Mário Rosa é um jornalista brasileiro, escritor e palestrante que se tornou o primeiro consultor do país em Gerenciamento de Crises e gestão de reputação. Nascido em Niterói, no estado do Rio de Janeiro, cresceu em Brasília, onde se formou em jornalismo pela UnB (Universidade de Brasília). Atuou nas mais prestigiosas redações do país: revista Veja, TV Globo, Jornal do Brasil, O Globo e Globonews, antes de se tornar consultor. Auxiliou, em crises de imagem, as principais corporações brasileiras: Grupo Cassino, CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Ambev, Grupo Iguatemi, OAS, Camargo Correa e Opportunity, entre outros. Prestou consultoria gratuita para os mais importantes políticos e figuras públicas do Brasil, entre elas os ex-presidentes da República Fernando Henrique Cardoso e Luis Inacio Lula da Silva, o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).
É autor da principais referências bibliográficas brasileiras sobre imagem e gestão da reputação. Escreveu os livros “A Síndrome de Aquiles” (2001, Editora Gente), “A Era do Escândalo- Lições, relatos e bastidores de quem viveu as grandes crises de imagem” (2003, Geração Editorial), “A Reputação na Velocidade do Pensamento” (2006, Geração Editorial) e “Memórias de um Consultor de Crises - Entre a Glória e a Vergonha” (2016 , lançado em capítulos, no site UOL).
É articulista do jornal digital Poder360 e faz palestras sobre imagem, gestão de crises e reputação. Vida Pessoal Filho de funcionários públicos, Mário Rosa nasceu em Niterói mas foi morar em Brasília. Seus pais foram transferidos de seu Estado de origem para a Capital Federal. Estudou em escolas públicas e ingressou no curso de Jornalismo na Universidade de Brasília. Durante o curso de Jornalismo, mudou-se para o alojamento dos estudantes. Nessa época, ele comia no Restaurante Universitário e, com trabalhos esporádicos, cobria as próprias despesas. Ao lembrar desse período, Mario sempre comenta que “era pobre, e de direita” e que, por isso, não arrumava nem namoradas.
Carreira
Assessor de Imprensa no Ministério da Fazenda A atividade profissional de Mário Rosa na Comunicação Social começou no segundo ano de faculdade. Por indicação de um professor, assumiu um cargo de baixo escalão no Ministério da Fazenda, cujo titular era na época Francisco Dornelles. "Em menos de um mês, em razão da desordem administrativa, o estudante se viu na condição de subassessor de Imprensa do Ministério da Fazenda -- um marajá com direito a um gabinete só para ele, secretária, carro e apartamento funcional", conforme consta no livro Notícias do Planalto, do qual Rosa foi um dos personagens pelas investigações que contribuíram para a queda do governo Collor. Devido ao tratamento que recebia do chefe, decidiu pedir demissão. No entanto, no mesmo dia, Dornelles deixava o cargo e assumia Dilson Funaro. O chefe imediato de Rosa perdeu o cargo e o então universitário ficou na pasta até último dia do novo ministro na Fazenda.
Estagiário e editor da revista Veja Em seguida ao cargo no governo federal, estagiou na sucursal da revista Veja em Brasília. Poucos meses depois, foi transferido para São Paulo e alçado ao cargo de editor de Brasil da publicação do Grupo Abril. Ainda segundo o relato do livro Notícias do Planalto, "o ritmo atordoante de trabalho, a inexperiência, a insegurança, as broncas, as mudanças nas matérias, os pedidos para fazer o que não sabia o tiraram do prumo" e ele pediu demissão.
