Uberlândia é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, na região conhecida como Triângulo Mineiro, Região Sudeste do país. Com habitantes, segundo a estimativa populacional de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o segundo município mais populoso do estado depois da capital estadual, Belo Horizonte, do qual está distante 537 quilômetros.
A região de Uberlândia era habitada por índios caiapós e bororós até a chegada do bandeirante paulista Bartolomeu Bueno da Silva, em 1632. No final da década de 1880, o então distrito de São Pedro de Uberabinha se emancipou de Uberaba, mas foi apenas em 1929 que a cidade passou a ser chamada de "Uberlândia". Após a emancipação, houve um grande crescimento da área urbana da cidade, sendo que, no início do século XX, a Uberlândia já possuía uma diversificação nos ramos industriais.
O produto interno bruto (PIB) do município é o 27º maior do Brasil, destacando-se na área de prestação de serviços. No turismo, a cidade atrai visitantes com seus diversos atrativos culturais, naturais e arquitetônicos, como o Mercado Municipal, o Parque do Sabiá, Parque Municipal Victorio Siquierolli, Praça Clarimundo Carneiro, Praça Tubal Vilela, Praça da Bicota/Rosário e a famosa Avenida Rondon Pacheco.
Topônimo O primeiro nome que a atual cidade de Uberlândia teve foi São Pedro de Uberabinha, denominação recebida quando elevada a distrito de Uberaba em 21 de maio de 1852. Pela Lei Estadual nº 23, de 14 de março de 1891, passou a denominar-se Uberabinha, mesma data de sua instalação. Pela Lei Estadual nº 1.128, de 19 de outubro de 1929, a cidade passou a chamar-se Uberlândia, denominação que permanece até os tempos atuais.
"Uberlândia" é um termo composto por dois termos de origens diferentes: "uber" e "lândia": "Uber" provém do latim ("fértil"), apesar de essa etimologia ser disputada; "Lândia" provém do alemão land ("terra").
História
Origens thumb|esquerda|upright|Monumento a Bartolomeu Bueno da Silva, em Goiânia/GO.
O primeiro homem de origem europeia a pisar na região do atual município de Uberlândia, território até então habitado por índios caiapós e bororós, foi o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, em 1632. A região, então pertencente à Capitania de São Vicente, passou a pertencer à Capitania de Minas Gerais e São Paulo por Carta Régia de 3 de novembro de 1709. João Pereira da Rocha (1818), após o desbravamento da região pelos bandeirantes, fixou-se pela região, demarcando área próxima à Aldeia de Santana (atual Indianópolis). Ali, ele instalou a sede da sesmaria, que denominou Fazenda São Francisco, dando origem ao município. Demarcou, ainda, a Fazenda Letreiro e a do Salto e deu o nome de Ribeirão São Pedro a um curso d'água encontrado. A vinda de João Pereira atraiu muitas outras famílias, inclusive os Carrejos, que, em 1835, adquiriram parte da Fazenda São Francisco e de outras próximas, formando as sedes nas quais se instalaram aqueles irmãos: Olhos d'Água, Lage, Marimbondo e Tenda (a de Felisberto). Felisberto Alves Carrijo que, em 1964, foi legalmente reconhecido como fundador da cidade, era professor com formação adquirida em colégios de missionários. Instalou em sua casa a primeira escola do município e, aos domingos, rezava o terço. Formou um povoado, sendo este, em seguida, denominado como Nossa Senhora do Carmo em homenagem à capela de mesmo nome, inaugurada em 20 de outubro de 1853.
Em 11 de junho de 1857, foram incorporadas, ao patrimônio do povoado, mais doze alqueires doados pela esposa de Luís Alves Pereira, Custódia Fernandes dos Santos e outros cidadãos. Essa área já era habitada por pessoas escravizadas e deu origem ao Bairro Patrimônio, na zona sul, pela Lei Provincial nº 831. Exatamente um mês mais tarde, foi criada a Freguesia de São Pedro de Uberabinha. Em 1861, a Capela de Nossa Senhora do Carmo foi ampliada, tornando-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo de São Pedro de Uberabinha, que viria a ser demolida em 1943.
