Vibhajjavāda (Pāli; sânscrito: Vibhajyavāda; chinês tradicional: 分別說部; pinyin: fēnbiéshuō-bù), ou Ensino da Análise,See "On the Vibhajjavādins", Lance Cousins, Buddhist Studies Review 18, 2 (2001) era uma designação que especificava algumas tradições budistas iniciais que teriam pertencido a linhagem dos sthaviras (seniores), as quais promoviam a "análise" (vibhajya) como um método fundamental para o desenvolvimento da visão, os "vibhajjavadins" rejeitaram algumas doutrinas da escola sarvastivada durante o período do terceiro concílio budista (cerca de 250 a.C).http://www.philtar.ac.uk/encyclopedia/budsm/dhamma/VIBHAJYAVADA.html Eles rejeitavam a afirmação desta escola de que os dhammas (fenômenos) existem no passado, no presente e no futuro.Sarvastivada ("Doctrine That All Is Real"). Os sarvastivadins enfatizavam que os dhammas (fenômenos) são realidades eternamente existentes. Literalmente, era uma seita que enfatizava a existência de todas as coisas.Taisho, vol. 27, n°1545Sarvastivada. Sarvastivada is an early school of Buddhism that held to 'the existence of all dharmas in the past, present and future, the 'three times'. The Abhidharma Kosa-bhaṣya, a later text, states: "25c-d. He who affirms the existence of the dharmas of the three time periods [past, present and future] is held to be a Sarvastivadin." Desse modo, os vibhajjavadins (kasyapiyas) fizeram distinções entre os dhammas que existem e os que não existem, por isso foram denominados como "aqueles que fazem distinções" ou "analistas" (vibhajja-vadī). Essa corrente distincionista enfatizava a discriminação precisa de todos os fenômenos e de suas intrincadas e dinâmicas relações.http://folhasnocaminho.nalanda.org.br/o-caso-dos-monges-suicidas-do-tibete-3/

Em certo momento é defendido por alguns bhikkhus o conceito de que "os dhammas que existem se referem as ações passadas cujos resultados ainda não amadureceram, os dhammas que não existem se referem as ações passadas das quais as consequências já ocorreram e as coisas do futuro."Vibhajjavada vs. Sarvastivada? 'Those who say that all exists ​— ​the past, the fu­ture, and the present ​—​ are called "They who say that all ex­ists" or Sarvāstivādins.' 'Those who say that some things ex­ist, (such as) past ac­tions of which the re­sult has not ma­tured, and that some do not ex­ist, (such as) those deeds of which the con­se­quences have oc­curred and the things of the fu­ture; mak­ing cat­e­gories (or di­vi­sions), they are called in con­se­quence "They who speak of di­vi­sions" or Vibhajjavādins.' Bhavya I. Essa visão supostamente atribuída aos vibhajjavadins pode ser encontrada no Kathāvatthu, contudo ela é descrita como um dos pontos de vista em discussão, e não se refere a posição adotada pelos vibhajjavadins.Kv.1.8 Of Some of the Past and Future as still Existing Vasumitra concorda em atribuir essa doutrina a seita Kāśyapīya,其 飲 光 部 本 宗 同義. 謂 若 法 已 斷 已 遍知 則無. 未 斷 未 遍知 則 有 若 若 有 有 已 已 已 則無 則無 果 則 有 有 (CBETA, T49, no 2031, p. 17, a27-29) que em alguns casos é considerada como uma das escolas vibhajjavadinsLista sectária de Bhavya I e Abhidharmakośa de Vasubhandhu.若 自 謂 是 說 一切 有 宗 決定 應 實 實 有 去 來世. 以 說 三世 皆 定 實 有 故. 許 是 說 一切 有 宗. 謂 若有 人 說 實 有 有 方 許 彼 是 說 一切 有 宗若 人 唯 說 有 現在 世 及 過去 世 未 與 果 業. 說 無 未來 及 過去 世 已 與 果 業. 彼 可 許 為 分別 說 部 (CBETA, T29, nº 1558, p. 104, b22-27) (embora, segundo as fontes do Mahavamsa,Mahavamsa: The Great Chronicle of Sri Lanka. e o comentário do Kathavatthu,By Shw e Zan Aung, B.A and MRS. Rhys S. Davids, M.A. Points of Controversy or Subjects of Discourse., a translation of Kathavatthu from the Abhiddharma Pitaka. Pali Text Society. Chapter 8 - Of Some of the Past and Future as still Exist, pag. 101. Nota:. "From the Commentary.—The Theravadin by his questions seeks to break down the opinion, held by those seeeders from the Sabbatthivadins known as Kassapika's, that the past survives, as presently existing, in part." os kaśyapīyas fossem dissidentes da escola Sarvastivada). De qualquer modo, essa doutrina não foi adotada pelos vibhajjavadins (mahāvihāravāsins).Vibhajjavada vs. Sarvastivada? Em geral, as fontes do norte atribuíam diferentes pontos de vista aos vibhajjavadins para se referir as doutrinas que fossem especificamente opostas ou divergentes da ortodoxia sarvastivada, mas não com relação aos remotos mahaviharavasins do sul (cingaleses).

