Fredericksburg é uma cidade independente da Virgínia, nos Estados Unidos. Sua população era de 27 982 habitantes no censo de 2020. Localiza-se cerca de 67 km ao sul de Washington, D.C., e 85 km ao norte de Richmond. Fredericksburg integra a região metropolitana de Washington. Para fins estatísticos, o Bureau of Economic Analysis agrupa a cidade com o vizinho Condado de Spotsylvania.

Situada perto do ponto em que o Rio Rappahannock atravessa a linha de queda da costa atlântica, Fredericksburg foi um importante porto da Virgínia durante o período colonial. Durante a Guerra Civil Americana, ficava a meio caminho entre as capitais das forças adversárias e foi palco da Batalha de Fredericksburg e da Segunda Batalha de Fredericksburg. Partes desses campos de batalha são preservadas pelo Parque Militar Nacional de Fredericksburg e Spotsylvania. Somente em 1862, mais de 10 mil afro-americanos da região escaparam da escravidão e alcançaram as linhas da União. O turismo é um componente importante da economia. Cerca de 1,5 milhão de pessoas visitam anualmente a região de Fredericksburg, incluindo o parque dos campos de batalha, o centro de visitantes do centro histórico, eventos, museus, lojas de arte, galerias e numerosos locais históricos.

Fredericksburg abriga o complexo comercial Central Park. O Spotsylvania Towne Centre fica no Condado de Spotsylvania, junto aos limites da cidade. Entre os principais empregadores estão a Universidade de Mary Washington, cujo nome homenageia Mary Ball Washington, mãe de George Washington e antiga moradora da cidade, a Mary Washington Healthcare e a GEICO. Muitos moradores da região deslocam-se de carro, ônibus ou trem para trabalhar em Washington e Richmond, bem como nos condados de Fairfax, Prince William e Arlington.

Etimologia A cidade independente de Fredericksburg recebeu esse nome em 1728 em homenagem a Frederico, Príncipe de Gales, filho mais velho do rei Jorge II da Grã-Bretanha. A denominação coincidiu com o esforço da Assembleia Geral da Virgínia para estabelecer um centro comercial formal na linha de queda do Rio Rappahannock, zona de transição a partir da qual o rio deixava de ser navegável para embarcações de maior porte. Antes da colonização inglesa, a região era habitada por povos de língua algonquina associados à Confederação Powhatan e, posteriormente, tornou-se uma fronteira da expansão para o interior a partir da região de Tidewater.

A escolha do local obedeceu a razões práticas. Situada no limite da navegação fluvial, Fredericksburg desenvolveu-se como cidade portuária para a exportação de tabaco e a entrada de produtos manufaturados. Sua função estava ligada sobretudo ao escoamento da produção agrícola, e não ao planejamento urbano ou à administração centralizada. A presença de grandes propriedades rurais nas proximidades, como Ferry Farm, adquirida em 1738 por Augustine Washington, correspondia ao papel da localidade como centro regional.

Durante o período colonial, a cidade desempenhou papel importante na economia e na vida política da Virgínia. Foi residência de várias famílias de destaque, entre elas os Washington, que viveram em Ferry Farm, local da infância de George Washington situado do outro lado do rio.Willard Stearne Randall. George Washington: A Life. Nova Iorque: Henry Holt and Company, 1997, p. 440. . Fredericksburg foi incorporada como vila em 1781 e tornou-se uma cidade independente em 1879, condição jurídica mantida pelo sistema de separação entre cidades e condados da Virgínia. A cidade sofreu destruição considerável durante a Guerra Civil Americana, sobretudo na Batalha de Fredericksburg, em 1862, que provocou efeitos duradouros sobre sua infraestrutura e sua população.John Washington's Civil War, edição de Crandall Shifflett, Louisiana State University Press, 2008.

