Rudolf Franz Ferdinand Höss (ou Höß, Hoeß e Hoess; Baden-Baden, 25 de novembro de 1901 – Oświęcim, 16 de abril de 1947) foi um oficial alemão da SS nazista. Ele serviu, por quase dois anos, como comandante do campo de concentração de Auschwitz durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi um dos responsáveis por testar, e depois implementar, vários métodos de matança para executar o plano de Adolf Hitler para exterminar a população judaica na Europa ocupada pela Alemanha Nazista, em um projeto denominado de "a Solução final".
Höss foi posteriormente acusado e condenado de perpetrar diversos crimes contra a humanidade. Entre suas atrocidades mais conhecidas estão os testes, que ele supervisionou, da introdução do pesticida Zyklon B, que continha cianeto de hidrogênio, para acelerar o processo de matança de judeus no Holocausto. Sob a supervisão de Höss, foi criado um dos maiores sistemas de aniquilação sistemática de seres humanos da história. Em 1944, entre 8.000 e 10.000 pessoas morreram por dia no complexo de campos de concentração de Auschwitz-Birkenau (nos períodos de pico, entre 2.000 e 3.000 pessoas por hora).
Juventude e Primeira Guerra Mundial Höß nasceu na cidade alemã de Baden-Baden, de rigorosa família católica.Laurence Rees, Auschwitz. Les nazis et la « Solution finale », Paris, Albin Michel, col. « Le livre de poche », 2005, 475 p., p.31 (ISBN 978-2-253-12096-4) A despeito dos anseios paternos de que se tornasse padre, Rudolf se uniu ao corpo voluntariado do exército alemão durante a Primeira Grande Guerra em 1915, alistando-se pouco após a morte de seu pai. Höß foi transferido para a Turquia, onde ascendeu ao posto de Feldwebel (sargento) e recebeu a Cruz de Ferro de primeira e segunda classe.
Após o fim da guerra, Höß tornou-se combatente na Freikorps Roßbach, na Alta Silésia (Oberschlesien), no Báltico e no vale do Ruhr, para lutar contra a expansão do comunismo.BBC History Juntou-se ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) em 1922, e foi sentenciado a 10 anos de reclusão em 1923 após seu envolvimento no assassinato de Walther Kadow, o suposto traidor do mártir proto-nazi Albert Leo Schlageter, vindo a cumprir pequena parcela da pena na Penitenciária de Brandemburgo. No entanto, seu cúmplice Martin Bormann recebeu apenas 1 ano. Höß foi libertado em 1928 após uma anistia geral, vindo a se juntar ao Völkisch Artamanen-Gelsellschaft em 1929. Em 1929 veio a se casar com Hedwig Hensel, com quem teve 5 filhos.
Partido Nazista e a SS thumb|esquerda|Instalações de Rudolf Höß em Auschwitz Desde cedo Höß tornou-se membro do Partido Nazista, envolvendo-se com tal grupo no final de 1920 e detendo o número 3240 como membro desta organização. Depois da ascensão nazista ao poder, Höß é apontado como um SS-Anwärter, mais precisamente em 20 de setembro de 1933. Em abril do ano seguinte, com a permissão do Reichsführer Heinrich Himmler, Höß foi aceito como membro da SS no posto de SS-Mann e designado ao número 193616 da supracitada instituição.
Em meados de 1930, Höß desempenhou diversas funções, ascendendo a diversos postos em campos de concentração e tornou-se membro da SS Totenkopfverbände (Unidade da Caveira) em 1934. Ele iniciou sua carreira nas SS como um simples guarda, sendo mais tarde, em 1935, transferido para o campo de concentração de Dachau, habilitando-se e subscrevendo-se no Blockfürer. Em razão de sua experiência, adquirida por já ter estado 10 anos recluso, teve distinção em suas atividades, sendo posteriormente reconhecido por seus superiores, devido ao senso de responsabilidade. Höß também combateu a ideologia comunista, associando-a aos judeus. miniaturadaimagem|Höss durante seu julgamento por crimes contra a humanidade, em 1947.
Höß foi comissionado ao cargo de SS-Hauptsturmführer (Capitão) e tornou-se ajudante no campo de concentração de Sachsenhausen. Em 1939-1940, depois de aliar-se à Waffen SS, tornou-se comandante em Auschwitz, até ser destituído de seu cargo em 1943. Durante sua presença em Auschwitz, Höß organizou a ala administrativa do processo genocida ou Endlösung der Judenfrage (solução final da questão (ou problema) judaico(a)) e obteve uma prolífica e harmoniosa relação com o médico e antropólogo nazista Josef Mengele, mais conhecido como "Anjo da Morte".
Adolf Eichmann conta em seu livro, que foi designado em 1942 para visitar o campo de concentração de Auschwitz e relatar aos seus superiores como era executado o extermínio dos judeus. Segundo ele os métodos que lá eram aplicados apresentavam-se um tanto quanto incipientes, mas representavam uma terrível amostra de como funcionava o estilo fabril dos crematórios e das câmaras de gás, tal como mostra o seguinte fragmento de sua obra “Prison Memoirs”:
“Höß, o Kommandant (Comandante), disse-me que usava ácido sulfúrico em suas execuções. Algodões redondos eram molhados com tal veneno e jogados para dentro das salas onde os judeus estavam reunidos. O veneno era instantaneamente fatal.
