miniaturadaimagem|Moedas comemorativas lançadas na Copa do Mundo de Futebol Feminino de 1991. Márcia Taffarel (Bento Gonçalves, 15 de março de 1968) é uma ex-futebolista profissional brasileira que atuava como meio-campista. Márcia é prima do goleiro Cláudio Taffarel.
Carreira Jogadora A trajetória futebolística de Márcia Taffarel teve inicio em 1982 em Bento Gonçalves. Taffa, como é conhecida no futebol, conta que nesse período era a única menina que jogava futebol na rua de seu bairro com vizinhos e amigos. Ela foi incentivada pela mãe a buscar seu espaço no futebol. Foi dona Marlene que levou a filha para sua primeira peneira, no Clube Esportivo Bento Gonçalves, já que conhecia o técnico, afinal trabalhava quase como assistente de comissão.“Foi uma fase bem difícil, porque na minha cabeça, eu não conseguia entender o porquê que uma menina não podia jogar futebol. Eu sabia que tinha o preconceito, mas a gente não tinha isso na cabeça[…] E ela falava para mim: “Esquece porque você vai escutar isso. Agora, você quer escutar o que vem de fora ou você quer se concentrar no que você tá fazendo?” Desde aquele momento, você tem aquela pessoa como sua inspiração. Para brigar com o mundo para você fazer o que você ama fazer. Então, nesse sentido, a minha mãe sempre me passou esse lance de ser forte, de lutar pelo que você quer, seus gostos, porque sempre vai ter gente para te puxar para trás[…] a minha mãe foi a minha inspiração para isso. Mas não foi fácil começar a jogar futebol no Rio Grande do Sul, isso com certeza, por todo o preconceito que a gente sofria na época”
Márcia fez parte da primeira equipe do Bento Gonçalves. Em 1982, ela participou do que talvez seja a primeira partida oficial do futebol de mulheres no Brasil, um confronto entre sua equipe e o Sport Club Rio Grande, no Estádio Olímpico de Porto Alegre.
Em 1986, ela foi convocada para integrar a seleção gaúcha para um torneio entre seleções estaduais que aconteceu em Campinas. Seu desempenho chamou a atenção e assim foi convidada para jogar pelo Saad Esporte Clube. Para atuar pelo novo clube, a jogadora, então com 16 anos, viajava de ônibus do Rio Grande do Sul a São Paulo todos os finais de semana, pois não podia deixar seu trabalho em uma fábrica de bolsas e cintos.
No final de 1987, se mudou definitivamente para São Paulo para se dedicar melhor ao futebol e também passou a trabalhar em uma clinica odontológica. Dois meses depois, foi convocada para jogar pela seleção no Torneio Experimental da China, mas não aceitou por medo de perder o trabalho.
Em 1991, foi chamada para fazer parte do elenco da Seleção Brasileira de Futebol Feminino no I Campeonato Sul-Americano e, posteiormente, do primeiro mundial na China, e dessa vez aceitou o convite. Com a seleção, ela também disputou mundial da Suécia em 1995 e os Jogos Olímpicos em Atlanta 1996, na primeira olimpíada do futebol feminino.
Quando retornou da Copa do Mundo da China estava sem emprego, e por isso foi morar em uma fábrica abandona que pertencia ao presidente do Saad. Ela ficou lá por quase um ano, até que sofreu assédio do presidente, o que a fez sair do clube.
Para ganhar dinheiro, também buscou times de futsal. Na Associação Sabesp, além de jogar na equipe de salão, também organizava atividades do departamento esportivo e era técnica das categorias de base. No futsal, Márcia também atuou por Maxion, Marvel, Armco e Euroexport.
Em 2001, Taffarel, assim como diversas outras jogadoras, foi impedida de participar do Campeonato Paulista. A organização só autorizou a atuação de atletas entre 16 e 23 anos de idade e tinha como objetivo unir o futebol a um ideal de beleza e feminilidade. Isso fez com que Márcia abandonasse os campos por um tempo, dedicando-se mais ao futsal e ao seu início de carreira como treinadora.
Já no futebol de campo integrou clubes nacionais, como São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Euroexport e Unasa do Maranhão. Internacionalmente, ela jogou no Califórnia Storm, onde encerrou sua carreira nos campos em 2008.
Treinadora No começo dos anos 2000, ela treinava times de futsal no Brasil. Em 2003, foi eleita a melhor treinadora de futebol de salão de equipes femininas pela Federação Paulista de Futebol.
No ano de 2004, através do convite da ex-jogadora e treinadora Sissi, viajou aos Estados Unidos para desenvolver a fluência em língua inglesa e conhecer o futebol feminino americano. Desde então Márcia Taffarel reside em Concord, no Estado da Califórnia, e trabalha com desenvolvimento do futebol com crianças de nove a doze anos de idade. A decisão de permanecer em solo americano se deve em função das oportunidades de crescimento profissional já duram mais de 16 anos e a estrutura e desenvolvimento da modalidade foram determinantes para que Taffa continuasse atuando na área. Após 18 anos morando nos EUA, ela se tornou cidadã norte-americana
Dirigiu o clube amador Diablo Club Futbol, da Califórnia.
Em 2021, foi treinadora das categorias de base do Walnut Creek Surf Soccer Club, na Flórida.
Em março de 2023, assumiu como a primeira treinadora da Seleção Feminina de Futsal dos Estados Unidos.
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Categoria:Futebolistas olímpicos do Brasil Categoria:Futebolistas nos Jogos Olímpicos de Verão de 1996 Categoria:Jogadoras da Seleção Brasileira de Futebol Feminino Categoria:Jogadoras da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 1995