miniaturadaimagem|O Moulin Rouge na rua Oudezijds Achterburgwal, no distrito da luz vermelha (De Wallen) em Amsterdã Prostíbulo, bordel, lupanar, casa de prostituição, casa de prazeres, casa de tolerância ou, popularmente, puteiro, é um estabelecimento destinado à prostituição, o qual atua muitas vezes de forma ilegal, uma vez que tal prática é considerada crime na maioria dos países.
Distingue-se a casa de alterne, embora associada também à prostituição. O alterne significa que as mulheres trabalhando nele se incumbem principalmente para incentivar os fregueses ao consumo, e elas participam do lucro da casa. O fato de envolver sexo não consta nos objetivos da casa em si, esse é um componente opcional por parte da empregada do local.
Os prostíbulos são na maioria das vezes administrados por mulheres mais velhas — via de regra ex-prostitutas — que assumem a liderança da casa de prostituição onde trabalharam ou abrem outra, com novas mulheres. As proxenetas, ou, mais popularmente cafetinas, as "matronas" ou "patroas" são em geral carinhosamente chamadas de "mãe", "mãezinha", "mãinha", "tia", "dona" etc. Quase sempre gozam de prestígio e respeito nas comunidades onde vivem.
Há muitos lugares do mundo onde os prostíbulos são legalizados, como por exemplo, alguns países do norte e da Europa Central (Países Baixos, Suíça, Áustria, Letônia, Alemanha, Hungria), Equador, Uruguai, Grécia, Turquia e Leste da Austrália. O estado de Nevada, nos Estados Unidos, é um grande centro de prostíbulos legalizados. No Brasil, a manutenção, por conta própria ou de terceiro, de uma casa de prostituição é um crime tipificado no Código Penal Brasileiro pelo art. 229. Mas há interpretações que dizem que, de acordo com a lei, só é crime tipificado se houver a "exploração ou vulnerabilidade", caso não tenha seria possível de ser uma atividade regular. As proxenetas e os proxenetas também são culpáveis de delito de rufianismo.
História Antiguidade
A primeira menção registrada da prostituição como uma profissão aparece nos registros sumérios de ca. 2400 a.C., e descreve um templo-bordelo operado por sacerdotes sumérios na cidade de Uruk. O 'kakum' ou o templo foi dedicado à deusa Istar e abrigou três graus de mulheres. O primeiro grupo realizou-se apenas nos ritos sexuais do templo; o segundo grupo participava também dos rituais, mas atendia aos seus visitantes também; e a terceira e mais baixa classe morava nas terras do templo, mas as moças eram livres para procurar também clientes nas ruas. Em anos posteriores, a prostituição sagrada existia também na Assíria, Grécia, Roma, Índia, China, Japão e muitos outros países. Ela também é mencionada no Velho Testamento da Bíblia.Por exemplo 1.Rs 14,24 ou 2.Rs 23,7 Em quase todas as culturas antigas a prostituição era legalizada e regularizada, permitindo a exploração quase sempre desinibida das prostitutas escravizadas.José Guimarães Mello: Negros E Escravos Na Antiguidade, p. 40 ss, entre outras. No internet aqui.
