Big Brother Brasil 17 foi a décima sétima temporada do reality show brasileiro Big Brother Brasil, que foi exibida pela TV Globo entre 23 de janeiro e 13 de abril de 2017, com 81 dias de confinamento, estreando pela segunda vez na história do programa em uma segunda-feira e também pela segunda vez terminando numa quinta-feira. A temporada foi apresentada por Tiago Leifert (substituindo Pedro Bial, que deixou o programa após 16 edições) e teve direção geral de Rodrigo Dourado.
Esta foi a quinta edição a ser exibida em HD. Também foi a terceira edição em que foi possível acompanhar em múltiplas plataformas através do BBB Play e do Globoplay.
A edição terminou com a vitória da estudante Emilly Araújo, que recebeu 58% dos votos, e faturou o prêmio máximo de R$ 1,5 milhão sem desconto de impostos. Foi a terceira vez que o Big Brother Brasil teve apenas mulheres na final, após o Big Brother Brasil 14 e o Big Brother Brasil 16.
Antecedentes e produção Promovendo reformulação no formato e em sua programação, em 22 de agosto de 2016, a TV Globo anunciou Tiago Leifert como novo apresentador do programa, a partir da décima sétima temporada, substituindo Pedro Bial. Bial deixou o programa para desenvolver seu próprio talk show, Conversa com Bial, que estrearia em maio de 2017 no lugar do Programa do Jô. Por conta da troca, Leifert teve que deixar a apresentação dos programas É de Casa e The Voice Kids. Houve também mudança no tema de abertura, onde "Vida Real", canção de Paulo Ricardo que está na abertura do reality show desde a primeira temporada, ganhou um novo arranjo e estreou sua quinta versão, produzida pelo DJ Ftampa.
Rafael Cortez e Paulinho Serra também passaram a integrar o elenco do programa. Serra entrou como repórter, substituindo Dadá Coelho no "Selfie BBB", e Rafael Cortez ganhou um quadro no programa chamado "BBB Sem Moderação", exibido nas terças-feiras, onde comentava de forma bem-humorada as mensagens dos internautas nas redes sociais. Cortez também foi escalado para comandar a "Mesa-Redonda BBB", uma espécie de programa à parte transmitido apenas na internet, onde recebia o eliminado da semana, ex-participantes do reality show e personalidades da TV e da internet para comentarem os principais acontecimentos da casa.
O cartunista Maurício Ricardo, que tinha um quadro de charges no programa desde 2004, não retornou nessa edição e, como substituição, o programa estreou um novo quadro chamado "Os Silva", exibido nas terças-feiras, em que uma família de bonecos fantoches comentavam os principais acontecimentos da casa num formato de sátira. Os bonecos eram dublados por Leandro Soares, Lúcio Mauro Filho, Heloísa Périssé, Izabel Lira e Mário Jorge de Andrade. O quadro dos fantoches, no entanto, acabou sendo extinto logo nas primeiras semanas do programa.
O Jogo Seleção dos participantes As inscrições online para as seletivas regionais e nacional puderam ser feitas entre 10 de maio e 6 de agosto de 2016. As seletivas regionais foram realizadas em onze capitais brasileiras, incluindo pela primeira vez Maceió e Manaus. Candidatos inscritos na seletiva nacional, além da entrevista presencial, puderam ser entrevistados através da Banca Virtual via Facetime ou Skype. A seleção também contou com a ajuda de um olheiro virtual, que procurou nas redes sociais pessoas que se destacam na profissão ou que têm alguma responsabilidade social.
Volta do sistema de votação nacional No Big Brother Brasil 16, houve uma mudança no formato da votação do público. A partir da quinta semana de confinamento, a votação dos paredões passou a ser regional. Os votos dados através da votação na internet eram agrupados e apurados individualmente por região (Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul). O candidato que alcançasse a maioria simples de votos em cada região ganhava um ponto. Também ganhava um ponto o candidato que obtivesse a maioria simples de todos os votos por SMS e telefone somados. Dessa forma, eram seis pontos no total: cinco por região geográfica mais um por SMS e telefone, sendo eliminado o que obtivesse mais pontos no total. Segundo a emissora, não houve diferença significativa no sistema regional, anunciando para a edição atual a volta do sistema tradicional em que a votação é unificada e quem possuir a maior porcentagem será o eliminado da semana, valendo também para a escolha do vencedor.
