Ricardo López (Montevidéu, 14 de janeiro de 1975 – Hollywood, 12 de setembro de 1996) foi um homem uruguaio-americano que perseguiu e tentou assassinar a cantora islandesa Björk.

López nasceu em Montevidéu, no Uruguai. Mudou-se para Lawrenceville, nos Estados Unidos, com sua família ainda jovem, e passou a trabalhar como dedetizador. Tinha baixa autoestima, era socialmente recluso e acabou desenvolvendo uma obsessão por Björk em 1993. Embora não desejasse uma relação sexual com ela, ficou particularmente irritado com o breve relacionamento dela com o produtor britânico Goldie. Ao longo de quase nove meses em 1996, gravou diários em vídeo sobre ela e outros temas, em seu apartamento em Hollywood, na Flórida.

Em 12 de setembro de 1996, López enviou pelo correio uma carta-bomba, equipada com ácido sulfúrico, à residência de Björk em Londres. Gravou um vídeo final para seu diário explicando suas motivações e o encerrou filmando seu próprio suicídio por arma de fogo. A polícia local encontrou seu corpo e os vídeos quatro dias após sua morte e entrou em contato com a Scotland Yard, que localizou a bomba em uma central de triagem postal em Londres. O pacote foi detonado em segurança e Björk saiu ilesa.

Primeiros anos Ricardo López nasceu em Montevidéu, capital do Uruguai, em 14 de janeiro de 1975, no seio de uma família de classe média que se mudou para os Estados Unidos e estabeleceu residência em Lawrenceville, Geórgia. Tinha um bom relacionamento com sua família e foi descrito como tranquilo, mas introvertido. Teve alguns amigos homens, mas nenhuma amiga mulher, nem namorada. Em um diário encontrado pela polícia, expressou sentimentos de vergonha e inadequação, bem como sentimentos de desconforto social em relação às mulheres. O jornalista Paolo Pellegrini escreveu que López tinha sido diagnosticado com síndrome de Klinefelter.

Com a intenção de se tornar um artista, López abandonou o ensino médio. No entanto, não buscou seriamente uma carreira artística devido aos seus sentimentos de inferioridade e ao medo de ser rejeitado na escola de arte, citando sua falta de educação formal e aparência "deformada". Passou, então, a trabalhar para a empresa de controle de pragas de seu irmão para se sustentar.

Aos 17 anos, López tornou-se recluso e, como forma de fuga, começou a ficar obcecado por celebridades e a fantasiar sobre elas. De acordo com seu diário, ele anteriormente fora obcecado por uma "estrela de cinema estadunidense muito conhecida", mas expressou raiva dela em algumas entradas depois que ela terminou um relacionamento de longo prazo; o jornalista Sergio Di Vitantonio identifica a atriz como Geena Davis, que ganhou o Oscar em 1989 e se divorciou de seu segundo marido, Jeff Goldblum, em 1990. Pouco antes de entregar a bomba pelo correio, López participou de vários tratamentos para ansiedade, mas não mencionou seus problemas de autoestima ou fantasias violentas ao seu psiquiatra.

Obsessão por Björk miniaturadaimagem| Björk se apresentando em 1997 Em 1993, López ficou obcecado pela cantora islandesa Björk. Ele começou a reunir informações sobre a vida dela, acompanhou sua carreira e escreveu-lhe inúmeras cartas. Inicialmente, López a citou como sua musa e disse que sua paixão lhe dava uma "sensação eufórica". Com o passar do tempo, sua fixação o consumiu e ele ficou cada vez mais desconectado da realidade. Em seu diário, escreveu sobre o desejo de ser aceito por Björk e de ser uma pessoa que tivesse "um efeito em sua vida". Ele fantasiava sobre inventar uma máquina do tempo para viajar até a década de 1970 e fazer amizade com ela quando criança. As fantasias de López sobre Björk não eram sexuais, escrevendo "Eu não poderia fazer sexo com Björk porque eu a amo". López falou sobre sua paixão aos seus amigos e irmão, que chamaram seu interesse de obsessivo e disseram que ele deveria "arranjar uma mulher de verdade".

