.

A decisão gerou debate, com diversos juristas criticando-a por entenderem que a Corte Eleitoral cometeu um "erro" ao "ampliar" as hipóteses de inelegibilidade. O principal argumento levantado é que as normas punitivas, como a Lei da Ficha Limpa, que restringe os direitos políticos, devem ser interpretadas de forma restritiva, uma vez que a elegibilidade é um direito político fundamental. Por outro lado, aqueles que concordaram com a decisão afirmam que a corte seguiu o "espírito da lei", que busca evitar que autoridades contornem as hipóteses de inelegibilidade.

Posteriormente, em 6 de junho, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados confirmou a cassação, por unanimidade.

Partido Novo Após a perda do mandato de deputado federal, Dallagnol filiou-se ao Partido Novo, no qual passou a exercer função remunerada, com salário bruto de aproximadamente R$ 41 mil.

Em 24 de março de 2026, Dallagnol, que perdeu o mandato, foi anunciado como pré-candidato ao Senado pelo Paraná durante o evento de filiação de Sergio Moro ao Partido Liberal.

Em 19 de setembro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu os atos de campanha e o repasse de recursos dos fundos Eleitoral e Partidário para Deltan Dallagnol, que concorre ao Senado pelo Paraná.

Diárias da Operação Lava Jato No dia 9 de novembro de 2021, o Tribunal de Contas da União (TCU) tomou a decisão de obrigar procuradores da Operação Lava Jato a devolverem dinheiro de diárias de passagens utilizadas por ex-integrantes da operação. "Esse modelo viabilizou uma indústria de pagamento de diárias e passagens a certos procuradores escolhidos a dedo, o que é absolutamente incompatível com as regras que disciplinam o serviço público brasileiro" diz trecho da decisão, conforme noticiado pela CNN Brasil.

"Já Deltan Dallagnol, que coordenava a força-tarefa de Curitiba, será citado para devolver solidariamente recursos aos cofres públicos por ter supostamente idealizado o modelo de trabalho do grupo de procuradores da operação. Se condenados de forma definitiva, os procuradores e ex-procuradores ficarão inelegíveis — o que pode atrapalhar os planos de Dallagnol e de Janot, que já estariam conversando com o partido Podemos para participar das próximas eleições".

Segundo o Correio Braziliense, "a Corte entendeu que alguns gastos com passagens e diárias são considerados irregulares. A ação pode tornar os procuradores inelegíveis, entre eles, o ex-coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que pretende se aventurar na política".

Em 9 de agosto de 2022, o TCU, por cinco votos a zero, condenou Dallagnol, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o procurador João Vicente Romão a devolverem 2,8 milhões de reais à União pelas diárias gastas durante a Operação Lava-Jato. Tal decisão, no entanto, contrariou a área técnica do próprio TCU, que recomendou o arquivamento. Ambos poderiam recorrer da decisão, e tal julgamento deixou Deltan inelegível, através da Lei da Ficha Limpa.https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/08/09/camara-do-tcu-condena-dallagnol-janot-e-procurador-a-ressarcir-cofres-publicos-por-diarias-e-passagens.ghtml Segundo a Folha de S.Paulo, ao menos quatro dos cinco ministros que votaram pela condenação já foram citados e até mesmo investigados pela operação Lava-Jato antes de serem efetivados integrantes do Tribunal: Antonio Anastasia, Bruno Dantas, Aroldo Cedraz e Augusto Nardes.https://www1.folha.uol.com.br/poder/2022/08/3-dos-4-ministros-do-tcu-que-votaram-contra-deltan-foram-alvo-de-inqueritos.shtml

Em setembro de 2022, a 6ª vara federal de Curitiba acolheu os pedidos da defesa e suspendeu a ação do TCU. "A decisão mostra o que nós já sabíamos: o processo no TCU é repleto de irregularidades e não tem respaldo na realidade. Basta notar, por exemplo, que eu nunca sequer recebi as diárias em questão e nem tinha poder para autorizar os pagamentos", disse Deltan, em nota à imprensa.

Em 7 de junho de 2023, o STJ decidiu manter a condenação do ex-deputado, que deve ressarcir os valores gastos indevidamente com diárias e passagens áreas quando atuava na força-tarefa da Operação Lava Jato.

Projeto anticorrupção thumb|Deltan em um congresso em 2016, defendendo as Dez medidas contra a corrupção.

