O Pavilhão João Rocha é um pavilhão gimnodesportivo localizado na freguesia do Lumiar, em Lisboa. Com capacidade para 3 000 pessoas, é a atual casa das modalidades de alto rendimento do Sporting Clube de Portugalː andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins e voleibol.

Localizado junto ao Estádio José Alvalade, o pavilhão recebeu o nome do antigo presidente do clube mandante, João Rocha, uma das figuras da história do Sporting CP, que permaneceu no cargo entre setembro de 1973 e outubro de 1986. Foi inaugurado a 21 de Junho de 2017.

Descrição O Pavilhão João Rocha tem capacidade para 3000 espectadores distribuídos por quatro bancadas distintas e uma área corporate. Além de estar destinado a acolher as competições de andebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins e voleibol em que o Sporting Clube de Portugal participa, inclui também uma expansão da Loja Verde e uma extensão tecnológica e interativa do Museu Mundo Sporting.

Além disto, o pavilhão tem um anfiteatro, duas salas de imprensa, uma área de restauração e, na sua área envolvente, dois campos de futebol de cinco, um campo de futebol de sete, um "passeio da fama" homenageando as antigas glórias sportinguistas e um monumento evocando as grandes figuras ligadas ao clube.

História Precedentes Em 1975, o Sporting Clube de Portugal, além de ser uma das maiores potências desportivas a nível nacional em várias modalidades, era também uma referência do desporto europeu, em particular no Hóquei em Patins.

Porém, esse estatuto esbarrava na fraca qualidade das suas instalações desportivas para as modalidades. João Rocha, presidente do clube na altura, avançou com o projeto de criar um complexo desportivo nas imediações do estádio do clube.

Assim, a 14 de outubro de 1976, nasceu o Pavilhão de Alvalade. Este era, na realidade, um complexo desportivo, com 4 mil metros quadrados e três recintos (o pavilhão principal, com capacidade para 5000 espectadores, e dois pavilhões mais pequenos usados para treinos).

Porém, a obra viu a sua vida ser encurtada drasticamente devido ao crescimento da cidade de Lisboa e da sua rede de transportes. Assim, em setembro de 1986, o pavilhão principal foi demolido aquando da construção da estação de metro do Campo Grande.

Antevendo esta situação, João Rocha, ainda presidente do clube, lançou um projeto para melhorar as instalações do clube. Concretizando uma velha ambição dos adeptos sportinguistas, fechou o Estádio José Alvalade através da construção da chamada "bancada nova" e, aproveitando o espaço debaixo desta, ergueu a Nave de Alvalade.

Com capacidade para 1500 espectadores, a Nave de Alvalade passou a ser a casa das modalidades do Sporting, embora se pensasse que seria apenas provisória. Porém, o pavilhão acolheu inúmeras campanhas e eventos que permitiram ao clube conquistar um conjunto de títulos ímpar em cinco modalidades distintas entre 1986 e 2004.http://www.torcidaverde.pt/scp1906/estadios/83-navedealvalade

A 4 de janeiro de 2004, a Nave de Alvalade esgotou pela última vez com um jogo de futsal pois, juntamente com o antigo estádio, seria demolida para prosseguir com o projeto do novo Estádio José Alvalade que não contemplava a construção de um novo pavilhão para as modalidades.

Necessidade Após a demolição da Nave de Alvalade, o Sporting Clube de Portugal deixou de ter um recinto próprio para as suas equipas poderem competir. Apesar do novo Complexo Alvalade XXI conter um edifício multidesportivo para a preparação e treino dos atletas do clube, a dimensão da massa adepta e o número de modalidades exigia um recinto próprio para a alta competição.

Apesar da consciência dessa necessidade, faltava algo determinante para a realização da obra: o terreno. Apesar de terem surgido várias alternativas e inclusive municípios que se disponibilizavam a ceder o terreno, sempre foi convicção de que tal obra só poderia ser feita na zona do novo Estádio José Alvalade.

