O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Nenê de Vila Matilde é uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade de São Paulo.
A agremiação possui 11 títulos no Grupo Especial, além de duas conquistas no Grupo de Acesso 1, nos anos de 2010 e 2012, e uma conquista do Grupo de Acesso 2 em 2022.
Foi fundada em 1949 por Alberto Alves da Silva, que foi presidente da escola por 47 anos, até passar o comando da entidade, em 1996, para seu filho, Alberto Alves da Silva Filho, em razão de alguns problemas de saúde. Mesmo assim continuou a desfilar em todos os anos seguintes. Seu Nenê faleceu em 2010, deixando uma lacuna como grande patriarca do Carnaval de São Paulo.
A Nenê possui onze títulos do Carnaval de São Paulo, entre eles dois tricampeonatos. Até 2000, ela foi a escola com mais títulos do carnaval da capital de São Paulo. O fundador da escola, seu Nenê, em entrevista após o desfile de 2004, declarou que os dois maiores orgulhos que a agremiação lhe proporcionou foram o desfile na Marquês de Sapucaí no Rio em 1985 e a viagem a Portugal.Ver gravação da cobertura do desfile transmitida pela Rede Globo. A Nenê é afilhada da Portela, escola do Rio de Janeiro, e protagonizou a primeira roda de samba televisada em 1970, quando a TV exibiu para todo o Brasil esse batizado. Também foi a primeira escola de samba a possuir uma quadra coberta, inaugurada em 1968.
A escola foi fundada por um grupo de sambistas que, na década de 1940, faziam rodas de samba no Largo do Peixe, no bairro da Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo. No dia 1º de janeiro de 1949, ao tentar registrar e assinar a ata de fundação, as pessoas que viriam a ser os grandes baluartes da agremiação perceberam que tinham esquecido do mais importante: o nome da escola. Surgiram algumas ideias, como Unidos do Marapés e Primeiro de Janeiro, mas nenhuma delas agradou a todos. O homem que trabalhava no cartório perguntou quem era aquele negro alto que, enquanto todos discutiam o nome da escola, tocava o seu pandeiro tranquilamente. Responderam-lhe que era o Nenê. O funcionário então sugeriu que o nome da escola fosse Nenê de Vila Matilde. A Nenê já nasceu como escola de samba, ao contrário de algumas das outras grandes escolas de São Paulo, como Camisa e Vai-Vai, que foram fundadas como cordões. Nos anos 1950 e 60, junto com outras escolas da época, como a Lavapés e a Unidos do Peruche, ajudou a criar a identidade do carnaval da cidade, propiciando o crescimento dessa festa paulistana.
História
Décadas de 1950 e 1960 - A Afirmação de uma Escola de Samba Durante os anos de 1949 e 1952 a Nenê desfilou pelos bairros da Zona Leste e do centro de São Paulo ao som de marchinhas da época. A escola só passou a competir no carnaval de 1953. A Nenê ganha seu primeiro título em 1956, quando trouxe para a avenida o primeiro samba-enredo da história do carnaval de São Paulo: Casa Grande e Senzala Neste ano, venceu pela primeira vez a Lavapés, grande campeã das primeiras disputas de carnaval de São Paulo. Logo depois, o seu primeiro tricampeonato é conquistado em 1958, 1959 e 1960. Na década de 1960 a Nenê foi a grande escola da época, vencendo em 1963, 1965, 1968, 1969 e 1970.
Década de 1970 - O Aprendizado e a Reorganização A segunda oficialização do Carnaval de São Paulo acontece em 1968, graças a luta dos sambistas da cidade, liderados por Seu Nenê. Essa oficialização chamou a atenção de outras agremiações carnavalescas que não eram escolas de samba naquela fase, porém eram tradicionais na cidade, os Cordões e os Blocos. Com a entrada dos cordões em 1972 na disputa como Escolas de Samba, a Nenê perdeu espaço, mas continuou sendo uma das protagonistas do carnaval.
