Boris Casoy (São Paulo, ) é um jornalista e apresentador de telejornais brasileiro. Tornando-se notório por ser âncora do TJ Brasil (SBT) e do Jornal da Record, Boris iniciou a sua carreira como locutor na Rádio Eldorado, iniciando a sua trajetória pela televisão na Rede Tupi, como repórter do programa Mosaico na TV.
Em seu trabalho como âncora, iniciado em 1988 no SBT, o jornalista se tornou o primeiro a emitir opiniões sobre as reportagens exibidas durante os telejornais que apresentou. Também acabou emplacando bordões em seus comentários, como "isto é uma vergonha!" e "é preciso passar o Brasil a limpo", marcados durante o processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor.
Em 1997, assinou contrato com a Rede Record, onde permaneceu como principal âncora até 2005. Após a sua saída da Record, passou pela recém-criada TV JB, canal que ficou pouco tempo no ar, e pela Band, sendo um dos contratados da emissora entre 2008 e 2016. Antes de ser âncora de televisão, Boris também atuou na mídia impressa, como editor-chefe do jornal Folha de S.Paulo, cargo que ocupou após ser editor de política no mesmo jornal.
Infância e juventude Último dos seis filhos do padeiro e comerciante Isaac Srulevitch Kossoy (transliterado no Brasil como "Casoy") e da dona de casa Raissa Kossoy (nascida Breitbart), judeus nascidos no Oblast de Odessa (Isaac em Odessa e Raissa em Podilsk), Ucrânia, que chegaram ao Brasil em 1928.
Boris adquiriu poliomielite ao completar um ano de vida, junto com sua irmã gêmea. Na época, não existia vacina. A doença deixou sequelas físicas, mas a marca maior foi a psicológica, gerada pela discriminação na infância. Até os nove anos, Casoy praticamente não podia andar. Com essa idade, ele foi operado nos EUA e recuperou os movimentos. "Como não podia andar, era um grande ouvinte de rádio, admirava aquele milagre da transmissão da voz", contou em entrevista ao site Amputados Vencedores."Jornalista Boris Casoy fala sobre sua deficiência", Amputados Vencedores, 1 de março de 2008
Estudou os primeiros anos nos colégios Stanford e Mackenzie. Foi reprovado diversas vezes no curso científico, uma vez que queria cursar o antigo clássico, em desacordo com o determinado pela família. Frequentou o curso de Direito da Universidade Mackenzie, mas não o concluiu.
Sua vida profissional começou aos quinze anos, em 1956, trabalhando como narrador esportivo numa emissora de rádio e também como locutor na Rádio Eldorado.
Carreira No governo Em 1968, foi nomeado Secretário de Imprensa de Herbert Levy, Secretário de Agricultura do governo Abreu Sodré, em São Paulo, permanecendo no cargo em 1969 com a mudança do titular da pasta.
Em 1970, foi assessor de imprensa de Luís Fernando Cirne Lima, Ministro de Agricultura do governo Médici. Em 1971 e 1972, foi secretário de imprensa do prefeito de São Paulo, José Carlos de Figueiredo Ferraz.
Na Folha de S.Paulo Em 1974, ingressou na Folha de S.Paulo, seu primeiro trabalho em jornal, onde foi editor de política e, apenas três meses depois, chegou a editor-chefe. Permaneceu no jornal até junho de 1976, quando saiu para dirigir a Escola de Comunicação e o setor cultural da FAAP.
Retornou ao mesmo jornal em 1977, onde passou a escrever uma coluna sobre os bastidores políticos denominada "Painel". Em setembro, tornou-se o editor-chefe e diretor de redação, aos 36 anos, ficando no cargo até 1984, quando voltou a ser responsável pela coluna "Painel".
Na televisão Sua carreira televisiva teve início em 1961, quando atuou como repórter do programa Mosaico na TV, na TV Tupi,"Boris Casoy estréia novo 'Jornal da Noite' hoje", Metro São Paulo, 14 de abril de 2008, pág. 13 então o canal 4 de São Paulo, mais antigo programa ininterrupto da TV brasileira, segundo o Guinness Book, e ainda com o mesmo produtor (Francisco Gotthilf).
