A Constituição do Reino Romano foi um conjunto de diretrizes e princípios não escritos transmitidos principalmente através precedentes."The Senate of the Roman Republic: Addresses on the History of Roman Constitutionalism, p. 165" por Robert C Byrd publicado por "US Gov. Print. Off. (1995) Tradicionalmente, a história romana na Antiguidade é dividida em três grandes períodos: a Monarquia, entre 753 a.C. e 509 a.C.; a República, entre 509 a.C e 27 a.C. e o Império, entre 27 a.C. e 397 d.C., quando ocorre sua divisão entre Império Ocidental e Império Oriental. Durante o período do Reino Romano, a disposição constitucional foi centrada no rei (rex), que tinha o poder de nomear assistentes, e delegar a eles seus poderes específicos.Outline of Roman History por William C. Morey, publicado pela "American Book Company" (1901) O Senado romano, que era dominada pela aristocracia, servia como conselho consultivo do rei. Muitas vezes, o rei pedia ao Senado para votar em vários assuntos, mas ele estava livre para ignorar qualquer aconselhamento dados pelo Senado. O rei também poderia solicitar uma votação sobre vários assuntos pela assembleia popular (a "Assembleia das cúrias "), que ele também estava livre para ignorar. A assembleia popular funcionava como um veículo através do qual o povo de Roma poderia expressar suas opiniões. Nela, as pessoas eram organizadas de acordo com suas respectivas cúrias (). No entanto, a assembleia popular tinha outras funções. Por exemplo, ela foi um fórum utilizado pelos cidadãos para ouvir anúncios e proclamações. Ela também poderia servir como um tribunal de julgamento para os assuntos civis e criminais.
Origem lendária de Roma
Assim como a maioria dos povos, os romanos procuravam explicar de onde vieram, contando lendas sobre as origens de sua cidade. Retomando a tradição oral, pretendiam justificar a grandeza de sua pátria através de seu passado glorioso. Para eles, existia uma grande importância na ligação de seu destino com os dos deuses, pois era ela que legitimava seu poder amedrontador de inimigos e suas qualidades. Apesar de descobertas arqueológicas comprovarem alguns aspectos do mito, como vestígios de cabanas dos primeiros moradores de Roma e a caverna Lupercal, tratava-se de uma lenda e até mesmo os escritores antigos, como Cícero e Títo Lívio, tinham seus ceticismos em relação ao aparecimento conveniente de uma loba lactante e ao estupro de uma virgem por um deus. Porém, de qualquer maneira, em termos amplos, essas narrativas eram entendidas como história. thumb|300px|esquerda|A pintura retrata Fáustulo (à direita) encontrando Rômulo e Remo sendo amamentados pela Loba capitolina (centro). Um homem velho (simbolizando o rio Tevere) e uma mulher (Reia Sílvia) assistem a cena do lado esquerdoSegundo a versão de Tito Lívio, em Ab Urbe condita libri, os gêmeos Rômulo e Remo, eram fruto de uma relação entre a sacerdotisa virgem Rhea Silvia e o deus Marte, na cidade de Alba Longa, nas colinas Albanas, ao sul de onde ficaria Roma. O pai de Silvia, rei Numitor, foi destronado pelo irmão, Amulius, e este, usou da proteção do sacerdócio, para transformar Rhea Silvia em uma virgem vestal, para evitar a aparição de futuros descendentes que reivindicariam o trono. Porém, Silvia alegou ter sido estuprada pelo deus Marte, que a engravidou. Seu tio, furioso, a manda para um calabouço e ordena que atirem as crianças no rio Tibre, com a esperança de que morreriam afogados. O encarregado do assassinato, porém, deixou os gêmeos nas margens do rio e eles acabam sobrevivendo, já que uma loba os amamenta. Nesse ponto, Tito Lívio tenta racionalizar o conto e atribui a palavra lupa (loba), ao uso coloquial, que significava prostituta. Humana ou não, tempos depois, o pastor de ovelhas Fáustulo, encontra as crianças na entrada de uma caverna chamada Lupercal (encontrada em 2007, abaixo dos restos da Casa de Lívia, parte da casa do imperador Augusto).