Prostíbulos estaduais com preços taxados existiam na antiguidade na Atenas, fundados pelo legalista e político famoso Solon. Foram concebidos principalmente para clientes masculinos, com mulheres de todas as idades e também rapazes oferecendo serviços. As prostitutas de alta categoria chamavam-se heteras e eram moças muitas vezes treinadas desde a infância no sexo, belas artes e conversação para poderem agradar da melhor forma aos clientes. Muitas não atenderam em prostíbulos, mas possuíam casas próprias. As prostitutas comuns, que enchiam os prostíbulos, eram muitas vezes escravas compradas em muitos países e meninas abandonadas por sua família, que viraram escravas até provar o contrário.História breve dos prostíbulos (em inglês)
thumb|Fresco do Lupanar de Pompeia, com uma prostituta atendendo a um cliente Na cidade romana de Pompeia encontra se a famosa ruína do Lupanar (em latim, lit. "covil de lobas"), um sítio arqueológico de interesse particular devido às pinturas eróticas que cobrem suas paredes. O Império Romano com seu grande poder bélico capturava escravos e escravas em grande quantidade e seus comerciantes podiam com seu poder econômico comprar meninas e mulheres de todo o mundo conhecido, de várias raças es cores. Trancar escravas como prostitutas forçadas nos prostíbulos teve muitas vantagens para os donos, porque escravos podiam ser explorados legalmente de todas as formas, e sobretudo uma prostituta não podia esperar por ajuda ou piedade de ninguém por pior que seriam as torturas aplicadas nelas. Destarte, elas foram treinadas sem dó e obrigadas a submissão absoluta e a aceitarem todas as formas de abuso e a cumprirem todos os desejos. Vasos antigos mostram muitas vezes cenas eróticas, e, entre outras, se encontram cenas com prostitutas com clientes ou donos não satisfeitos que batem nelas com sandálias ou varas.Thomas A.J. McGinn, Prostitution, Sexuality and the Law in Ancient Rome, Oxford University Press, 1998, p. 56. Escravidão, prostituição, proxenetismo e o uso de escravas como prostitutas forçadas eram permitidas, legalizadas e regularizadas, e o governo fazia tudo para ajudar aos donos manterem seus direitos e poderes sobre suas escravas, que eram sua propriedade legal e não possuíam direitos por serem escravas e, além disso, prostitutas e quase sempre estrangeiras.Thomas A. McGinn The Economy of Prostitution in the Roman World: A Study of Social History and the Brothel, University of Michigan Press, 2004, p. 167–168
Segundo uma lei do Imperador Augusto mulheres adúlteras podiam ser condenadas a virarem prostitutas forçadas. Em vez de lotar cárceis em prejuízo do governo ou serem mortas elas contribuíam, desta maneira, para o bem da sociedade e mais verbas para o governo. Essa lei foi abolida pelo primeiro imperador cristão Teodósio.Thomas AJ McGinn, Prostitution, Sexuality and the Law in Ancient Rome, Oxford University Press, 1998, p. 171. Nas perseguições a cristãos dos primeiros três séculos moças cristãs foram trancadas nos prostíbulos. Seu "amor à castidade, que resplandecia nos rostos das virgens cristãs, instigou os romanos, para as punir da sua crença, a inventar um novo suplício: condenaram-nas por um édito para serem prostituídas".F. A. Rodrigues de Gusmão: A Prostituição entre os romanos, Lisboa, 1861, p.27; no internet aqui.
thumb|Construção sólida como base da cama no Lupanar de Pompeia
Prostíbulos em Roma são bem conhecidos pela literatura da época, listas e evidências arqueológicas. Um prostíbulo era normalmente chamado de lupanar, em latim, lupanário (lupanarium), isto é, cova de loba, sendo uma lupa uma loba ou prostituta.Thomas A McGinn, The Economy of Prostitution in the Roman World (University of Michigan Press, 2004), pp. 7–8. Eles encontraram-se em todas as 14 regiões da Roma antiga.Adler, Description of the City of Rome, p. 144ss. Muitos prostíbulos foram também chamados de fornix, um termo para um espação geral para um lugar abobadado ou porão de uma casa.Curiosum Urbis e Notitia Notitia de Regionibus em LacusCurtius de Bill Thayer Estes prostíbulos baratos foram descritos como muito sujos, mal-cheirosos e mal ventilados. Seneca escreveu "você cheira ainda da catinga do prostíbulo".Seneca, Cont. I, 2. Veja também Horácio, Satira 1, 2, 30 ("por outro lado, não teria nenhuma, exceto essa que estava de pé na cela fedorenta" do prostíbulo); Petrônio, Priapeia XIII, 9 ("quem quiser pode entrar aqui e se sujar com a fuligem preta do prostíbulo"). Mas as vantagens eram que era mais difícil para as escravas prostituídas fugirem, elas podiam ser encadeadas e seguradas nas paredes grossas, e não acomodavam transeuntes com ruídos na copulação nem com gritos quando açoitadas e torturadas.F. A. Rodrigues de Gusmão: A Prostituição entre os romanos, Lisboa, 1861, p.9ss; no internet aqui.
