As transmissões esportivas no Brasil remetem à participação de veículos de comunicação brasileiros, sejam eles emissoras de rádio, televisão (aberta ou paga), ou, mais recentemente, de internet, em transmitir eventos desportivos para o público brasileiro.

Segundo dados do Ibope Repucom, no universo dos 70 milhões de brasileiros que se dizem "superfãs" do esporte em geral — aqueles que acompanham na mídia ou praticam a modalidade e também compram produtos ligados ao tema —, uma fatia de 42% se declara amante do futebol. Vinte e quatro por centro são apaixonados pelo vôlei e 13% pelo basquete. Estes 3 esportes, mais o automobilismo, monopolizam as transmissões esportivas nas televisão aberta do país. Em outros esportes, na maior parte dos casos, a transmissão acontece somente em apresentações da seleção brasileira, ou em grandes eventos, como os Jogos Olímpicos e Pan-Americanos. Coberturas sobre campeonatos, e clubes, são feitas em intensidade muito menor.

Nas décadas de 1980 e 1990, a Band se consagrou com o slogan "O Canal do Esporte". Na época, a emissora era detentora dos direitos de transmissão dos principais campeonatos de futebol e a única a exibir diversas modalidades esportivas, como a sinuca, no "Show do Esporte". Idealizado por Luciano do Valle, o programa levava para a televisão as jornadas esportivas do rádio. Em 10 horas de programação, não faltava espaço para outras modalidades. Boa parte da cultura esportiva brasileira de hoje deve-se a este programa. Na lista das modalidades que devem muito a ele estão o basquete feminino, o vôlei, o futebol feminino e o boxe. Foi ele também o responsável por abrir as portas do Brasil à National Basketball Association (NBA, liga estadunidense de basquete masculino), ao futebol americano e à Fórmula Indy, por exemplo.

Atualmente, as transmissões esportivas na televisão brasileira são repletas de opções. São três emissoras grandes especializadas na TV a cabo (SporTV, ESPN e BandSports), e conteúdo e transmissões na área em canais abertos como TV Globo, Rede Bandeirantes, RedeTV, Record, SBT e TV Brasil, além da recente inclusão de transmissões via Internet, seja gratuita (CazéTV e Canal GOAT) ou por assinatura (Globoplay, Disney+, Amazon Prime Video, Max e Paramount+).

Futebol Era do rádio Em 7 de setembro de 1922 houve a inauguração do rádio no Brasil, como parte das comemorações do centenário da Independência. No início, as transmissões sobre o esporte no rádio se resumiam a boletins informativos e não se restringiam apenas ao futebol.[portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/anaisevinci/article/download/998/974 portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/] "A Transmissão Esportiva no Rádio", por POLETTO, Thays Renata et al.

A primeira transmissão de um jogo de futebol do rádio brasileiro, ocorreu em 20 de fevereiro de 1932, sendo narrada pelo locutor esportivo Nicolau Tuma. O jogo em questão, que determinou este "marco histórico para o rádio", foi disputado entre as Seleções de São Paulo e do Paraná, no Campo da Chácara da Floresta, no bairro Ponte Grande, em São Paulo. Quando a transmissão de uma partida de futebol foi realizada pela primeira por Nicolau Tuma, o “speaker” deixava claro suas intenções. Ele queria situar seu ouvinte para que este pudesse, figurativamente, ver o jogo. O ouvinte, ao escutar o jogo no rádio, sabia quem atacava para que lado, quem era o jogador que estava com a bola e o que ele fazia, além de compreender o posicionamento do outros jogadores em campo, e, acima de tudo, sabia quando acontecia o momento máximo deste esporte, o gol. A transmissão tinha que ser rápida para ser eficiente. Alguns segundos de displicência por parte do locutor já seria o suficiente para que seu interlocutor perdesse um lance da partida.

