Vila Nova do Espírito Santo de Abrantes, ou apenas Vila de Abrantes, foi uma antiga povoação indígena. Inicialmente chamou-se Aldeia do Espírito Santo, sendo iniciada em 1558 e estabelecida pelos padres da Companhia de Jesus no Brasil, com a intenção de catequizar os nativos e propagar a santa fé. Posteriormente passaria a ser denominada como Vila de Abrantes, após a expulsão dos jesuítas pelos holandeses. Foi a primeira sede administrativa de Camaçari e atualmente faz parte deste município.
História A história da Vila de Abrantes tem início a partir da habitação dos povos tupis, em torno do ano 1000, no Recôncavo baiano. Com a invasão da região por exploradores europeus, foi fundada no ano de 1558 a Aldeia do Espírito Santo pelos jesuítas, habitada por índios de várias aldeias tupinambás. Essa região é reconhecida como uma das quatro primeiras povoações fundadas pelos jesuítas no Brasil, o respectivo grupo que residia na aldeia ficava instalado em uma capela de taipa, às margens do rio Joanes, sob o comando do padre João Gonçalves e o irmão Antônio Rodrigues.
Em 1624, a aldeia serviu de asilo para o bispo D. Marcos Teixeira, o clero da Diocese de São Salvador da Bahia e aos jesuítas durante a tentativa de ocupação da Bahia pelos holandeses. O local se demonstrou resistente às invasões, por várias vezes, estabeleceram confrontos armados, como a Guerra do Paraguaçu e as lutas contra a invasão holandesa. Sendo reconstituída em 1641 e remodelada em 1689. No ano de 1755, os jesuítas foram expulsos da Aldeia do Espírito Santo, no governo do Marquês de Pombal. Logo, em 1758 do dia 27 de setembro passaram a ser categorizada como Vila, por provisão do Conselho Ultramarino, Alvará Régio, denominando-se Vila Nova do Espírito Santo de Abrantes (Vila de Abrantes). Inaugurando a Casa da Câmara e cadeia municipal.
Em 1846, a Resolução provincial n.º 41, de 16 de abril, extinguiu a vila. Esta que passou a ser integrada ao município de Mata de São João. No dia 3 de junho de 1848, a Resolução n.º 310 foi restabelecida, resultando no desmembramento de Mata de São João.
No dia 22 de março de 1920, a lei municipal criou o distrito de Camaçari, cujo território abrangia a antiga Vila de Abrantes. Confirmada pela Lei estadual n.º 1422, de 4 de agosto de 1920.
Descrição por Domingos Alves Branco Moniz Barreto Domingos Alves Branco, ex-capitão do regimento de Infantaria de Extremoz e escriturário da contadoria geral da Junta da Real Fazenda da capitania da Bahia, futuro sargento-mor e comandante do presídio do Morro de São Paulo na Bahia. Visitou a aldeia em missão, produziu uma planta iconográfica da Vila de Abrantes, por volta, de 1792 e redigiu a sua descrição daquilo que observou nesse trajeto.
Configuração do espaço A disposição da aldeia mostra a geometria, em forma retangular, comum nas aldeias dos jesuítas da época. Com uma grande área aberta que servia de local para eventos pertinentes às práticas das tribos e da Igreja.
Tem lugar de destaque a antiga igreja dos padres da Companhia, hoje conhecida como A Igreja do Divino Espírito Santo. Logo ao lado, havia a ala da residência, que era ocupada pelo vigário de Abrantes, Padre Rodrigues de Oliveira. A igreja obtinha de um alpendre de entrada, característica dominante da arquitetura jesuítica; uma fachada com linhas pesadas e quadradas, da renascença portuguesa; frontispício circular e dois obeliscos de pedra que integravam os únicos adornos da fachada. E a torre ao lado que era caracterizada pela sineira.
A Casa de Câmara e Cadeia, localizada à direita da igreja, era composta por um telhado coberto de telhas, com uma fachada dividida por pilastras e uma grande janela, provavelmente com gradil de ferro ou paus.
A aldeia era configurada no entorno de 65 residências de índios, dados associados por Domingos Barreto- ex-capitão do regimento de Infantari de Extremoz e escriturário da contadoria geral da Junta da Real Fazenda da Capitania da Bahia, que foi até a Vila de Abrantes , no século XVII, em missão para documentar este local.
Entre as estradas de chão que chegavam até a vila estavam os caminhos que conduziam até o resto da Bahia. Tais como: a Estrada do Arambebe, Estrada que vem do Rio Joanes, Estrada que ia até a Capoame, entre outras. No final do século XIX, com a expansão da malha ferroviária baiana houve a integração com o recôncavo e a região do São Francisco.
Pela configuração de ocupação que se mostrava pela agricultura de sobrevivência, roças e sítios, ainda hoje é possível se encontrar aglomerações remanescentes de quilombos.
Igreja do Divino Espírito Santo A histórica Igreja do Divino Espírito Santo, em Abrantes, fundada por volta do século XVI pelos jesuítas, era parte de suas instalações junto com a ala residencial que foi demolida em 1940. A construção do templo atual remete ao século XVII, já que a aldeia foi reconstruída em 1641 e remodelada em 1689.
Referências
Categoria:Cultura de Camaçari Categoria:História da Bahia Categoria:1558 no Brasil Categoria:Fundações em 1558 Categoria:Antigas subdivisões do Brasil Categoria:Povos indígenas da Bahia