Repórter investigativo no Jornal do Brasil Ao sair de Veja, voltou para Brasília, onde foi contratado pelo Jornal do Brasil. Para o diário, Rosa investigou desvios de verba da Legião Brasileira de Assistência (LBA), na época presidida pela primeira-dama Rosane Collor. As matérias sobre o escândalo resultavam da apuração que relacionava parentes de Rosane, em Alagoas, ao repasse de verbas da instituição, e ainda demonstravam que os recursos nunca eram aplicados nas ações sociais a que se destinavam. As matérias geraram um escândalo nacional e tiveram, entre as muitas consequências, a saída da então primeira-dama da presidência da LBA. Também agravaram a crise conjugal do presidente da República. Collor e Rosane estavam em vias de separação. Com esse episódio, Mário Rosa aprofundou-se nos meandros do que mais tarde o levaria a reinventar-se, e tornar-se consultor de Imagem e de gerenciamento de Crises: os escândalos que destroem reputações.
De volta à revista Veja, como editor em Brasília Depois de trocar a reportagem do Jornal do Brasil pela editoria na sucursal brasiliense de Veja, Mário Rosa novamente se envolve em apurações que todo repórter sonha em fazer. O então chefe da Polícia Federal, delegado Romeu Tuma, entregou ao jornalista uma fita em que o então ministro do Trabalho, Antonio Rogério Magri, contava que recebera pagamentos da empreiteira Odebrecht (atual Novonor), para levantar dinheiro destinado à conclusão de obras no Acre. Rosa também teve acesso a documentos que comprovavam que Paulo César Farias, o PC Farias, tesoureiro da campanha de Fernando Collor à Presidência da República em 1989, atuava ilicitamente no governo e recebia recursos de empresas privadas para defender seus interesses nas repartições públicas da capital do país.
Campanhas políticas Em 1996, já fora das redações, Mário Rosa presta consultoria ao candidato José Serra à Prefeitura de São Paulo, preparando-o para os debates eleitorais na televisão. Serra perdeu o pleito para Celso Pitta. Dois anos depois, Rosa volta ao papel de consultor em período eleitoral. Desta vez, o cliente foi Paulo Maluf, que concorria pelo PPB ao governo do Estado de São Paulo. O marketing do candidato era comandado pelo publicitário Duda Mendonça e pelo seu sócio João Santana. A dupla contratou Mario Rosa não só para essa eleição, mas também, em seguida, para uma campanha eleitoral na Argentina.
A parceria com Duda Mendonça também persistiu, em que pese, a sociedade entre o publicitário e o jornalista já ter sido desfeita (5). Mário chegou a ser sócio de Duda, mas a parceria durou pouco e eles seguiram trabalhando juntos, mas sem vínculos formais. A amizade de ambos prevaleceu ao longo do tempo. Mário se considera “cria” de Duda Mendonça frente ao mundo corporativo. O publicitário escreveu a orelha do segundo livro do consultor, A Era do Escândalo.
Consultor de Imagem e Gerenciamento de Crises Passou a prestar consultorias, auxiliando os clientes no gerenciamento e recuperação de suas imagens, ante rumorosos escândalos ou arranhadas em escaramuças públicas. Entre as empresas que atendeu estão Ambev, Grupo Casino, Grupo Iguatemi, OAS, Camargo Correa e Opportunity, entre outras (1). Também já atendeu a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que assessorou por um longo período abrangendo acontecimentos como a candidatura do Brasil para a Copa do Mundo FIFA 2014, a CPI da Nike (em que deputados investigaram negócios da CBF e escarafuncharam as contas de cartolas do futebol brasileiro) e a recuperação da imagem do então presidente da entidade, Ricardo Teixeira, como gestor do futebol e do esporte após a vitória na Copa de 2002. No final de 2013, contratado pelo advogado Antonio Carlos de Almeida, o Kakay, participou da equipe que atendeu o cantor Roberto Carlos no debate sobre as biografias não-autorizadas.(2)
Mário Rosa também já aconselhou figuras públicas e governos, optando por nunca ser remunerado por esse tipo de consultoria. Em seu quarto livro, “Memórias de um Consultor de Crise - Entre a Glória e a Vergonha”, ele classifica o trabalho que realiza para entes público como “SUS”, em alusão ao serviço gratuito de saúde prestado pelo governo à população. Desde sempre, optou por não receber recursos públicos em troca do seu trabalho.
