Biogeografia do Brasil refere-se ao estudo biogeográfico da distribuição das espécies e ecossistemas, no espaço geográfico e através do tempo geológico, focados no âmbito brasileiro.
Etnologia Segundo pesquisas etnológicas, antes da colonização portuguesa do Brasil, povos indígenas de línguas tupi-guaranis já classificavam a vegetação brasileira, tanto em aspectos gerais quanto específicos, usando uma terminologia que seria ressignificada na língua portuguesa. A seguir, alguns exemplos, com a tradução dos termos (entre parênteses) e a denominação atual das regiões, numa correspondência aproximada:Pádua, J.A. (2009). Um País e Seis Biomas. Ferramenta Conceitual para o Desenvolvimento Sustentável e a Educação Ambiental. In: Pádua, J.A., Org., Desenvolvimento, Justiça e Meio Ambiente. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, .Leontsinis, A. (1992). O tupi: nossa linguagem ecológica. Rio de Janeiro: Biblioteca Stassa Leontsinis, .Sampaio, Theodoro. (1901). O Tupi na Geographia Nacional. Memoria lida no Instituto Historico e Geographico de S. Paulo. São Paulo: Typ. da Casa Eclectica, . caá-etê ("mata verdadeira") e caá-guaçu ("mata grande"): matas da Floresta Amazônica ou da Mata Atlântica; caá-igapó ("mata que a água enche"): Mata de Igapó; caá-pãun ("ilha de mato"): Capão; caá-poéra ("mata cortada" ou "extinta"): Capoeira; caá-ta ("mata dura"): Cerrado; caá-tã-dyba ("ajuntamento de mata dura"): Cerradão ou Catanduva; caá-tinga ("mata branca"): Caatinga do Nordeste e Caatingas do Rio Negro;
Regionalizações biogeográficas A seguir, alguns esquemas de regionalização biogeográficas (incluindo fito- e zoogeográficas), em sentido estrito, ou seja, que tomam como critério principal de classificação a composição taxonômica (de táxons presentes) das áreas estudadas, e a dispersão (distribuição) de táxons. Note-se, entretanto, que aspectos fisionômico-ecológicos podem eventualmente estar presentes.
Os nomes das categorias hierárquicas usadas variam entre os esquemas (região, província, domínio, etc.),Walter, B. M. T. (2006). Fitofisionomias do bioma Cerrado: síntese terminológica e relações florísticas. Tese de Doutorado, Universidade de Brasília, .[p.53-55] podendo-se aplicar a elas a denominação generalista de áreas.
Para outros esquemas de enfoque continental e mundial, confira Biogeografia da América do Sul, :en:floristic provinces, :en:zoogeographic regions e en:biogeographic regions.
Rugendas (1835) A divisão territorial de Rugendas (1835) trata, na realidade, da paisagem natural de modo geral (clima e solo, em especial), sendo apresentada a seguir pelo seu valor histórico e por uma correspondência aproximada com as regiões biogeográficas:Rugendas, J.M. (1835). Voyage pittoresque dans le Brésil. Paris: Engelmann & Cie., .Sandeville Jr, E. (2004). A divisão natural das paisagens brasileiras. Paisagem e Ambiente 18: 71-98, . Região do rio Amazonas Região do rio Paraguai Região do rio Paraná Região do litoral sul Região do rio São Francisco Região do rio Paraíba ou do litoral norte
Martius (1837) Esquema de Martius (1837):Martius, C. F. P. de (1837). Herbarium florae brasiliensis. Beiblätter zur allgemeinen botanischen Zeitung. Zweiter Band, p. 1—352, .
