As bananeiras, figueiras-de-adão, pacobeiras ou pacoveirasFERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 226, 227. são plantas do gênero Musa, um dos três que compõem a família Musaceae, que inclui as plantas herbáceas vivazes, incluindo as bananeiras cultivadas para a produção de fibras (abacás) e para a produção de bananas. Existem cerca de 50 espécies de Musa, utilizadas pelo ser humano para diversas finalidades, originárias do sudeste da Ásia. Muitas variedades de bananas selvagens existem ainda no sudeste da Ásia. Caracterizam-se por um caule suculento e subterrâneo (rizoma), cujo "falso" tronco (um pseudocaule) é formado pelas bainhas superpostas das suas folhas. Estas são grandes, de coloração verde-clara, brilhantes e de forma, em geral, oblonga ou elíptica. As flores dispõem-se numa espiga terminal, em torno do chamado "coração" ou "umbigo" da bananeira, com glomérulos androgínicos, apesar de, na prática, os glomérulos superiores funcionarem apenas como masculinos e os inferiores como femininos. Apresenta ainda brácteas em forma de espata. O "fruto", conhecido como banana, é, na verdade, uma pseudobaga. As espécies do género Ensete, incluindo a bananeira-da-abissínia (Ensete ventricosum), são, vulgarmente,consideradas como "falsas bananeiras".

Taxonomia e nomenclatura O género Musa era, tradicionalmente, classificado em cinco secções (Ingentimusa, Australimusa, Callimusa, Musa e Rhodochlamys) mas estas outras classificações referem apenas quatro secções: Australimusa, Callimusa, Rhodochlamys e Eumusa. Anteriormente, as espécies com 2n = 20 cromossomas estavam separadas nas secções Australimusa e Callimusa, enquanto que as espécies com 2n = 22 cromossomas estavam distribuídas pelas secções Musa e Rhodochlamys. Recentemente, pesquisas de Carol Wong e colegas de Singapura revelaram que as diferenças genéticas entre cada secção do mesmo grupo cromossómico são menores que as identificadas dentro de cada secção.

right|250px|thumb|Flor da bananeira, usada na culináriaAvitrinedosabor - Salada de flor de bananeira. Página acessada em 3 de Julho de 2011. e medicina popularIgrejademaria - Xarope da Flor da Bananeira (Pulmão, Asma, Gripe e Tosse). Página acessada em 3 de Julho de 2011.

Isto significa que a separação tradicional das secções não é reflexo da realidade biológica. Os estudos de Wong defendem, contudo, que se deva manter a sepração entre as espécies de 20 e 22 cromossomas, mantendo a secção de 14 cromossomas como grupo distinto

A seção Australimusa, onde estão as plantas com 10 cromossomos (n=10), apresentam cachos e "umbigos" (inflorescência masculina) eretos; compreende 5 espécies, sendo as mais conhecidas, a Musa textilis e a Musa fehi; as plantas desta seção são utilizadas para a extração de suas fibras, consumo dos frutos e na forma de vegetal. A seção Callimusa, engloba plantas com 10 cromossomos (n=10), compreende 5 a 6 espécies de pequeno tamanho e de interesse botânico, sendo a mais conhecida a Musa coccinea.

Na seção Rhodochlamys, estão as plantas com número básico de 11 cromossomos (n=11), apresentando inflorescência ereta e poucas flores em cada bráctea; a espécie mais conhecida é a Musa ornata que apresenta brácteas rosa-violeta e tendo interesse como planta ornamental.

Fazendo parte da seção Eumusa, estão as bananeiras com 11 cromossomos (n=11), apresentando cachos e "umbigos" (inflorescência masculina) horizontais ou cadentes, seiva leitosa ou aguada; nesta seção, localizam-se as bananas comestíveis, de grande valor comercial, incluindo a Musa acuminata e a Musa balbisiana.

