Campeonato de Fórmula 2 da FIA (em inglês: FIA Formula 2 Championship; abreviado F2) é uma categoria internacional de fórmula em segundo nível, organizada pela Federação Internacional do Automóvel (FIA). O categoria foi criada em 2017, após a renomeação da competição que até então ocupava seu lugar, a GP2 Series. Os fundadores da categoria foram Flavio Briatore e o atual diretor da categoria, Bruno Michel. Apesar de não ser obrigatório, maioria dos pilotos na Fórmula 1 atualmente participaram da Fórmula 2 ou de sua predecessora antes de irem a principal categoria do automobilismo. A Fórmula 2 é a etapa final do Caminho Global FIA.
A Fórmula 2 foi concebida para tornar a corrida acessível para as equipes e para oferecer um ambiente de treinamento perfeito para a vida na Fórmula 1. Sendo uma categoria monomarca, é obrigatório para todas as equipes usar o mesmo chassi, motor e fornecedor de pneus, sendo estes projetados para serem similares aos utilizados na Fórmula 1. As corridas da categoria são realizadas principalmente em circuitos europeus e no oriente médio, mas também são disputadas em outros circuitos internacionais, como o Albert Park, na Austrália, o Autódromo Internacional de Miami, nos EUA e no Circuito Gilles Villeneuve, no Canadá.
História
Origens e primeira temporada
Em 2015, a FIA anunciou planos para retomar a Fórmula 2, após o sucesso de categorias como a GP2 Series e a World Series by Renault. Esta decisão veio apesar do fim do Campeonato de Fórmula Dois da FIA, somente dois anos antes, devido à falta de inscrições em sua última temporada. Em 8 de março de 2017, a FIA confirmou que a GP2 Series seria renomeada como Campeonato de Fórmula 2 da FIA, após um acordo com a Liberty Media, que havia adquirido ambas as categorias e o Formula One Group naquele ano. O presidente na FIA na época, Jean Todt, declarou que "racionalizar o caminho até a Fórmula 1 tem sido um dos principais objetivos da FIA durante o meu tempo aqui".
O Campeonato de Fórmula 2 de 2017 foi a temporada inicial da categoria, compreendendo onze etapas, dez delas em apoio a temporada da Fórmula 1, com uma etapa adicional no Circuito de Jerez, na Espanha. A categoria manteve os chassis Dallara GP2/11 da GP2 Series, com o mesmo motor Mecachorme V8108, 4.0L V8. O estreante e campeão da GP3 Series na temporada anterior, Charles Leclerc, sagrou-se campeão, com a equipe Russian Time vencendo o campeonato de equipes.
2018 - 2020 esquerda|miniaturadaimagem|O Dallara F2 2018 de Anthoine Hubert, em 2019 A temporada de 2018 trouxe um novo carro para a categoria, o Dallara F2 2018, com um novo motor Mecachrome V634 3.4L V6 e o halo de proteção, que havia sido adotado também pela Fórmula 1 na mesma temporada. Os circuitos de Sóchi e Paul Ricard foram adicionados ao calendário, enquanto Jerez foi removido. A equipe britânica Carlin voltou a categoria após um hiato de um ano, além da Charouz Racing System, que entrou na categoria após o encerramento da World Series Formula V8 3.5. Após a temporada, a Russian Time foi vendida para a Virtuosi Racing, que operava a equipe desde 2015.
A temporada de 2019 foi palco da primeira morte de um piloto em uma categoria de fórmula de segundo nível da FIA em 10 anos, quando o piloto francês Anthoine Hubert morreu após ser atingido pelo carro de Juan Manuel Correa durante a primeira etapa em Spa-Francorchamps, na Bélgica. A corrida foi parada com bandeira vermelha e, logo depois, cancelada, junto com a corrida sprint do dia seguinte. Ao longo da temporada, foi instaurado o Prêmio Anthoine Hubert para o melhor estreante da temporada, com o chinês Zhou Guanyu sendo o primeiro vencedor do prêmio.