Formação administrativa e política
Através do Decreto nº 51, de 7 de junho de 1888, as freguesias de Santa Maria e São Pedro de Uberabinha foram elevadas à categoria de vila. Dois meses mais tarde, em 31 de agosto daquele ano, foi criado o município de São Pedro de Uberabinha, atual Uberlândia, emancipando-se de Uberaba, pela Lei Provincial nº 4.643. Ao longo dos anos, houve várias alterações na subdivisão distrital. Nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1911, o município era constituído dos distritos de Uberabinha (sede) e Santa Maria. Pela Lei Estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, criou-se o distrito de Martinópolis com terras desmembradas do distrito sede. Pelo Decreto-lei Estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, foram criados distritos de Tapuirama e Cruzeiro dos Peixotos. Sob o mesmo decreto-lei estadual o distrito de Santa Maria passou a denominar-se Miraporanga e Martinópolis a chamar-se Martinésia.
Em 14 de março de 1891, foi instalada a Vila de São Pedro de Uberabinha, além de ocorrer a posse do 1º Conselho da Intendência Municipal. A criação da Comarca de São Pedro de Uberabinha ocorreu pela Lei Onze, de 13 de novembro daquele ano. Em 21 de dezembro, instalou-se o Foro Civil do Termo Judiciário de Uberabinha, Comarca de Araguari. Em 7 de março de 1892, aconteceu a posse da primeira Câmara Municipal de São Pedro de Uberabinha, sendo agente executivo Augusto César Ferreira e Souza. Em 22 de março, ocorreu a primeira sessão do júri, sendo presidente do tribunal Duarte Pimentel de Ulhôa - primeiro juiz de direito da comarca - cargo que exerceu de 1892 até 2 de janeiro de 1928, data de seu falecimento.
Consolidação thumb|esquerda|Estação Mogiana de Uberlândia
Após a emancipação de Uberlândia, houve um grande crescimento da área urbana da cidade. Em 1897, foi instalada a primeira escola secundária do município: o Colégio Uberabinhense. Em 7 de janeiro daquele mesmo ano teve início a circulação da folha "A Reforma", o primeiro Jornal da cidade, sendo seu fundador e diretor proprietário o professor João Luiz da Silva. No início do século XX, a cidade já possuía uma diversificação nos ramos industriais, tais como: fábrica de cerveja, sapataria, fábrica de cigarros, ferreiro, marceneiro, selaria, etc. Além dessas indústrias não muito complexas, cuja produção se caracterizava pela fabricação de utensílios domésticos, materiais para construção civil, ferramentas agrícolas, aparatos para montaria etc., existia a indústria agropastoril, que, apesar de rudimentar, foi regulamentada pelo Código de Posturas. A indústria pastoril movimentava-se em torno da criação do gado bovino para consumo interno e criação de suínos para o consumo e exportação para outros municípios e estados.
Nas ruas e avenidas sem pavimentação, trafegavam carroças, charretes e carros de boi, cujo tráfego era regulamentado por legislação. Essa lei regulamentava o emplacamento dos carros, a lotação de passageiros permitida em cada charrete, o valor de cada corrida e prescrevia os cuidados que deveriam ser dispensados no trato com os animais. Além das carroças e charretes, os carros de boi foram um dos mais relevantes e requisitados meios de transporte. Nem com a chegada da Estrada de Ferro Mogiana em Uberabinha, no ano de 1895, esses meios perderam a sua importância, pois o comércio entre essa cidade e os locais por onde não passavam os trilhos de ferro, era realizado o transporte das mercadorias via carros de boi. Para as compras de poucas mercadorias, visitas e em muitas outras atividades, o cavalo era utilizado como meio de transporte.
Século XX miniaturadaimagem|Uberlândia, setembro de 1969. Arquivo Nacional.
