thumb|direita|upright=1|Etrúria, a terra ancestral dos etruscos. Roma está no canto inferior direito. As guerras romano-etruscas foram uma série de guerras travadas entre o Reino de Roma e seu estado sucessor, a República Romana, e os etruscos desde os primeiros momentos da história romana. Informações sobre muitas delas são limitadas, especialmente as primeiras e uma parte delas é conhecida apenas por uma única fonte antiga.

Antes da fundação de Roma

thumb|direita|upright=1|Eneias na corte do rei Latino. A Roma foi fundada como resultado de uma luta de tribos latinas, lideradas por Latino, e sobreviventes de Troia, liderados por Eneias, contra os etruscos.1661-3. Por Ferdinand Bol, no Rijksmuseum. De acordo com o mito de fundação de Roma contado por Lívio, os etruscos, liderados pelo rei Mezêncio, se aliaram aos rútulos, do rei Turno, para atacar os latinos e os exilados vindos de Troia, liderados por Latino e Eneias respectivamente. Os latinos e troianos venceram e Turno foi morto em combate. A paz firmada entre eles definiu que o rio Tibre seria a fronteira entre etruscos e latinos dali em diante.Lívio, Ab Urbe Condita I 2–3

Guerra contra Fidenas e Veios sob Rômulo No século VIII a.C., durante o reinado do primeiro rei de Roma, Rômulo, os fidenos, um povo etrusco, decidiram destruir a cidade por considerarem-na uma ameaça e começaram a destruir seu território. Como retaliação, Rômulo marchou até sua capital, Fidenas (), e acampou a uma milha de distância. Depois de armar uma emboscada nas moitas vizinhas, o próprio Rômulo levou o resto do exército até o portão da cidade para provocar sua guarnição a atacá-lo. Ao verem uma aparente desordem no exército romano, os fidenos saíram e iniciaram uma perseguição aos romanos, o que os levou direto para a emboscada. As tropas em reserva de Rômulo entraram na luta e empurraram o fidenos de volta ao seu próprio portão, que não pôde ser fechado, o que resultou na captura da cidade pelos romanos.

Os veios ficaram preocupados com a situação de Fidenas, tanto pela proximidade de sua própria capital, Veios (), quanto pelo parentesco entre os dois povos (que eram etruscos) e iniciaram seu próprio ataque ao território romano, retornando logo em seguida com um rico saque. Rômulo e os exército foram em perseguição e conseguiram interceptar os veios em frente às muralhas de Veios. Os romanos venceram e os sobreviventes veios fugiram para dentro da cidade. Os romanos, se forças suficientes para tomar a cidade de assalto, passaram a devastar o território inimigo, forçando os veios a pedir a paz. Um tratado de cem anos foi firmado entre Veios e Roma e uma parte do território veio foi anexado ao romano.Lívio, Ab Urbe Condita I 14-15

Na segunda guerra contra Fidenas e Veios, no século VII a.C. (abaixo), Lívio descreve Fidenas como uma colônia romana. É possível que seja a que foi fundada no local depois da vitória de Rômulo.

Segunda guerra contra Fidenas e Veios No século VII a.C., durante o reinado do terceiro rei, Túlio Hostílio, os fidenos e os veios novamente declararam guerra contra Roma. Segundo Lívio, eles foram incitados por Métio Fufécio, o ditador de Alba Longa, que havia sido derrotado pelos romanos e reduzido a um vassalo de Roma.Lívio, Ab Urbe Condita I 27

Fidenas, que era uma colônia romana, se revoltou abertamente contra Roma. Túlio convocou Métio e seu exército de Alba Longa e os dois exércitos marcharam para lá. O exército conjunto cruzou o rio Ânio e acampou perto da confluência entre ele e o Tibre. O exército veio cruzou também o Tibre e se juntou ao de Fidenas, formando a linha de combate perto do rio, com os veios perto da margem e os Fidenas mais perto das montanhas. O exército romano-albano se formou em frente, com os romanos de frente para os veios e os albanos, dos fidenos.

A batalha começou e Métio liderou suas tropas vagarosamente em direção às montanhas com a intenção clara de desertar. Túlio conclamou suas tropas, afirmando que o exército albano estava se movendo de acordo com suas ordens. Os fidenos, que entendiam o latim, ouviram o que Túlio gritou sobre os albanos e ficou temeroso em ter um exército albano atacando sua retaguarda. Por causa disso, abandonaram o campo de batalha. Os veios, sozinhos, foram completamente destruídos.