O diário de López chegou a 803 páginas, com passagens sobre seus pensamentos sobre Björk e seus sentimentos de inadequação devido a obesidade, seu desgosto e constrangimento com sua ginecomastia e sua incapacidade de conseguir uma namorada. Escreveu que se considerava "um perdedor que nunca nem aprendeu a dirigir" e reclamou de seu trabalho humilde como exterminador, que lhe rendia pouco dinheiro, às vezes fantasiando em se tornar apresentador do MTV Music Awards. O diário continha 168 referências a sentimentos de fracasso, 34 referências a suicídio e 14 referências a assassinato. Ele fez 408 referências a Björk e 52 referências a outras celebridades.

Planejamento do atentado Em 1996, López morava sozinho em um apartamento em Hollywood, na Flórida. Por volta dessa época, ele leu na Entertainment Weekly que Björk estava em um relacionamento romântico com outro músico, o produtor britânico Goldie. López considerou isso uma traição e irritou-se com o fato de ela estar envolvida com outro homem, escrevendo em seu diário: "Perdi oito meses e ela tem um maldito amante". Ele começou a fantasiar sobre como poderia "punir" Björk.

Em 14 de janeiro de 1996, no seu aniversário de 21 anos, López parou de escrever e começou a gravar um diário em vídeo em seu apartamento. Segundo ele, o objetivo era "... uma documentação da minha vida, da minha arte e dos meus planos", e que "conforto é o que procuro ao falar com você", referindo-se à câmara como sua "psicóloga". Ele gravou onze fitas de vídeo contendo aproximadamente duas horas de filmagem cada. As fitas continham imagens de López preparando sua "vingança" e discutindo sua "paixão [que] acabou se tornando uma obsessão". A raiva de López em relação ao relacionamento de Björk com Goldie se intensificou e ele decidiu matá-la.

López planejou construir uma bomba em forma de carta dentro de um livro oco, que seria acionada quando a capa fosse aberta. Inicialmente, pretendia encher a bomba com agulhas hipodérmicas contendo sangue contaminado com HIV, que ele acreditava poder obter de uma profissional do sexo. Embora isso tenha satisfeito seu desejo de ter um impacto duradouro na vida de Björk, acabou percebendo que não seria viável construir tal dispositivo. Portanto, decidiu usar ácido sulfúrico para desfigurar ou matar a cantora, para "fazer parte dela pelo resto da vida" ou "enviá-la para o inferno". Ele construiu a bomba em menos de três meses, e antes de embalá-la, envolveu o dispositivo em celofane e anexou uma carta falsa passando-se pela gravadora de Björk, que apresentava o livro dentro como parte de um "projeto futuro". Após enviar a carta pelo correio, iria cometer suicídio por medo de ser preso.

Morte No início da manhã de 12 de setembro de 1996, López começou a filmar sua última entrada para o diário. A última fita, intitulada "Último Dia – Ricardo López", começava com ele se preparando para ir aos correios enviar a carta-bomba para a casa de Björk, localizada em Londres. Disse que estava "muito, muito nervoso", mas que se mataria em vez de ser preso caso despertasse suspeitas. Após retornar dos correios, voltou a gravar. Enquanto a música de Björk tocava ao fundo, López, nu, raspou a cabeça e as sobrancelhas com uma tesoura e pintou a cabeça de vermelho e verde com tinta de óleo. A polícia especulou que a razão de fazer isso era ocultar sua identidade ou tornar-se menos reconhecível para que fosse mais fácil para ele cometer suicídio. Ele se olhou no espelho e disse à câmera que estava "um pouco nervoso agora". Então afirmou: "Definitivamente não estou bêbado. Não estou deprimido. Eu sei exatamente o que estou fazendo. [A arma] está engatilhada. Está pronta para disparar. [...] Esta morte é para você, Björk". Assim que a versão de Björk para "I Remember You" terminou de tocar, López gritou "Vitória!" e atirou em si mesmo no céu da boca com um revólver Taurus Modelo 82 calibre .38 de aço inoxidável. Ele gemeu e seu corpo caiu para fora do enquadramento. Pouco depois, começou a sangrar no chão de forma audível. A câmera continuou gravando enquanto isso. Depois de alguns minutos, a fita acabou. Um cartaz com as palavras pintadas à mão "O melhor de mim - 12 de setembro" estava apoiada em um colchão atrás dele. A polícia teorizou que López pretendia cobrir o cartaz com seu sangue e massa encefálica com o tiro, mas a arma não era potente o suficiente para causar isso.