De acordo com o procurador, a Operação Lava Jato trouxe esperança na luta contra corrupção, mas ele considera difícil punir corruptos no Brasil sendo preciso mudar a legislação para garantir que os criminosos que cometam esse tipo de crime “permaneçam por mais tempo na cadeia e devolvam o dinheiro desviado da saúde, segurança e educação”. Teve um trabalho essencial para em março de 2016 superar 2 milhões de assinaturas do projeto "Dez medidas contra corrupção" apoiado pelo Ministério Público Federal.

Em 2016, posicionou-se contrário a emenda para incluir anistia ao caixa 2 nas 10 medidas contra corrupção. Segundo Dallagnol, a proposta de anistiar o caixa dois, discutida na Câmara dos Deputados, representaria também a anistia à corrupção e à lavagem de dinheiro. A declaração foi feita no dia 28 de novembro de 2016, em debate na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na Zona Sul do Rio. "A proposta que se fez de anistia não é uma proposta de anistia a caixa dois. É uma proposta de anistia a crimes relacionados ao caixa dois, redigida de modo tal a permitir anistia – na verdade o que se quer – é garantir anistia da corrupção e lavagem de dinheiro, inclusive praticados na Lava-Jato", disse o procurador. Ele também é contrario ao projeto de lei (PLC 27/2017) que prevê sanções a magistrados e a promotores e procuradores por abuso de autoridade. Ele diz que o "projeto é fruto daquelas 10 medidas contra a corrupção, mas em vez de avançar na luta contra a corrupção, depois de ter sido muito deturpado, se for aprovado vai significar um grande retrocesso.”

Valores recuperados pela força-tarefa thumb|Deltan e o PGR Rodrigo Janot na cerimônia de devolução à Petrobras de valores recuperados pela Lava Jato. Em novembro de 2015, o procurador Deltan Dallagnol afirmou que a Operação Lava Jato quebrou todos os recordes de devolução de recursos para o país, recuperando 2,4 bilhões de reais. Antes da Lava Jato, "tudo que foi recuperado no país e entrou nos cofres públicos, em todos os outros casos de corrupção juntos, somam menos de R$ 45 milhões", disse o procurador .

Em março de 2016, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot trouxe os números atualizados e afirmou que a Lava Jato já teria recuperado mais de quatro bilhões de reais.

Em 21 de dezembro de 2016, Deltan Dallagnol divulgou em suas redes sociais mensagem sobre o bilionário acordo de leniência com a Odebrecht (atual Novonor) e a Braskem. Em sua conta no Facebook disse que "é possível um Brasil diferente e a hora é agora". A Odebrecht foi condenada a pagar multa de 3,82 bilhões de reais às autoridades do Brasil, Estados Unidos e Suíça. A empreiteira informou que o valor será pago ao longo de 23 anos e a soma das parcelas será reajustada de acordo com a taxa SELIC. A Braskem pagará 3,1 bilhões de reais em parcelas anuais reajustadas pela variação do IPCA. Dos quase 6,9 bilhões de reais, o Brasil ficará com 2,3 bilhões de reais da Braskem e 3 bilhões de reais da Odebrecht, somando 5,3 bilhões de reais. É o maior ressarcimento da história mundial, nas palavras do próprio procurador.

Dallagnol analisou e entendeu que a criação de uma fundação privada promovida com dinheiro de um acordo entre a Petrobras e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, "era uma solução viável".

Premiações Global Investigations Review Em 24 de setembro de 2015, foi premiado pelo Global Investigations Review (GIR). O GIR é um portal de notícias consolidado no cenário internacional como um dos principais canais sobre investigações contra a corrupção e instituiu o prêmio para celebrar os investigadores e as práticas de combate à corrupção e compliance que mais impressionaram no último ano. Em seis categorias, foram reconhecidas práticas investigatórias respeitadas e admiradas em todo o mundo. A força-tarefa concorreu com investigações famosas como a do caso de corrupção na Fifa. Os países que disputaram o prêmio com o Brasil foram Estados Unidos, Noruega, Reino Unido e Romênia.

Prêmio República Em 10 de maio de 2016, a Operação Lava Jato recebeu prêmio especial, com o título hors concours, na categoria de Combate à Corrupção no IV Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal (MPF). Foram premiadas, no total, onze iniciativas e quatro receberam menção honrosa. A premiação foi realizada no auditório da Associação Médica Brasileira, em Brasília. A cerimônia contou com a presença de autoridades, procuradores da República, jornalistas e instituições de responsabilidade social.

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