miniaturadaimagem|Jornal "A Batalha" falando da criação da Ação Social Brasileira (ASB) O fascismo no Brasil caracterizou-se pela disseminação de ideias autoritárias, ultranacionalistas e corporativistas, bem como pela atuação de movimentos e organizações inspirados no fascismo europeu entre as décadas de 1920 e 1940. Esse fenômeno esteve ligado tanto à circulação de propagandas políticas quanto à influência direta exercida pelos regimes fascistas da Europa, especialmente a Itália de Benito Mussolini. O período de maior influência dessas correntes ocorreu entre os anos 1920 e 1942, quando o Brasil rompeu relações com as potências do Eixo e declarou guerra à Alemanha e à Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

As primeiras organizações de inspiração fascista surgiram ainda na década de 1920. Entre elas destacou-se a Legião do Cruzeiro do Sul, fundada em 1922. Ao longo da década seguinte apareceram outros grupos nacionalistas e autoritários, como a Legião Cearense do Trabalho, criada em 1931, a Ação Integralista Brasileira (AIB), criada por Plínio Salgado em 1932, a Ação Social Brasileira (ASB), criada em 1933, o Partido Nacional Sindicalista.

O partido nazista funcionou no Brasil durante dez anos, sem ser incomodado pelo governo brasileiro, de 1928 a 1938.

Em 1937, Plínio Salgado lançou sua candidatura à eleição presidencial prevista para janeiro de 1938 e, ciente dos planos de Getúlio Vargas de cancelar o pleito, apoiou o golpe do Estado Novo (1937–1945), acreditando que o integralismo serviria de base ideológica ao novo regime e esperando ser recompensado com um ministério. No entanto, Vargas, uma vez consolidado no poder, decretou a dissolução da AIB e estendeu a ela a mesma repressão aplicada aos demais partidos. O Estado Novo, embora tenha incorporado elementos do corporativismo fascista italiano, como a centralização política e o intervencionismo estatal, acabou por reprimir todos os movimentos fascistas após o alinhamento do Brasil com os Aliados, encerrando o ciclo de influência aberta dessas correntes no país. esquerda|miniaturadaimagem|271x271px|A "Associação Brazil Livre", cujo lema era "Deus, Família, Pátria", fazia um pedido ao ministro Osvaldo Aranha: barrar a entrada de judeus no Brasil A Ação Social Brasileira (também conhecida como Partido Nacional Fascista) foi criada por José Fabrino de Oliveira Baião, primeiro diplomata brasileiro em Israel. Vale salientar que o fascismo não era antissemita durante a maior parte de sua existência, com o próprio Benito Mussolini sendo favorável à criação de um Estado Judeu. Tendo isso em mente, a ASB surge do contato do seu criador com as correntes ultranacionalistas da Europa, devido à ida do seu fundador ao Velho Mundo por motivações acadêmicas, ganhando uma estrutura centralista que nasce, em primeiro lugar, no interior de Minas Gerais e se espalha subsequentemente a outros estados brasileiros, como o Rio de Janeiro, onde seria divulgado pela grande mídia carioca em um meio de polarização do debate público. O antissemitismo, no entanto, se manifestava em outras organizações da época, como a Associação Brazil Livre (ABL) que propôs a Oswaldo Aranha restrições aos judeus. Gustavo Barroso, um dos mais influentes ícones integralistas, foi o principal proponente do antissemitismo. Supõe-se que por isso os textos de Barroso tenham sido temporariamente suspensos das publicações integralistas. Ação Integralista Brasileira (AIB) e a Associação Brazil Livre compartilhavam o lema Deus, pátria e família.

Alguns historiadores como René Gertz e João Fábio Bertonha, sustentam que, durante seu exílio em Portugal, Plínio Salgado foi procurado por nazistas para atuar como espião do regime alemão e que teria aceitado a missão.

Ver também Fascismo na América do Sul Nazismo no Brasil Neofascismo Antissemitismo no Brasil