Guerra contra Veios e os etruscos na época de Sérvio Túlio No século VI a.C., segundo Lívio, o sexto rei de Roma, Sérvio Túlio, foi à guerra contra Veios (depois que uma trégua anterior se expirou) e contra os etruscos. Pouco se sabe desta guerra, exceto que o rei ficou famoso por seu valor e boa sorte, que ele destruiu um grande exército de etruscos e veios e que esta guerra ajudou a consolidar sua posição em Roma, uma vez que ele havia acabado de assumir o trono.Lívio, Ab Urbe Condita I 42 Segundo os Fastos Triunfais, Sérvio celebrou três triunfos contra os etruscos, em 25 de novembro de 571 a.C., 25 de maio de 567 a.C. e numa terceira data não legível.

Lívio relata ainda que, durante o reinado do sucesso de Sérvio, Tarquínio Soberbo, Roma renovou um tratado com os etruscos,Lívio, Ab Urbe Condita I 55 mas não é claro qual tratado anterior seria esse.

Guerra contra Veios e Tarquinia thumb|esquerda|upright=.6|Tarquínio Soberbo, o último rei de Roma. De origem etrusca, Tarquínio foi o responsável por algumas das primeiras guerras contra os etruscos enfrentadas pela República Romana.1560-9. Por Livio Mehus, na Galleria Palatina, em Florença. Em 509 a.C., a monarquia romana foi derrubada e a República Romana foi fundada com a eleição dos dois primeiros cônsules. O rei deposto, Lúcio Tarquínio Soberbo, cuja família era originária de Tarquinia (), na Etrúria, conseguiu o apoio de Veios e Tarquinia, lembrando à primeira suas várias derrotas e perdas territoriais para Roma e à segunda, seus laços familiares. Os exércitos combinados seguiram Tarquínio para a guerra, mas foram derrotados pelo exército romano na Batalha de Silva Arsia.Lívio, Ab Urbe Condita II 6–7 O cônsul Públio Valério Publícola juntou os espólios dos etruscos derrotados e, de volta a Roma, celebrou seu triunfo em 1 de março de 509 a.C.Fastos Triunfais

Lívio conta ainda que, ainda em 509 a.C., Valério retomou a luta contra os veios. Não se sabe se esta luta foi uma continuação de Silva Arsia ou uma nova guerra. É incerto também o resultado desta disputa.Lívio, Ab Urbe Condita II 8

Guerra contra Clúsio (508 a.C.)

Tarquínio, depois de fracassar em sua tentativa de recuperar o trono com a ajuda de Veios e Tarquinia, buscou em seguida a ajuda de Lars Porsena, rei de Clúsio, em 508 a.C., na época uma poderosa cidade etrusca.Lívio, Ab Urbe Condita II 9

O Senado Romano, soube da aproximação do exército de Porsena e temia que o povo de Roma, por medo, deixasse que o exército inimigo entrar na cidade. Por isso, os senadores tomaram uma série de medidas para aumentar a confiança da população, incluindo a compra de cereais de Volsci e de Cumas, a estatização das licenças para venda de sal (que era caro) e posterior isenção das classes mais baixas do pagamento de impostos e taxas portuárias. As medidas surtiram o efeito desejado e a população rapidamente se voltou contra o inimigo.

Porsena atacou Roma em seguida. Conforme suas tropas seguiam em direção à Ponte Sublício, uma das pontes que cruzavam o Tibre em direção a Roma, Públio Horácio Cocles correu para impedir que o inimigo fizesse a travessia, dando aos romanos tempo suficiente para destruí-la. A ele se juntaram Tito Hermínio Aquilino e Espúrio Lárcio. Hermínio e Lárcio recuaram quando a ponte estava quase destruída e Horácio esperou até que ela desabasse e só então voltou, nadando sob fogo inimigo, até seus companheiros. Uma estátua foi erigida em homenagem a Horácio no Comitium e ele recebeu terras às custas do estado e diversas condecorações pelo heroísmo.Lívio, Ab Urbe Condita II 10

Como o ataque não teve sucesso, Porsena determinou que Roma fosse cercada. Uma guarnição foi postada no Janículo e bloqueou todo o transporte pelo rio enquanto raides devastaram toda a zona rural romana.