A narração de Tuma, embora muito importante historicamente, não foi feita para todo o Brasil, no entanto. Isto só viria a acontecer em 1938, quando o rádio brasileiro transmitiu pela primeira vez uma Copa do Mundo de Futebol, que naquele ano foi disputada na França. No dia 5 de junho daquele ano, na partida entre Brasil e Polônia, vencida pela nossa seleção por 6X5, realizava-se a primeira transmissão esportiva em cadeia nacional diretamente da Europa. O locutor paulista Leonardo Gagliano Neto, titular do Departamento de Esportes da PRA-3, Rádio Clube do Brasil do Rio de Janeiro, foi o autor da façanha. Serviços de alto-falantes foram instalados nas praças de centenas de municípios brasileiros, para que a população pudesse acompanhar as partidas através da narração de Gagliano Neto. A narração para todo o país se deu através da união de duas emissoras de São Paulo e duas do Rio de Janeiro.

Naquela época, porém, alguns problemas atrapalhavam as transmissões, e muitas adaptações foram necessárias. O grito do gol, por exemplo, tinha o problema de ser abafado pelos gritos e manifestações dos torcedores nas arquibancadas. Uma das primeiras formas de marcar o gol de maneira que fosse ouvido por quem escutava rádio foi inventada pelo compositor Ari Barroso, em 1938, que naquela época também era locutor esportivo. Ele comprou uma gaitinha e tocava cada vez que um time fazia um gol. O jornalista Sérgio Cabral conta no livro "No Tempo de Ari Barroso" que sua descoberta saiu de uma loja de brinquedos, onde Ari buscava algo que tivesse um som infantil.

O narrador Luiz Mendes aponta as dificuldades enfrentadas pelos pioneiros na transmissão esportiva no rádio brasileiro:

Até 1940, as narrações eram improvisadas, incluindo galinheiros e telhados vizinhos aos gramados como locais de transmissão. Em 1945, a Rádio Panamericana deu mais espaço aos esportes e modificou a estrutura da transmissão, com a criação das funções de comentarista e repórter - até então só o narrador contava os acontecimentos do jogo.

No mundo das comunicações, a década de 50 é marcada pelo aparecimento da televisão, que se torna a principal concorrência do rádio, obrigando-o a se transformar para se adaptar ás novas condições. Nesse período ocorre uma migração do rádio para a televisão, não só de profissionais como do estilo de programação. Assim, programas de auditório e novelas começam a ocupar a programação televisiva. Com o espaço deixado e o crescente interesse do público, a programação esportiva foi ganhando terreno dentro da rádio.

Em 1960, o radialista Fiori Gigliotti modificou a forma narrativa, especialmente com a inclusão de constantes bordões. Foi nesta época também que a figura de um comentarista de futebol no rádio, principalmente nas rádios cariocas, tornaram-se popularíssimas. Washington Rodrigues, o Apolinho, talvez seja o nome mais emblemático desta função.

Para Ronaldo Helal, professor da Uerj especializado nas relações entre esporte e meios de comunicação, a mitologia do futebol não existiria sem o rádio. O veículo, segundo ele, foi responsável pela transformação do esporte em paixão nacional e pelo surgimento do patriotismo entre os brasileiros: "Nosso País não tinha uma ideia de nação. O jornalismo esportivo, através do rádio, trouxe o sentimento de brasilidade a partir das transmissões de partidas de futebol".

Helal aponta ainda que, ao contrário do que muitos acreditaram, à época do surgimento da televisão, que o novo veículo provocaria a extinção do rádio, o que aconteceu foi o contrário, “pois foi a TV que precisou se adaptar”.

Nos anos 2000, o rádio entrou no novo milênio provando que tem o seu lugar garantido no coração do torcedor. Seguindo a tendência iniciada no final da década de 90, o futebol invade algumas das estações mais populares em seus horários nobres, com grande resposta do público, inclusive as FM. Não por acaso, a rádio Transamérica FM foi uma das únicas emissoras brasileiras que pagaram a licença de transmissão da Copa do Mundo de 2002, reunindo-se a Rádio Globo e a Rádio Bandeirantes. Estas emissoras e suas equipes no Oriente garantem que a paixão brasileira em colar o ouvido no radinho não acabará tão cedo.

