Paulo Gustavo Gonet Branco (Rio de Janeiro, ) é um jurista, professor e procurador brasileiro. Membro do Ministério Público Federal desde 1987, é o atual procurador-geral da República.
É coautor, junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, do livro Curso de Direito Constitucional, obra vencedora do Prêmio Jabuti em 2008. Também é um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
Carreira advocatícia Formação jurídica Paulo Gonet formou-se em direito pela Universidade de Brasília (UnB), em 1982. Concluiu mestrado em direitos humanos pela Universidade de Essex, em 1990, e doutorado em direito, estado e constituição pela UnB, em 2008.
Entre 1982 e 1987, trabalhou no STF como assessor do ministro Francisco Rezek, que fora seu professor na graduação.
Foi aprovado em primeiro lugar nos concursos públicos para os cargos de promotor de justiça do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e procurador da República. Tendo optado por este último, ingressou no Ministério Público Federal (MPF) como procurador da República, em 1987, e foi promovido a subprocurador-geral da República, em 2012.
Em razão de haver ingressado no MPF antes da promulgação da Constituição de 1988, não é proibido de exercer simultaneamente a advocacia, tendo atuado como advogado desde 1994 e sido sócio do escritório Sergio Bermudes Advogados. Em novembro de 2023, licenciou-se da atividade, requerendo a suspensão de seu registro junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Fundou, em 1998, junto a Gilmar Mendes e Inocêncio Mártires Coelho, o Instituto Brasiliense de Direito Público, atual Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília, permanecendo como sócio até 2017. Com eles também escreveu o livro Curso de Direito Constitucional (primeira edição em 2007), publicado pela Editora Saraiva, e que conquistou o 50.º Prêmio Jabuti, em 2008, em terceiro lugar na categoria de direito. O livro se consolidou como uma referência na área do direito constitucional.
É conselheiro superior do Centro de Altos Estudos em Controle e Administração Pública do Tribunal de Contas da União (TCU).
Exerceu o cargo de diretor-geral da Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU) entre dezembro de 2019 e julho de 2021.
Vice-procurador-geral eleitoral Em 29 de julho de 2021, passou a exercer a função de vice-procurador-geral eleitoral, designado pelo procurador-geral Augusto Aras. Foi o responsável por chefiar o Ministério Público Eleitoral nas eleições de 2022. Destacou-se pela defesa da Justiça Eleitoral e da urna eletrônica. Em junho de 2023, apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral um parecer opinando pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por abuso de poder político.
Procuradoria-Geral da República Em 27 de novembro de 2023, Gonet foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao cargo de procurador-geral da República. Em 13 de dezembro, o Senado Federal aprovou sua indicação por 65 votos favoráveis e 11 contrários. Tomou posse como procurador-geral em 18 de dezembro de 2023.
Em 18 de fevereiro de 2025, Gonet apresentou denúncia ao STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas por organização criminosa, golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, referentes à tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022–2023. Dentre os demais denunciados estão Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem, Mauro Cid, Anderson Torres, Silvinei Vasques, Almir Garnier Santos e Paulo Sérgio Nogueira. As penas máximas para os crimes apontados na denúncia alcançam somadas 39 anos de prisão. A denúncia foi baseada em um relatório da Polícia Federal (PF), apresentado durante a Operação Contragolpe em novembro de 2024 e complementado no mês seguinte, que havia indiciado 40 pessoas pelo planejamento e execução da trama golpista na conclusão do respectivo inquérito.
Em 12 de novembro de 2025, foi reconduzido para mais um mandato de dois anos como procurador-geral da República, indicado novamente por Lula e aprovado pelo Senado Federal com 45 votos favoráveis e 26 contrários.
É considerado um jurista conservador.