Ele queimava os corpos ao ar livre em uma grelha de ferro. Após a execução ele me levou a uma cova rasa onde um grande número de cadáveres acabara de ser carbonizado”.
Após ser substituído como comandante de Auschwitz por Arthur Liebenhenschel em 1 de dezembro de 1943, Höß assumiu o cargo anterior de Liebehenschel, ou seja chefe da Amt I no Amtsgruppe D da SS-Wirtschafts-Verwaltungshauptamt (WVHA), onde ele introduziu o uso do pesticida Zyklon-B, um cianeto super-poderoso, em substituição do monóxido de carbono e do ácido sulfúrico, com o objetivo de executar o genocídio, sendo mais tarde apontado e designado como vice-líder de toda a unidade da WVHA, que tinha como líder o general e supervisor Richard Glücks.
Em 8 de maio de 1944, porém, Höß retornou a Auschwitz, a pedido pessoal de Heinrich Himmler, para cumprir a tão citada Aktion Höß, que consistiu na preparação e execução do mortífero e infausto maquinário em Auschwitz II Birkenau, com o objetivo de assassinar os judeus húngaros. Estima-se que somente nesta ação, sob ordens de Höß, cerca de 430 000 judeus foram mortos em 56 dias.Jozef Boszko, Encyclopedia of the Holocaust vol. 2, p. 692
Captura, julgamento e veredicto miniaturadaimagem|Höß sendo levado ao cadafalso para ser executado, em abril de 1947 Höß foi capturado a 11 de março de 1946 pela polícia militar britânica. Inicialmente ele negou ser o antigo comandante de Auschwitz e afirmou ser "um humilde jardineiro". Segundo Hanns Alexander, Höß pensou em se suicidar com uma cápsula de cianeto quando foi preso mas foi impedido de o faze-lo pelos soldados aliados. Durante os Julgamentos de Nuremberg, foi ouvido como testemunha nos julgamentos de Ernst Kaltenbrunner e Oswald Pohl, além da companhia IG Farben, fabricante do gás Zyklon B.Nuremberg Trial Proceedings Volume 11. pp. 396–422. Monday, 15 April 1946Hoess, Rudolph. Commandant of Auschwitz: The Autobiography of Rudolph Hoess. Translated by Constantine FitzGibbon. Ohio: World Publishing, 1959. p. 194
Durante seu julgamento em Nurembergue, em 5 de abril de 1946, Höss afirmou:
miniaturadaimagem|Patíbulo onde Höess foi executado em Auschwitz Embora inicialmente tenha se mostrado apático com as revelações a respeito da magnitude do que aconteceu em Auschwitz, Rudolf Höß não se eximiu da responsabilidade por seus crimes. Em suas memórias e conversas que teve com os carcereiros e com os juízes em seu julgamento, ele começou a expressar remorso por seus atos. Quatro dias antes de ser executado, ele confessou para o promotor: "Na solidão de minha cela, eu cheguei ao amargo reconhecimento de que pequei gravemente contra a humanidade. Como comandante de Auschwitz, eu fui responsável por executar os planos cruéis do Terceiro Reich para a destruição humana. Ao fazê-lo, infligi feridas terríveis à humanidade. Causei sofrimento indescritível ao povo polonês em particular. Eu pagarei por isso com minha vida. Que o Senhor Deus me perdoe um dia pelo que fiz."Hughes, John Jay (25 March 1998). A Mass Murderer Repents: The Case of Rudolf Hoess, Commandant of Auschwitz. Archbishop Gerety Lecture at Seton Hall University. PDF file, direct download.
Em 25 de maio de 1946, Höß foi entregue às autoridades polonesas e para o Supremo Tribunal Nacional. Seu julgamento por lá durou de 11 a 29 de março de 1947. Em 2 de abril, foi sentenciado à morte por enforcamento. A sentença foi executada no dia 16 de abril de 1947, na entrada do que outrora fora o crematório do campo de concentração Auschwitz I. Antes de sua execução, ele retornou ao catolicismo e recebeu os sacramentos finais.PAP (16 de abril de 2012). "Kat Hoess nawrócił się w Wadowicach".
Em sua autobiografia publicada em 1958, Rudolf Höß: Kommandant in Auschwitz, Höß se descreveu como um homem de "grande virtude e obediência militar", tendo "um grande senso de dever".
Síntese de sua carreira na SS Eis seu progresso como membro da SS:
SS-MannSS-SturmmannSS-UnterscharführerSS-ScharführerSS-OberscharführerSS-Hauptscharführer 60px1 de Abril de 193420 de Abril de 193428 de Novembro de 19341 de Abril de 19351 de Julho 19351 de Março de 1936 SS-UntersturmführerSS-ObersturmführerSS-HauptsturmführerSS-SturmbannführerSS-Obersturmbannführer13 de Setembro de 193611 de Setembro de 19389 de Novembro de 193830 de Janeiro de 194118 de Julho de 1942
Citações thumb|right|110px|Höß em julgamento
Galeria
Prêmios Relevantes Cruz de Ferro (Primeira e Segunda Classe) Totenkopfring ou SS-Ehrenring Cruz Báltica (Primeira e Segunda Classe - Freikorps)
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