O Festival Eurovisão da Canção de 2018 (; ) foi a 63.ª edição do certame musical anual, que se realizou pela primeira vez em Portugal após a vitória de Salvador Sobral na edição anterior, em Kiev, Ucrânia, com a canção Amar pelos Dois.
Os espetáculos do evento decorreram na Altice Arena, em Lisboa. As semifinais ocorreram nos dias 8 e 10 de maio e a final aconteceu a 12 de maio.
O slogan escolhido para a edição - All Aboard! (em português: Todos a Bordo!) - foi revelado a 7 de novembro de 2017. Por esta altura, a RTP havia já confirmado a presença de 43 países no evento.
Localização
Local esquerda|miniaturadaimagem|236x236px|O local selecionado para a edição do ESC 2018 - Altice Arena, em Lisboa. O local escolhido para realizar os três espetáculos (semifinais e final) foi a Altice Arena (anteriormente designada de MEO Arena e também conhecida como Pavilhão Atlântico), situada na capital do país, Lisboa.
O pavilhão, construído para a Exposição Mundial de 1998 (abreviadamente conhecida como Expo '98), é um espaço destinado a atrações públicas, festivais e outros espetáculos. Localizado na freguesia do Parque das Nações, tem capacidade para 20 000 espectadores, sendo o maior pavilhão de espetáculos de Portugal e o terceiro maior da Europa.
Este tem ligações de metro ao Aeroporto Humberto Delgado e comboio nas proximidades, mais precisamente pela Gare do Oriente, que o conecta ao resto do país e à União Europeia. É também acessível por outros meios de transporte, como o autocarro ou o táxi.
A Altice Arena oferece ainda serviços como a bilheteira Blueticket, bares e multibanco e está adaptada a pessoas com mobilidade condicionada, visto que tem lugares específicos para estas assistirem aos eventos. O parque de estacionamento mais próximo é o parque TEJO, a cerca de 5 minutos do local, sendo que a zona dispõe de vários outros parques.
Fase de seleção
Após a RTP ter aceitado o desafio de organizar a edição de 2018, o que se confirmou na conferência de imprensa a seguir à final da edição de 2017, não houve qualquer fase oficial de licitação para a seleção da cidade anfitriã, pelo que, a 15 de maio desse ano, a estação pública de rádio e televisão de Portugal realizou uma reunião de urgência onde foi decidido que Lisboa seria a cidade anfitriã do evento.
Porém, logo após esse anúncio, várias vozes críticas se levantaram a contestarem a decisão da estação. Os críticos queriam que a emissora levasse a cabo um concurso oficial para decidir qual a cidade-sede do Festival, utilizando o argumento de que o processo acontecia desde 2011 e que se havia repetido todos os anos nos países anfitriões do certame.
Mesmo assim, a RTP e a UER (organismo responsável pelo concurso) resolveram avaliar 4 cidades em Portugal com vista a selecionar a melhor para acomodar um evento desta dimensão: Braga, Gondomar, Lisboa e Santa Maria da Feira. A análise destas cidades seguiu critérios de avaliação específicos e ajustados aos padrões da entidade promotora para este evento e que não passaram só pela existência de uma sala de espetáculos, mas também por:
Um local adequado para receber cerca de 10.000 espectadores; Um centro de imprensa internacional para 1.500 jornalistas com instalações adequadas para todos os delegados; Uma boa distribuição de quartos de hotel, com diferentes categorias de preços, e capacidade para acomodar pelo menos 2.000 delegados, jornalistas e espectadores credenciados; Uma infraestrutura de transporte eficiente, incluindo um aeroporto internacional próximo com ligações facilmente disponíveis com a cidade, local do evento e hotéis.
Durante o processo, os presidentes dos municípios de Guimarães, Faro e Santa Maria da Feira revelaram o seu interesse em concorrer para organizar a Eurovisão. O município do Porto, considerado um possível candidato a receber o certame, declarou na voz do seu presidente, Rui Moreira, que não se mostraria interessado numa potencial corrida à organização do Festival, apontando como motivos os custos avultados que o evento poderia acarretar para a cidade e que a Câmara Municipal não estaria disposta a pagar.
