Júpiter e Leda, ou Leda e o Cisne, é uma pintura a óleo sobre tela realizada em 1798 pelo pintor português do neoclassicismo Francisco Vieira (1765-1805) e que se encontra atualmente no Museu Nacional de Arte Antiga.
A pintura ilustra o mito de Leda, mulher rei de espartano Tíndaro, que se encontra com Júpiter que se junta a ela disfarçado de cisne.Leda dá depois à luz dois ovos gigantes, dos quais nascem gémeos - Castor e Pólux de um, Clitemnestra e Helena do outro. Júpiter era tentado frequentemente pela beleza doutras mulheres e assumia vários disfarces a fim de esconder os seus encontros amorosos da sua esposa, a deusa Juno, uma vez tomando a forma de uma águia, noutra escondendo-se numa nuvem escura mesmo estando um dia claro e neste caso transformando-se num cisne.
A nota informativa do MNAA ao lado da obra exposta refere o seguinte: “Esta foi uma das três pinturas que Vieira expôs em Londres, em 1798, no Salão Anual da Royal Academy of Arts, e é por certo uma das suas obras maiores e uma das melhores paisagens da pintura portuguesa. Vieira baseou-se, para o grupo de Leda, numa gravura de um quadro de um discípulo de Nicolas Poussin (1594-1665) e, por certo, a representação da natureza é aqui devedora da pintura de paisagem do classicismo seiscentista. Une-se, nesta composição, o teatro da mitologia à paisagem teatralizada, e a pequena figura, à esquerda, que espreita a cena acentua o desvendar voyeurista com que a pintura apela ao espectador.”Citado na página web a.muse.arte, em 26/07/2016,
Descrição e história Leda está nua e recostada sobre um manto branco, à beira de um ribeiro, aguardando a chegada de Júpiter transformado em cisne. Um cupido alado atira a seta enquanto outros amores ladeiam a deusa.Nota sobre a obra na Matriznet
Segundo Regina Anacleto, esta pintura mostra uma evolução da maneira de pintar de Francisco Vieira que aplica tonalidades mais claras e porque o desenho se torna mais suave. No arvoredo surgem com bastante densidade os castanhos, destacando-se o nu voluptuoso a recortar-se no manto carmim. O tema mitológico e que havia sido tratado por muitos pintores no passado revela uma certa frivolidade de que Vieira se afastará mais tarde.Regina Anacleto, História da Arte em Portugal, Volume 10, Publicações Alfa, Lisboa, 1986, pags. 73
E ainda segundo a mesma académica, as pinturas mais marcantes de Francisco Vieira encontram-se nas suas paisagens com figuras, designadamente A Fuga de Margarida de Anjou e Leda e o Cisne, que apresentam as personagens submergidas pela grandiosidade da paisagem. Nesta obra diversos autores pretendem encontrar influências de Correggio, de Francesco Albani e nos pintores da Escola de Norwich (pintores estes que se inspiraram por sua vez em pintores de paisagens holandeses do Século de Ouro como Hobbema e Ruisdael).Regina Anacleto, obra citada, pag. 76.
Francisco Vieira executou Leda e o Cisne em Londres, cidade onde viveu entre 1797 e 1801 e onde expôs a obra na Academia Real Inglesa. Antes, cerca de 1797, Francisco Vieira havia realizado em Viena uma outra pintura de tema mitológico, Narciso na Fonte, que é considerada o par de Leda e o Cisne. Após a aquisição pelo Estado, em 2014, de Narciso na Fonte, pelo montante de 25.000 euros, as duas obras encontram-se actualmente juntas no MNAA.Lucinda Canelas, Direcção-Geral do Património compra pintura de Vieira Portuense para Arte Antiga, Público, 19/12/2014,
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Referências
Bibliografia França, José-Augusto, A Arte Portuguesa de Oitocentos, Biblioteca Breve, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Lisboa, 1992, ISBN 972-566-084-6, com acesso ao PDF da obra na página do Instituto Camões em [cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/biblioteca-digital-camoes/arte/9-9/file.html]
Ligação externa Página oficial do Museu Nacional de Arte Antiga
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