As eleições estaduais no Pará em 1955 aconteceram em 3 de outubro como parte das eleições gerais em nove estados cujos governadores exerciam um mandato de cinco anos.

O cenário político estadual mudou após a deposição do governador Eurico Vale ante sua resistência ao golpe de estado embutido na Revolução de 1930, cujos primeiros dias deixaram o Pará sob gestões interinas até a escolha de Magalhães Barata como interventor federal em 12 de novembro do ano em questão. Filho de pai militar, formou-se pela Escola Militar do Realengo em 1911 e trabalhou no 52º Batalhão de Infantaria de Selva, bem como numa guarnição de fronteira entre Brasil e Guiana Francesa antes de transferir-se para o Rio de Janeiro, ora capital federal.

Em razão de seu apoio ao Tenentismo chegou a ser preso e enviado a Manaus exilando-se brevemente no Uruguai até sua volta ao Brasil pouco antes da queda do presidente Washington Luís. Afilhado de Lauro Sodré, manteve a interventoria até 1935 e a ela retornou em 1943 já sob o Estado Novo. Sempre filiado ao PSD foi eleito senador em 1945, perdeu o governo estadual em 1950 e reelegeu-se senador em 1954. Natural de Belém, Magalhães Barata ajudou a escrever a Constituição de 1946 durante a sua estadia como parlamentar e agora venceu a eleição para governador do Pará, bem como triunfou numa eleição suplementar, com direito a um mandato de cinco anos, mas sua posse foi adiada até o fim dos recursos judiciais que pediam a recontagem ou anulação dos votos. Em 10 de junho de 1956, o deputado Cattete Pinheiro lhe passou o cargo. Entretanto o novo governador faleceu vítima de leucemia em 29 de maio de 1959.

Ciente que o governador do estado poderia não sobreviver, a Assembleia Legislativa do Pará instituiu o cargo de vice-governador a fim resolver a questão sucessória e a escolha recaiu sobre Moura Carvalho. Militar, pecuarista e empresário nascido na capital paraense, foi deputado federal presente na elaboração da Constituição de 1934. Filiou-se ao PSD no fim da Era Vargas elegendo-se deputado federal em 1945, governador do Pará em 1947 e deputado estadual em 1954 e 1958. Graças à ação de seus pares chegou ao Palácio Lauro Sodré pela segunda vez.

Resultado da eleição para governador Segundo o Tribunal Regional Eleitoral houve 192.871 votos nominais (97,53%), 1.486 votos em branco (0,75%) e 3.341 votos nulos (1,69%) e 49 votos não apurados (0,03%), resultando no comparecimento de 197.747 eleitores.

Candidatos a governador do estado Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação PercentualMagalhães BarataPSD Não havia- - PSD, PTB 97.307 50,45%Epílogo de CamposUDN Não havia- - Coligação Democrática Paraense(UDN, PSP) 95.564 49,55%Fontes:

Biografia dos senadores eleitos Lameira Bittencourt Nascido quando os pais estavam em trânsito por Lisboa, o senador Lameira Bittencourt foi registrado em Belém assim que a família retornou ao Brasil. Advogado formado pela Universidade Federal do Pará, foi promotor de justiça na referida cidade, chefiou um órgão equivalente à Defensoria Pública do Estado do Pará, foi procurador da República em caráter interino e procurador-geral do estado. Simpático à Revolução de 1930 e opositor da Revolução Constitucionalista de 1932, foi professor na Universidade Federal do Pará e eleito vereador na capital do estado em 1936, chegando à presidência da Câmara Municipal. Diretor de O Liberal, foi nomeado interventor federal no Pará em 29 de outubro de 1945, mas deixou o cargo após 24 horas. Filiado ao PSD, foi eleito deputado federal em 1945 participando da Constituinte. Reeleito em 1950 e 1954, era candidato a governador no pleito de 1960, mas faleceu no mesmo ano em pleno exercício do mandato parlamentar. Sua cadeira foi ocupada então pelo médico Paulo Fender.

Lobão da Silveira Devido às mortes do senador Álvaro Adolfo e de seu suplente, realizaram uma nova eleição em 21 de junho de 1959 e nela a vitória foi do advogado Lobão da Silveira. Natural de Bragança e formado na Universidade Federal do Pará, foi prefeito de sua cidade natal e chefe de gabinete do interventor Magalhães Barata. Eleito deputado estadual pelo PSD em 1947 e 1950, figurou como suplente de deputado federal em 1954, entretanto foi alçado à titularidade após as eleições suplementares de 6 de fevereiro de 1955.

Resultado da eleição para senador Seguem adiante os resultados das eleições para senador com informações extraídas do Tribunal Regional Eleitoral e do Senado Federal.Os suplentes de senador eram eleitos numa disputa dissociada do titular. A não exibição dos resultados, neste caso, provém do fato que tanto o eleito quanto seu "reserva" foram vitoriosos sob a mesma sigla.

Eleição suplementar de 1957 Foram apurados 99.732 votos nominais (86,92%), 7.815 votos em branco (6,81%) e 7.196 votos nulos (6,27%), resultando no comparecimento de 114.743 eleitores. Candidatos a senador da República Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação PercentualLameira BittencourtPSD Paulo FenderPTB - PSD, PTB 61.364 61,53%Cléo BernardoPSP Geraldo PalmeiraPSP - Coligação Democrática Paraense(UDN, PSP) 38.368 38,47%Fontes:

Eleição suplementar de 1959 Foram apurados 142.127 votos nominais (89,48%), 7.560 votos em branco (4,76%) e 9.155 votos nulos (5,76%), resultando no comparecimento de 158.842 eleitores.

Candidatos a senador da República Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação PercentualLobão da SilveiraPSD Mário PinottiPSD - PSD, PTB 70.811 49,82%Janary Gentil NunesEmbora o TRE/PA informe que o PSP disputou as eleições sob a chamada "Coligação Democrática Paraense", não indicou os partidos que compunham a aliança. Por outro lado, se a mesma existiu, foi às urnas dividida.PSP Cléo BernardoPSP - PSP (sem coligação) 62.386 43,90%Edir de Carvalho RochaUDN Augusto Meira FilhoUDN - UDN (sem coligação) 8.930 6,28%Fontes:

Pará 1955 Categoria:1955 no Pará