Por sua vez, o Conselho Metropolitano do Porto, através do seu presidente, defendeu a realização do evento na área metropolitana portuense por considerar uma igualdade de circunstâncias entre Lisboa e a cidade nortenha e preferir a descentralização do evento. Emídio Sousa, presidente do organismo, declarou que "um equipamento de excelência como o Europarque, localizado em Santa Maria da Feira, poderia vir a receber o Festival da Eurovisão", uma vez que, no raio de 30 quilómetros, contaria com "mais de 8000 quartos", referindo ainda a proximidade ao aeroporto e às grandes linhas ferroviárias.
A candidatura desta cidade ganhou ainda mais força a 31 de maio quando Emídio Sousa revelou que a candidatura do Europarque estaria a ser trabalhada e que "já existiam algumas conversas com a RTP". No mesmo dia, Espinho junta-se a Santa Maria da Feira e Gondomar entre os interessados da Área Metropolitana do Porto a acolher o evento e o presidente da Câmara Municipal da cidade, Pinto Moreira, garante que "a nave polivalente de Espinho" teria "uma área útil superior à Altice Arena".
Dias mais tarde, a 2 de junho, Frank-Dieter Freiling, chefe do Grupo de Referência da UER, afirmou que queria ver um concurso público para selecionar a cidade anfitriã do evento, apesar de saber que Lisboa seria muito provavelmente a escolhida.
O presidente da câmara de Braga, Ricardo Rio, admitiu a 5 de junho que estariam em curso conversações com a RTP para que o Parque de Exposições de Braga (posteriormente renomeado Fórum Braga) fosse o local a sediar a edição do concurso. Segundo o autarca, a suposta candidatura não se trataria de "nenhuma pretensão concreta", uma vez que seria preciso saber primeiro as condições exigidas e, só depois, o município tomaria uma decisão sobre essa matéria, considerando, contudo, que a renovação prevista para aquele espaço colocaria Braga à frente de outras cidades interessadas em receber a Eurovisão, nomeadamente a cidade vizinha de Guimarães, que já havia manifestado interesse em acolher o evento no seu Pavilhão Multiusos.
A primeira reunião entre os responsáveis da RTP e o Grupo de Referência da UER teve lugar a 13 de junho, em Genebra, onde os responsáveis portugueses entregaram uma pasta com as possíveis locais que poderiam acolher a competição.
Chave Cidade anfitriã CidadeLocalCapacidadeNotasBragaParque de Exposições de Braga3.0009.000O Parque de Exposições de Braga (posteriormente renomeado Fórum Braga) é uma estrutura vocacionada para a realização de feiras, exposições, congressos e outros eventos de caráter sociocultural, científico, recreativo e desportivo. O espaço agora renovado, inaugurado a 29 de abril de 2018, dispõe de um pavilhão com 12000 lugares, tornando-se a segunda maior sala de espetáculos do país. Contudo, a cidade de Braga não tem a capacidade hoteleira que a União Europeia de Radiodifusão exige, tendo apenas 2.950 camas, divididas maioritariamente por hotéis de 3 e 4 estrelas.GondomarMultiusos Gondomar Coração de Ouro4.400 a 8.000O pavilhão elíptico permite realizar provas de andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins, voleibol, ginástica, assim como exposições e concertos de música. Todavia, a cidade de Gondomar não possui a capacidade hoteleira necessária para receber o certame nem um sistema de transporte público que permita a rápida circulação pela cidade e para fora dela, colocando-se ainda problemas com a instalação do centro de imprensa. Lisboa †Altice Arena20.000É o maior pavilhão de espetáculos coberto de Portugal, tendo sido palco de eventos importantes como a Expo98, o Campeonato Mundial de Basquetebol Sub 19 de 1999, o MTV Europe Music Awards de 2005 ou a Web Summit 2016 e acolhendo anualmente diversos concertos musicais. A sua localização é muito privilegiada, visto estar próximo do Centro Comercial Vasco da Gama e da