Em 1988, Bóris voltou para a TV, pelo SBT, em 1988, para apresentar o TJ Brasil, lá ficando até 1997, onde formou parcerias com as jornalistas Lilian Witte Fibe e Salete Lemos, alcançando grande popularidade. Depois, foi contratado pela Rede Record junto com Salete, onde trabalhou durante oito anos, apresentando o Jornal da Record até dezembro de 2005, quando foi demitido. Em 1993, como apresentador do TJ Brasil, Casoy foi admitido pelo presidente Itamar Franco à Ordem do Mérito Militar no grau de Oficial especial.
Boris chegou a trabalhar na TV JB, apresentando o Telejornal do Brasil, de segunda a sexta-feira, sempre às 22 horas, mas a emissora saiu do ar em 17 de setembro de 2007. Além disso, ele apresentava aos sábados um programa que reunia as entrevistas exibidas durante a semana.
Em 2008, assinou contrato com a Band, tornando-se âncora do Jornal da Noite, local em que permaneceu até 2016, quando o seu contrato não foi renovado. A não renovação do contrato ocorreu em comum acordo entre contratado e contratante e foi motivada pelo horário tardio em que o jornalista teria que ancorar o Jornal da Noite.
Com o fim do contrato com a Band, Boris assinou um acordo com a RedeTV! para se tornar âncora do principal telejornal da emissora, o RedeTV! News, válido após o término de seu contrato com a Band, que se encerrou no dia 30 de setembro, ainda do mesmo ano. Em 29 de setembro de 2020, foi demitido da emissora.
Em 14 de dezembro de 2021, Boris é anunciado pela CNN Brasil para integrar a equipe de comentaristas do quadro Liberdade de Opinião do CNN Novo Dia, cuja estreia foi em 10 de janeiro de 2022.
Em 3 de fevereiro de 2026, Casoy acerta o seu retorno ao SBT após 29 anos para ser um dos comentaristas do SBT News. Em entrevista à Folha, afirmou não querer se aposentar: "Quero morrer em frente a uma câmera".
No YouTube Após ser demitido da RedeTV!, lançou seu próprio programa no YouTube, chamado "Jornal do Boris", no final de outubro. Transmitido também pela Alpha Channel TV, o programa é inspirado em "O Trabuco", do jornalista e radialista Vicente Leporace da Rádio Bandeirantes.
Em novembro de 2020, a TV Gazeta confirmou que o mesmo programa estará no ar após sua transmissão no YouTube, a partir de 30 de novembro de 2020, às 8h45.
No rádio Em 4 de novembro de 2021, Boris foi anunciado como novo contratado da Massa FM, onde irá apresentar o programa Fala aí Boris... Pra Massa.
Filmografia +AnoNomeCargoNotasEmissora1961Mosaico na TVApresentadorRede Tupi1988-97TJ BrasilSBT1989Debate 89 - Collor x LulaMediadorRepresentando o SBTTV GloboBandSBTRede Manchete1997-05Jornal da RecordApresentadorRecord1997-03Passando a Limpo1998Vota Brasil2001-03Testemunha da História2002 Record Debate Mediador2007Telejornal do Brasil ApresentadorTV JB2008-16Jornal da NoiteRede BandeirantesCanal Livre2008-15Jornal da BandApresentador eventual2008-2010/2014-2016Band EleiçõesMediador2016-20RedeTV! News Apresentador RedeTV!2018RedeTV! EleiçõesApresentador/mediador2020-presenteJornal do BorisApresentadorDesde 2020Alpha Channel TVAté dezembro de 2021TV GazetaDesde junho de 2026SBT News2022CNN Novo DiaComentaristaQuadro: Liberdade de OpiniãoCNN Brasil2026-presenteJornal do SBT NewsSBT News
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Controvérsias
Estilo Seu estilo é muito particular e inspirado na figura do âncora importada dos telejornais norte-americanos, já que não se furta de emitir sua própria opinião sobre os assuntos mais polêmicos, e gosta de utilizar frases-bordão, tais como "Isto é uma vergonha" ou "É preciso passar o Brasil a limpo".
