Eddie Clarence Murray (Los Angeles, 24 de fevereiro de 1956), apelidado de "Steady Eddie", é um ex-jogador profissional e treinador de beisebol norte-americano. Atuou como primeira base, rebatedor designado e treinador na Major League Baseball (MLB). Passou a maior parte de sua carreira na MLB pelo Baltimore Orioles, ocupando a quarta posição na história da franquia em jogos disputados e rebatidas. Embora nunca tenha conquistado o Prêmio de MVP, terminou entre os dez primeiros na votação do prêmio em oito ocasiões. Murray detém o maior número de RBIs entre os rebatedores ambidestros da história da MLB; suas 996 RBIs durante a década de 1980 também foram o maior total registrado por qualquer jogador nesse período.

Murray iniciou sua carreira profissional pelos Orioles em 1977, após ter sido selecionado no draft de 1973. Em sua temporada de estreia, registrou média de rebatidas de .283 em 160 jogos, com 27 home runs e 173 rebatidas, desempenho que lhe valeu o prêmio de Novato do Ano da Liga Americana. Na temporada seguinte, foi convocado pela primeira vez para o All-Star Game, encerrando o ano com média de .285, 27 home runs e 161 partidas disputadas. Murray disputou a World Series com os Orioles em 1979 e 1983; no decisivo Jogo 5 da edição de 1983, rebateu dois home runs na vitória por 5–0 que garantiu seu primeiro e único título. Em suas doze primeiras temporadas, alcançou onze campanhas com pelo menos 20 home runs — liderando a liga em 1981, com 22 — e superou a marca de 100 RBIs em cinco oportunidades ao longo de um período de seis temporadas, além de conquistar dois prêmios Silver Slugger. Uma relação conturbada com a diretoria levou à sua troca para o Los Angeles Dodgers durante a offseason de 1988. Permaneceu três temporadas na equipe, com média de rebatidas de .278, e conquistou em 1990 seu terceiro e último prêmio Silver Slugger.

Em 1992, transferiu-se para o New York Mets, tornando-se um dos poucos destaques de equipes que terminaram na última colocação da divisão. Em 1994, assinou como agente livre com o Cleveland Indians, onde atuou principalmente como rebatedor designado. Na temporada encurtada pela greve daquele ano, rebateu 17 home runs; em 1995, somou 21 home runs e alcançou sua 3.000ª rebatida na carreira. Na primeira campanha de pós-temporada da franquia em 41 anos, Murray registrou média de .232, com três home runs e uma rebatida decisiva na World Series de 1995, embora os Indians tenham sido derrotados em seis jogos. No ano seguinte, foi negociado de volta para os Orioles no meio da temporada, a última em que ultrapassou a marca de 20 home runs. Foi com Baltimore que atingiu o feito de seu 500º home run na carreira. Tornou-se agente livre ao final da temporada e disputou o campeonato de 1997 por Anaheim Angels e Los Angeles Dodgers, rebatendo três home runs em 55 jogos no total. Após encerrar sua carreira como jogador, trabalhou como treinador pelos Orioles, Indians e Dodgers.

Murray é um dos apenas sete jogadores da história da MLB a alcançar simultaneamente as marcas de 3.000 rebatidas e 500 home runs, e um dos apenas dois rebatedores ambidestros a integrar esse seleto grupo. Foi eleito para o National Baseball Hall of Fame and Museum em 2003, em seu primeiro ano de elegibilidade. Em 1998, The Sporting News o colocou na 77ª posição da lista dos 100 Maiores Jogadores da História do Beisebol.

Início da vida Murray foi o oitavo de doze filhos e ainda tem nove irmãos vivos: cinco irmãs e quatro irmãos. Costumava brincar que, quando criança, não precisava ir muito longe para encontrar gente para uma partida informal de beisebol. Os jogos eram bastante disputados, e seus irmãos mais velhos jamais deixavam que ele vencesse.

