Vera Regina Magalhães dos Santos Cabral (São Paulo, 14 de outubro de 1972) é uma jornalista, radialista, comentarista de política e apresentadora brasileira. É casada com o ex-assessor do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e ex-diretor executivo da revista Veja, Otávio Cabral, com quem tem dois filhos.

Carreira Vera Magalhães é graduada em jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e começou a atuar como repórter no Diário do Grande ABC ainda durante a graduação, em 1993. Após a graduação, em 1995, continuou a exercer a função de repórter no mesmo periódico por mais um ano, quando foi promovida a função de editora.

Ocupou diversas funções no jornal Folha de S.Paulo, do Grupo Folha entre 1997 e 2015, com breve pausa entre 2001 e 2005 quando trabalhou como editora da revista e do site Primeira Leitura. Na Folha, trabalhou como redatora, pauteira do caderno Brasil, coordenadora e repórter de Política em Brasília, repórter e editora da coluna Painel e repórter especial e responsável pelo blog É tudo Política na versão online do jornal. Ficou licenciada do jornal, em 2014, após a nomeação do seu marido para a campanha de Aécio Neves do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Após a saída definitiva da Folha de S.Paulo, em 2015, foi contratada pela revista Veja. Assumiu o comando da coluna Radar, nas versões online e impressa. No ano seguinte, foi contratada pela rádio Jovem Pan. Lá se tornou responsável pelos boletins diários sobre política no programa Jornal da Manhã e também passou a integrar o elenco do programa vespertino 3 em 1 na rádio Jovem Pan de São Paulo, ao lado de Carlos Andreazza, Marcelo Madureira e Patrick Santos. Também em 2016 foi contratada como colunista de política do jornal Estadão e no mesmo ano participou do quadro Meninas do Jô, do Programa do Jô, na TV Globo, debatendo assuntos relacionados a política e economia.

Em 2020 deixou a Jovem Pan e passou a comandar o programa Roda Viva na TV Cultura.Vera Magalhães será a nova apresentadora do Roda VivaVera Magalhães troca Jovem Pan pela TV Cultura e assume apresentação do ‘Roda Viva’ No ano seguinte torna-se colunista do programa diário Ponto Final CBN, da rádio CBN, além de colunista do jornal O Globo.

Homenagens Prêmio AMB 2004, promovido pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), na categoria "Melhor Reportagem em Revista", com a matéria “De carona na Anaconda”, em que aborda a reforma do Judiciário e do Ministério Público na Operação Anaconda. Prêmio Folha de Reportagem de 2007, com a matéria “Tendência era amaciar para Dirceu, diz ministro do STF”. Em 2011, a reportagem também foi listada pela Folha de S.Paulo entre "As 90 reportagens que fizeram história" daquele veículo de comunicação. Finalista na 58ª edição do Prêmio Esso de Jornalismo, em 2013, ao lado dos jornalistas Leandro Colon e Filipe Coutinho, pela reportagem "Nas asas da FAB", publicado na Folha de S.Paulo. Prêmio “Troféu Mulher Imprensa”, em 2017, pelo seu trabalho como colunista da Jovem Pan, em que venceu pelo voto popular. Indicada ao “Prêmio Comunique-se de Jornalismo”, em 2017, pelas categorias "Colunista de notícias de veículo impresso" e "Jornalista Nacional". Prêmio "Troféu Mulher Imprensa" em 2018.

Ataques pessoais 2020 Os deputados estaduais Douglas Garcia (Republicanos-SP) e Gil Diniz (PSL-SP), conhecido como Carteiro Reaça, criaram e disseminaram uma notícia falsa no plenário da Assembleia Legislativa paulista, acusando a jornalista de receber R$ 500 mil anuais do governo do estado de São Paulo para atacar o então presidente Bolsonaro.

Em resposta, a jornalista publicizou seu contrato como âncora do programa Roda Viva em 20 de março do mesmo ano.publicação de Vera Magalhães, do dia 20 de março de 2020, publicizando seu salário de âncora do programa Roda Viva. Ela esclareceu que seu salário anual era de R$ 264 mil (R$ 22 mil mensais), pago pela Fundação Padre Anchieta com recursos exclusivamente de publicidade, e que não possuía vínculo com o Governo do Estado de São Paulo. A informação foi checada e confirmada pelo Estadão e pela agência Aos Fatos. 2022 Durante o primeiro debate presidencial do pleito de 2022, em 28 de agosto, o candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), ao comentar uma pergunta feita pela jornalista ao também candidato Ciro Gomes sobre o efeito de notícias falsas à política de vacinação, Bolsonaro fez ataques pessoais que foram amplamente classificados por organizações de imprensa e de direitos das mulheres como machistas e sexistas à jornalista, acusando-a de dormir pensando nele e de ser "uma vergonha para o jornalismo":

Assim que teve sua oportunidade de falar, a candidata Simone Tebet usou parte do seu tempo para defender a jornalista, então Bolsonaro rebateu, exaltado, com mais uma fala de cunho machista contra agora à candidata:

As falas do presidente desencadearam uma onda de ataques pessoais contra a jornalista por meio das redes sociais. Um dia depois do debate, o pastor evangélico Silas Malafaia reavivou a notícia falsa de que Vera ganharia 500 mil por ano do governo de São Paulo para atacar Jair Bolsonaro. Em uma publicação do Estadão, um print da postagem era visto com 14,5 mil curtidas e 3,400 mil retweets. Em 30 de agosto de 2022, Vera Magalhães anunciou publicamente que processaria o pastor. No dia 2 de setembro, A juíza Maria Carolina de Mattos Bertoldo, da 21° Vara Civel de São Paulo, ordenou que o pastor retirasse do ar a postagem, reconhecida como "fake news" pela justiça.

No dia 7 de setembro, durante uma manifestação feita a favor de Jair Bolsonaro em Copacabana, um cartaz com o rosto de Vera Magalhães estampado com a frase "você é uma vergonha para o jornalismo" foi posicionada em na lateral de um guindaste.

Ao final do debate com candidatos ao governo do estado de São Paulo, em 13 de setembro de 2022, o deputado estadual Douglas Garcia (Republicanos), que em 2020 criou a notícia falsa de que Vera Magalhães estaria ganhando dinheiro do governo estadual para criticar Bolsonaro, foi até os assentos reservados para jornalistas, sentou-se ao lado de Vera e, gravando-a, repetiu, gritando, o ataque promovido pelo então presidente Jair Bolsonaro, afirmando que ela seria "uma vergonha para o jornalismo" e perguntou diversas vezes se ela estaria recebendo dinheiro para atacar o presidente, em uma ação intimidatória. Em seguida, o diretor de jornalismo da TV Cultura, Leão Serva, para afastar Douglas Garcia, pegou o celular do deputado e o arremessou longe, também reagindo verbalmente de forma ríspida. Por fim, Douglas Garcia chamou os jornalistas de "jornazistas", pegou seu celular e se retirou. Vera Magalhães teve que sair escoltada do prédio.

Como mostrou publicação do Estadão, do dia 14 de setembro do mesmo ano, o deputado Douglas Garcia havia premeditado a ação em uma publicação do seu Twitter, em que questionou “Será que a Vera Magalhães vem hoje?” horas antes do início do evento no qual participou como convidado.

A ex-ministra Damares Alves, em entrevista à Rádio BandNews Brasília, no dia 15 de setembro de 2022, acusou Vera Magalhães de rir de seu estupro ocorrido aos 6 anos e repetiu o ataque pessoal proferido pelo então presidente da república em 28 de agosto, "Vera é realmente uma vergonha para o jornalismo". "Você sabe o que a Vera fez comigo? Vera riu do meu estupro de criança aos 6 anos de idade. A Vera não pode fazer isso, ela é uma mulher, que é influenciadora. Ela influencia opiniões. Ela disse que eu merecia música do bicho da goiaba, porque eu estava em um pé de goiaba. Ela sabe porque eu estava no pé de goiaba aos 10 anos chorando e quando eu tentei suicídio porque eu tinha sido barbaramente estuprada. Você acha que essa mulher traz algum orgulho pra o jornalismo? Ri de uma menininha estuprada? Então, eu não sei o que aconteceu com o ela e Douglas, mas a Vera é realmente uma vergonha para o jornalismo."A fala se refere às considerações finais de Vera Magalhães no programa 3 em 1, da Jovem Pan, do dia 12 de dezembro de 2018, um dia antes de Damares revelar em entrevista que sofrera estupro aos 6 anos. A jornalista escolheu a música "bicho da goiaba", do Harmonia do Samba para encerrar o programa, em tom de brincadeira, citando um vídeo viral à época em que Damares afirmara que quando tinha 10 anos, Jesus Cristo teria aparecido em frente a um pé de goiaba que ela estava e escalado a árvore para salvá-la de um suicídio. No comentário de Vera no programa, não há menção ao fato ocorrido com Damares aos seis anos:"Essa quarta-feira tem um rit nas redes sociais, tá quebrando a Internet, que é o vídeo da Damares, ministra Damares Alves, dizendo que viu Jesus num pé de goiaba, né. Então muita gente que eu conheço até se assustou, foi procurar e tal na goiabeira, e aí eu lembrei dum clássico aí do samba, a Harmonia do Samba, a música chama 'bicho da goiaba'. Damares, gênia. Amei."O trecho pode ser assistido a partir de 1:01:23 do vídeo original do programa. 3 em 1 - 12/12/18 - Deputados aprovam "pauta-bomba" que causará impacto nos cofres públicos - YouTube.A transcrição do vídeo viral de Damares foi publicada pelo Jornal Extra na época do ocorrido, final do ano de 2018. O mesmo vídeo é encontrado em circulação no YouTube, com postagens anteriores ao dia 12 de dezembro de 2018, e em momento algum cita que ela teria sido vítima de pedofilia anos antes."Aos 10 anos de idade eu quis me matar. No dia que eu estava com a substância em cima daquele pé de goiaba aconteceu algo extraordinário. Eu estava em cima do pé de goiaba com o veneno na mão e quando eu ia comer o veneno, eu vi Jesus se aproximando do pé de goiaba. Eu tive uma revelação extraordinária. Acreditem nisso. Jesus quer se revelar de uma forma sobrenatural para as crianças. Eu tive a minha experiência, aos 10 anos, com Jesus em cima do pé de goiaba. E foi incrível. Quando eu vi Jesus, irmãos, eu esqueci o veneno. Não tomei o veneno. [...]"Um dia depois do comentário de Vera Magalhães no programa, em 13 de dezembro de 2018, devido à repercussão do vídeo viral, em entrevista à Rádio Gaúcha, Damares disse que o episódio do pé de goiaba ocorrido quanto tinha 10 anos teve relação com um estupro que ela teria sofrido aos 6 anos, e inclusive foi perguntada se teria se ofendido com a repercussão do viral e com a criação de memes, respondendo que não.

2024 Em 9 de abril de 2024, no curso da disputa da ofensiva de Elon Musk contra a regulação das redes sociais no Brasil, ameaçando descumprir ordens do Judiciário, em especial do ministro Alexandre de Moraes, ela deixou a rede social Twitter, na qual atuou por 15 anos e possuía 922 mil seguidores com a seguinte manifestação: "A partir do momento que uma rede social vira uma arma para um dono fazer política, falar em liberdade é piada. Quem está aqui está topando as regras de jogo de Elon Musk e usando a sua expertise, seu trabalho para alavancar sua arma política. Por isso, a partir de hoje, não estarei."

2026 No começo de 2026, após seis temporadas, deixou de apresentar o famigerado programa Roda Viva após uma controversa rescisão.

Ver também Otávio Frias Filho Augusto Nunes Dora Kramer Reinaldo Azevedo Felipe Moura Brasil

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