Natalus macrourus, conhecido também por morcego-orelha-de-funil-brasileiro, é um morcego da família Natalidae. Esta espécie de morcego ocorre do Amapá ao sul do Rio Grande do Sul. Com ocorrências também em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraguai e leste da Bolívia. A espécie geralmente habita grutas ou cavernas úmidas e pouco quentes. Também é comumente vista em ocos de árvores ou dependurada em folhas de arbustos ou palmeiras de matas escuras. Possui hábitos alimentares insetívoros e pelos longos e macios.
Distribuição geográfica Natalus macrourus é a espécie de natalídeo com distribuição geográfica mais ampla. Entretanto, é rara em grande parte de sua ampla distribuição.
Este morcego ocorre do Amapá ao sul do Rio Grande do Sul, Paraguai e Leste da Bolívia. No Brasil, é encontrado nos estados do Amapá, Pará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Piauí, Paraíba, Ceará, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Descrição morfológica É considerado um morcego pequeno, com comprimento do corpo variando de 85 a 115 mm. Comprimento do antebraço entre 36,7 e 40,5 mm e peso médio variando de 4 a 10 gramas.
Apresentam asas, pernas e cauda longas e delgadas. As orelhas são largas, separadas, com forma de funil, extremidades pontudas, tendo a margem interna convexa. Margem externa com concavidade no centro e com papilas glandulares na superfície. Trago curto de base larga e extremidade aguçada, de forma aproximadamente triangular. Olhos pequenos, fronte côncava muito elevada sobre o focinho, que se apresenta alongado, sem folha nasal. Narinas ovais, bem juntas, abrindo-se para baixo, perto da margem do lábio. Lábio inferior largo com sulco no centro, marginado por papilas nuas de cada lado. Polegar curto, ligado a asa por uma membrana, provido de unha bem desenvolvida. As membranas da asa são ligadas a base do calcâneo e a cauda é totalmente contida no uropatágio. Os pelos são longos e macios, formando sobre o lábio superior um tufo semelhante a um bigode. Os pelos têm coloração castanho amarelado com região ventral mais clara.
Ecologia e comportamento Esta espécie é conhecida em mais de 30 localidades, das quais 17 são cavernas. Embora os voos sejam geralmente baixos, raramente são capturados em redes de neblina, mesmo quando posicionadas próximas a entradas dos abrigos. Exemplares já foram capturados em redes de neblina em apenas cinco localidades no Brasil e na Bolívia. Já foi descrito também habitando troncos de árvores.Ruschi, A. 1970. Morcegos do estado do Espírito Santo. Boletim do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão, 34:1‑11. Este morcego se esconde em cavernas que se abrem tanto em arenito quanto em calcário. As cavernas onde N. macrourus foram encontrados são úmidas mas não quentes.
É um animal de hábitos insetívoros, capturando apenas presas muito pequenas. Acredita-se que este hábito esteja correlacionado a sua alta frequência de emissão ultrassônica (acima de 85 kHz).YALDEN, D. W.; MORRIS, P.A. The lives of bats. London: Red Wood Burn, 1975. 247p. Possui comportamento crepuscular e apresentam maior atividade entre 30 minutos e duas horas após o pôr do sol. Seu voo de forrageio é vagaroso, delicado, e possui capacidade de fazer grandes manobras e de pairar no ar. Frequentemente ocorre em grupos, com o tamanho das colônias sendo comparativamente pequenos, variando de 5 a 12 indivíduos ou em grupos com cerca de 50. Além disso está associada com uma grande variedade de outras espécies de morcego.
Conservação É listado como quase ameaçado, porque, embora a espécie ainda seja amplamente distribuída, depende de um habitat altamente frágil (cavernas). O que a qualifica como ameaçada sob o critério B2 da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) das espécies ameaçadas, já que sua área de vida se encontra extremamente fragmentada atualmente. Além de ter sido observado um decréscimo contínuo na sua extensão de ocorrência e área de ocupação nos estudos recentes.