Assim, até à construção do novo pavilhão, as diversas modalidades do Sporting estiveram repartidas entre o Pavilhão Paz e Amizade, o Pavilhão Fernando Tavares, o Pavilhão do Casal Vistoso, o Pavilhão Municipal de Odivelas e o Complexo Desportivo do FC Alverca.

Processo Burocrático Os terrenos anteriormente ocupados pelo antigo Estádio José Alvalade acabaram por ser retidos pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e acabariam por ser destinados à construção do projeto Metropolis. Uma reunião do executivo municipal de Lisboa para o loteamento dos terrenos esteve agendada para abril de 200 mas acabou por ser adiada para que fosse negociada a cedência de uma parcela de terreno para a construção de um novo pavilhão.

Em outubro de 2009, realiza-se uma reunião entre uma delegação do Sporting, liderada por José Eduardo Bettencourt, e a CML, liderada por António Costa tendo ficado acordado que o futuro pavilhão ficaria implantado na parcela de terreno correspondente à bancada superior norte do antigo Estádio José Alvalade.

Em novembro de 2009, foi aprovado, em reunião de Câmara, o protocolo entre a CML e o Sporting, considerando a decisão do Tribunal Arbitral de condenar a CML a indemnizar o Sporting no valor de 23 milhões de euros, derivados do terreno que o clube alegava ter direito de superfície. Assim, a Câmara cederia uma parcela dos terrenos anexos ao Estádio José Alvalade no valor de 5 milhões de euros para a construção de um pavilhão desportivo (além de património no valor de 18 milhões de euros).

Porém, tal decisão da Câmara acabou por não ser ratificada na Assembleia Municipal de 10 de dezembro de 2009, sendo decidido enviar o protocolo para uma comissão de urbanismo, nomeada para o reavaliar. Em 12 de janeiro de 2010, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou o acordo entre a autarquia lisboeta e o Sporting.

Cumprindo parte do acordo entre a autarquia e o Sporting, a Câmara de Lisboa aprovou, a 27 de janeiro de 2010, a elaboração do Plano de Pormenor Alvalade XXI, que contempla a construção do pavilhão.

Em novembro de 2010, a Câmara Municipal de Lisboa aprova o Plano de Pormenor Alvalade XXI, onde estava englobado o novo pavilhão do Sporting, e dá assim luz verde ao projeto.

No âmbito do período de discussão pública do Plano de Pormenor Alvalade XXI, a CML realizou uma reunião pública de esclarecimento a 30 de maio de 2011. Porém, ficava a faltar um último passo, a aprovação pela Assembleia Municipal, o que só viria a acontecer em março de 2013.

Já em finais de junho de 2012, por ocasião do 82º aniversário de João Rocha. o Presidente Godinho Lopes fez a proposta para a atribuição do nome do antigo presidente ao novo pavilhão, o que veio a concretizar-se a na Assembleia Geral realizada a 30 de setembro de 2012, onde foi aprovado por unanimidade a atribuição do nome de João Rocha ao futuro pavilhão do clube.

Missão Pavilhão Assim, após a aprovação da Assembleia Municipal do Plano de Pormenor Alvalade XXI, Bruno de Carvalho, presidente do clube após as eleições leoninas de 2013, lançou a Missão Pavilhão com vista à angariação de recursos financeiros para a construção do Pavilhão João Rocha e para as modalidades.

O objetivo final da Missão Pavilhão foi a angariação de dez milhões de euros, a serem repartidos pela construção do Pavilhão João Rocha e pela restauração do Edifício Multidesportivo.

Inauguração miniaturadaimagem|Pavilhão João Rocha durante as finais da Liga Sport Zone de 2017–18 O Pavilhão João Rocha foi inaugurado no dia 21 de junho de 2017, precisamente 15 anos depois da inauguração da Academia Sporting, em Alcochete, numa cerimónia solene de cariz institucional.

Além do pavilhão, também foram inaugurados a Rotunda Visconde de Alvalade, a Rua Professor Moniz Pereira e os Campos Cristiano Ronaldo, Luís Figo e Peyroteo.