Quatro dias depois, em 16 de setembro, o gerente do prédio notou um odor fétido e sangue vindo do apartamento de López. O Departamento de Polícia de Hollywood entrou e descobriu seu cadáver em decomposição. Escrita na parede estava uma mensagem: "As fitas de 8mm são uma documentação de um crime, material terrorista, são para o FBI". O Gabinete do Xerife do Condado de Broward evacuou o edifício enquanto a equipe antibombas procurava por mais explosivos, mas nada mais foi encontrado. Após assistir à última gravação de López, a polícia contatou a Scotland Yard para avisá-los de que o pacote potencialmente explosivo estava a caminho da residência de Björk em Londres. O pacote ainda não tinha sido entregue e a Polícia Metropolitana o interceptou num posto de correios no sul de Londres, após o que foi detonado em segurança. Havia pouco perigo da cantora receber a bomba porque sua correspondência era verificada pelo escritório de sua equipe. Sem que López soubesse, Björk e Goldie haviam terminado o relacionamento alguns dias antes de ele se suicidar.

Consequências Em 18 de setembro, em frente à sua casa em Londres, Björk deu uma declaração à imprensa, dizendo que estava muito angustiada com o incidente. Ela descreveu-o como "terrível" e "muito triste", e disse que as pessoas não deveriam "levá-la muito ao pé da letra e envolver-se [em sua] vida pessoal". Ela enviou um cartão e flores para a família de López. Depois, partiu para a Espanha, onde gravou o restante de seu terceiro álbum, Homogenic, longe da atenção da mídia. Também contratou segurança para seu filho, Sindri, que era escoltado até a escola por um acompanhante. Um ano após o evento, Björk discutiu o incidente em uma entrevista: "Fiquei muito chateada que alguém tivesse morrido. Não consegui dormir por uma semana. E estaria mentindo se dissesse que não fiquei apavorada. Que eu pudesse me machucar e, principalmente, que meu filho pudesse se machucar".

A família e os amigos de López estavam cientes de sua obsessão por Björk. Eles afirmaram que não tinham ideia de que ele nutria pensamentos violentos ou fosse capaz de praticar violência. Em certo momento, seu irmão lhe disse: "Arranje uma mulher de verdade, você está obcecado". Um psiquiatra que tratou López de ansiedade pouco antes de sua morte também afirmou que ele não parecia perigoso. As fitas de vídeo, incluindo a do seu suicídio, foram confiscadas pelo FBI e depois divulgadas aos jornalistas.

Na cultura popular Em 2000, Sami Saif lançou The Video Diary of Ricardo López, um documentário que consiste em uma versão condensada das 22 horas gravadas em vídeo por López. Saif decidiu limitar a sua disponibilidade porque "quero estar presente quando as pessoas virem o filme, porque há todo o tipo de coisas sobre Ricardo López na Internet. Gosto de poder falar com as pessoas sobre o que elas realmente viram".

Em 2019, o diretor independente italiano Domiziano Cristopharo lançou um filme de terror erótico intitulado The Obsessed, filmado com o título provisório de Last Day: The Best of Me. O diário em vídeo de López foi adaptado como material para o filme, no que Cristopharo descreveu como "o primeiro filme de terror da Albânia" e "um terror corporal livremente inspirado na história real de Ricardo López, o perseguidor de Björk".

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