Gêmeos na disputa pelas vagas finais Em 18 de janeiro de 2017, foi revelado pela emissora que quatro candidatos, duas duplas de gêmeos, entrariam antes dos outros competidores na casa e disputariam as duas vagas finais da edição. O público teve que decidir entre um irmão de cada dupla para entrar oficialmente no jogo.
A disputa aconteceu entre os irmãos promotores de eventos Antônio e Manoel Rafaski, de 23 anos, de Vila Velha, Espírito Santo, e as irmãs estudantes Emilly e Mayla Araújo, de 20 anos, de Eldorado do Sul, Rio Grande do Sul. Os mais votados pelo público para ganharem as duas vagas finais no jogo foram Manoel e Emilly, respectivamente.
+Candidatos das duplas de gêmeosCandidatoIdadeOcupaçãoOrigemResultado23 eventosVila Velha, Espírito SantoManoel Augusto Pereira Rafaski23Vila Velha, Espírito SantoEscolhidoEmilly de Araújo Corrêa20Estudante Sul, Rio Grande do SulEscolhidaMayla de Araújo Corrêa20Estudante
Divisão por muro Assim como ocorreu na primeira semana do Big Brother Brasil 9, a casa foi dividida por um muro na sexta semana de confinamento. Em 6 de março de 2017, houve uma votação na casa para eliminar um participante, onde quem recebeu mais votos passou para o outro lado do muro com mais quatro participantes à sua escolha. Marcos, por ter recebido de Ilmar uma pulseira branca seguindo instruções do Big Fone, teve voto em dobro nesta votação. Emilly foi a mais votada pela casa, com seis votos (os de Daniel, Ieda, Pedro, Roberta, Rômulo e Vivian), e após uma falsa eliminação foi conduzida ao lado mexicano, do outro lado do muro, levando consigo Daniel, Ilmar, Marcos e Marinalva. O lado americano foi composto pelo restante: Ieda, Pedro, Roberta, Rômulo e Vivian. Somente os participantes do lado mexicano disputaram a prova do Líder da sétima semana, enquanto somente o lado americano pôde disputar a prova do anjo. Em 10 de março de 2017, os participantes tiveram que realizar uma troca deliberada entre os dois lados: Daniel passou para o lado americano, enquanto Rômulo foi para o lado mexicano. Em 11 de março de 2017, o muro foi retirado e os participantes voltaram a conviver juntos.
Intercâmbio cultural No dia 9 de março de 2017, foi anunciado que a edição faria um intercâmbio cultural com o Gran Hermano VIP 5, da Espanha. No dia 12 de março de 2017, foi anunciado que a participante Elettra Lamborghini viria ao Brasil e os gêmeos já eliminados Antônio e Manoel Rafaski iriam para a Espanha. Elettra entrou na casa do BBB17 no dia 15 de março de 2017 e permaneceu até a manhã do dia 18 de março de 2017, retornando ao reality show espanhol.
Antônio e Manoel chegaram ao Gran Hermano VIP 5 no dia 16 de março de 2017. Ao entrarem na atração, os irmãos tinham a missão de enganar os integrantes do reality show espanhol, dizendo que eram a mesma pessoa, para tentar ganhar um prêmio. Ambos se revezaram no confinamento e atendiam apenas pelo nome de Antônio. Porém, poucas horas depois da entrada, o mistério foi desfeito e os gêmeos foram descobertos. Apesar de terem perdido a premiação, Antônio e Manoel continuaram no Gran Hermano VIP 5 até o dia 23 de março de 2017.
Controvérsias Acusações de favorecimento Ao longo da décima sétima edição do Big Brother Brasil, a produção do programa e a Globo foram acusadas de favorecer a participação de Emilly Araújo e Marcos Härter. Emilly foi selecionada com 55% dos votos do público, após disputar com sua irmã gêmea Mayla uma vaga na casa, enquanto que Marcos esteve entre entre os 13 participantes previamente escolhidos. Semanas depois, passaram a formar um casal dentro da casa. Em crítica para o UOL, o jornalista Mauricio Stycer mencionou a capacidade da edição "de desenvolver uma história e, eventualmente, influenciar o julgamento do público no BBB", posteriormente destacando atitudes do apresentador Tiago Leifert ao dialogar com o público e participantes. Para Stycer, a forma que Leifert conduz o programa "é bem mais didática que a de [Pedro] Bial". Em texto mencionando a queda de audiência da edição, o jornalista destacou o fato de Emilly ter criado "excesso de antipatia" com o público, mas que tinha boas características para ser uma ótima personagem para reerguer a audiência, algo que segundo o mesmo falta na edição, por sugerir que "falta uma Ana Paula [Renault]", participante da temporada anterior que se destacou por conta de seu comportamento. Em outro texto, escreve que o casal formado por Emilly e Marcos se tornaram essenciais para a temporada, depois definindo como os "protagonistas da edição".
Em crítica sobre o programa de 23 de fevereiro, Mauricio Stycer destaca que um diálogo de Emilly com Elis foi distorcido na edição. Stycer também apontou um esforço para "marcar" Elis como a vilã da temporada, onde ela foi nomeada "agente do caos". Posteriormente, foi eliminada com 80% dos votos em 28 de fevereiro. O ápice ocorreu em 6 de março, quando um muro dividiu a casa em dois lados. A decisão foi criticada por ter sido realizada 1 dia após ter sido formado um Paredão, onde Emilly foi indicada e, no Paredão falso, foi eliminada com seis votos (ao ser votada por Daniel, Ieda, Pedro, Roberta, Rômulo e Vivian) contra cinco votos em Ieda (os de Emilly, Ilmar, Marcos e Marinalva), mas entrou para o "Lado Mexicano" da casa e escolheu outros cinco participantes que iriam disputar a Prova do Líder junto com ela. Em novo texto, Mauricio Stycer apontou que a reviravolta no jogo era uma grande bobagem, mas "ajudou Emilly a angariar mais simpatia junto ao público", que completou: "A rejeição a Emilly dentro da casa já era conhecida pela direção do programa. Logo, promover uma falsa eliminação apenas um dia depois da votação verdadeira dificilmente traria um resultado inesperado". No programa do dia 7 de março, o participante Pedro, que disputava com Emilly e Marinalva o Paredão, foi eliminado com 71,71% dos votos. Nas redes sociais, internautas protestaram contra a movimentação do programa e o suposto favorecimento a Emilly e, no Twitter, criaram hastags como "#BBBMANIPULADO", "#VergonhaPatrocinarBBB" e "#EmillyVergonhaNacional". A ex-participante Ana Paula Renault criticou a reviravolta do jogo e afirmou que "a credibilidade do programa foi colocada à prova", acreditando que as votações do programa são verídicas, mas "acreditando também na manipulação por parte das edições e contextos, que favorecem – e desfavorecem – determinados participantes".
Denúncia de agressão e expulsão de Marcos Em diversos momentos da temporada, o participante Marcos Härter teve diversos conflitos entre os participantes, com a produção do programa e com Emilly Araújo, com quem iniciou um relacionamento na temporada. No entanto, uma discussão entre Marcos e Emilly virou alvo de controvérsia após imagens do momento mostrarem Emilly reclamar que estava sendo machucada por Marcos. A discussão ocorreu entre a madrugada de sábado (8 de abril de 2017) para domingo (9 de abril), que repercutiu instantaneamente para quem acompanhou o momento no pay per view, sendo que as mesmas imagens foram transmitidas no programa de domingo. Após a exibição, o apresentador Tiago Leifert leu um comunicado afirmando que os dois tiveram uma conversa separada no Confessionário, onde Marcos foi alertado e Emilly foi orientada "que pode e deve procurar a produção do programa a qualquer momento". No mesmo dia, o pai de Emilly entrou em contato com a produção para pedir providências.