A temporada de 2020 foi fortemente afetada pela pandemia de COVID-19, resultando em adiamentos, cancelamentos e revisões de cronograma significativos. A temporada iniciou em julho, tendo uma etapa (e a única na história) em Mugello.
2021 - 2023 A temporada de 2021 passou por reestruturações, com medidas de cortes de custo no pós-pandemia. Cada etapa contava com três baterias ao invés de duas, enquanto o número de etapas foi de onze para oito, além de ser mantido o chassis Dallara F2 2018, que era planejado sua substituição para esta temporada. O calendário foi separado do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, com ambas as equipes não mais disputando as mesmas etapas. Como resultado da decisão, Red Bull Ring, Hungaroring, Barcelona, Paul Ricard e Spa-Francorchamps não estiveram no calendário, enquanto Gidá foi adicionado ao calendário.
A temporada de 2022 marcou o retorno do formato pré-2021 de duas baterias por etapas, além da redução de pontos na corrida sprint, nas voltas mais rápidas e pole position. O calendário foi expandido para 28 baterias em 14 etapas, com a volta dos circuitos que haviam saído em 2021, além de Imola e Zandvoort. A etapa de Sóchi foi cancelada logo após a invasão russa a Ucrânia, sendo substituído por Paul Ricard. Na temporada de 2023, a Fórmula 2 correu no Circuito de Albert Park, na Austrália, pela primeira vez. A etapa de Imola foi cancelada em 2023, devido as enchentes que atingiram a região da Emília-Romanha. miniaturadaimagem|Um Dallara F2 2024, pilotado por Gabriel Bortoleto, 2024
2024-Hoje Um novo chassis, o Dallara F2 2024, foi introduzido na categoria na temporada de 2024. O F2 2024 foi projetado para ser mais parecido com a geração atual da Fórmula 1, incorporando tecnologias avançadas de segurança e e foi projetado para melhor acomodar pilotos femininas. A categoria também fez sua estreia em Lusail, substituindo a etapa de Zandvoort.
Imola foi retirado do calendário após a temporada de 2025, sendo substituído pelo Madring na temporada de 2026.
Formato As etapas da Fórmula 2 são estruturadas em três dias, durante o fim de semana. Na sexta-feira, os pilotos têm uma sessão de treinos livres de 45 minutos e uma sessão de qualificação de 30 minutos. A sessão de qualificação decide a ordem do grid de largada para a corrida principal, do domingo e da corrida sprint, no sábado.
No sábado é disputada a corrida sprint, tendo a duração de 120 km ou 45 minutos, o que vier primeiro. Já na manhã de domingo, antes da etapa da Fórmula 1, é disputada a corrida principal, com duração de 170 km ou 60 minutos, o que vier primeiro. Durante esta bateria, cada piloto tem que fazer um pit stop em que pelo menos dois pneus têm de ser trocados.
Entre 2017 a 2020, a corrida principal acontecia nos sábados, com a corrida sprint sendo no domingo.
Pontuação Sistema de pontuação do Campeonato de Fórmula 2 da FIACorrida 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º Pole positionVolta mais rápidaSprint1086543211Principal25181512108642121 Caso dois ou mais pilotos terminem a temporada com o mesmo número de pontos, será aplicado um sistema de desempate para determinar a classificação. A prioridade será dada ao piloto com o maior número de vitórias. Se o empate persistir, o número de segundos lugares será comparado, seguido pelos terceiros lugares, e assim por diante, até que o empate seja resolvido. Este procedimento se aplica em todas as fases do campeonato.
Carro, tecnologia e custo miniaturadaimagem|Emerson Fittipaldi Jr pilotando um Dallara F2 2024 em Red Bull Ring, 2026 Estima-se que manter um carro de Fórmula 2 custe cerca de US$ 3 milhões por temporada. Na maioria dos casos, os pilotos devem arcar com essas despesas por conta própria, seja por meio de patrocínios ou recursos pessoais e familiares. Esses altos custos continuam sendo uma das principais barreiras para o ingresso na Fórmula 1. Para aliviar o fardo financeiro, a FIA implementou uma série de medidas de controle de custos, incluindo o congelamento das especificações dos carros e a redução do número de locais de prova, principalmente com as mudanças introduzidas para a temporada de 2021.