Os meninos vivem com sua família adotiva até encontrarem seu avô Numitor, recuperando seu trono e indo em seguida em busca da fundação de sua própria cidade. Entretanto, os irmãos logo se desentendem devido a escolha da colina que ficaria no centro do local em que fundariam a cidade. Rômulo, escolheu a colina Palatino e queria chamar a cidade de Roma; Remo, por outro lado, escolheu a colina Aventino e o nome seria Remora. A partir daí, existem duas versões do que aconteceu: na primeira, os auspícios (sinal dos deuses que os áugures tiravam dos pássaros no céu) decidiriam quem nomearia e reinaria na nova cidade, mas novamente eles discutiram, o que causou a morte de Remo. A outra versão, de Lívio, diz que Remo ultrapassou as defesas que cercavam a colina Palatino e Rômulo reage, o assassinando e dizendo: "Assim morrerá quem mais tentar saltar sobre meus muros".
Rômulo, então, constrói Roma com a colina Palatino no centro e se torna seu único líder, porém, havia um número muito reduzido de pessoas para morarem na cidade, por isso, Rômulo incentivou escravos fugidos, criminosos e refugiados a se juntarem a eles, o que resultou numa população predominantemente masculina. Para resolver o problema, Rômulo convida os povos vizinhos, sabinos e latinos para Roma, afim de participar de uma festa. Durante a festividade, ele dá sinal para que seus homens sequestrem as jovens mulheres para desposa-las. Os pais das moças sequestradas, começam uma guerra. Os romanos derrotam facilmente os latinos, porém, os sabinos eram perseverantes e já faziam os romanos recuarem. Em uma invasão dos sabinos à Roma, Rômulo, já em desespero, se vê obrigado a pedir ajuda para Júpiter (especificamente ao deus Júpiter Stator, o que mantém os homens firmes), para que os romanos parassem de fugir do campo de batalha e defendessem suas terras, em agradecimento, ele construiria um templo em sua homenagem - este foi o primeiro de vários templos construídos em agradecimento a ajuda divina em Roma. O motivo do fim da guerra, porém, foram as próprias sabinas raptadas, que invadiram o campo de batalha para impedir que seus pais e maridos continuassem se matando. Dessa forma, surge uma "cidade conjunta", romana-sabina, governada por Rômulo e Tito Tácio, mas o ultimo logo é assassinado e Rômulo volta a ser o único rei por mais de 30 anos.
A versão de Tito Lívio, não foi a única sobre os irmãos (existem também as versões de Plutarco e de Dionísio de Halicarnasso, o uso político de Cícero, etc.) e nem a história de Rômulo e Remo, foi a única mitologia de fundação disseminada na época. Duas das principais outras versões de mito fundador de Roma, são: a ideia grega que trazia a Odisseia, de Homero, sugerindo que o verdadeiro fundador de Roma teria sido Romus, filho de Odisseu e da bruxa Circe e a outra versão, é a do herói troiano Eneias (Eneida, de Virgílio), que fugiu da cidade de Troia após a guerra com os gregos e refundou sua cidade natal em solo italiano. A ultima ainda é muitas vezes, incorporada na história de Rômulo e Remo, colocando-os como descendentes de Eneias. História constitucional
alt=No quadro, Rômulo, à esquerda, comanda o rapto das mulheres.|miniaturadaimagem|260x260px|O rapto da sabinas 1637-38, de Nicolas Poussin. No quadro, Rômulo, à esquerda, comanda o rapto das mulheres.A história da constituição do reino romano traça a progressão do desenvolvimento político romano da fundação da cidade de Roma, começando com Rômulo em até que Lúcio Tarquínio Soberbo foi obrigado a renunciar em , e este período pode ser dividido em duas épocas com base em lendas.Abbott, 6 Os quatro reis romanos: Rômulo, Numa Pompilius, Tullius Hostilius, Ancus Marcius e os e três reis etruscos: Tarquinius Priscus, Servius Tullius e Tarquinius Superbus. Embora as específicas lendas sobre cada um dos sete reis provavelmente não sejam verdadeiras, foram baseadas em fatos históricos. Antes da fundação da república, Roma foi governada por uma sucessão de reis e a inscrição descoberta em 1899, sob a pedra preta do Fórum, é uma das maiores provas da existência politica real dessa monarquia. Na inscrição, encontra-se a palavra "rei", em sua forma declinada em dativo no latim Recei, que significa "para o rei/em favor do rei". A primeira época lendária abrange os reinados dos quatro primeiros reis romanos. Neste período, os fundamentos políticos da cidade foram estabelecidas,Abbott, 3 a cidade foi organizada em cúrias, as instituições religiosas foram estabelecidas, e o Senado, bem como às Assembleias, evoluíram em instituições formais.
