Os acordos de delação premiada na Operação Lava Jato surgiram em 2014 com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, seguido do doleiro Alberto Youssef. O ex-operador da doleira Nelma Kodama, Luccas Pace Júnior, teve a primeira delação homologada na operação, por não envolver pessoas com foro privilegiado. Em seguida foram homologadas as delações de Paulo Roberto Costa e posteriormente Youssef. Os acusados que assinaram o acordo de delação, colaboraram com os investigadores do Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da República (PGR), e posteriormente quando comprovados, tiveram as delações homologadas pela Justiça Federal do Paraná ou pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a depender da condição do acusado.

Em 2015, a Operação Lava Jato ainda contou com outros delatores, os operadores Fernando Soares e Milton Pascowitch, o lobista Julio Faerman, a doleira Nelma Kodama, o executivo da UTC, Ricardo Pessoa, o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, o ex-funcionário da doleira, o operador Shinko Nakandakari, o presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, entre outros.

No ano de 2016, Delcídio do Amaral, Maria Lúcia Tavares (ex-secretária da Odebrecht), João Santana e Zwi Skornicki, além de onze executivos da Andrade Gutierrez assinaram acordo de delação premiada, posteriormente homologados pela Justiça. Em 2017, setenta e oito executivos da Odebrecht (atual Novonor) fizeram acordo de delação em conjunto. Dentre os executivos que delataram estavam os ex-presidentes Marcelo Odebrecht e Emilio Odebrecht. Em 2018, o ex-ministro do Governo Lula Antonio Palocci fechou acordo de delação com a Polícia Federal. Ao final de 2019, o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, fechou acordo de delação com a PF, no âmbito da operação no Rio de Janeiro.

Segundo levantamento feito pelo jornal O Globo, a força-tarefa da operação conseguiu por meio de acordos com delatores da operação Lava Jato a devolução de 1,837 bilhão de reais aos cofres públicos desde o início da investigação em 2014.

Delatores Paulo Roberto Costa thumb|Paulo Roberto Costa na CPI da Petrobras em dezembro de 2014. Ex-diretor da Petrobras, Costa foi o primeiro a fechar acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, e o segundo a ter a delação homologada. O primeiro delator foi o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, em 2014, embora não tenha sido a primeira delação homologada por ter citado pessoas com foro privilegiado, o que teria de ser apreciado pelo Supremo Tribunal Federal. Homologou-se a delação de Paulo Roberto Costa em 30 de setembro de 2014, obtendo o benefício de prisão domiciliar por ordem judicial.

Em sua delação, Paulo Roberto Costa disse que parte da propina recebida na sua diretoria foi repassada para o PP, PT e PMDB. Costa disse que foi indicado para o cargo pelo ex-deputado José Janene (PP-PR), em 2004, com a missão de montar um esquema de pagamento de propinas para políticos. Costa afirmou que a propina para os partidos era dividida na base de um por cento para um e dois por cento para outro – sobre valores superfaturados de contratos da Petrobrás com empreiteiras e fornecedores.

Alberto Youssef O doleiro Alberto Youssef assinou o acordo em setembro de 2014 e teve a delação homologada em dezembro de 2014. A partir da colaboração de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, a força-tarefa da Operação Lava Jato conseguiu obter informações dos políticos e das empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras. As empresas envolvidas tinham contrato de 59 bilhões de reais com a estatal. Os executivos de algumas destas empresas foram presos na sétima fase da operação, em novembro de 2014.

Youssef revelou ainda, em sua delação premiada, que os ex-ministros José Dirceu e Antônio Palocci eram "as ligações" do lobista e operador de propina na Petrobras Julio Camargo com o PT.

Luccas Pace Junior Em setembro de 2014, Luccas Pace teve a delação homologada pela Justiça. Foi o primeiro delator da Operação Lava Jato a ter a delação homologada pela Justiça. Em 13 de agosto de 2015, Em depoimento à CPI da Petrobras, o operador de câmbio Luccas Pace Júnior, que trabalhava para a doleira Nelma Kodama, afirmou que sente "alívio" por ter sido preso na Operação Lava Jato. Pace assinou acordo de delação premiada e responde em liberdade. Luccas Pace foi condenado pela Justiça Federal do Paraná. Ainda em depoimento na CPI, disse: "Para mim foi um alívio. No dia que eu fui preso, eu fiquei livre do mundo que me prendia", e relatou aos deputados maneiras usadas para burlar a fiscalização das autoridades financeiras. Segundo o delator, existem "brechas propositais" na legislação brasileira que trata do controle desse tipo de movimentação.

Executivos da Toyo Setal Em outubro de 2014, o consultor da Toyo Setal Julio Camargo e o executivo Augusto Mendonça Neto assinaram a delação premiada, e os depoimentos foram liberados em 3 de dezembro de 2014. Julio Camargo e Augusto Mendonça Neto afirmaram ter pago mais de 150 milhões de reais em propina. Camargo afirmou ter pago 40 milhões de dólares ao lobista Fernando Baiano para garantir que uma empresa sul-coreana fornecesse à Petrobras sondas de perfuração para serem usadas na África e no Golfo do México. Mendonça Neto relatou aos investigadores que, no período de 2008 e 2011, pagou entre 50 e 60 milhões de reais em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque. Os valores teriam sido pagos em espécie no Brasil e por meio de contas bancárias na Suíça e no Uruguai. O delator disse ao Ministério Público que Renato Duque exigia que se lhe pagasse o suborno do "clube".

Augusto Mendonça, disse ainda, em depoimento à Polícia Federal que o pagamento de propina no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras foi feito por meio de doações oficiais. Mendonça, que depôs na PF depois de fechar um acordo de delação com o MPF, disse ainda que o pagamento de propina cobrado pelo ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque era feito de outras duas formas, por meio de remessas ao exterior e parcelas em dinheiro vivo.