1. Regio extratropica oder valleculosa (napaea) 2. Regio montana oder montano-campestris (oreas) 3. Regio montano-nemorosa (dryas) 4. Regio calido-sicca (hamadryas) 5. Regio calido-humida (najas)
Burmeister (1854) Divisão do Brasil por Hermann Burmeister (1854):Burmeister, H. Reise nach Brasilien: durch die Provinzen von Rio de Janeiro und Minas geraës. Mit besonderer Rücksicht auf die Naturgeschichte der Gold und Diamantestricte.. Berlin: G. Reimer, 1853. link. [Tradução em português: Viagem ao Brasil: através das províncias do Rio de Janeiro e Minas Gerais, visando especialmente a história natural dos distritos auri-diamantíferos. São Paulo: Livraria Martins, 1952, link, trechos em Outrora, link; Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1980, link.]Burmeister, H. 1854-56. Systematische Uebersicht der Thiere Brasiliens. [3 vol.] Berlin, Georg Reimer, 341 p. link. [Cf. vol. 1, p. 9-10.] I. Nordwestliches Urwald- oder Amazonenstromgebiet, "região das matas virgens do noroeste ou do rio Amazonas" II. Südöstliches Urwald- oder Küstengebiet, "região das matas virgens do sudeste ou costeiras" III. Inneres oder Campos-Gebiet, "região do interior ou dos campos"
Martius (1858) thumb|Mapa das províncias florísticas de Martius (1858). Impérios e províncias florísticas de Martius (1858), com termos atuais correspondentes entre parênteses a partir de IBGE (2012):Martius, C. F. P. von. (1858). Tabula geografica brasiliae et terrarum adjacentium exhibens itinera botanicorum [et florae brasiliensis quinque provincias]. Provinciae florae brasiliensis. In: Martius, C. F. P. von, Eichler, A. W. & Urban, I. (ed.). Flora brasiliensis. Monacchi et Lipsiae: R: Oldenbourg, 1840-1906, v. 1, pars 1, fasc. 21. Disponível em: <http://bdlb.bn.br/acervo/handle/123456789/48095> e <http://www.biodiversitylibrary.org/item/9632#page/136/mode/1up>.IBGE (2012). Manual Técnico da Vegetação Brasileira. 2a ed. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/vegetacao/manual_vegetacao.shtm>. Imperia Florae Paraguariense et Cisandinum extratropicum Napaeae, plantae regionis extratropicae valleculosae (flora subtropical) Imperium Florae Cisandinum tropicum sive Brasiliense Dryades, regionis montano-nemorosae (flora da costa atlântica) Oreades, regionis montano-campestris (flora do Centro-Oeste) Hamadryades, regionis calido-siccae (flora nordestina) Imperii Florae megapotamici s. Amazonico-Orinocensis Naiades, regionis calido-humidae (flora amazônica)
Os nomes das províncias se referem a tipos de ninfas gregas, quatro imortais e um mortal: as napeias, ninfas das ravinas (áreas da mata de araucária e dos campos sulinos); as dríades, ninfas das florestas (área da mata atlântica); as oréades, ninfas dos campos de caça (área dos cerrados); as hamadríades, ninfas que morrem e ressuscitam (área da caatinga); e as náiades, ninfas das águas (área amazônica).Joly, C.A., Aidar, M.P.M., Klink, C.A., McGrath, D.G., Moreira, A.G., Moutinho, P., Nepstad, D.C., Oliveira, A.A.; Pott, A.; Rodal, M.J.N. & Sampaio, E.V.S.B. (1999). Evolution of the Brazilian phytogeography classification systems: implications for biodiversity conservation. Ciência e Cultura 51: 331-348, , .Pádua, J.A. (2010). Natureza e Sociedade no Brasil Monárquico. In: Grinberg, K. e Salles, R., Orgs., O Brasil Imperial III. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, .
Caminhoá (1877) Esquema segundo Joaquim Monteiro Caminhoá (1877):Caminhoá, J.M. Elementos de botânica geral e médica. Rio de Janeiro: Tip. Nacional, 1877.Sampaio, A.J. Fitogeografia do Brasil. Boletim do Museu Nacional, v.6, n.4, dez. 1930, p.271-299, . Região das florestas Região dos campos Região das águas
Wappäus (1884) Esquema de Wappäus (1884):Wappäus, J.E. (1884). A geographia physica do Brasil refundida. (Edição condensada). Rio de Janeiro: Typ. de G. Leuzinger, 470 p., . [Título na capa interna O Brasil geográfico e histórico, vol. 1, A terra e o homem. Tradução aumentada de Wappäus, J.E. (1871). Handbuch der Geographie und Statistik des Kaiserreichs Brasilien, . A segunda parte, sobre Geografia Política do Brasil, não foi traduzida para o Português.] zona equatorial (= mata tropical, Hylaea do Amazonas) zona do litoral (= zona da mata virgem da costa oriental, zona das florestas virgens do Atlântico, matta virgem da costa do Atlântico ) região oriental (= serra do Mar) zona central zona do sertão tropical subtropical
