Leão-do-atlas (Panthera leo leo), também conhecido como leão-da-barbária ou leão-berbere, é o nome atribuído à população histórica de leão que habitava o Norte de África. Sua distribuição abrangia principalmente o Magrebe, incluindo áreas dos atuais Marrocos, Argélia e Tunísia.

A população desapareceu da natureza durante o século XX, após um longo processo de declínio associado à caça, à perseguição humana e à redução de seu habitat. Os últimos indivíduos sobreviveram em áreas montanhosas do Norte de África, embora a data exata de sua extinção na natureza permaneça incerta.

A classificação do leão-do-atlas como uma população ou subespécie distinta é objeto de discussão taxonómica. Estudos filogenéticos indicam uma estreita relação entre os leões do Norte de África e da Ásia e outras populações do norte da África subsaariana. Em algumas classificações modernas, essas populações são incluídas em Panthera leo leo.

A existência de exemplares geneticamente puros do leão-do-atlas em cativeiro permanece incerta. Embora alguns animais mantidos em zoológicos tenham sido historicamente identificados como descendentes de leões norte-africanos, a origem de muitas dessas linhagens não pode ser comprovada geneticamente ou por registros genealógicos completos.

Descrição

O leão-do-atlas apresentava características morfológicas semelhantes às de outras populações de Panthera leo. Os machos eram caracterizados por uma juba geralmente extensa e escura, que podia apresentar coloração mais intensa na região posterior. A aparência da juba, contudo, não é considerada suficiente para distinguir geneticamente os animais atribuídos ao leão-do-atlas de outras populações de leões.

Durante o século XX, o leão-do-atlas foi frequentemente descrito como uma das maiores formas de leão. Entretanto, muitas das estimativas de tamanho provenientes de relatos históricos de caçadores não possuem documentação suficiente para serem consideradas medidas científicas confiáveis. Por esse motivo, não é possível estabelecer com segurança que o leão-do-atlas tenha sido a maior população ou subespécie de leão.

Nomenclatura

O nome científico Panthera leo leo foi originalmente associado à descrição de Felis leo por Carolus Linnaeus em 1758. Posteriormente, diversos exemplares de leões do Norte de África foram descritos com nomes científicos diferentes, alguns dos quais foram posteriormente tratados como sinónimos de Panthera leo leo.

Os nomes comuns "leão-do-Atlas", "leão-da-Barbária" e "leão-berbere" fazem referência à antiga distribuição da população no Norte de África, especialmente nas regiões do Magrebe e das montanhas do Atlas.

Origem

O leão possui um longo registro fóssil no Norte de África. Restos atribuídos a populações ancestrais de leões foram encontrados em diferentes regiões do continente, demonstrando a presença do género Panthera na região durante o Pleistoceno. Fósseis de leões também foram identificados em Marrocos, incluindo materiais provenientes da região de Essaouira.

As populações históricas do Norte de África faziam parte de uma linhagem setentrional de leões que também apresenta relação genética com populações da África Ocidental, da África Central e da Ásia. Estudos filogeográficos indicam que essas populações possuem uma história evolutiva mais próxima entre si do que das populações de leões da África Oriental e Austral.

Hábitos

Os hábitos do leão-do-Atlas são conhecidos principalmente por relatos históricos, uma vez que não existem observações modernas de populações selvagens. Como outros leões, provavelmente apresentava períodos de maior atividade durante o crepúsculo e a noite, embora pudesse permanecer ativo durante o dia dependendo das condições ambientais e da disponibilidade de presas.

Relatos históricos indicam que os leões do Norte de África podiam ocorrer isoladamente ou em pequenos grupos. A estrutura social provavelmente variava de acordo com a disponibilidade de alimento e as características do habitat.

Ecologia

O leão-do-Atlas ocupava uma variedade de ambientes no Norte de África. Sua distribuição incluía áreas de floresta mediterrânica, bosques, matagais e regiões montanhosas, além de áreas mais abertas. As montanhas do Atlas constituíram um dos últimos refúgios conhecidos da população, mas a espécie não era restrita a ambientes montanhosos.

A redução da disponibilidade de presas e a transformação dos ambientes naturais afetaram progressivamente a população. A expansão das atividades humanas também reduziu a área disponível para os leões e aumentou a frequência de conflitos entre os animais e as populações humanas.

Dieta

A dieta do leão-do-Atlas era composta por animais de médio e grande porte disponíveis em seu ambiente. Entre suas possíveis presas encontravam-se ungulados e outros mamíferos terrestres, cuja disponibilidade variava conforme a região ocupada.

A diminuição das populações de grandes herbívoros no Norte de África provavelmente reduziu a disponibilidade de alimento para os leões e contribuiu para o declínio das populações remanescentes. A redução da disponibilidade de presas é considerada um dos fatores associados ao desaparecimento dos leões da região.

Competição

O leão-do-Atlas compartilhava seu território com outros grandes predadores do Norte de África. Entre eles estavam o leopardo-africano e populações históricas de outros carnívoros de grande porte.