Até o ano de 1908, as atividades sociais da população se baseavam nas comemorações religiosas e também dos sacramentos, como ir à missa aos domingos, participar dos batizados, casamentos, organizar e frequentar as quermesses, que ajudavam a botar os fiéis em dia com os seus deveres religiosos e para estreitar o convívio. Também ocorriam apresentações de bandas de músicas aos domingos. Além dessas atividades, parte da população se divertia também realizando e participando de concursos de beleza. Existiam também casas de jogos, que eram chamadas de casas de tavolagem, também considerados espaços de interação.
Com o desenvolvimento demográfico da cidade, houve necessidade de investir na infraestrutura municipal e na área da cultura. Ao longo de todo o século XX, foram criados cerca de dez cinemas em Uberlândia. Ainda foram inauguradas diversas casas de diversão, os teatros e a Casa da Cultura, que é uma instituição que abriga acervos culturais do município, inaugurada em 2008. Sua sede está situada em um prédio que foi construído entre 1922 e 1924 com a meta de se tornar residência de Eduardo Marquez, intendente municipal entre 1923 a 1926.
Geografia thumb|Fotografia aérea da região central da cidade em 2006
A área do município é de 4.115,82 km², representando 0,7017 % do estado, 0,4452 % da Região Sudeste e 0,0484 % de todo o território brasileiro. Desse total 135,3492 km² estão em perímetro urbano.
Uberlândia tem a altitude média de 887 m. O ponto culminante do município está localizado na cabeceira do Córrego Cachoeirinha, que mede 930 m. A altitude mínima se encontra na foz do Rio Uberabinha, com 622 m. A sede municipal se encontra em altitude de 863,18 m. O município de Uberlândia está situado no domínio dos Planaltos e Chapadas da Bacia Sedimentar do Paraná, estando inserido na sub-unidade do Planalto Meridional da Bacia do Paraná. Possui relevo típico de chapada (suavemente ondulado sobre formações sedimentares, apresentando vales espaçados e raros). Nesse conjunto a vegetação característica é o cerrado e suas variáveis. Os solos são ácidos e pouco férteis. Cerca de 70% do território uberlandense é de terras onduladas e nos 30% restantes o terreno é planificado.
Hidrografia thumb|left|Rio Araguari visto da BR-050. Uberlândia está localizada junto à bacia do rio Paranaíba, tendo em seu território várias sub-bacias de pequenos e médios córregos com papéis importantes em sua configuração. É drenado pela bacia hidrográfica do Rio Tejuco (o segundo maior afluente do rio Paranaíba), com sua bacia a sul e sudoeste do município, que possui como principais afluentes os Ribeirões Babilônia, Douradinho e Estiva, o Rio Cabaçal, estes localizados na zona rural, e o Rio Araguari. A bacia do Araguari abrange a porção leste do município. Seu principal afluente, na área do município, é o rio Uberabinha, que passa dentro do perímetro urbano. Há exploração do potencial hidrelétrico desse rio, a qual vêm ocorrendo através do funcionamento das usinas hidroelétricas de Nova Ponte, de Miranda e Amador Aguiar I e II.
O Rio Uberabinha, integrante da bacia do Rio Araguari, possui grande relevância para a cidade, constituindo-se em conjunto com seus afluentes, no manancial usado para o abastecimento de água para a população. Os principais afluentes do Araguari estão na zona rural, que são os Ribeirões Beija-Flor, Rio das Pedras e o Ribeirão Bom Jardim, outro importante manancial para o abastecimento do município. Na zona urbana o Rio Uberabinha tem afluentes menores, como os córregos Cajubá, Tabocas, São Pedro (totalmente canalizados), Vinhedo, Lagoinha, Liso, do Salto, Guaribas, Bons Olhos, do Óleo, Cavalo, dentre outros.
Ecologia e meio ambiente thumb|esquerda|Cerrado nos arredores da cidade.
A vegetação predominante do município é o cerrado e suas variáveis como veredas, campos limpos, campos sujos ou cerradinhos, cerradões, matas de várzea, matas de galeria ou ciliares e matas mesofíticas. Apenas na parte oeste do município, em locais onde a altitude varia de 700 a 850 m, os solos são mais rasos com baixa fertilidade e a vegetação predominante é a mata subcaducifólia.