Nessa modalidade gratuita de consultoria, acompanhou o governo nas ações para evitar o Bug do Milênio, na virada de 1999 para o ano 2000, e compôs o comitê de crise do Palácio do Planalto durante a Crise do Apagão, que acometeu o país em 2001(3), no governo Fernando Henrique Cardoso. Já foi também interlocutor, sem cobrar honorários, de políticos no exercício de cargos públicos, como os ex-presidentes da República Fernando Henrique Cardoso e Luís Ignácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Renan Calheiro, e o ex-ministro do governo Lula, José Dirceu(1).
Livros publicados
2001 - A Síndrome de Aquiles, Editora Gente Em A Síndrome de Aquiles, Mário Rosa inaugura sua carreira como autor de livros comparando o mitológico e invencível herói grego que morreu justamente quando atingido em sua única fraqueza, o calcanhar, que fica desprotegido de sua armadura. O livro mostra como isso se repete no cotidiano de empresas, instituições e figuras públicas, e como agir para que crises não aconteçam, ou tenham seus efeitos negativos reduzidos. Rosa utilizou exemplo reais de políticos, empresas bilionárias, grandes corporações e personalidades do mundo econômico e empresarial para mostrar erros e acertos na gestão de crises de imagem.
2003 - A Era do Escândalo- Lições, relatos e bastidores de quem viveu as grandes crises de imagem, Geração Editorial Neste livro, o consultor levanta 14 casos de grande repercussão que exigiram estratégias bem estruturadas para reverter prejuízos tangíveis e intangíveis a empresas e pessoas. Cada capítulo foi escrito por personagens que desempenharam papel fundamental na crise relatada. Sejam pessoas físicas, como o casal formado pelo músico Orlando Morais e a atriz Gloria Pires, vítimas de mentiras que atingiram a família; ou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, criminalista que defendeu o banqueiro Alberto Cacciola, ex-proprietário do banco Marka, condenado por crimes financeiros.
Na apresentação do livro, Mario Rosa define crises de imagem como "potencialmente devastadoras porque podem destruir o maior patrimônio de um profissional ou instituição: sua credibilidade". Ele explica que a escolha pelos relatos em primeira pessoa forneceriam "a vantagem de trazer o sabor cálido que somente uma testemunha ocular da história pode fornecer". A escolha dos casos relatados passaram ainda pelo crivo de atender o propósito da obra de transformar conhecimento em ensinamento.
2006 - A Reputação na Velocidade do Pensamento, Geração Editorial No seu terceiro livro, Rosa analisa como o avanço tecnológico interfere na formação das crises e na destruição de reputações. Lançado quando a revolução tecnológica completava 10 anos, a obra avalia que "nunca estivemos tão expostos ao olhar alheio, através de equipamentos cada vez mais baratos e capazes de produzir flagrantes de todos os tipos, revelando transgressões que rapidamente podem se espalhar pelo planeta.
Em determinado trecho, ele comenta sobre o Mensalão, escândalo de corrupção no governo Lula que veio à tona em 2005. "A grande diferença foi que ela (a crise do mensalão) ocorreu e se desdobrou num ambiente de tecnologia que talvez seus principais protagonistas não tenham compreendido. Podemos dizer que eles planejaram suas ações (e calcularam o risco de impunidade) com base num patamar tecnológico compatível talvez com o final do século XX, mas foram surpreendidos e pagaram um alto preço de execração quando perceberam que práticas do fim século passado, que poderiam passar impunes, já não estavam mais protegidas pelo sigilo, neste início do século XXI.
2016 - Entre a Glória e a Vergonha (lançado em capítulos, no site UOL) Segundo adiantou para o Estadão, este livro trará relatos dos 20 anos de atuação como consultor de Imagem. “Eu habitei o território do escândalo. Não houve um, entre os mais importantes, econômicos ou políticos, em que de alguma forma eu não tenha participado”. Mário Rosa garantiu ainda que trará histórias do envolvimento em escândalos de personalidades como Renan Calheiros, que conheceu ainda quando era um deputado e o jornalista, repórter em Brasília; Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF; além de casos de envolvidos na Operação Lava Jato.
Prêmios