História thumb|Fredericksburg em março de 1863, vista do outro lado do Rio Rappahannock. À direita está a torre da Igreja Batista de Fredericksburg; mais ao centro, a torre da Igreja de São Jorge; à esquerda, dois edifícios de moinhos no distrito industrial. thumb|Soldados do Exército da União, integrantes do VI Corpo do Exército do Potomac, nas trincheiras antes do assalto a Marye's Heights durante a Segunda Batalha de Fredericksburg, na campanha de Chancellorsville, em maio de 1863. thumb|Soldados feridos recebendo atendimento na Casa Marye, em Fredericksburg, depois da Batalha de Spotsylvania Court House, em 19 de maio de 1864.

Na época do primeiro contato com europeus, os habitantes indígenas da região que viria a se tornar Fredericksburg pertenciam aos Manahoac, povo de língua siuana. Colonos ingleses registraram o nome da aldeia manahoac local como Mahaskahod. Povos siuanos ocupavam grande parte do Piemonte. Nas áreas de Tidewater da planície costeira predominavam povos de línguas algonquinas, integrantes da Confederação Powhatan.

Período colonial Fredericksburg desenvolveu-se à medida que a fronteira da Colônia da Virgínia avançava para oeste, saindo da planície costeira em direção ao Piemonte. A terra onde a cidade foi fundada fazia parte de uma área concedida por patente em 1671. Em 1676, a Assembleia Geral da Virgínia estabeleceu um forte no Rappahannock, pouco rio abaixo da localização atual da cidade. Em 1714, o vice-governador Alexander Spotswood patrocinou um assentamento alemão chamado Germanna, às margens do rio Rapidan, afluente do Rappahannock situado rio acima do futuro núcleo urbano. Em 1716, Spotswood liderou uma expedição exploratória rumo ao oeste, atravessando as Montanhas Blue Ridge.

Com o aumento do interesse pela fronteira, a assembleia colonial criou o Condado de Spotsylvania em 1720, dando-lhe o nome do vice-governador real Alexander Spotswood. Em 1728, Fredericksburg foi declarada porto do condado, do qual então fazia parte. As ruas da vila receberam nomes de parentes de Frederico, Príncipe de Gales, homenageado no nome da localidade. O tribunal do condado foi transferido para Fredericksburg em 1732, e a comunidade funcionou como sede do condado até 1780. Naquele ano, o tribunal foi levado para Spotsylvania Courthouse, mais perto do centro geográfico do Condado de Spotsylvania. Fredericksburg passou então a ser incorporada com tribunal, conselho e prefeito próprios. Em 1879, recebeu uma carta como cidade independente e, de acordo com a legislação da Virgínia, foi separada do Condado de Spotsylvania. A atual forma de governo, administrada por gerente municipal e conselho, foi adotada em 1911.

A cidade mantém fortes vínculos com George Washington, cuja família se mudou em 1738 para Ferry Farm, no Condado de Stafford, junto ao Rappahannock e em frente a Fredericksburg. A mãe de Washington, Mary, mudou-se depois para a cidade, e sua irmã Betty viveu em Kenmore, casa de uma plantação então situada fora dos limites urbanos. Vários moradores participaram ativamente da Revolução Americana (1763–1781). Alguns deles, por exemplo, assinaram as Resoluções de Leedstown, que criaram uma associação de oposição à Lei do Selo na década de 1760. Na década de 1770, Fielding Lewis, proprietário da plantação Kenmore e cunhado de George Washington, também operou uma fábrica de armas para o Exército Continental. Entre outros residentes importantes dos primeiros tempos estavam os generais Hugh Mercer e George Weedon, o herói naval John Paul Jones e o futuro presidente James Monroe. Thomas Jefferson redigiu em Fredericksburg o Estatuto da Virgínia para Liberdade Religiosa.