Murray jogou na Little League sob o comando do treinador Clifford Prelow, ex-jogador das ligas menores da organização do Brooklyn/Los Angeles Dodgers. Em seu discurso no Baseball Hall of Fame, Murray agradeceu a Prelow por tê-lo ensinado não apenas a jogar beisebol, mas também a amar o esporte. Prelow recordava que o jovem Murray era um jogador disciplinado e bem-comportado.

Murray estudou na Locke High School, em Los Angeles, onde registrou média de rebatidas de .500 em seu último ano do ensino médio. Na escola, foi companheiro de equipe de Ozzie Smith; ambos se tornariam membros do Baseball Hall of Fame, tornando a Locke High School a única escola secundária a ter dois futuros integrantes do Hall da Fama atuando simultaneamente em sua equipe de beisebol. Segundo Smith, os olheiros compareciam aos jogos principalmente para observar Murray, cuja versatilidade lhe permitia atuar em diversas posições e se destacar tanto pelo contato quanto pela potência ofensiva.

Carreira como jogador

Baltimore Orioles (1977–1988) Durante sua passagem pelos Orioles, de 1977 a 1988, Murray registrou médias de 28 home runs e 99 RBIs por temporada, consolidando-se como um candidato frequente ao prêmio de MVP. Nesse período, terminou em segundo lugar na votação do prêmio em duas ocasiões. Sua estreita amizade com o companheiro de equipe Cal Ripken Jr. recebeu ampla atenção da imprensa em Baltimore. Ripken atribuiu a Murray o mérito de ter lhe ensinado a desenvolver sua ética de trabalho. esquerda|miniaturadaimagem|259x259px|Murray rebatendo em 1977 Murray foi selecionado pelo Baltimore Orioles na terceira rodada do draft amador de 1973 e teve várias temporadas de sucesso nas ligas menores. Estreou na Major League Baseball em 7 de abril de 1977, no Opening Day, e disputou 160 jogos em sua temporada de estreia. Nesse ano, registrou média de rebatidas de .283, com 27 home runs, 29 duplas e 88 RBIs, além de sofrer 104 eliminações por strikeout. Essa foi a única temporada de sua carreira em que ultrapassou a marca de 100 strikeouts. Apesar de Mitchell Page ter registrado média de rebatidas e OPS superiores, Murray conquistou o prêmio de Novato do Ano da Liga Americana. Na temporada seguinte, Murray foi convocado pela primeira vez para o All-Star Game, embora não tenha entrado em campo, e terminou em oitavo lugar na votação para o Prêmio de MVP. Disputou 161 partidas e melhorou seu desempenho ofensivo, encerrando o ano com média de .285, além de 27 home runs, 32 duplas e 95 RBIs. Em 1979, Murray registrou média de rebatidas de .295, com 25 home runs, 30 duplas e 99 RBIs. Mesmo ficando de fora da seleção para o All-Star Game, terminou na 11ª colocação na votação para o Prêmio de MVP. Naquele ano, disputou sua primeira pós-temporada. Na American League Championship Series (ALCS), rebateu 5 em 12, liderando os Orioles com um home run, cinco RBIs e cinco bases por bolas na vitória sobre o California Angels por 3 jogos a 1. Seu excelente desempenho ocorreu um ano antes da Liga Americana passar a conceder o prêmio de MVP da Série de Campeonato. Entretanto, Murray teve desempenho abaixo do esperado na World Series de 1979. Contra o Pittsburgh Pirates, rebateu apenas 4 em 26, com um home run e duas RBI, enquanto os Orioles foram derrotados em sete jogos.

Na temporada de 1980, Murray alcançou pela primeira vez na carreira uma média de rebatidas de .300. Em 158 jogos, registrou média de .300, com 32 home runs, 36 duplas e 116 RBIs. As únicas partidas que perdeu ocorreram em razão de uma lesão potencialmente grave em campo. Em 13 de julho, durante uma partida contra o Kansas City Royals, uma rebatida rasteira de George Brett sofreu um quique irregular e atingiu Murray acima do olho direito. Murray foi levado ao hospital, onde recebeu pontos no ferimento. Apesar de perder apenas quatro jogos e ficar temporariamente com a visão ligeiramente comprometida, adaptou-se rapidamente e encerrou a temporada em grande fase, registrando média de .316, 18 home runs e 59 RBI nas 76 partidas finais. Ao fim do ano, terminou na sexta colocação na votação para o Prêmio de MVP.

Em 1981, temporada reduzida pela greve dos jogadores, Murray disputou apenas 99 partidas, mas manteve um alto nível de desempenho. Bateu para .294, dividiu a liderança da Liga Americana com 22 home runs e liderou a liga com 78 RBIs. Foi convocado para o All-Star Game e, em sua primeira participação efetiva na partida, foi eliminado duas vezes em rebatidas rasteiras. Também terminou em quinto lugar na votação para o Prêmio de MVP.

De volta a uma temporada completa em 1982, Murray registrou média de .316, com 32 home runs, 30 duplas e 110 RBIs em 151 jogos. Retornou ao All-Star Game, conquistou seu primeiro Gold Glove Award e alcançou a melhor colocação de sua carreira na votação para MVP, terminando em segundo lugar. Apesar de sua excelente temporada, os Orioles perderam para o Milwaukee Brewers no último dia da temporada regular e ficaram fora da pós-temporada.

Em 1983, Murray manteve um desempenho semelhante, enquanto os Orioles obtiveram resultados muito melhores como equipe. Em 156 jogos, registrou linha ofensiva de .306/.393/.538, além de estabelecer um recorde pessoal de 33 home runs, somando ainda 30 duplas e 111 RBIs. Foi novamente selecionado para o All-Star Game, conquistou seu segundo Gold Glove consecutivo e recebeu seu primeiro Silver Slugger Award. Também terminou novamente em segundo lugar na votação para MVP, atrás de seu companheiro de equipe Cal Ripken Jr. Na American League Championship Series (ALCS) contra o Chicago White Sox, rebateu 4 em 15, com um home run e três RBIs, ajudando os Orioles a vencerem a série em quatro jogos e avançarem à World Series. Na decisão contra o Philadelphia Phillies, rebateu 5 em 20 e foi decisivo no quinto jogo, ao rebater dois home runs na vitória por 5–0 que garantiu o título. Esse foi o único campeonato de Murray na MLB e sua última participação na pós-temporada pelos doze anos seguintes.

Em 1984, Murray disputou os 162 jogos da temporada regular pela única vez em sua carreira. Registrou média de .306, com 29 home runs, 26 duplas e 110 RBIs, além de estabelecer o recorde pessoal de 107 bases por bolas. Foi convocado para seu quarto All-Star Game consecutivo, conquistou o terceiro Gold Glove seguido, o segundo Silver Slugger consecutivo e terminou em quarto lugar na votação para MVP.

Na temporada de 1985, bateu para .297, com 31 home runs, um recorde pessoal de 37 duplas e 124 RBIs em 156 jogos. Foi convocado para seu quinto All-Star Game consecutivo e terminou em quinto lugar na votação para MVP. Em 1986, sua décima temporada pelos Orioles, apresentou uma leve queda de rendimento, embora ainda tenha registrado média de .305, com 17 home runs, 25 duplas e 84 RBIs em 137 jogos. Foi novamente selecionado para o All-Star Game, naquela que seria sua última convocação até 1991. Na temporada seguinte, registrou média de .277, com 30 home runs, 28 duplas e 91 RBIs em 160 jogos. Desde 1983, essa foi a primeira temporada em que terminou com mais eliminações por strikeout do que bases por bolas, por 78 a 75. Em 1988, sua última temporada pelos Orioles, disputou 161 jogos, registrando média de .284, com 27 duplas e 91 RBIs.

A relação de Murray com a diretoria dos Orioles começou a se deteriorar durante os treinamentos de primavera de 1986, quando acusou dirigentes da equipe de pressioná-lo a retornar antes do tempo de uma lesão no tornozelo. Seu pedido de troca, feito no fim de agosto daquele ano, foi motivado pelas críticas do proprietário da franquia, Edward Bennett Williams, que questionou sua preparação durante a entressafra, seu desempenho defensivo e a falta de rebatidas de extra-base.