Era da televisão Décadas de 1930 a 70 As transmissões esportivas na televisão começaram na década de 1930 ao redor do mundo. Os americanos entraram para história com a transmissão da primeira cobertura esportiva, em 1935, em um jogo de beisebol. Os alemães, um ano depois, cobriram os Jogos Olímpicos de Berlim.

A primeira transmissão de uma partida de futebol no mundo aconteceu no dia 15 de novembro de 1936 por uma TV alemã, que exibiu o empate por 2×2 entre Itália e Alemanha.

No Brasil, o esporte, principalmente o futebol, começou a ganhar seu lugar na telinha ainda na primeira metade da década de 1950, inclusive com transmissões ao vivo, com raros recursos, e com cortes frequentes provocados pela queda de sinal. Com o surgimento do recurso do video-tape, que não existia no país até 1958, o espaço de pelo menos mais três atividades, o basquete, o boxe e o turfe, aumentou.

A primeira transmissão de uma partida de futebol no Brasil só viria a acontecer quase 19 anos depois do histórico Itália 2 x 2 de 1936, já que, segundo o “Guia dos Curiosos”, de Marcelo Duarte, o primeiro jogo exibido ao vivo no país aconteceu em 18 de setembro de 1955, no aniversário de cinco anos da TV no Brasil. O clássico Santos 3 x 1 Palmeiras, na Vila Belmiro, foi transmitido pela Record. Nesta época, quase todos os programas eram feitos ao vivo por falta de tecnologia. A Globo transmitiu seu primeiro jogo em 1965 (um amistoso realizado no Maracanã entre Brasil e União Soviética, em 21 de novembro de 1965, que terminou em empate de dois a dois). Sob o comando do jornalista Teixeira Heizer, a Globo conseguiu transmitir a partida apenas duas horas depois de sua realização. O jogo Brasil x União Soviética terminou às 18h. Às 20h, a partida foi transmitida para todo país. Conforme destacou Régis Rösing, a solução encontrada por Heizer foi gravar a partida em filmes, em partes, e mandar os rolos para a emissora para montá-los rapidamente. O jornalista fez a narração por cima das imagens já editadas.

O formato de transmissão do futebol na televisão tem uma grande semelhança com o formato do rádio. Há um locutor, comentaristas e repórteres que, juntos, realizam a transmissão esportiva. Esta herança do rádio se faz presente nas transmissões esportivas televisivas ainda nos dias de hoje. O narrador explica o que acontece e como acontece, pede a opinião ou a análise do comentarista e os repórteres de campo apresentam detalhes pontuais ou registros técnicos que os primeiros não dispõem. Uma explicação desta herança do rádio é que apesar de a transmissão da TV significar um avanço por ter a imagem, ainda não era possível identificar tantas coisas. Um problema simples em relação a isso, porém determinante para o telespectador, era a distinção do uniforme dos dois times. Na maioria dos jogos não era possível distinguir os dois times.

Até 1958, os brasileiros acompanharam as Copas do Mundo de futebol pelo rádio e só viram imagens por meio de filmes de curta duração exibidos na TV e nos cinemas, nos chamados jornais da tela. Em 1962 e em 1966, os teipes – das partidas inteiras – chegavam no dia seguinte.

Segundo o historiador esportivo Roberto Assaf, é importante explicar que o pacote de títulos conquistados pelo Brasil entre 1958 e 1966 (como os títulos mundiais conquistados pelo basquetebol em 1959, no Chile, e em 1963, no Rio de Janeiro; além das conquistas individuais de Maria Esther Bueno e Éder Jofre) também ajudou a ampliar efetivamente o espaço dos outros esportes na mídia em geral.

Década de 1970