A competição por presas provavelmente variava de acordo com o habitat e a disponibilidade de recursos. A redução das populações de presas causada pela atividade humana também poderia aumentar a sobreposição entre predadores e intensificar a competição por alimento.

Anatomia

O leão-do-Atlas apresentava a anatomia característica de Panthera leo, incluindo corpo robusto, membros adaptados à locomoção terrestre, garras retráteis e grandes caninos. Os machos apresentavam juba, cuja extensão e coloração podiam variar entre os indivíduos.

Alguns exemplares históricos atribuídos ao leão-do-Atlas apresentam crânios e pelagens utilizados anteriormente para caracterizar a população como morfologicamente distinta. Entretanto, características como tamanho da juba, comprimento do pelo e proporções corporais apresentam variação individual e não são, isoladamente, suficientes para determinar a origem geográfica ou genética de um animal.

Extinção

Ameaças

O declínio do leão-do-Atlas ocorreu ao longo de vários séculos. Entre os principais fatores estavam a perseguição direta, a caça, a perda e fragmentação do habitat e a redução das populações de presas. A utilização crescente de armas de fogo e a criação de recompensas pela morte de leões também contribuíram para o desaparecimento da população em diversas regiões do Norte de África.

A população desapareceu primeiro de várias áreas do Magrebe, permanecendo por mais tempo em regiões montanhosas e de difícil acesso. Registros históricos indicam que leões ainda estavam presentes na Argélia e em Marrocos durante o século XX. Estudos posteriores reavaliaram a data de extinção e sugerem que pequenas populações podem ter persistido até as décadas de 1950 e 1960, embora a ausência de registros contínuos torne difícil determinar a data exata do desaparecimento do último indivíduo selvagem.

A última fotografia conhecida de um leão selvagem do Norte de África foi realizada em Marrocos em 1925. Um indivíduo foi morto na região do Atlas em 1942, mas registros posteriores indicam possíveis sobreviventes em áreas remotas. Por essa razão, 1942 não deve ser tratado necessariamente como a data definitiva da extinção na natureza.

Distribuição geográfica miniaturadaimagem|278x278px|Leão do atlas. Zoológico de Nova Iorque, 1897 Originalmente o leão-do-atlas era encontrado em grande parte da região norte da África.

Seu habitat se estendia de Marrocos ao Egito, ao longo da costa sul do Mar Mediterrâneo. Ao contrário dos leões do resto de África, os leões-do-atlas viviam em áreas montanhosas e florestadas. Juntamente com o também extinto leão-europeu, o leão-do-atlas foi muito utilizado no Coliseu romano, trazidos dos montes do Norte da África. Após a extinção do leão-europeu, o leão-do-atlas passou a ser ainda mais utilizado. Júlio César chegou a contar com 600 leões e Pompeu, 400. Por volta de 1700 foi extinto da Líbia. Em 1891 foi extinto da Tunísia e em 1893 da Argélia. O último leão-do-atlas em liberdade foi morto em 1922 em Marrocos, na região dos montes Atlas.http://beinglion.com/barbary-lions.php Acreditou-se que estava extinto até que foram encontradas em cativeiro algumas populações com características desta subespécie.

Parentesco asiático miniaturadaimagem|Foto tirada por Marcelin Flandrin em 1925, possivelmente a última foto tirada deste leão na natureza. Em 1968, um estudo feito entre crânios de leões das subespécies do Atlas, a extinta subespécie do Cabo, asiática e outros leões africanos mostrou que as mesmas características do crânio existem apenas nos crânios de leões-do-atlas e asiático. Isto mostra que houve um forte parentesco entre os leões do norte da África e da Ásia. Acredita-se também que o leão-europeu que se extinguiu por volta de 80-100 d.C. possa ser o elo entre as populações da Ásia e do Norte da África.

Projeto Leão-do-atlas miniaturadaimagem|Fotografia de um suposto exemplar no Zoológico de Liubliana em 2005 Descobriu-se que alguns leões, em zoológicos ao redor do mundo inteiro, são descendentes dos leões-do-atlas, porém não pertencem a uma linhagem pura, ou seja, estão hibridizados. O Projeto Leão-do-atlas foi criado com o intuito de recriar o leão-do-atlas, através de uma cuidadosa reprodução selecionada entre os seus descendentes. Testes de DNA revelaram quais são os descendentes mais puros, que serão utilizados no projeto. Os leões do zoológico Tebara, em Rabat, Marrocos, são provavelmente os leões menos hibridizados, ou seja, contém mais genes do leão-do-atlas do que os outros descendentes. O projeto pretende também, após recriar o leão-do-atlas, reintroduzi-lo na natureza.

O projeto está atualmente parado por falta de fundos.http://beinglion.com/barbary-lions.php

Ver também Leão-asiático (em perigo de extinção) Leão-europeu (extinto) Tigre do Sul da China (possivelmente extinto na natureza) Tigre-do-cáspio (conviveu com o leão-do-atlas no Coliseu romano) (extinto) Urso-do-atlas (provavelmente conviveram e competiram em tempos históricos.)

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