Os , também conhecidos simplesmente como macedônios, são um grupo étnico eslavo que forma cerca de um terço da população da região geográfica e histórica da Macedônia no sudeste da Europa (Bálcãs) e cerca de dois terços da população da Macedônia do Norte. Falam a língua macedônia, idioma eslavo, e são geralmente associados à Igreja Ortodoxa Macedônia. Os macedônios eslavos são primeiramente descendentes das tribos eslavas que se estabeleceram na Macedônia durante a Idade Média, mas é provável que seus ancestrais incluam elementos de grupos autóctones como os greco-macedônios, trácios e os ilírios e de invasores posteriores, como os búlgaros.

A vasta maioria dos macedônios eslavos vive no vale do rio Vardar, na região central da Macedônia do Norte. Pequenos grupos de macedônios eslavos vivem no leste da Albânia, sudeste da Bulgária e sul da Sérvia e Montenegro, a maioria se encontrando nas regiões fronteiriças com a Macedônia.

Maiores populações de macedônios eslavos por país Macedônia do Norte - 1 297 981 (censo 2002) Sérvia - 22 755 (censo 2011) Albânia - 5 512 (censo 2011)http://www.fes.hr/E-books/pdf/Local%20Self%20Government/09.pdf Artan Hoxha and Alma Gurraj "LOCAL SELF-GOVERNMENT AND DECENTRALIZATION: CASE OF ALBANIA. HISTORY, REFORMES AND CHALLENGES" "...According to latest Albanian census conducted in April 1989, 98% of Albanian population are Albanian ethnic. The remaining 2% (or 64816 people) belong to ethnic minorities: the vast majority is composed by ethnic Greeks (158758 ); ethnic Macedonians (4697)...",, Joshua Project. Bulgária - 1 6541.Bulgarian census data. Grécia - 747

Origens e identidades

miniatura|upright|Mulher do princípio do século XX da região de Gostivar miniatura|upright|Traje tradicional feminino em foto de 1930 miniatura|upright|Traje tradicional masculino em foto de 1920 A região geográfica da Macedônia, dividida entre Bulgária, Grécia e Macedônia do Norte, é habitada por uma variedade de povos que inclui albaneses, búlgaros, gregos, macedônios eslavos, turcos, valáquios, sérvios e romanis (ciganos).

A questão sobre se os macedônios eslavos constituem um grupo étnico distinto é controversa. Muitos búlgaros e gregos acreditam que eles são um sub-grupo de outro povo, geralmente dos búlgaros. Linguística e culturalmente, não há uma grande distinção entre os macedônios eslavos e os búlgaros, mas devido a circunstâncias políticas e históricas, muitos macedônios eslavos consideram a si mesmos como um povo separado dos búlgaros atualmente.

As origens étnicas dos macedônios eslavos são igualmente controversas; enquanto eles têm uma herança eslava, há um debate progressivo em alguns círculos de que ou eles são na maioria de descendência eslava ou são um povo mais heterogêneo que tem os antigos macedônios entre seus ancestrais. Alguns historiadores da Macedônia eslava reivindicam que seu povo é descendente dos antigos macedônios que supostamente se mesclaram com os eslavos quando estes invadiram a península Balcânica. A maioria dos historiadores data a chegada dos eslavos à Macedônia nos séculos VI e VII, e concorda que os antigos macedônios desapareceram como um grupo étnico nessa época.

Os macedônios eslavos tinham pouca ou nenhuma identidade nacional e política até o século XX. Fontes medievais tradicionalmente os descrevem como búlgaros, uma definição que sobreviveu no período de domínio otomano (do fim do século XIV até ao século XIX) como comprovado pelos arquivos otomanos e pelas descrições dos historiadores e viajantes, por exemplo Evliya Çelebi e seu Livro de Viagens.

Etnógrafos e viajantes do século XIX eram também geralmente unânimes em identificá-los como búlgaros até o período entre 1878 e 1912, quando as máquinas de propaganda rivais de Sérvia, Grécia e Bulgária resultou na efetiva separação da população eslavo-falante em três partidos distintos: um pró-sérvios, um pró-gregos e um pró-búlgaros.