É uma espécie pouco encontrada, e pode ser ameaçada pela prática do extermínio de colônias de morcegos cavernícolas (em campanhas contra a raiva) que é generalizada no Brasil. Este tipo de prática é considerada a principal causa de declínios maciços em populações de espécies de morcegos cavernícolas. Suspeita-se que entre 20 a 25% das últimas três gerações (com uma duração de geração de 5 anos) foram exterminadas devido estas práticas. Esta espécie está próxima de ser qualificada como vulnerável com base no critério A2c da IUCN, já que a redução do tamanho da população e a perda do habitat ainda não cessaram.
Grandes áreas cársticas do sudeste do Brasil parecem já ter sofrido declínios maciços nas populações de espécies de morcegos cavernícolas. O vasto alcance geográfico desta espécie sugere que as populações remotas escaparão de perturbações humanas intensas. Caso as campanhas de extermínio de morcegos continuarem nas áreas rurais densamente povoadas do Brasil, este morcego pode se extinguir em grande parte de sua extensão.
A maioria dos esforços atuais de conservação para esta espécie e para os morcegos cavernícolas de um modo geral, deve ser direcionada à proteção das cavernas e fornecimento de educação ambiental sobre os serviços ecossistêmicos prestados pelos morcegos, como o controle de pragas que devastam plantações.
Taxonomia Esta espécie foi originalmente descrita como pertencente ao gênero Myotis e só mais tarde reconhecida como um membro do gênero Natalus. Além disso já foi descrita como Myotis espiritosantensis (Ruschi, 1951); Natalus stramineus (Ruschi, 1951); N. espiritosantensis (Ruschi, 1951); N. stramineus natalensis (Goodwin, 1959) além de N. macrourus (Gervais 1856), que seria o mais antigo disponível para esta espécie e que é atualmente o mais aceito. N. espiritosantensis é um dos sinônimos ainda mais utilizados em trabalhos científicos sobre esta espécie.Ruschi, A. 1978. Morcegos das reservas biológicas do Espírito Santo e algumas observações novas – considerações sobre algumas descobertas publicadas em 1952‑53. Boletim do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão, 91:1‑6.
Esta espécie é frequentemente vista como uma subespécie de Natalus stramineus das Pequenas Antilhas, mas pode ser distinguida pela forma do rostro (palato). O rostro é baixo e robusto em N. macrourus. Além disso, N. stramineus possui descrição de indivíduos com coloração castanho avermelhado, o que nunca foi descrito em exemplares de N. macrourus.
Referências
Categoria:Natalus Categoria:Mamíferos descritos em 1856 Categoria:Morcegos do Amapá Categoria:Morcegos do Amazonas Categoria:Morcegos do Pará Categoria:Morcegos do Maranhão Categoria:Morcegos do Tocantins Categoria:Morcegos do Piauí Categoria:Morcegos do Ceará Categoria:Morcegos do Rio Grande do Norte Categoria:Morcegos da Paraíba Categoria:Morcegos de Pernambuco Categoria:Morcegos de Alagoas Categoria:Morcegos de Sergipe Categoria:Morcegos da Bahia Categoria:Morcegos do Espírito Santo (estado) Categoria:Morcegos de Minas Gerais Categoria:Morcegos do Rio de Janeiro (estado) Categoria:Morcegos do Paraná Categoria:Morcegos de Santa Catarina Categoria:Morcegos do Rio Grande do Sul Categoria:Morcegos de Mato Grosso Categoria:Morcegos de Mato Grosso do Sul Categoria:Morcegos de São Paulo (estado) Categoria:Morcegos da Bolívia Categoria:Morcegos do Paraguai Categoria:Morcegos da Amazônia Categoria:Morcegos do Cerrado Categoria:Morcegos da Mata Atlântica Categoria:Morcegos da Caatinga Categoria:Espécies quase ameaçadas