Em 1975, a bateria da Nenê foi a primeira de São Paulo a apresentar coreografias. No decorrer do ano, a escola sofre um primeiro golpe, se vê com sua quadra sendo interditada pela prefeitura. A escola passa o ano de 1975 e os ensaios para o carnaval de 1976, ensaiando pelas ruas da Penha e Vila Matilde, além de recorrer inúmeras vezes a prefeitura, tentando reaver seu espaço. Para o ano então decorrente, decide reapresentar o enredo vice-campeão de 1966: "As Carrancas do Rio São Francisco" . Ficou com o 6º lugar, atrás de escolas como a então novata Pérola Negra. Em meados de 1976, após o Carnaval, a escola enfim retoma a quadra, e com um contrato de espaço de 90 anos de uso.
Para o carnaval de 1977 traz o ufanista enredo: "Fatos Marcantes do Brasil". O samba, composto por Astrogildo Silva, cai no gosto popular após o então cantor Jair Rodrigues gravá-lo em um LP, onde cantou diversos sambas de enredo de Rio de Janeiro e São Paulo. O carnaval de 1978, fica marcado pelo tema: "O Sonho de um Rei Negro". Em 1979, com o samba "Treze Rei Patuá", que foi apontado como o melhor do Brasil no carnaval daquele ano pelo programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, perdeu por apenas 1 ponto o carnaval.
Década de 1980 - A Era de Ouro, Passagem ao Rio e sim Zona Leste Somos Nós! A década de 1980 chegou e a Nenê volta a viver seus melhores dias. Fez sambas e desfiles até hoje citados como alguns dos melhores de São Paulo: "Axé - O Sonho de Candeia" (1981), "Palmares, raízes da liberdade" (1982), "Gosto é gosto de não se discute" (1983) e "Sagração dos Deuses" (1984). Foi durante esse período que a bateria da Nenê ficou 26 anos consecutivos tirando apenas notas 10.
Em 1983, a Nenê faz novamente outro desfile grandioso, sendo apontada até como provável campeã, mas a quebra de dois carros acabou comprometendo o enredo e a escola abraçou um 3º lugar. No desfile de 1984, a Nenê trouxe uma cobra ao estilo "dragão chinês", para representar Oxumarê. A escola foi colocada como uma das grandes favoritas da noite, mas novamente perdeu o título, desta vez para a Rosas de Ouro.
Em 1985, com o enredo "Quando o cacique rodou a baiana, aí, ó", a Nenê finalmente conquistou o seu décimo título, sendo convidada para desfilar ao lado de Mocidade Independente de Padre Miguel e Beija-Flor de Nilópolis durante o desfile das campeãs do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí. Até hoje a Nenê é a única escola de São Paulo que recebeu esse convite"O drama da Nenê", Lais Cattassini e Fábio Mazzitelli, Jornal da Tarde, 25 de fevereiro de 2009, pág. 2B.
Em 1986, com o enredo Rabo do Foguete, teve um desfile aclamado como o campeão da noite, com o carnavalesco Ritwylo de Souza, que revolucionou ao trazer um balé clássico na comissão de frente, onde as bailarinas representavam a Dança dos Cosmos. Ao lado de Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro e Vai-Vai era uma das favoritas, porém, algumas notas acabaram afastando a escola do título, alcançando assim o 3º Lugar.
Durante os desfiles de 1987, ano de grandes sambas, a Vila foi a última a se apresentar, com um samba sobre Pernambuco. Apresentando um dos melhores conjunto de fantasias, mas alegorias pequenas e mal acabadas sucumbiram em um 5º lugar.
No ano de 1988, centenário da abolição da escravatura, a Nenê decidiu não homenagear a comunidade negra, sabendo que a maioria das escolas viria com um tema relacionado. Ao invés disso, a diretoria preferiu falar sobre a Zona Leste de São Paulo, segundo a visão de Paulistinha, um de seus grandes baluartes. No enredo, foi abordada, sob um ponto de vista extremamente positivo, a condição de ser um morador de um lugar tão abandonado. Também foram citados o Largo do Peixe, a fundação da escola, o trem que leva os trabalhadores de Guaianases à Estação Roosevelt (hoje anexada a Estação Brás) e o Corinthians. Devido à falta de destaques sobre os carros, a escola perdeu quatro pontos que a impediram de conquistar o título.