Caso Master
Em agosto de 2026, o então ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou à Polícia Federal uma investigação sigilosa no celular de Daniel Vorcaro, a fim de verificar os envolvidos com o caso. Em setembro de 2026, após ter encaminhado o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), Mendonça retira o sigilo da investigação, tornando público o resultado das apurações. Nas mensagens, Vorcaro solicitou auxílio relacionado às investigações e mencionava o próprio procurador-geral, Paulo Gonet, e também o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo o relatório da PF, Vorcaro, em conversa com o advogado Ciro Soares, agradeceu o "carinho" de Gonet após o Banco de Brasília (BRB) ter adquirido 58% do capital do Banco Master no final de março de 2025, indicou "saudade dele" e desejo de marcar mais um encontro com Gonet. Diante disso, o advogado confirmou a ida de Gonet a Londres consigo e com o banqueiro e encaminhou uma mensagem que dizia: "Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan". Além disso, Ciro Soares compartilhou o pedido do PGR de que seu filho viajasse com o grupo, ao que Vorcaro respondeu "óbvio". Parte das mensagens recuperadas registra também, contatos de Vorcaro com um interlocutor identificado pela PF como "Moraes" — em alusão ao ministro Alexandre de Moraes — durante o período que antecedeu sua prisão, em novembro de 2025. Vorcaro teria solicitado ajuda a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet se "deveria deixar o país".
Paulo Gonet manifestou-se pela nulidade do procedimento que resultou no relatório da PF, enquanto Mendonça defendeu que a questão fosse submetida ao plenário do STF. Gonet sustentou que Mendonça não poderia, sem prévia provocação do Ministério Público ou autorização do plenário do STF, determinar diligências destinadas a investigar outro ministro da Corte, afirmando que "ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais". Gonet sustentou também que, se os elementos justificassem uma investigação de Moraes, caberia ao relator encaminhá-los ao presidente do STF para deliberação do plenário. Interlocutores de Mendonça afirmaram que o ministro "havia determinado apenas a análise de material já obtido com a quebra de sigilo de Vorcaro e que Moraes não fora diretamente investigado". Mendonça defendeu que a controvérsia fosse examinada pelo plenário do STF.
Em 15 de setembro de 2026, Gonet afirmou durante a sessão do plenário do STF que não teve relacionamento de proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro e disse que a única ligação entre os dois foi "brevíssima e banal".
Em 18 de setembro de 2026, o jornal O Globo divulgou um registro fotográfico datado de abril de 2024 em que Gonet aparece fumando charuto na companhia de Daniel Vorcaro, em frente a uma mesa com copos de uísque. A imagem foi enviada a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, acompanhada da mensagem "PG me mandou agora". Após a divulgação, Gonet alegou que a foto representa um "fato isolado e superficial".
Reações e críticas
Em setembro de 2026, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) solicitou que Gonet se declarasse "impedido de atuar em apuração sobre as mensagens" conduzidas pela investigação de Mendonça, dado que o ministro é o próprio relator do caso do Banco Master. Integrantes do Ministério Público Federal (MPF) relataram também haver na categoria um "constrangimento e perplexidade" do envolvimento de Paulo Gonet no relatório da Polícia Federal a respeito da relação do ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, e também, com a forma como a PGR atuou no decorrer das investigações.
Em 25 de setembro de 2026, o Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) analisou uma notícia de fato a respeito da atuação de Gonet nos processos ligados ao Banco Master. As questões votadas foram o afastamento do PGR de tais processos e a apuração preliminar de sua conduta. O Conselho votou contrariamente a ambas.
A Ordem dos Advogados do Brasil de Brasília (OAB-DF) comunicou a abertura de procedimento ético-disciplinar contra os sócios do escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Determinou também a abertura de apuração contra o advogado Ciro Soares, investigado como elo entre o ex-baqueiro Daniel Vorcaro e Paulo Gonet. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, juntamente com diversas OABs regionais, manifestaram-se a favor do afastamento cautelar de Moraes e a suspeição de Gonet para atuar no caso por ser considerado "suspeito" no escândalo Master.
Prêmios Prêmio Jabuti, Câmara Brasileira do Livro, em 2008.
Comendador da Ordem do Mérito da Justiça do Trabalho, TST, em 2004.
Comendador da Ordem do Rio Branco, Ministério das Relações Exteriores, em 2002.
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