As casas licenciadas existiam de duas formas: sob tutela de um proxeneta ou de uma cafetina (em latim leno ou lena), e casas com quartos alugados a prostitutas. No primeiro caso, o proxeneta e dono colocava muitas vezes um "secretário" (villicus puellarum) para cuidar das meninas. Este taxava as meninas, deu-les "nomes de guerra", definiu os preços, cobrou as taxas e forneceu roupas, comida e outros produtos necessários.Seneca, Controv. I, 2: "você se exibiu com as prostitutas, engalada para atrair clientes, com as roupas que seu cafetão lhe deu.", no internet em espanhol, p. 116, aqui.
As pinturas e mosaicos murais eram consentâneos com o ambiente: cenas eróticas. Na porta de cada cela teve uma tabuleta com o nome da prostituta e seu preço, e no reverso estava escrito occupata (ocupada), como funciona até hoje em banheiros públicos. PlautusPlautus, Asin. IV, I, 9. chama uma casa de "menos rigorosa" para com as prostitutas, se era permitida, de vez em quando, que uma prostituta arrasada pelo excesso da labuta e da falta de sono pudesse colocar "ocupada" na porta para fazer uma pausa." A cela geralmente continha uma lâmpada de bronze ou, nos estabelecimentos inferiores, de argila, uma palete ou uma enxerga de algum tipo, sobre a qual se espalhava uma manta ou colcha, esta sendo às vezes empregada como cortina.Petrônio, Satiricon, cap. 7.
Os métodos anticoncepcionais, na época, eram menos seguros, e por isso prostitutas engravidavam frequentemente. Nos prostíbulos, abortos e infanticídios eram comuns, e ao redor das ruínas deles acham-se muitas vezes restos de cemitérios com prostitutas, que morriam no serviço, e bebês. Para bebês do sexo feminino as chances de sobrevivência eram melhores, porque alguns proxenetas incumbiram-se a criá-las para empregá-las como prostitutas. Na Roma não precisava esperar até a menina entrar pelo menos na puberdade, porque a demanda por prostitutas infantis era também grande e completamente legal, desde que foram estrangeiras, escravas, cativas ou outras pessoas sem direitos.Roman dead baby 'brothel' mystery deepens, BBC
Europa thumb|Brothel scene; Brunswick Monogrammist, 1537; Gemäldegalerie, Berlim
Os primeiros na Europa ocidental, que regularizavam prostíbulos e a prostituição após longos séculos de abolição por razões religiosas do cristianismo católico, foram a Inglaterra do rei e o Leão sob o rei .No livro "Prostitution: an illustrated social history" de Vern L. Bullough e Bonnie Bullough as leis são associadas a Castela, mas Afonso IX era rei de Leão e Galiza e não de Castela. Leia a frase no livro aqui. No entanto, ao contrário da antiga Roma os governantes cristãos ocupavam-se com o bem-estar das prostitutas e proibiram a prostituição forçada. As primeiras cidades europeias ocidentais, depois do fim do império romano, recomeçaram entre 1350 e 1450 a oferecerem prostitutas em prostíbulos municipais. Prefeituras, príncipes e até bispos que possuíam territórios próprios, viraram donos de prostíbulos, conseguindo de uma vez três benefícios: direitos, legalização e proteção para as prostitutas, abastecimento da população com prostitutas e um bom lucro que aumentava as verbas do governo. Outros governos liberavam certas zonas para a prostituição, onde investidores podiam construir prostíbulos e taverneiros ofereciam garotas. Muitas vezes era proibido abrir os prostíbulos em dias festivos ou durante a missa, para possibilitar as prostitutas participarem da missa e não desviar os homens do caminho à igreja.Prostitution in the middle age Muitas vezes certas pessoas como clérigos, judeus ou, em certos casos, todos os homens casados foram impedidos a frequentarem os prostíbulos.
miniatura|A cena no lupanar da série A Rake's Progress (A Carreira de um Patife). Obra de William Hogarth, 1735