Nas cerimónias, que tiveram por anfitrião o Presidente Bruno de Carvalho, participaram, entre outras individualidades, o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, o Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Pedro Alves, o Arquiteto Andreas Moerschel e o Engenheiro Coordenador Geral da obra, Horácio Preto.

O primeiro jogo realizado no Pavilhão João Rocha foi realizado a 6 de setembro de 2017. Em jogo a contar para a primeira jornada do campeonato nacional de andebol, o Sporting recebeu o AC Fafe e venceu por 30–17 frente a 2852 espectadores.

Eventos Após a sua inauguração, o Pavilhão João Rocha hospedou todas as partidas de casa do andebol, do futsal, do hóquei em patins e do voleibol do Sporting Clube de Portugal, além de ter hospedado as competições europeias da sua equipa de ténis de mesa e goalball. Após um percurso quase imaculado nos campeonatos nacionais em que participava, o Sporting sagrou-se campeão nacional nas suas quatro principais modalidades de pavilhão, feito único na história do clube que marcou o primeiro ano de existência do recinto. Também conquistou os campeonatos de ténis de mesa e goalball e a Superliga Europeia de Goalball.

Além de eventos desportivos, também hospedou o congresso The Future of Football durante março de 2018.

Projeto O projeto de arquitetura do Pavilhão João Rocha ficou a cargo da Mörschel Arquitectos.

Morfologicamente, o pavilhão caracteriza-se por "linhas claras e uma volumetria pura" enquadradas no plano de pormenor aprovado. Os dois volumes sobrepostos ganham leveza graças à utilização do metal e a um engenhoso sistema de iluminação. Este sistema inteligente está integrado na fachada do edifício e permite a sua retroiluminação, dando destaque ao edifício.

"Conceptualmente, o edifício inverte a lógica construtiva clássica, no sentido em que apresenta um volume de betão sobre um embasamento de metal retroiluminado. Esta opção confere ao edifício uma leveza particular, de grande elegância." - refere o arquiteto Andreas Mörschel.

Um programa que engloba múltiplos usos - desportivos, performativos, museológicos e comerciais - e as condicionantes do Plano de Pormenor Alvalade XXI constituíram os principais desafios do projeto. A solução proposta pela Mörschel Arquitectos passou por encontrar um equilíbrio entre as múltiplas vertentes do programa, optando por privilegiar os espaços públicos.

O Pavilhão João Rocha acaba por ficar com uma lotação de 3000 lugares sentados e fica preparado para acolher cinco modalidades: futsal, andebol, hóquei em patins, voleibol e basquetebol. A entrada para a extensão do Museu Mundo Sporting faz-se através da Loja Verde, que tem acesso direto a partir do exterior, e comunica visualmente com o campo de treinos construído para as camadas jovens do clube. Toda a envolvente do pavilhão, com três campos de jogo exteriores e balneários próprios, está aberta ao público com o objetivo de fomentar a prática desportiva e a formação de jovens desportistas.

No centro do projeto está a arena. Com uma dimensão máxima de 48x26m e um pé-direito livre de mais de 12m (essencial para a prática do voleibol), o campo do jogo é o ponto focal do edifício.

As bancadas desenvolvem-se em todo o perímetro do campo de jogo em quatro planos laterais, de forma a proporcionar uma arena equilibrada e um efeito caldeirão, amplificando a interação dos espectadores na zona de jogo, contribuindo para o espetáculo. Todas as paredes envolventes à arena estão revestidas a tijolo klinker nero, o que permite melhorias significativas no comportamento acústico da sala, enfatizando o efeito cénico. O campo de jogo assemelha-se, assim, a uma gigante caixa negra, onde, à semelhança do que acontece no teatro, todos os olhares se dirigem para o palco, neste caso, o campo do jogo.

Factos do Projeto Modalidades: Andebol, Basquetebol, Futsal, Hóquei em Patins e Voleibol. Altura livre máxima: 16m (12,5m com videocubo) Dimensões máximas da arena: 47x26m Lotação: 3001 lugares sentados Superfície/Área de Construção: 10.000m² Comprimento do revestimento metálico do edifício: 1,7km