Pedro Barusco Ainda no final de 2014, a Operação Lava Jato ganhou outro delator, Pedro Barusco, ex-gerente de serviços da Petrobras. As revelações de Pedro Barusco provocaram a deflagração da Operação My Way. Os depoimentos de Barusco foram feitos entre novembro e dezembro de 2014 e tornados público em fevereiro de 2015.

Gerson Almada Em março de 2015, o ex-executivo da Engevix, Gerson Almada explicou como eram realizadas as reuniões para decidir qual empreiteira do cartel ganharia a licitação das obras na Petrobras. Almada era vice-presidente da Engevix e relatou como eram as reuniões do "clube das empreiteiras". De acordo com Almada, boa parte das reuniões ocorriam na sede da empresa UTC. Em seus depoimentos de colaboração, admitiu repasses de 500 mil a 1 milhão de reais a José Dirceu, que após os relatos, a justiça autorizou mandado de quebra de sigilo da JD Consultoria, empresa de Dirceu.

Nestor Cerveró thumb|Cerveró na CPMI da Petrobras. Em 18 de novembro de 2015, Nestor Cerveró fechou acordo de delação premiada, após sua defesa entregar evidências de que Delcídio do Amaral tentou obstrui-lo à fazer colaboração com a justiça. Em sua delação, Cerveró acusou senadores de receber propina, entre eles Jader Barbalho (PMDB) e Renan Calheiros (PMDB). O dinheiro viria de contratos da Petrobras para a compra de navios-sonda.

Em 2 de junho de 2016, os depoimentos de Cerveró foram tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal, neles, afirmou à Justiça que a presidente afastada Dilma Rousseff mentiu quando disse que aprovou a compra da refinaria de Pasadena por não ter informações completas sobre o negócio. Cerveró também disse supor que Dilma sabia que políticos do PT receberam propina para a compra da refinaria. Cerveró afirmou também à Procuradoria-Geral da República que, em 2012, o senador Renan Calheiros o chamou em seu gabinete no Senado para reclamar da 'falta de propina'. Na ocasião, o presidente da casa era José Sarney (PMDB).

Agosthilde Mônaco de Carvalho O engenheiro Agosthilde Mônaco de Carvalho, ex-assistente de Nestor Cerveró na Diretoria Internacional da Petrobras teve contribuição decisiva para a montagem da 20ª fase da Operação Lava Jato, detalhou aos investigadores como ocorreram pagamentos de suborno por contratos da refinaria de Pasadena, no Texas. Agosthilde Carvalho disse que aceitou propina "devido à doença degenerativa (esclerose múltipla) da sua filha mais velha". "Este valor poderia, no futuro, ser útil ao tratamento médico em clínica especializada na Escandinávia", afirmou num depoimento do acordo de delação premiada.

Fernando Baiano Durante as negociações para assinar a delação premiada, Fernando Baiano disse aos investigadores que teria informações para entregar a participação de políticos no esquema, entre eles o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).

Em depoimento de colaboração premiada, Fernando Baiano disse aos investigadores que pagou 2 milhões de reais para uma nora do ex-presidente Lula. Baiano diz que o valor pago era referente a uma comissão a que Bumlai teria direito por incluir Lula em uma negociação para um contrato. Fernando Baiano era representante da empresa OSX, de Eike Batista, que tinha interesse em entrar na licitação para a construção de navios sonda para explorar o pré-sal.

Em 13 de junho de 2016, o jornal O Estado de S. Paulo publicou que Fernando Soares admitiu ter recebido 500 mil reais da Construtora Odebrecht (atual OEC) em 2014 e 2015, período em que estava preso. O lobista explicou que em 2009 foi procurado por Cezar Tavares e Luiz Carlos Moreira para que indicasse uma empresa interessada no projeto de uma refinaria em Angola. Segundo Baiano, a consultoria de Cezar Tavares havia sido contratada pela Sonangol, no país africano, para desenvolver novos negócios em Lobito. Baiano então decidiu indicar a Andrade Gutierrez e a Odebrecht, empreiteiras com mais atuação em Angola. O lobista relatou que a escolha da consultoria foi pela Odebrecht e que a ideia de Tavares e Moreira era ajudar a construtora a vencer a concorrência para algumas obras na refinaria. Fernando Baiano procurou o então diretor da Odebrecht Rogério Araújo para falar sobre outras obras e aproximar as duas partes. Em seu relato, Baiano afirma ter participado apenas de duas reuniões com Tavares e a Odebrecht e depois ter procurado a construtora apenas em 2012, com o intuito de receber pela consultoria prestada. Não chegaram a um acordo sobre valores até 2014, quando o lobista foi preso e, segundo ele, a empreiteira se recusou a "pagar alguém que estava preso"; esse teria sido o motivo de a construtora ter "pago por fora" ao seu irmão, Gustavo, num contrato lícito.

Alexandre Romano Em 2015, o ex-vereador do PT de Americana, Alexandre Romano, também conhecido como Chambinho, entregou em acordo de delação premiada os detalhes da operação de arrecadação de propinas que abasteceu o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo e o ex-ministro da Previdência e da Aviação Civil Carlos Gabas. Chambinho disse, ainda em sua delação, como dinheiro de origem ilícita irrigou o caixa dois da campanha da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR). Parte do dinheiro, saiu de um contrato milionário firmado nos Correios, estatal vinculada ao Ministério das Comunicações, comandado durante anos pelo marido de Gleisi, o também ex-ministro Paulo Bernardo. Em outubro de 2015, o STF homologou a delação.

Eduardo Leite