Durante o cerco de Roma, o cônsul Valério atraiu um destacamento do exército de Clúsio com uma manada de bois levada através do Porta Esquilina. Tito Hermínio recebeu ordens de esperar ao longo da Via Gabiana, a duas milhas de Roma. Espúrio Lárcio, por sua vez, foi postado no interior da Porta Colina; o cônsul Tito Lucrécio Tricipitino esperou com suas tropas na Porta Névia. O próprio Valério se posicionou no sopé do monte Célio. A armadilha foi um sucesso e o destacamento clúsio foi aniquilado.Lívio, Ab Urbe Condita II 11

Mas isto não foi suficiente para levantar o cerco. Com a aprovação do Senado, um jovem romano chamado Caio Múcio conseguiu entrar sorrateiramente no acampamento etrusco para assassinar Porsena. Porém, quando ele chegou perto do rei, não conseguiu diferenciá-lo de um secretário, que acabou assassinando por engano. Múcio foi capturado pelos etruscos e levado até Porsena. Ele declarou abertamente sua identidade e suas intenções ao rei inimigo e afirmou que ele não era nada além de o primeiro numa linha de 300 jovens romanos que tentariam novamente matá-lo. Para provar seu valor, Múcio colocou sua mão numa das fogueiras do acampamento etrusco, ganhando para si e para seus descendentes o cognome "Cévola" (). Ele também foi recompensado com terras aráveis na margem direita do Tibre, uma região que depois ficou conhecida como "Mucia Prata" ("Campos Mucianos"). Porsena, chocado com a bravura do jovem, libertou-o e permitiu que ele voltasse a Roma.Lívio, Ab Urbe Condita II 12-13

Neste ponto, segundo Livio, Porsena enviou embaixadores a Roma para oferecer a paz e os termos foram negociados. Porsena exigiu que o trono fosse devolvido a Tarquínio, mas os romanos recusaram. Porém, os romanos concordaram em devolver as terras anexadas de Veios nas guerras anteriores e em entregar reféns em troca da retirada da guarnição etrusca do Janículo.Lívio, Ab Urbe Condita II 12–3 A paz foi firmada e os reféns seguiram para Clúsio com Porsena. Entre eles estava uma jovem chamada Clélia (), que fugiu do acampamento etrusco liderando um grupo de virgens romanas. Porsena exigiu que ela fosse devolvida e os romanos consentiram. Quando ela voltou, porém, Porsena, impressionado por sua bravura, permitiu que ela escolhesse metade dos reféns remanescentes para serem libertados. Ela selecionou dentre eles os mais jovens garotos. Os romanos, agradecidos, a homenagearam com a rara honra de uma estátua no alto da Via Sacra, mostrando Clélia montada num cavalo como se ela fosse uma equestre.Lívio, Ab Urbe Condita II 13

Lívio conta que, no seu tempo, leilões públicos de bens em Roma eram tradicionalmente chamados de "vender os bens do rei Porsena" e que esta tradição de alguma forma estava ligada à guerra contra Clúsio. Ele conclui que a história provavelmente teria se originado nos presentes deixados aos romanos (suas provisões para o cerco) quando Porsena se retirou.Lívio, Ab Urbe Condita II 14 Ele também conta que, depois da guerra, diversos soldados etruscos voltaram para Roma em busca de refúgio depois da Guerra entre Clúsio e Arícia e que vários deles passaram a viver em Roma numa região que ficou conhecida como Vicus Tuscus.

No ano seguinte, Porsena novamente enviou embaixadores ao Senado Romano exigindo que o trono fosse devolvido a Tarquínio. Legados foram enviados de volta a Porsena para dizer-lhe que os romanos jamais readmitiriam Tarquínio e que Porsena deveria, por respeito, cessar este tipo de pedido. Porsena concordou e pediu a Tarquínio que continuasse seu exílio em outra cidade. Ele também devolveu os reféns romanos e as terras veias que haviam sido retiradas dos romanos no tratado do ano anterior.Lívio, Ab Urbe Condita II 15

Embora os antigos romanos acreditassem que o cerco tenha sido um evento histórico, os historiadores modernos acreditam que esta guerra seja, pelo menos em parte, um evento mítico.

Guerra entre Roma e os sabinos em 505-504 a.C.