A região do Lácio foi habitada por vários povos. Além dos latinos (Ramnes) e sabinos (Tities),"O commercio e a navegaçao na historia: Os tempos antigos" por Alberto Conrado e Domingos Augusto da Silva p. 244 (1904) os etruscos (Luceres) tiveram um papel importante na história da monarquia, já que vários dos reis tinham origem etrusca. As famílias patrícias originais pertenciam a estes grupos étnicos. Na tentativa de adicionar um nível de organização para a cidade, essas famílias patrícias foram divididas em unidades chamadas "cúrias".Abbott, 3 O veículo pelo qual o os primeiros romanos expressaram suas tendências democráticas era conhecido como uma "comitia" (comitê ou assembleia). As duas assembleias principais que se formaram eram conhecidas como a "assembleia das cúrias" e a "assembleia calada". As duas assembleias foram projetados para espelhar as divisões étnicas da cidade, tal como as assembleias foram organizadas de acordo com a cúria. O veículo através do qual os primeiros romanos expressavam seus impulsos aristocráticos era um conselho de anciãos da cidade, que mais tarde se tornou o Senado romano. Os anciãos deste conselho eram conhecidos como "patres" (pais), e, portanto, são conhecidos na história como os primeiros senadores romanos. O "Populus" (povo) e os anciãos, eventualmente, reconheceram a necessidade de um único líder político, e portanto, o "rex" (rei) foi eleito. O "populus" elegia o rei, e os anciãos aconselhavam o rei.
A segunda época abrange os reinados dos últimos três reis lendários. Esta época tem mais consequências do que a primeira, que em parte, foi devido ao significativo grau de expansão territorial que ocorreu.Abbott, 6 Independentemente de procurar saber se essas lendas são verdadeiras, é muito provável, como as lendas alegam, que uma série de conquistas ocorreu durante o final monarquia. Como resultado dessas conquistas, tornou-se necessário para determinar o que deveria ser feito com os povos conquistados. Muitas vezes, alguns dos indivíduos cujas cidades tinham sido conquistadas permaneceram nesses locais, enquanto outros vieram a Roma.Abbott, 7 Para adquirir posição legal e econômica, estes recém-chegados adoptaram uma condição de dependência em relação quer uma família patrícia, ou para com o rei (que era também um patrício). Eventualmente, os indivíduos que eram dependentes do rei foram liberados de seu estado de dependência, e se tornaram os primeiros "plebeus".Abbott, 7
thumb|esquerda|250px|Representação de uma família romana, Museu do Vaticano
Conforme Roma crescia, crescia a necessidade de mais soldados para continuar suas conquistas. Entretanto, quando os plebeus foram liberados da sua dependência, eles foram liberados da sua cúria, e quando isso ocorreu, eles foram consequentemente libertados da obrigação de servir no exército, mas eles também perderam a sua posição política e econômica. Para trazer esses novos plebeus de volta para o exército, os patrícios foram forçados a fazer concessões. Enquanto ainda não se sabe exatamente quais concessões foram feitas, o fato de que os plebeus não terem sido concedidos qualquer poder político, isto preparou o palco para o que na história ficou conhecido como o conflito das Ordens.Abbott, 28