Uma compilação dos nomes das espécies, subespécies, híbridos, variedades, assim como de nomes vulgares utilizados em várias línguas, é mantida na Universidade de Melbourne, Australia, “Sorting Musa names” na MULTILINGUAL MULTISCRIPT PLANT NAME DATABASE da Universidade de Melbourne, Australia demonstrando que os nomes vulgares são apenas locais e não correspondem a espécies, nem a cultivares reconhecidos.

Bananas comestíveis

São vários os grupos distintos de bananas comestíveis que se desenvolveram a partir de espécies do género Musa. Até a actualidade, as variedades mais cultivadas e usadas comercialmente derivam das espécies Musa acuminata (principalmente) e Musa balbisiana - seja em variedades puras ou em diversas combinações híbridas. O grupo seguinte, mais utilizado, deriva dos membros da secção Callimusa (antes classificada como Australimusa) e a sua importância económica restringe-se praticamente à Polinésia. De importância ainda mais reduzida, existem alguns grupos híbridos cultivados na Papua-Nova Guiné; um grupo derivado, entre outras espécies, de Musa schizocarpa e um grupo híbrido de Musa x secção Callimusa.

Desde a época de Linnaeus até a década de 1940, tipos diferentes de bananas comestíveis e de bananas-da-terra receberam a sua designação segundo a nomenclatura binomial, como Musa cavendishii, como se fossem espécies distintas. De facto, as bananas comestíveis têm uma origem extremamente complicada, que envolve a hibridação, mutação e, finalmente, a selecção pelo Homem. Assim, como estas variedades híbridas complexas receberam nomes científicos, a confusão está instalada em tudo o que diz respeito à botânica das bananas. Na década de 1940 e de 1950 tornou-se claro que as bananas cultivadas e as bananas-da-terra não deveriam receber nomes científicos de acordo com a convenção da nomenclatura binomial, sendo mais prudente utilizar nomes de cultivares. Assim, um sistema alternativo, baseado no genoma, foi criado para a secção das bananas Musa.

right|220px|thumb|Bananal

Como já foi referido acima, o principal grupo de bananas comestíveis derivam de Musa acuminata e Musa balbisiana. Como exemplo da aplicação do sistema de nomenclatura baseada no genoma, a planta antes designada como Musa cavendishii tornou-se Musa (grupo AAA) 'Cavendish anã'. O "novo" nome mostra, de forma clara, que a 'Cavendish anã' é triplóide, com três grupos de cromossomas, todos derivados de Musa acuminata, agora designada pelo "A". Quando nos referimos a Musa balbisiana utilizamos a letra "B" para o mesmo efeito. Assim, a cultivar 'Rajapuri' passa a ser designada como Musa (grupo AAB) 'Rajapuri'. 'Rajapuri' é, portanto, triplóide, com dois grupos de cromossomas de Musa acuminata e um de Musa balbisiana. Nas bananas comestíveis, podemos encontrar combinações de genoma como AA, BB, ABB, BBB e mesmo AAAB.

Não foi criado um sistema de nomenclatura semelhante para o grupo seguinte de bananas comestíveis derivadas da secção Callimusa. Contudo, este grupo é conhecido geralmente como bananas "Fe'i" ou "Fehi", existindo numerosas cultivares deste grupo na região do pacífico Sul. São plantas com características muito distintas com frutos em cachos ascendentes - como se pode ver em três pinturas de Paul Gauguin. A polpa deve ser cozinhada antes de ser consumida, tem uma cor alaranjada brilhante - quando consumida, modifica a cor da urina de quem a ingere. As bananas Fe'i já não têm actualmente grande importância na alimentação humana, ainda que algumas tenham o seu papel em determinados rituais. É provável que as bananas Fe'i bananas derivem principalmente de Musa maclayi ainda que as suas origens não estejam tão bem esclarecidas como as da secção Musa. As cultivares podem ser designadas, formalmente, por exemplo, como Musa (grupo Fe'i) 'Utafun'.