Século XIX Ao longo do século XIX, continuaram a ser instalados moinhos às margens do Rappahannock, cuja corrente fornecia energia hidráulica. Havia estabelecimentos para moer farinha, processar e tecer algodão e realizar outras atividades manufatureiras. Fredericksburg tentou conservar sua área de influência comercial, mas obteve êxito limitado. A cidade promoveu a construção de um canal no Rappahannock, além de uma estrada com pedágio e uma estrada de pranchas, com o objetivo de ligar o interior ao mercado urbano. Em 1837, uma ferrovia no eixo norte–sul, que viria a se tornar a Richmond, Fredericksburg and Potomac Railroad, já ligava a cidade a Richmond, capital do estado. A muito necessária conexão ferroviária com a região agrícola do oeste só foi concluída depois da Guerra Civil.

Durante a Guerra Civil Americana, Fredericksburg tinha importância estratégica por estar situada como porto a meio caminho entre Washington e Richmond, capitais adversárias da União e dos Estados Confederados. Na Batalha de Fredericksburg, travada de 11 a 15 de dezembro de 1862, a cidade sofreu danos consideráveis causados pelos bombardeios e saques das forças da União.

Durante esse confronto, quase 10 mil pessoas escravizadas deixaram plantações e residências da cidade, atravessaram o Rio Rappahannock em direção ao Condado de Stafford e alcançaram as linhas da União. O episódio fez parte de um movimento mais amplo de fuga da escravidão no Sul durante a guerra."Trail of Freedom", Rappahannock River Heritage Trail, blog da University of Mary Washington. John Washington, um homem escravizado alfabetizado que logo conquistou a liberdade, escreveu posteriormente sobre as pessoas que observavam, do lado de Fredericksburg, a aproximação das tropas da União através do rio: "Não se via ninguém nas ruas além das pessoas de cor, e todas elas pareciam estar no melhor dos humores"."Freedom Just Ahead: The War Within the Civil War", The New York Times, 5 de dezembro de 2007; acesso em 2 de novembro de 2017.

A Segunda Batalha de Fredericksburg foi travada na cidade e em seus arredores em 3 de maio de 1863, durante a campanha de Chancellorsville, ocorrida entre 27 de abril e 6 de maio daquele ano. As batalhas de Wilderness e Spotsylvania Court House ocorreram nas proximidades em maio de 1864. O Washington Woolen Mill, um grande edifício de três pavimentos, foi transformado em hospital durante a guerra.

Depois do conflito, Fredericksburg recuperou sua antiga posição como centro do comércio regional e expandiu-se lentamente para além dos limites anteriores à guerra. Nem a cidade nem os condados vizinhos voltaram a atingir o nível populacional de 1860 antes de uma fase já avançada do século XX. Muitos libertos transferiram-se para Richmond e Petersburg, onde já existiam comunidades negras livres antes da guerra e havia mais oportunidades de trabalho.

Do século XX ao presente No início do século XX, em meio à continuidade das leis de Jim Crow no Sul, ocorreu uma ampla movimentação populacional. Muitos afro-americanos deixaram as áreas rurais sulistas em busca de trabalho e de outras oportunidades nas cidades industriais do Norte e do Meio-Oeste, durante a Grande Migração. Alguns se estabeleceram em Washington, D.C., onde havia mais possibilidades, ou seguiram ainda mais ao norte.

A expansão de instalações de defesa durante a Segunda Guerra Mundial aumentou a população regional na década de 1940. Nos anos 1960, a construção da Interestadual 95, que facilitou o deslocamento diário e o comércio, estimulou uma nova fase de crescimento e desenvolvimento. Na década de 1970, a cidade e seus arredores haviam se tornado uma comunidade-dormitório para empregos no norte da Virgínia e em Washington, D.C. Sedes de órgãos públicos, lobistas, consultores, empresas contratadas para serviços de defesa e do governo, além de diversos outros negócios, integravam uma economia regional fortemente influenciada pelo governo federal dos Estados Unidos. A cidade também se beneficiou da proximidade relativa de quatro instalações militares: a Base do Corpo de Fuzileiros Navais de Quantico, o Fort Belvoir do Exército, a base de Dahlgren da Marinha e o Fort A.P. Hill da Guarda Nacional da Virgínia.