Operação O Recebedor é uma operação da Polícia Federal do Brasil, deflagrada em 26 de fevereiro de 2016, como um desdobramento da Operação Lava Jato.

Mandados Foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão e sete mandados de condução coercitiva em Goiás e em mais seis unidades da federação. Participaram da operação 180 policiais federais.

Atuação A Polícia Federal e Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO) encontraram indícios de pagamento de propina, formação de cartel e superfaturamento em obras de ferrovias. A Operação "O Recebedor" investiga mais de R$ 630 milhões em desvios somente em Goiás, entre 2006 e 2011. “Nós temos alguns inquéritos em andamento e outros encerrados que apuraram o superfaturamento das obras da Ferrovia Norte-Sul e Leste-Oeste, apenas nos trechos goianos, em média de R$ 600 milhões”, afirmou o delegado Ramon Menezes, presidente do inquérito junto à PF.

De acordo com as investigações, empreiteiras combinavam entre si os valores dos lances que seriam dados durante as licitações para as obras das ferrovias, o que configura o cartel.

Acordo de leniência O esquema começou a ser investigado após um acordo de leniência firmado com a construtora Camargo Corrêa. Em acordos do tipo, uma empresa envolvida em algum tipo de ilegalidade denuncia o esquema e se compromete a auxiliar um órgão público na investigação. Em troca, pode receber benefícios, como redução de pena e até isenção do pagamento de multa.

Devolução de recursos Segundo o MPF-GO, a Camargo Corrêa se comprometeu a restituir 700 milhões de reais aos cofres públicos, dos quais 75 milhões de reais destinados a ressarcir os danos acusados à Valec.

Desfecho judicial Em ações de improbidade administrativa relativas às obras da Ferrovia Norte-Sul, a Justiça Federal em Goiás julgou improcedentes, em 2025, as acusações do Ministério Público Federal contra o ex-presidente da Valec José Francisco das Neves (Juquinha) e familiares. No processo nº 0016729-53.2016.4.01.3500 reconheceu-se a ausência de nexo causal entre as condutas e o suposto enriquecimento ilícito; no processo nº 0014595-29.2011.4.01.3500 não se considerou demonstrado dolo, sobrepreço ou direcionamento de licitação, tendo perícia judicial produzida em 2021 concluído pela inexistência de superfaturamento nas obras.

Ver também Desdobramentos da Operação Lava Jato Fases da Operação Lava Jato

Ligações externas

Recebedor Categoria:Escândalos de corrupção no Brasil na década de 2010 O Recebedor