Gare do Oriente, sendo que esta última permite uma rápida ligação ao Aeroporto de Lisboa e a outras áreas da cidade através de metro. Perto da Altice Arena, existe ainda o Pavilhão de Portugal ou a FIL, sítios adequados para receber, por exemplo, o "Euroclub" ou o centro de imprensa. Nas questões de hotelaria, Lisboa não teria qualquer problema em receber todos os visitantes, sendo que a cidade dispõe de 49 012 camas de hotel e a região envolvente mais de 60 mil camas de hotel.Santa Maria da FeiraEuroparque11.000O maior centro de convenções da Área Metropolitana do Porto, que já acolheu a final do Festival RTP da Canção 2001 ou o Conselho Europeu de 19 e 20 de Junho de 2000, e que recebe também anualmente diversos concertos musicais. Fica a cerca de 35 minutos da cidade do Porto, o que poderá não agradar à União Europeia de Radiodifusão. A cidade tem uma reduzida capacidade hoteleira - apenas um hotel de 2 estrelas e outro de 4 estrelas, para além de pequenas residenciais e hostels - sendo que, para hospedar todos os visitantes, tem de se recorrer ao Porto e a São João da Madeira. Santa Maria da Feira não tem sistema de transporte público a circular dentro da cidade e uma deslocação do centro da cidade até ao Europarque, a pé, demora mais de 30 minutos. É a opção apoiada pelo Conselho Metropolitano do Porto. Finalmente, foi a 25 de julho de 2017 que a RTP e a UER, em conferência de imprensa, revelaram que Lisboa seria a cidade a sediar o Festival Eurovisão da Canção 2018. Jon Ola Sand, supervisor executivo do concurso desde 2011, indicou que "a cidade apresentou uma proposta exemplar" e que estaria ansioso para trabalhar em conjunto com a emissora portuguesa no sentido de "fazer a Eurovisão mais emocionante de sempre".
Eventos paralelos
No dia em que a cidade anfitriã e o local dos espetáculos foram revelados, houve também a confirmação dos locais onde iriam ocorrer outros eventos relacionados com o concurso, como a Blue Carpet (em português: Passadeira Azul), o local da Eurovision Village (em português: Aldeia Eurovisiva) ou o EuroClub (em português: Clube Eurovisivo).
Eurovision Village O presidente da RTP, Gonçalo Reis, confirmou que a Câmara Municipal de Lisboa cederia a Praça do Comércio (mais conhecida como Terreiro do Paço) durante dez dias, mais concretamente de 4 de maio a 13 de maio de 2018, para aí ser instalada a Eurovision Village, com stands de promoção nacional e internacional. A Eurovision Village esteve aberta ao público diariamente, de forma gratuita, das 15:00 às 23:00.
Cerimónia de abertura e Blue Carpet A cerimónia de abertura e a chegada à "Passadeira Azul" (os organizadores optaram por substituir a tradicional cor vermelha pela azul, devido à proximidade do rio Tejo) ocorreu junto ao moderno Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), situado na freguesia de Belém, e foi apresentada por Inês Lopes Gonçalves, Cláudia Semedo, Pedro Granger e Pedro Penim.
EuroClub O EuroClub, espaço social de festa mas também de descanso para as delegações, artistas, intérpretes e fãs devidamente acreditados, esteve inicialmente para ser recebido num espaço localizado no Cais do Sodré, a boate "Lust in Rio". Porém, a 9 de março de 2018, a RTP informou que o local iria ser alterado para a Praça do Comércio, ficando no espaço do "MoMe Lisboa".
Formato A 16 de outubro de 2017, Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração da RTP, garantiu que Portugal iria organizar "o Festival da Eurovisão mais barato de sempre" mas que teria, mesmo assim, uma proposta criativa das mais interessantes alguma vez feitas, com capacidade para "projetar Portugal". "Posso hoje afirmar que vamos fazer o Festival da Eurovisão mais barato de sempre e que estou crente que as nossas equipas criativas vão desenvolver uma das 'Eurovisões' mais interessantes de sempre", afirmou.