Os eventos-chaves na formação de uma identidade eslava distinta ocorreram na primeira metade do século XX, em consequência da Guerra dos Bálcãs de 1912-1913 e especialmente após a Segunda Guerra Mundial.

Origem do nome Os macedônios eslavos eram tradicionalmente descritos como búlgaros pelos observadores externos até 1878 quando uma opinião sobre uma origem sérvia gradualmente começou a ganhar popularidade. O empurrão sérvio para o sul foi pré-condicionado pelas cláusulas do Congresso de Berlim do mesmo ano, que lhes retirou a Bósnia e a Herzegovina e a cidade de Novi Pazar, como também pela política pró-austríaca do rei sérvio Milan Obrenović IV. Em 1881, a Sérvia abriu mão de todas as reivindicações das duas regiões em um tratado secreto com a Áustria-Hungria, que, por sua vez, prometeu não obstruir a expansão da Sérvia no vale do Vardar.

No início da década de 1880, a Sérvia lançou um esforço propaganda de larga escala na Macedônia e no exterior para provar as características sérvias da região. Grécia e Bulgária lançaram campanhas similares em seguida, com os gregos reivindicando que os eslavos da Macedônia eram gregos eslavo-falantes e os búlgaros dizendo que eles não eram nada mais que búlgaros. Como a propaganda dos três lados se avançou na década de 1890 para o nome de "macedônios eslavos", esse passou a ser o meio para designar todos os eslavos habitantes da Macedônia, apesar de suas afiliações nacionais.

O primeiro acadêmico a usar a designação com um significado específico foi o geógrafo sérvio Jovan Cvijić em 1906. Na tentativa de colocar as reivindicações sérvias na Macedônia em pé de igualdade com as búlgaras, Cvijić argumentou que a Macedônia ao sul de Debar, Kichevo e Skopje e a oeste da atual fronteira entre a Bulgária e a Macedônia do Norte era habitada por macedônios eslavos, uma massa eslava amorfa sem afiliações nacionais e cultura definidas. Os macedônios eslavos, de acordo com Cvijić, estavam entre os búlgaros e os sérvios política e culturalmente e poderiam ser relacionados com uns ou com outros. Nos anos da Guerra dos Bálcãs, Cvijić empurrou o limite norte dos eslavos macedônios duas vezes mais para o sul, quase dobrando dessa forma a porção que os sérvios, de acordo com ele, ocupavam na Macedônia. A visão de Cvijić ganhou pouco reconhecimento fora da Sérvia até a entrada da Bulgária na Primeira Guerra Mundial ao lado das potências centrais (Alemanha, Áustria-Hungria e Império Otomano) em 1915 precipitando a aceitação da ideia pelos países aliados na Europa.

A Guerra dos Bálcãs A Guerra dos Bálcãs resultou em mudanças drásticas na demografia da Macedônia após os otomanos serem expulsos da região. A Macedônia estava encravada entre os Estados dos Bálcãs, com a parte norte sob domínio sérvio, o sul sob domínio grego e o nordeste sob domínio búlgaro.

O território da atual Macedônia do Norte pertenceu diretamente ao governo sérvio (e depois ao Reino da Iugoslávia) e era chamado de "Sérvia do Sul" ou de "Vardar banovina" (distrito). Um intenso programa de "serbianização" foi implementado durante as décadas de 1920 e 1930, quando a população local era forçadamente assimilada dentro da cultura sérvia. Apenas o idioma sérvio era permitido e ensinado, enquanto as famílias macedônias eslavas viam seus nomes serem modificados para formas sérvias (Stankov tornou-se Stanković; Atanasov tornou-se Atanacković, etc.). Outras minorias étnicas na Macedônia sérvia foram também suprimidas durante o período inter-guerras, com milhares sendo presos.

A população macedônia na Macedônia grega e na Macedônia búlgara também experimentou um período de intensiva assimilação e repressão.

