José Félix Alves Pacheco (Teresina, 2 de agosto de 1879 — Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1935) foi um jornalista, político, poeta e tradutor brasileiro que serviu como Ministro das Relações Exteriores do Brasil durante o Governo Artur Bernardes, entre 1922 e 1926.
Biografia Filho de Gabriel Luís Ferreira e Maria Benedita Cândida da Conceição Alves Pacheco. Estudou no ensino fundamental ainda em Teresina, indo em 1890 para ao Rio de Janeiro, onde o tio Teodoro Alves Pacheco era senador. Aí efetua a complementação de seus estudos, bacharelando-se em Direito, em 1897.
Ingressou no jornalismo, chegando a tornar-se um dos coproprietários do Jornal do Commercio (ainda existente, sendo um dos mais antigos jornais brasileiros ainda em circulação). Considerado por muitos que conheciam sua "imparcialidade de espírito" e o seu "entusiasmo discreto" um dos maiores jornalistas de seu tempo.
Pertenceu à Ordem rosa-cruz.
Foi casado com Dora Vianna Rodrigues, com quem teve duas filhas: Ignez (Ignezita) e Martha. Seu pai, Gabriel Luís Ferreira, e o irmão, João Luís Ferreira, governaram o Estado do Piauí.
Vida pública Félix Pacheco ingressou na política elegendo-se, pelo Piauí, seu estado natal, deputado federal em 1909, obtendo, nos anos seguintes, sucessivas reeleições, até 1921, quando elege-se senador para um mandato de 8 anos.
Foi, no governo Artur Bernardes (1922–1926), Ministro das Relações Exteriores, retornando para o Senado em 1927, pouco antes do fim do seu mandato. A 14 de dezembro de 1922, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, de Portugal.
Paralelamente à carreira política, dedicou-se à vida literária. Poeta de estilo intermediário entre o parnasianismo e o simbolismo, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1912.
Tradutor de mérito reconhecido, voltou-se para a obra de Baudelaire, tornando-se um de seus principais intérpretes e divulgadores no Brasil. Traduziu, comentou e estudou a obra desse escritor francês sob o ponto de vista bibliográfico, crítico e literário. Essa dedicação obstinada foi coroada com o discurso que pronunciou em 24/11/1932, intitulado "Baudelaire e os milagres do poder da imaginação", publicado no ano seguinte, quando também publicou outros diversos estudos sobre o renomado escritor.
Ainda em 1927, em renhido pleito, volta a disputar o mandato de senador da República, concorrendo contra o velho cacique Firmino Pires Ferreira. Embora tenha se declarado vitorioso, a Justiça da época, em plena República Velha, reconhece a vitória de seu opositor. Insatisfeito com essa decisão pouco convincente, abandona a política, vindo a falecer oito anos depois. miniaturadaimagem|Diploma de membro da Academia Brasileira de Letras em 1918, assinado pelo então presidente Rui Barbosa.
Academia Brasileira de Letras Escritor de vasta produção literária, publicou mais de duzentas obras, deixando também vasta produção como publicista, além de conferências e discursos. Como reconhecimento pela qualidade de sua produção literária, no ano de 1913 ingressou na Academia Brasileira de Letras, eleito que fora no ano anterior, sendo o primeiro piauiense a ocupar Cadeira naquela augusta Casa de Cultura. Ocupou a cadeira 16, cujo patrono é Gregório de Matos, sendo seu segundo ocupante. Mais tarde Ingressou na Academia Piauiense de Letras.
Identificação datiloscópica
Pioneiro defensor da introdução no Brasil do método de identificação pelas impressões digitais — para a qual ainda havia descrentes e alguma oposição no país, foi Félix Pacheco o fundador e primeiro diretor do Gabinete de Identificação e Estatística da Polícia do Distrito Federal, hoje Instituto de Identificação Félix Pacheco — o primeiro no país a adotar o banco de dados datiloscópicos.
Obras Dono de estilo entre o parnasiano e o simbolista, viveu a transição desses momentos literários. Sua obra não é muito conhecida — sequer merecendo análise no quadro apresentado por Manuel Bandeira em seu "Apresentação da poesia brasileira". De fato, a vaga na Academia, em seu caso, deveu-se muito mais à condição de "notável" que propriamente por suas qualidades literárias. Já acadêmico dedica-se à tradução da obra de Baudelaire — importante contribuição para a literatura e sua divulgação.
Publicações
Chicotadas, poesias revolucionárias - 1897 Via Crucis - 1900 O périplo de Hannon - (monografia) - 1900 Mors-Amor - 1904 Luar de amor - 1906 Dois egressos de farda - (estudo) - 1909 Poesias - 1914 Ignezita - 1915 Martha - 1917 Tu, só tu - 1917 No limiar do outono - 1918 O pendão da taba verde - 1919 Lírios brancos - 1919 Estos e pausas - 1920 Em louvor de Paulo Barreto - 1921 A "Canaã" de Graça Aranha - 1931 Robres e Cogumelos (sobre José do Patrocínio e os pigmeus da imprensa) - 1932 Duas charadas bibliográficas - 1932 Poesias - 1932 (reunião de obras anteriores)A aliança de prata - 1933Descendo a montanha - 1935A Academia e os seus problemas - 1935
Excerto A poesia transcrita a seguir (domínio público), exemplifica a obra do poeta num soneto, forma então já bastante popularizada no Brasil:Do cimo da montanha
Musa, pára um momento aqui, musa severa!Olha deste alto cimo a Pátria, o Sonho, a Vida... Mede toda a extensão imensa percorrida,E o presente, e o porvir esmiúça, e considera!
Interpreta, na estrofe, a saudade sincera,E realça, firme, o traço à página esquecida! Canta a luz que te doura, e estende-a, refletida,Sobre os rincões natais, que tua alma venera!
Mas grava tudo lenta, unindo, com orgulho,O esto dos palmerais, e a harmonia dos trenos, Como na relação do efeito para as causas...Junta o carme à epopéia, enlaça o grito e o arrulho, E os quarenta anos teus se fixarão, serenos,Num longo beijo quente, ampliado em sóis e em pausas...
Ligações externas
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