Coração de bananeira miniaturadaimagem|300x300px|Coração de bananeira. Acima um cacho de bananas em crescimento. O coração de bananeira, também conhecido como mangará, flor ou umbigo, encontrado na parte interna dos cachos de banana, possui uma composição nutricional que o torna interessante para uma alimentação saudável, tendo boas quantidades de proteínas, carboidratos, fibras e minerais SILVA, A. C. P. et al. Composição nutricional do coração da bananeira e sua utilização como um alimento alternativo. SaBios-Revista de Saúde e Biologia, v. 9, n. 2, p. 40-45, 2014. Campo Mourão. Disponível em: <https://revista.grupointegrado.br/revista/index.php/sabios/article/view/1612>. Acesso em: 28 de junho de 2023., além de ser um alimento pouco calórico devido ao seu alto teor de umidade. O mangará pode ser usado no preparo de alimentos tanto salgados quanto doces, seja na forma de bolos, refogados, ou outros KINUPP V. F.; LORENZI, H. J. Musa velutina e Musa x paradisiaca. In: . Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo : Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014. p. 542-545., e até mesmo de xaropes para aliviar sintomas de infecções respiratórias CULIK, M. A. Xarope do coração de banana para o tratamento dos sintomas de infecções respiratórias. Scientia Vitae, v. 1, n. 3, jan. 2014, p. 87-90. São Roque. Disponível em: <https://periodicos.srq.ifsp.edu.br/index.php/rsv/article/view/44>. Acesso em 28 de junho de 2023.. Sendo a bananeira uma planta tropical que cresce o ano todo em diversas regiões do Brasil, e sua inflorescência comumente descartada durante a colheita das bananas LUBIANA, E. B. Aproveitamento da “casca” e do “coração da banana” na alimentação humana e na indústria caseira. Vitória : EMATER-ES; 1991. Disponível em: <http://biblioteca.incaper.es.gov.br/digital/handle/item/2133>. Acesso em: 28 de junho de 2023., seu uso pode ser de grande importância para populações que possuem fácil acesso a ele, ajudando a aumentar a oferta de alimento, principalmente nas populações rurais, e reduzindo o desperdício. “Da banana nada se perde, tudo se aproveita” NAKAMURA, A.H.F.; REBOLO, C.H.P.; OLIVEIRA, D.T. .A PANC do coração:Coração de bananeira na alimentação brasileira. São Paulo, 2023. [Trabalho apresentado à disciplina Informação e comunicação: atividade integradora do curso de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo]..

Cultivo Enquanto que as bananeiras originais produziam frutos com grandes sementes, as que são utilizadas após selecção para a produção alimentar humana são cultivares triplóides (logo, produzem frutos sem sementes formados por partenogénese). Estas, propagam-se assexuadamente a partir de brotos ou rebentos que nascem das socas da planta. As socas são obtidas a partir da remoção cuidadosa de uma parte do caule subterrâneo que contenha algum rebento e algumas raízes intactas, geralmente na base do pseudocaule. De seu pseudocaule/tronco é extraído palmito da bananeira. Um só rizoma pode dar origem a vários rebentos (vulgarmente designados como filhos ou filhotes). Para que frutifiquem em condições, contudo, é necessário que alguns sejam suprimidos - caso contrário competirão entre si pelos recursos da planta (água e sais minerais). O escapo floral forma-se 5 a 8 meses após a formação dos brotos. Como a "bananeira" é cortada após a colheita do cacho, deve-se ter especial cuidado, nesta operação, para não danificar os brotos mais jovens.A banana é cultivada dentro de um balde de água. esquerda|miniaturadaimagem|Bananeira na Terra Indígena Rio Pequeno O tempo de vida médio de um bananal é de cerca de 25 anos. A manutenção das plantações por meios mecanizados é dificultada pelo facto de não ser possível manter as bananeiras dispostas de forma regular. Isto deve-se ao facto de os novos rebentos crescerem na periferia do cormo de forma algo aleatória em relação à posição original das socas (cormos simpodiais), dando a impressão que as bananeiras se vão movendo pela plantação ao longo do tempo.