Caso CCC Em 1968, em reportagem sobre líderes estudantis, a revista O Cruzeiro acusou-o de ter participado do grupo Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O CCC foi uma organização paramilitar anticomunista composta por estudantes e intelectuais, que durante a ditadura militar brasileira, agiram em seu favor, denunciando, atacando, sequestrando, torturando e assassinando pessoas contrárias ao regime então vigente. Boris nega esta acusação até hoje e afirma não haver provas que comprovem a participação no CCC. Vinte anos depois (1988), disse a respeito do episódio que tinha consciência do "quanto a imprensa pode estigmatizar alguém. Eu senti isso na carne. E não esqueço".Kushnir, p. 1201 O CCC não existe mais desde o fim da Ditadura Militar, em 1985.
Em 2010, o próprio autor da reportagem na revista Cruzeiro, Pedro Medeiros, esclareceu que os diversos nomes que ele relacionara como integrantes do CCC foram publicados sem confirmação. Ao entrevistar integrante do grupo em 1968, o repórter se apropriou da agenda de telefones do entrevistado e os nomes que apareciam na agenda foram publicados como sendo membros do grupo, entre eles Boris Casoy.
No mesmo ano, o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim voltou a repetir a acusação, ao publicar no site em que escreve, Conversa Afiada. Amorim publicou o texto no qual o acusa de pertencer ao CCC, ser a favor da tortura, ser torturador e ter "fúria fascista", ao se opor a instalação pelo governo anterior, Conselho de Defesa dos Direitos Humanos. Após saber da publicação do texto, Casoy entrou com queixa-crime por ofensas caluniosas contra Amorim, Em 13 de dezembro que foi obrigado a publicar retratação, depois do acordo no Juizado Especial Criminal de São Paulo. Casoy foi representado em juízo pelo advogado Carlos Eduardo Regina. A retratação publicada dizia: "Disse numa sequência de posts sobre a instalação de um Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, que aqueles que se opunham à instalação faziam o papel de defender quem defende a tortura. (...) Assim sendo, reitero, agora, que o Sr. Casoy nega que tenha pertencido ao CCC. E, portanto, não voltarei a fazer essa ligação.", concluiu.
Eleições de 1985 Em um debate na Rede Globo com os candidatos à prefeitura de São Paulo, em novembro de 1985, perguntou ao então candidato pelo PMDB, Fernando Henrique Cardoso, se ele acreditava em Deus. O candidato não respondeu, afirmando que havia sido combinado previamente que esse assunto não seria levantado. A pergunta e a resposta foram consideradas como fatores decisivos para a derrota do candidato do PMDB para Jânio Quadros.
Atritos com o PT Após a eleição de 2002, responsável pela condução de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República e pela hegemonia do Partido dos Trabalhadores na política brasileira, Boris entrou em atrito com o partido várias vezes, geralmente associando-o à corrupção e ligando-o aos movimentos bolivarianos que estavam em alta na década de 2000. Sua demissão da Rede Record teria sido, segundo o jornalista, uma represália do Governo Lula.
Boris voltaria à TV apenas em 2008, no Jornal da Noite da Rede Bandeirantes, onde continuou a emitir suas opiniões, embora de maneira menos dura em relação ao partido. Quando da sua passagem pela RedeTV!, durante os desdobramentos da Operação Lava Jato, Boris voltaria a enfatizar suas críticas ao PT, o que também fez em sua passagem pela CNN Brasil e em seu canal do YouTube.
Sabatina com Lula Na referida eleição presidencial, a Rede Record sabatinou no Jornal da Record os candidatos à Presidência da República. Boris perguntou ao então candidato Lula, líder e favorito nas pesquisas, qual seria a relação entre o PT e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, visto que ambos eram membros do Foro de São Paulo e alguns órgãos da imprensa internacional estariam ligando o PT à guerrilha colombiana.
Incomodado com a pergunta, Lula nega as relações com os colombianos, mas tangencia o questionamento e afirma:
Insistindo por uma resposta completa, Boris reformula a pergunta para atingir não apenas as FARC, como o Foro de São Paulo como um todo, e não consegue completar a pergunta:
Visivelmente irritado, Lula interrompe Boris com uma resposta sarcástica e desconsidera o fato do próprio entrevistador ter afirmado não acreditar nos rumores: