Esta é uma lista de bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) na Região Norte do Brasil. O IPHAN é uma autarquia do governo brasileiro vinculada ao Ministério da Cultura, criada em 1937 com a incumbência de preservar, divulgar, fiscalizar e decretar a proteção legal do patrimônio material (bens móveis e imóveis) existente no país. Na Região Norte, destacam-se, em meio ao patrimônio tombado, bens materiais e conjuntos urbanos formados em decorrências de contextos históricos e culturais distintos, mas tendo em comum em sua estruturação a exploração dos recursos naturais da Amazônia — tais como o ciclo da borracha, que transformou a região em um importante eixo econômico do Brasil no século XIX, enriquecendo comerciantes e exportadores e dando origem a um importante patrimônio arquitetônico e artístico em cidades como Manaus e Belém; o ciclo do ouro e as expedições dos bandeirantes paulistas nos séculos XVIII e XIX, que deram origem a povoados no atual estado do Tocantins, como Natividade e Porto Nacional; a expansão da indústria de extração de minérios do século XX, que resultou na criação de projetos como a Vila Serra do Navio, no Amapá; o desmatamento e o ativismo em prol da preservação da floresta, exemplificado pela casa de Chico Mendes, em Xapuri, no Acre.
Lista de bens tombados pelo IPHAN na Região Norte
A presente lista registra os bens tombados pelo IPHAN na Região Norte do Brasil entre 1938 e 2018. Estão apresentados todos os bens da região já inscritos nos Livros do Tombo, após o cumprimento de todas as fases do processo de tombamento. A listagem utiliza a denominação dada aos bens na inscrição nos Livros do Tombo, apresentando-os em ordem alfabética, agrupados por estado e, em seguida, por município.
Acre
Xapuri '''Imagem Bem / Inscrição Ano de tombamento Tipologia Inscrições nos Livros do Tombo Outras informações100pxCasa de Chico Mendes e seu acervo 2011 Edificação e acervo Histórico Casa histórica onde residiu o ambientalista Chico Mendes em seus últimos anos de vida, também local de seu assassinato. Abriga, desde o fim da década de 1990, uma sala de memória em homenagem ao antigo proprietário.
Amapá
Macapá Imagem !!Bem / Inscrição !!Ano de tombamento !!Tipologia !!Inscrições nos Livros do Tombo !!Outras informações |- |100px||Fortaleza de São José de Macapá ||1950 ||Edificação ||Histórico ||A construção da fortaleza foi iniciada em 1764, no mesmo local onde se havia erguido a fortificação primitiva de 1738, e concluída em 1782. Abriga atualmente o Museu Fortaleza de São José de Macapá. |- |colspan="100%" align="center" bgcolor="#E6E6FA"|Serra do Navio |- !Imagem Bem / Inscrição Ano de tombamento Tipologia Inscrições nos Livros do Tombo Outras informações100pxVila Serra do Navio 2012 Conjunto urbanoArqueológico, etnográfico e paisagístico; Histórico; Belas ArtesA Vila Serra do Navio foi projetada por Oswaldo Bratke em 1955, com o objetivo de abrigar os trabalhadores da Sociedade Brasileira de Indústria e Comércio de Minérios de Ferro e Manganês (ICOMI). O tombamento incide sobre diversas edificações e logradouros.
Amazonas
Manaus'Imagem !!Bem / Inscrição !!Ano de tombamento !!Tipologia !!Inscrições nos Livros do Tombo !! Outras informações |- |100px||Caixa d'água denominada Reservatório de Mocó na Praça do Chile ||1985 ||Infraestrutura ou equipamento urbano ||Histórico; Belas Artes ||Erguido no fim do século XIX, é um marco do sistema de abastecimento de água e do processo de expansão urbana da capital amazonense. Encontra-se em funcionamento até hoje, abastecendo parte da cidade de Manaus. |- |100px||Conjunto arquitetônico e paisagístico do Porto de Manaus ||1987 ||Conjunto arquitetônico ||Arqueológico, etnográfico e paisagístico; Beas Artes ||O conjunto arquitetônico do Porto de Manaus começou a ser erguido no começo do século XX, com a finalidade de escoar a produção de borracha. O tombamento incide sobre diversas edificações, três delas anteriores à construção do conjunto: o edifício do Tesouro Público (1887-1890), o trapiche Princesa Isabel (1888) e a bomba de incêndio (1869-1881). |- |100px||Imóvel denominado Mercado Adolfo Lisboa ou Mercado Municipal, compreendendo seus pavilhões e jardins, embarcadouro e trecho correspondente da margem do rio ||1987 ||Conjunto arquitetônico ||Histórico; Belas Artes ||Localizado ao lado do Rio Negro, o Mercado Municipal teve sua construção iniciada em 1880, pela firma Bakus & Brisbin'' de Belém, com pavilhões construídos em estrutura de ferro, e foi inaugurado em 1883. Posteriormente, ganhou os pavilhões anexos.100pxTeatro Amazonas 1966 Edificação Histórico Símbolo da prosperidade amazonense durante o ciclo da borracha, o Teatro Amazonas teve sua construção iniciada em 1884. A inauguração ocorreu em 1896.
Pará
Belém Imagem !!Bem / Inscrição !!Ano de tombamento !!Tipologia!! Inscrições nos Livros do Tombo !!Outras informações |- |100px||Antigo Palácio do Governo, atual Palácio Lauro Sodré, sede do Governo do Estado ||1974 ||Edificação ||Histórico; Belas Artes ||Antigo Palácio do Governo, projeto de Antônio José Landi. Sua construção foi iniciada e 1767 e concluído em 1771, no mesmo local onde havia sido erguido na década de 1670 o palácio primitivo. Atualmente, abriga o Museu Histórico do Estado do Pará. |- |100px||Avenida Nazareth: conjunto arquitetônico ||1985 ||Conjunto arquitetônico||Belas Artes ||A ocupação do bairro de Nazaré data da segunda metade do século XVIII, após a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, que daria origem à mais importante manifestação religiosa do estado do Pará, o Círio de Nazaré. A prosperidade econômica resultante do ciclo da borracha permitiu o surgimento de inúmeras edificações aristocráticas ao longo da Avenida Nazaré. O tombamento incide sobre várias edificações inseridas no conjunto urbano, tais como o Palacete do Barão de Guamá, o Solar do Barão de Japuri e o Colégio de Nossa Senhora de Nazaré . |- |100px ||Cemitério de Nossa Senhora da Soledade: conjunto paisagístico ||1964 ||Conjunto arquitetônico ||Arqueológico, etnográfico e paisagístico ||Inaugurado em 1850, o Cemitério da Soledade surgiu devido uma epidemia de febre amarela na região em meados do século XIX. Foi o segundo cemitério a ser criado na cidade, após o Cemitério do Largo da Campina, utilizado para o enterro de escravos e indigentes. A Capela de Nossa Senhora da Soledade, construída pelo capitão Joaquim Vitorino de Sousa Cabral, em estilo neoclássico e gradeamento de ferro inglês. Utilizado como local de sepultamento da elite paraense, o cemitério possui diversos monumentos funerários de relevo, destacando-se o túmulo do general Hilário Maximiliano Antunes Gurjão, construído na Bréscia, Itália. |- |100px||Coleção arqueológica e etnográfica do Museu Paraense Emílio Goeldi ||1940 ||Coleção ou acervo ||Arqueológico, etnográfico e paisagístico ||Fundado em 1866 pelo naturalista mineiro Domingos Soares Ferreira Penna, o Museu Paraense Emílio Goeldi é detentor de um amplo e valioso acervo de ciências naturais e antropologia, notabilizado, sobretudo, pela ênfase na região Amazônica. O tombamento incide sobre as coleções arqueológicos, que reúnem 2.746 peças de cerâmica, completas ou não, e mais de um milhão de fragmentos. |- |100px|| Conjunto arquitetônico dos bairros da Cidade Velha e Campina ||2012 ||Conjunto urbano ||Arqueológico, etnográfico e paisagístico; Histórico ||O conjunto formado pelos bairros de Cidade Velha e Campina constitui o núcleo histórico da cidade de Belém, fundados no início do século XVII. O tombamento incide sobre cerca de 2.800 edificações, incluindo palacetes, palácios e sobrados conjugados com casas comerciais no andar térreo. |- |100px||Conjunto arquitetônico e paisagístico "Ver-o-Peso" e áreas adjacentes, Praça Pedro II e Boulevard Castilhos França, inclusive o Mercado de Carne e o Mercado Bolonha de Peixe ||1977 ||Conjunto arquitetônico ||Arqueológico, etnográfico e paisagístico; Histórico; Belas Artes ||Conjunto arquitetônico erguido a partir do século XVIII em torno da antiga Casa de Ver-o-Peso, mesa fiscal responsável pela coleta de tributos de diversos gêneros importados para as capitanias. A construção do atual Mercado Ver-o-Peso foi iniciada em 1899, segundo projeto dos engenheiros Bento Miranda e Raymundo Vianna, consistindo em estrutura de ferro, trazida da Europa, e cobertura principal em telha tipo "Marselha" e torres art-noveau com cobertura em escamas de zinco. O tombamento inclui ainda Mercado de Carne (projetado por Francisco Bolonha), o Mercado de Peixe, o Boulevard Castilhos França (logradouro formado por um antigo conjunto de sobrados conjugados), a Praça Pedro II (onde se encontram três monumentos tombados: o Palacete Azul, o Palácio do Governo e a Casa do Barão de Guajará) e trechos da Avenida Portugal, da Rua Marquês de Pombal e da Praça do Relógio. |- |100px||Conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico da Praça Frei Caetano Brandão, ex-Largo da Sé ||1964 ||Conjunto arquitetônico ||Arqueológico, etnográfico e paisagístico ||Localizada próxima à orla fluvial, a Praça Frei Caetano Brandão é o marco inicial de Belém, sítio a partir do qual se originaram e consolidaram os bairros de Cidade Velha e Campina (atual Comércio), que constituem o Centro Histórico do município. |- |100px ||Conjuntos arquitetônicos da Avenida Governador José Malcher, constante dos imóveis da Travessa Rui Barbosa ||1985 ||Conjunto arquitetônico ||Belas Artes ||Conjunto de imóveis erguidos no século XIX, em arquitetura neoclássica com influência da tradição luso-brasileira, expressa no uso de azulejaria nas fachadas, entre outras particularidades. |- |100px ||Convento e Igreja de Nossa Senhora das Mercês ||1941 ||Edificação e acervo ||Histórico ||A igreja, erguida em alvenaria de tijolos, foi inaugurada em 1777, em substituição à capela original, datada de 1640. O partido arquitetônico, de autoria de Antônio José Landi, se destaca pela raridade, sendo uma das poucas igrejas brasileiras a possuir fachada convexa e frontão de linhas onduladas. Após a expulsão da ordem dos mercedários da província do Pará, em 1794, a igreja teve diversos usos civis e militares, servindo ainda de abrigo aos revoltosos utilização durante a Cabanagem. O conjunto arquitetônico foi restaurado em 1986. |- |100px ||Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo e Capela da Ordem Terceira ||1941 ||Edificação e acervo ||Histórico || A construção da igreja foi iniciada em 1690, no mesmo sítio onde se localizava a capela primitiva, erguida pela ordem das carmelitas em 1627. A ordem também foi responsável por erigir a Capela do Senhor dos Passos, inserida no mesmo conjunto arquitetônico. Em 1766, a igreja foi ampliada, segundo projeto de Antônio Landi. |- |100px ||Edifício do antigo Hospital Militar, na Praça Frei Caetano Brandão, ex-Largo da Sé ||1964 ||Edificação ||Histórico ||O edifício, projetado por Antônio José Landi na segunda metade do século XVIII, foi concebido a partir da adaptação de um imóvel comprado em 1770 junto a Domingos da Costa de Bacelar, com finalidade de abrigar o Hospital Militar. Passou por modificações ao longo do século XIX, quando recebeu o frontão triangular na fachada principal, e serviu de hospital até 1938, abrigando posteriormente a Companhia de Guardas do Quartel General. |- | ||Engenho do Murutucu: ruínas e Capela de Nossa Senhora da Conceição ||1981 ||Ruína ||Histórico ||Conjunto arquitetônico erguido ao longo do século XVIII por João Manuel Rodrigues. Abrigava um dos mais bem equipados engenhos do Pará, produtor de açúcar e cachaça, abrigando capela, casa de engenho, senzala, roda d'água, moendas de ferro, alambique, serpentinas, entre outros equipamentos. Com a decadência dos engenhos, o conjunto foi abandonado e, já em meados do século XIX, encontrava-se em ruínas. A capela, erguida em 1711 pelos frades mercedários e restaurada por Antônio José Landi, é o único edifício do engenho a permanecer de pé. |-