Tito e os macedônios eslavos miniatura|upright|esquerda|Trajes típicos macedônios miniatura|upright|esquerda|Trajes típicos macedônios miniatura|upright|esquerda|Dançarinos tradicionais miniatura|upright|esquerda|Traje da região de Kichevo em exibição no Museu Etnográfico de Burgas.Dançarinos tradicionais

Após a Segunda Guerra Mundial, o líder comunista iugoslavo Josip Broz Tito decidiu que a política de serbianização na Macedônia havia falhado - levando a um forte ressentimento em Belgrado. Além disso, os macedônios deram forte apoio ao movimento de resistência partisan de Tito, atacando os ocupantes búlgaros, alemães e italianos e se opondo aos monarquistas sérvios (chetniks), que eram até a metade da guerra, os rebeldes ocidentais favoritos na Sérvia. A resistência macedônia tinha uma característica fortemente nacionalista, não menos como uma reação à repressão sérvia pré-guerra, mas também como reação à repressão búlgara durante o início da ocupação da região por estes. Estava claro bem antes do final da guerra que Tito buscaria maiores mudanças para o equilíbrio político da região.

Após a guerra, Tito apoiou a separação da Macedônia iugoslava da Sérvia, tornando-a uma república da nova federação iugoslava (como República Socialista da Macedônia) em 1946. Ele também apoiou o conceito de uma nação macedônia separada, como um outro meio de separar os laços da população eslava da Macedônia iugoslava com a Bulgária, que já eram questionáveis após a forte resistência macedônia à ocupação búlgara. Embora a língua macedônia seja próxima ao búlgaro, as diferenças eram enfatizadas e as figuras históricas da região eram promovidas como sendo unicamente macedônias (particularmente sérvios e búlgaros). Uma Igreja Ortodoxa Macedônia separada foi estabelecida, separando-se da Igreja Ortodoxa Sérvia. O sentimento pró-búlgaros foi forçadamente suprimido, como os ideologistas de uma pátria macedônia separada e independente.

Tito tinha uma série de razões para fazer isso. Primeira, ele queria reduzir o domínio sérvio na República Socialista Federativa da Iugoslávia; estabelecer um território formalmente considerado sérvio em igualdade com a Sérvia dentro da Iugoslávia. Segunda, ele queria separar os laços da população macedônia com a Bulgária, que poderia questionar a unidade da federação iugoslava. Terceira, Tito procurava justificar as futuras reivindicações iugoslavas dirigidas ao resto da Macedônia geográfica; em agosto de 1944, ele afirmou que seu objetivo era reunificar "todas as partes da Macedônia, dividida em 1915 e 1918 pelos imperialistas balcânicos". No final, ele iniciou negociações com a Bulgária para um novo estado federal, que incluiria também provavelmente a Albânia, e apoiaria os comunistas gregos na Guerra Civil Grega. A ideia de reunificação de toda a Macedônia sob um governo comunista foi abandonada em 1948 quando os comunistas gregos perderam e Tito brigou com a União Soviética e com os soviéticos pró-Bulgária.

As ações de Tito tiveram um número de importantes consequências para os macedônios. A mais importante era, obviamente, a promoção de um distinta identidade macedônia como uma parte da sociedade multi-étnica da Iugoslávia. Numerosas descrições do norte da Macedônia do final da década de 1940 afirmam que a política de bulgarização durante a ocupação búlgara na Segunda Guerra Mundial (1941 - 1944)) era tão abominável para os macedônios quanto a política de serbianização aplicada até então. O líder da Organização Revolucionária Interna Macedônia (VMRO) no exílio, Ivan Mihailov, e o renovado VMRO búlgaro após 1990 teve, por outro lado, consistentemente argumentou que entre e pessoas passaram para os campos de concentração de Idrizovo e Goli Otok por simpatização pró-búlgara e ideias pela independência da Macedônia no final da década de 1940, o que também foi confirmado pelo antigo primeiro-ministro Ljubcho Georgievski. Qualquer que seja a verdade, era certo que a maioria dos macedônios abraçou o reconhecimento oficial de uma nacionalidade separada.