Barbosa Rodrigues (1903) Esquema de João Barbosa Rodrigues (1903):Barbosa Rodrigues, João. Esquisse Geographique des Palmiers du Brésil. In: Sertum Palmarum Brasiliensium, vol. I, 1903 Zonas brasileiras Zona Amazonina Zona Montano-Campezina Zona Marina Zonas extra-brasileiras Zona Granadina, ao norte Zona Platina, ao sul Zona Andina, ao oeste
Mello Leitão (1937, 1947) Esquema de regionalização zoogeográfico de Cândido Firmino de Melo Leitão (1937, 1947):Mello Leitão, C.F. (1937). Zoogeografia do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, , . [2a. ed., 1947; 3a. ed, fac-similar, 1980. Ver Fittkau (1969), , Barbosa (2002), .] Arctogéa [= reino dos ursos; reino Holártico de Heilprin, 1887; região Periártica de Gadow, 1893] Lemurogéa [= reino dos prossímios; região Paleotrópica de Gadow, 1893; reino Paleotrópico de Bodenheimer, 1935; regiões Oriental e Etiópica de Wallace, 1876] Didelfogéa [= reino dos marsupiais; reino Notogéa de Huxley, 1868] Região Nesogéa [= região Australiana] Região Neogéa [= região Neotrópica] Subregião Centro-Americana Subregião Antilhense Subregião Andino-Patagônica Subregião Brasiliana Província Caribe Província Amazônica Província Carirí-Bororó Província Tupí Província Guarani
Sampaio (1938) Esquema de Alberto José de Sampaio (1938):Sampaio, A. J. (1938). Fitogeografia do Brasil. 2a. ed. rev. e aum. São Paulo: Ed. Nacional. 334 p., , . (Brasiliana, v. 35) [1a. ed., 1934; 3a. ed., 1945.] I. Província Amazônica, ou da Flora Amazônica, ou Hylaea Brasileira Zonas 1. Zona Hylaea oriental-andina 2. Zona amazono-orinocense 3. Zona guianense 4. Disjunção central-americana ou panamaense Florestas 1. Matas de terra firme 2. Matas de várzea 3. Matas dos alagados ou igapós 4. Vegetação arbórea (ex., chavascais ou charravascais) 5. Caatingas do rio Negro (Spruce) Campos 1. Campinas 2. Campinaranas ou falsas campinas (Ducke) 3. Capões de mato (ilhas de mato, miritizais, açaizais, atc.) II. Província Extra Amazônica, ou da Flora Geral do Brasil 1. Zona dos cocais 2. Zona das caatingas Caatinga baixa Caatinga alta Caatinga verdadeira (ou sertão) Caatinga mestiça (ou caatinga suja, carrascal, etc.) 3. Zona das matas costeiras ou florestas orientais 4. Zona dos pinhais ou da araucária Pinhais Matas mixtas Campos 5. Zona dos campos Tipos Campos arborizados ou savanas (ex., campos cerrados, cerrados ou campos cobertos) Campos sem árvores ou campinas (ex., campos limpos) Áreas Campos da Bacia do rio São Francisco Campos Cerrados de Mato Grosso (campos do planalto e campos do Pantanal) Campos do Rio Grande do Sul Campos Alpinos (campos de altitude) 6. Zona marítima Mangues ou mangais Jundus, nhundús ou restingas
Rizzini (1963) Divisão fitogeográfica do Brasil por Rizzini:Rizzini, C.T. (1963). Nota prévia sobre a divisão fitogeográfica do Brasil. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro: IBGE, ano 25, n. 1, p. 3-64, jan./mar. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/115/rbg_1963_v25_n1.pdf>. I. Província Atlântica (inclui Floresta atlântica, Complexo da Caatinga, Complexo do Pinheiral, Complexo da Restinga) I A. Subprovíncia Nordestina 1. Setor do Agreste 2. Setor do Sertão 3. Setor do Seridó 4. Setor da Ilha de Fernando de Noronha I B. Subprovíncia Austro-Oriental 1. Setor do Litoral 2. Setor da Cordilheira Marítima 3. Setor do Planalto Meridional (ou do Pinheiral) 4. Setor da Ilha da Trindade II. Província Central (inclui Complexo do Brasil Central, Complexo do Pantanal, Complexo do Meio-Norte) II A. Subprovíncia do Planalto Central 1. Setor das Serras 2. Setor do Planalto propriamente dito II B. Subprovíncia da Depressão Matogrossense II C. Subprovíncia do Meio Norte III. Província Amazônica (inclui Floresta amazônica e Campos do Alto Rio Branco) III A. Subprovíncia do Alto Rio Branco III B. Subprovíncia do Jari-Trombetas III C. Subprovíncia do Rio Negro III D. Subprovíncia da Planície Terciária 1. Setor Oceânico 2. Setor Suleste 3. Setor Sul 4. Setor Oeste 5. Setor Sudoeste ou Acre
Territórios ecológico-vegetacionais: 1. Floresta Amazônica 2. Brasil Central-Meio-Norte 3. Caatinga-Pantanal (Chaco) 4. Restinga 5. Floresta Atlântica-Pinheiral