The Libertines é uma banda inglesa de garage rock, formada em Londres em 1997 por Carl Barât e Pete Doherty. A banda, centrada na parceria lírica de Barât e Doherty, também inclui John Hassall (baixo) e Gary Powell (bateria). O grupo fez parte do movimento post-punk revival, sendo considerado o seu pioneiro no Reino Unido.
A banda ganhou alguma notoriedade no início dos anos 2000. Apesar do seu sucesso mainstream ter sido inicialmente limitado, a sua popularidade rapidamente aumentou, culminando com um single e um álbum respectivamente em segundo e primeiro lugares nas tabelas de vendas britânicas. Em Dezembro de 2004, o seu álbum homónimo, o segundo da banda, foi votado como o segundo melhor álbum do ano pela revista britânica NME. Ambos os seus longa-duração foram produzidos por Mick Jones, da banda punk rock britânica The Clash.
Apesar do sucesso junto da crítica, a sua música era diversas vezes eclipsada pelos seus conflitos internos, decorrentes da adição de Doherty a crack e heroína, a qual terá eventualmente levado ao fim da banda. Desde então, Doherty declarou que a ruptura da banda se devia a dificuldades na relação entre o próprio e Barât, que não estariam relacionadas com a sua dependência de drogas.Barat rules out Libertines reunion "right now" Os membros dos The Libertines partiram, então, para a formação de novas bandas, as quais obtiveram diferentes graus de sucesso comercial e crítico.
Em Agosto de 2010, os quatro membros dos The Libertines juntaram-se para tocar uma série de shows, incluindo apresentações nos festivais de Reading e Leeds. Estes concertos receberam uma resposta altamente positiva por parte da imprensa e dos fãs.
História Início (1997-2001) Os membros fundadores dos The Libertines, Peter Doherty e Carl Barât, conheceram-se quando Barât estava a estudar representação na Universidade de Brunel, em Uxbridge, e partilhava um apartamento em Richmond, Londres, com Amy-Jo Doherty, a irmã mais velha de Peter. Isto durou até ambos se aperceberem das suas capacidades criativas colectivas e estabeleceram um vínculo sobre a sua paixão compartilhada pela escrita de canções. Barât abandonou o seu curso de representação no seu segundo ano; Doherty deixou o seu curso de Literatura Inglesa na Queen Mary, University of London após apenas um ano de estudo, e ambos mudaram-se para um apartamento em Camden Road, Norte de Londres, ao qual chamaram "The Delaney Mansions".
Formaram então uma banda com o seu vizinho Steve Bedlow, mais conhecido por Scarborough Steve, e adoptaram o nome The Strand, mais tarde posto de parte para se tornarem The Libertines, inspirado na obra "Lusts of the Libertines", do Marquês de Sade. O nome "The Albions" também terá sido considerado, mas mais tarde descartado (Albion é um nome arcaico da Grã Bretanha). Mais tarde, conheceram John Hassall e Johnny Borrell, os quais tocaram baixo para os The Libertines durante curtos períodos de tempo. Muitos dos seus primeiros concertos tiveram lugar no apartamento partilhado por Doherty e Barât.
Os Libertines terão reservado os estúdios Odessa para gravarem três músicas, assistidos por Gwyn Mathias, que trabalhou anteriormente com os Sex Pistols. No entanto, ficaram desiludidos com o baterista que contrataram, e em cima da hora Mathias requisitou a ajuda de Paul Dufour, que concordou gravar com a banda por £50. Aos 54 anos, Dufour era consideravelmente mais velho que os restantes. Apesar desta diferença de idades, ele impressionou a banda o suficiente para se tornar um dos seus membros. Os Libertines começaram a gravar mais sessões e a tocar em locais cada vez mais proeminentes. Roger Morton, um jornalista do NME que os foi ver actuar no Filthy Macnasty's Whiskey Café em Islington onde Peter trabalhava como barman, achou que tinham potencial e ofereceu-se, juntamente com um amigo, para gerir os Libertines. Apesar de uma oferta isolada de um experiente membro da indústria musical, John Waller, a banda aceitou os serviços de Morton enquanto manager. Todavia, Morton acabaria por desistir após seis meses mal-sucedidos.
Em Março de 2000, os Libertines conheceram Banny Poostchi, uma advogada da Warner Music. Reconhecendo o seu potencial, desempenhou um papel activo na gestão da banda. Eles gravaram "Legs XI", um conjunto das suas oito melhores canções à altura (e, mais tarde, um bootleg muito popular entre os fãs). Porém, em Dezembro de 2000, ainda não tinham assinado nenhum contrato, e isso fez com que Dufour, Hassall e Pootschi se afastassem dos The Libertines.Libertines Interview NME 8 June 2002
O subsequente sucesso dos The Strokes, uma banda com um estilo similar, fez com que Pootschi reconsiderasse a sua posição. Ela formolou um plano, denominado por "Plan A", para conseguir que os Libertines assinassem com a Rough Trade Records dentro de seis meses. Neste período, Barât e Doherty escreveram muitas das músicas que viriam a figurar no seu primeiro álbum. Gary Powell foi recrutado para tocar bateria, uma vez que Pootschi considerava Paul Dufour 'demasiado velho'. A 1 de Outubro de 2001, Barât e Doherty fizeram um showcase para James Endeacott da Rough Trade. Uma vez que Borrell não compareceu a este ensaio importante, telefonaram-lhe para descobrir que ele estava numa tour a 'viver a vida à grande'. O apoio de Endeacott levou a que eles tocassem para os responsáveis da Rough Trade, Geoff Travis e Jeanette Lee, a 11 de Dezembro desse ano. Foi-lhes então dito que iriam assinar contracto, e o acordo oficial teve lugar a 21 de Dezembro.
Os Libertines procuravam agora um baixista, e por isso Hassall voltou a juntar-se à banda, mas foi informado que teria de ficar com um papel secundário, uma vez que a banda se focaria na parceria entre Doherty e Barât. Após assinarem com a Rough Trade, Doherty e Barât alugaram juntos um apartamento no número 112a da Teesdale Street em Bethnal Green, ao qual chamaram "The Albion Rooms" (um local que se tornou palco de muitos dos seus guerilla gigs).
Sucesso (2002-2003) Agora com um line-up fixo, começaram a dar mais concertos juntamente com os The Strokes e com os The Vines. Tal fez com que o seu nome se espalhasse pela imprensa musical, com o NME a ter um interesse particular na banda (um interessse que continuou ao longo das carreiras dos quatro membros).
O seu primeiro single foi um duplo A-side de "What a Waster" e "I Get Along", produzido por Bernard Butler, antigo guitarrista dos Suede. Foi lançado a 3 de Junho de 2002 e ficou marcado pela indiferença dos media, tendo também tido pouco tempo de antena na rádio e televisão devido ao uso liberal de palavrões. Uma versão censurada surgiu na BBC Radio 1 como escolha da semana dos DJs Mark e Lard. Na semana em que o single saiu, os Libertines surgiram na capa da NME pela primeira vez. O single alcançou a 37.ª posição na tabela de singles britânica.
O seu primeiro álbum foi gravado e produzido por Mick Jones, antigo membro dos The Clash. Intitulado Up the Bracket, foi gravado nos RAK Studios em St John's Wood, com a mistura a ter lugar nos Whitfield Studios. Durante este tempo, a banda dava tantos concertos quanto possível (mais de 100 só em 2002!), incluindo as primeiras partes dos Sex Pistols e de Morrissey.
O seu segundo single foi o tema que deu título ao álbum, "Up the Bracket", e foi lançado a 30 de Setembro, alcançando a 29.ª posição na tabela. Tal foi seguido pelo lançamento do álbum a 21 de Outubro, que entrou para a 35.ª posição do top. Ainda em relação a esse ano, venceram o galardão para Melhor Banda Nova nos NME Awards, tendo o final do ano ficado marcado pela saída de Barât de "The Albion Rooms".
Problemas (2003) Durante a gravação de Up the Bracket e na tour que a sucedeu, o uso de drogas de Doherty aumentou bastante (nesta altura, já estava a consumir tanto crack como heroína), e sua relação com o resto da banda deteriorou-se. Surge então uma fractura no grupo, e alguma desta tensão era visível nas suas performances. Doherty expressava-se nos "Books of Albion", a sua colecção pessoal de escritos, e também cada vez mais frequentemente no fórum 'libertines.org', sob o username "heavyhorse". Os seus posts nessa altura eram imprevisíveis: por vezes, parecia angustiado e furioso; outras vezes, surgia calmo e feliz.
Os Libertines foram aos Estados Unidos para se promoverem e para trabalharem em novo material. Por volta de Maio de 2003, enquanto em Nova Iorque, gravaram as "Babyshambles Sessions", onde figuram versões de músicas posteriormente editas pelos Libertines e Babyshambles, tais como "Last Post on the Bugle", "Albion", "In Love with a Feeling" e "Side of the Road". Como uma marca do seu compromisso com a banda, Doherty e Barât tatuaram ambos a palavra "Libertine" nos seus braços, escrita na caligrafia um do outro (a do Pete tem a caligrafia do Carl e vice-versa). O prelúdio deste momento pode ser ouvido na versão das Babyshambles Sessions de "The Good Old Days". Todavia, Barât começou a ficar cada vez mais exasperado com as pessoas com as quais Doherty estava associado e as drogas que elas trouxeram. Barât abandonou as sessões repugnado e Doherty terminou sozinho as gravações. As sessões foram dadas a uma fã chamada Helen Hsu, a qual, segundo alegadas instruções de Doherty, as colocou para acesso gratuito na Internet.
De volta ao Reino Unido, as tensões continuaram a aumentar pois Doherty organizava e tocava guerrilla gigs nos quais Barât não participava. O novo single dos Libertines, "Don't Look Back into the Sun", viu o regresso de Bernard Butler enquanto produtor. A qualidade lírica da canção foi elogiada, e o single manteve-se como um bom exemplo dos talentos de Doherty e de Barât enquanto letristas. Contudo, Doherty não trabalhou bem com Butler e raramente esteve presente durante o processo de gravação. Como resultado da sua ausência, a música teve de ser unida com a voz que ele providenciou, com o próprio Butler a fazer às vezes de Doherty na guitarra.
Com a aproximação do aniversário de Barât, Doherty organizou um concerto comemorativo, uma tentativa de atenuar a tensão entre eles. Porém, Carl já se encontrava numa festa organizada por alguns dos seus amigos, e os anfitriãos convenceram-no a não a abandonar. Doherty viu-se então forçado a tocar sozinho. Sentindo-se traído, Pete recusou-se no dia seguinte a apanhar o comboio para a Alemanha para a tour europeia dos Libertines. O grupo viu-se forçado a tocar sem ele: um técnico de guitarras aprendeu as partes de Doherty e várias canções não puderam ser apresentadas. Cedo, contudo, as posições mudaram e foi Barât quem se recusou a deixar Pete voltar à banda, a não ser que ele se desintoxicasse. Doherty continuou a tocar com o seu projecto musical Babyshambles, enquanto os libertines completavam os seus compromissos no Japão sem ele. Perturbado e enraivecido, Pete assaltou o apartamento de Carl e foi consequentemente preso. A 11 de Agosto, declarou-se culpado na audiência preliminar à acusação de assalto.
No meio do tumulto interno, "Don't Look Back into the Sun" foi lançado a 18 de Agosto e alcançou o 11.º lugar nas tabelas, a mais alta posição que tinham atingido até então. Os The Libertines tocaram nos festivais de Reading e Leeds com Anthony Rossomando como guitarrista substituto (o qual, mais tarde, viria a fazer parte dos Dirty Pretty Things). A 7 de Setembro, o juiz Roger Davies sentenciou Doherty a 6 meses de prisão. Ele cumpriu a sua pena na prisão de Wandsworth. Esta sentença seria mais tarde reduzida pelo juiz Derek Inman para 2 meses após apelo.
Segundo álbum e o fim dos The Libertines (2003-2004)