A partir de 2025, todas as equipes do Campeonato FIA de Fórmula 2 competirão com um carro idêntico, construído em torno de um chassi Dallara, de fibra de carbono, e equipado com um motor Mecachrome V634 monoturbo, cuja próxima atualização está prevista para 2029. O carro deverá pesar no mínimo 755 kg, com o piloto, e está equipado com uma caixa de câmbio fornecida pela Hewland, com oito velocidades e refinamentos de software que melhoram a seleção de marchas. As embreagens são fornecidas pela ZF Sachs e acionadas por meio de uma alavanca manual tipo borboleta.
Desde a criação da GP2 Series em 2005, o OZ Group tem sido o fornecedor exclusivo de rodas. Em 2020, a categoria passou de rodas de liga de magnésio de 13" (330 mm) para 18" (457 mm), inspiradas em designs de carros de passeio. Essa mudança, feita em antecipação ao regulamento de rodas da Fórmula 1 de 2022, também permitiu um compartilhamento de dados mais próximo entre as duas categorias. Desde 2017, a Pirelli fornece pneus exclusivamente para a Fórmula 2. Atualmente, oferece quatro opções de pneus slick: um supermacio roxo, um macio vermelho, um médio amarelo e um duro branco. Um composto para piso molhado com lateral azul também é fornecido para condições de chuva.
Os carros são equipados com um tanque de segurança FIA Premier FT5 padrão, com capacidade máxima de 125 litros. O reabastecimento durante as corridas, no entanto, é proibido por motivos de segurança e controle de custos. Em 2023, a Aramco tornou-se a parceira oficial de combustível da série, fornecendo combustível padronizado a todos os participantes.
Os sistemas de controle do piloto permanecem propositalmente simples. A direção é do tipo pinhão e cremalheira e totalmente manual, sem assistência hidráulica, similar à IndyCar Series. A XAP Technology fornece volantes desde 2011, sendo o atual modelo Formula 2451 S3 lançado em 2018. Inclui seis botões frontais, cinco patilhas traseiras para DRS, mudança de velocidades e acionamento da embreagem, bem como três interruptores rotativos, assemelhando-se bastante à disposição do seu equivalente na Fórmula E. Os componentes eletrônicos também são padronizados em toda a rede: todos os carros possuem uma unidade de controle eletrônico (ECU) Marelli Marvel SRG 480 e uma unidade de gerenciamento de energia Marelli PDU 12-42. A telemetria é limitada a fins de transmissão, embora as equipes possam acessar os dados quando o carro estiver na garagem.
Desde 2015, a série também utiliza o Sistema de Redução de Arrasto (DRS), que diminui o ângulo do elemento superior da asa traseira em mais de 40 graus para auxiliar nas ultrapassagens quando o piloto está a menos de um segundo do rival. O sistema é desativado automaticamente em condições de pista molhada por segurança.
Apesar de ser mais lento que os carros de Fórmula 1, o Fórmula 2 permanece entre os monopostos mais rápidos do automobilismo, capaz de atingir velocidades máximas em torno de 335 km/h em configuração de baixa pressão aerodinâmica. Seu desempenho diferenciado reside nas curvas e na frenagem, onde a força descendente permite até 3,9 g de aceleração lateral e 3,6 g na frenagem, em comparação com 2,6 g para a Fórmula 3 e cerca de 1,7 g para os carros da Porsche Carrera Cup baseados em modelos de produção. Como exemplo das diferenças entre as categorias de fórmula da FIA, no Circuito de Albert Park, o recorde de volta da Fórmula 2 é de 1:28.694, comparado com 1:16.731 para a Fórmula Um e 1:33.044 para a Fórmula 3. Como observou Liam Lawson, piloto com experiência em F1, F2 e na Super Fórmula, em 2023, esta última categoria é "mais rápida que a Fórmula 2, muito mais próxima da Fórmula 1 e, às vezes, até parece F1 em algumas curvas. O downforce é excepcional".