O ano de 1989 simplesmente é dramático, pois a escola passava por momentos de dificuldades financeiras. Cantando seus quarenta anos de história, e apostando na inspiração afro, característica marcante da escola, passou com uma estética bem duvidosa e com diversos problemas, mais surpreendentemente foi apontada como uma das favoritas, mas ficou com um honroso 5ª lugar.
Década de 1990 - Do Susto ao Cinquentenário Em 1990, a escola viveu seu pior momento até então, ao desfilar sem cinco carros. A falta dos mesmos ocorreu após uma briga entre a diretoria e o carnavalesco, que contratou dois caminhoneiros para estacionar suas carretas na porta do barracão. Devido a isso, a Nenê terminou a disputa em oitavo lugar, a dois pontos do rebaixamento, só não passando ao então Grupo 1 devido ao fato de a Pérola Negra não ter conseguido colocar nenhum carro na avenida, o que lhe causou a perda de 35 pontos. Se os carros da Pérola tivessem entrado no sambódromo, ao invés dela, a Nenê teria sido a rebaixada.
No ano seguinte, a escola investiu, contratando Tito Arantes. Apesar da escola ter feito um bom desfile, aos gritos de "Nenê, Nenê", ficou com o 8º lugar em 1991.
No ano seguinte, com Oswaldinho no posto de carnavalesco, a Nenê deu um salto em qualidade das fantasias, tendo o samba aclamado, levou o enredo Luz, Divina Luz, mas recebeu notas baixíssimas no quesito alegoria, graças a carros mal acabados novamente e assim acabando na 4ª posição. Nesse mesmo ano surge Baby, uma surpresa nas eliminatórias, onde Armando da Mangueira decide ceder o seu espaço para apresentar essa nova revelação.
Em 1993, a escola decide apostar na coqueluche que invadiu a cidade, que eram carnavalescos estrangeiros. Acabou contratando cenógrafo de Santiago do Chile, chamado Renatinho. Porém, a falta de verba e falta de comunicação prejudicou os trabalhos do mesmo. No microfone, a escola traz sua Diretora de Harmonia Marcia Inayá e Armando da Mangueira como intérpretes, garantindo um quarto lugar, com o enredo "Primeiro Desejo", onde a escola teve inúmeros problemas, como a falta de dinheiro e a quebra da grua do Abre-alas. Chegou a liderar boa parte da apuração, porém perdendo pontos onde errou de fato.
No ano seguinte, a Nenê investiu na revelação Pedrinho Pinotti, além de trazer Dom Marcos para intérprete. Desfilando sob forte chuva, perdeu dois pontos pelo ato falho de não entregar a pasta de explanação de Enredo, e então mesmo fazendo um desfile muito bonito e pelo material usado nas fantasias, acabou sendo beneficiada de certa forma, acabou ficando atrás da afilhada Leandro de Itaquera, abraçando a 6ª posição.
No ano de 1995, a escola vem com um samba que nasceu da junção de quatro obras e se tornou um dos mais bonitos da história da Nenê, além de contar com um dos refrões mais cantados do Carnaval de São Paulo naquele ano. No dia do desfile a escola teve problemas na concentração, quando ainda se preparava para entrar na avenida o cronômetro oficial do desfile foi disparado. Sem saber que o desfile já havia sido iniciado oficialmente os componentes da escola não entraram na avenida. Quando deu-se início ao desfile a escola já havia perdido dezessete preciosos minutos e então, devido ao ocorrido, a escola teve que desfilar muito mais rápido para terminar o desfile no tempo determinado, o que gerou vários buracos na evolução. Outro problema foi o corte do carro de som no fim do desfile quando a última alegoria e velha guarda passavam, sem o samba e sem a bateria tocando. Ao ser questionada sobre o fato a Liga-SP alegou que a bateria estava tocando forte demais, por isso não foi possível ouvir a sirene que marcou o disparar do cronômetro. Falhas técnicas do desfile foram percebidas pelos jurados, e após uma apuração disputadíssima, onde até o penúltimo quesito a escola era vice-campeã, um 7 em fantasia a jogou para a 6ª posição.