São notáveis as concepções distintas sobre a palavra "vibhajjavada". Em algumas fontes do norte, o termo é utilizado frequentemente para se referir a doutrinas divergentes do princípio exposto pela escola Sarvastivada sobre a existência tri-temporal dos fenômenos, esse é um dos casos em que a denominação "vibhajjavadin" é utilizada. As fontes do norte se referem ao termo "vibhajjavādin" para distinguir uma escola representada no norte, mas não pelos cingaleses remotos. Contudo, o ponto mais importante para esse propósito atual é que nem o Vijñānakāya (do Sarvāstivādin Devaśarman) e nem o Kathāvatthu (dos Mahāvihāravāsins) com seu comentário usam o termo "vibhajjavādin" em discussão sobre esta questão, ou seja, esse termo não tem nada a ver com os pontos de vista anteriormente citados. Mas não há motivos particulares para pensar que essas passagens se referem a uma escola claramente definida; de fato, tais visões podem ter sido realizadas por diferentes grupos ou indivíduos.

Nas fontes do sul (Pali), conforme as descrições do Kathāvatthu, a designação "vibhajjavadin" não tem nada a ver com o debate sobre a existência tri-temporal dos fenômenos. Embora seja claro que houve um debate e desentendimento sobre esta questão, não está claro que isso tenha atingido uma divisão sectária naquele momento. O Kathavatthu discute tão somente doutrinas heréticas que haviam naquele período durante o terceiro concílio e se abstém de se referir a pessoas ou a escolas específicas, assim como não assume quaisquer pontos de vista, nesse caso o termo "vibhajjavāda" não se refere as discussões sobre a existência tri-temporal dos fenômenos. O próprio Kathāvatthu não deixa claro se as discussões eram entre diferentes escolas ou simplesmente um debate em curso entre uma comunidade. Portanto, não há razão para pensar que ao se identificarem como "vibhajjavādins", os mahāvihāravāsins (do sul) pretendiam se distinguir dos sarvāstivādins em particular.

Tanto o Vijñānakāya (dos sarvastivadins) como o Katthavathu (dos mahaviharavasins) refutaram a doutrina da "puggala" (pessoa) da escola Puggalavada.Kv. 1.1 Of the Existence of a Personal Entity. Para os vibhajjavadins, os fenômenos não possuem uma "natureza intrínseca", ao invés disso eles analisavam a insubstancialidade e o caráter sobredeterminado dos fenômenos. Em outras palavras, eles acreditavam que todos os fenômenos surgem devido a causas e condições.http://palikanon.com/english/wtb/u_v/vibhajja_vaada.htm Diversos pontos de vista heréticos foram analisados por Moggaliputta Tissa TheraMoggaliputta-Tissa Thera. Presidente do Terceiro Concílio Budista. que presidiu o terceiro concílio convocado pelo imperador mauria Asoka, por volta de 250 a.C, na cidade de Pataliputra (a moderna Patna) e podem ser encontrados no Kathavatthu ("Pontos de Controvérsia"), contido na quinta seção do Abhidharma Pitaka, o terceiro cesto do Canône Pali.Michael Beisert. Budismo Theravada. Uma Cronologia Histórica "...no sul da Índia a escola de pensamento predominante era a "Vibhajjavada" que acabou se estabelecendo no Sri Lanka com a denominação Theravada." Consultado em 02 de agosto de 2017.https://suttacentral.net/kv

Nomenclatura e Etimologia A palavra "vibhajya-vāda" vem do sânscrito (onde vibhajya significa: "dividir", "distinguir" ou "analisar" + vāda: "doutrina" ou "ensinamentos").

Os vibhajyavādins não são registrados uniformemente pelas antigas tradições budistas como sendo uma seita distinta, nem são associados a algum período de tempo. Não há um consenso entre os estudiosos sobre se os vibhajjavadins eram adeptos de alguma seita ou faziam parte de um agrupamento de seitas durante aquela época, mas não há nenhuma referência a respeito de uma escola "Vibhajjavada" descrito no Kathavatthu. Segundo Andrew Skilton, a análise dos fenômenos (skt. dharmas) era a ênfase e preocupação doutrinária principal dos vibhajyavādins.

Terceiro Concílio Budista [Pataliputra II] (250 a.C)

De acordo com a tradição Theravada, por volta de 250 a.C, em Pataliputra (a moderna Patna) foi convocado o terceiro concílio budista presidido por Moggaliputta Tissa TheraMoggaliputta Tissa e patrocinado pelo imperador mauria Asoka. A razão tradicional para a realização deste concílio foi para livrar a sangha da corrupção e dos falsos monges que detinham pontos de vista heréticos.

À vista disso haviam certos monges que adotavam alguns pontos de vista contraditórios, essas doutrinas permaneceram como parte de algumas escolas budistas que se desenvolveram após o terceiro concílio. Este concílio é reconhecido tanto por fontes mahayana como theravada, embora sua importância seja significativa apenas para este último.A detailed account in Chinese of the 3rd Buddhist Council is found starting at line T24n1462_p0678b01(00) of the 善見律毘婆沙. As questões que seriam tratadas durante o concílio eram de natureza doutrinária, o que resultou na compilação do Kathavatthu (Pontos de Controvérsia) pelo venerável Mogaliputta Tissa para refutar uma série de heresias e garantir que o Dhamma fosse mantido "puro".

O imperador Asoka teria perguntado aos monges suspeitos o que o Buda havia ensinado e estes responderam com pontos de vista sobre o eternismo e entre outras ideias que são rechaçadas no Brahmajala Sutta.Digha Nikaya 1 - Brahmajala Sutta Posteriormente, ele fez a mesma pergunta aos monges virtuosos e eles responderam que o Buda era um "analista" ou um "professor discriminador" (vibhajjavādin), essa resposta foi confirmada por Mogaliputta Tissa. Esse termo é usado em vários sentidos, e não está claro exatamente o que isso significou naquele contexto. Tradicionalmente, no entanto, os theravadins do Sri Lanka e outras escolas continentais do Budismo Antigo identificaram-se como Vibhajjavada.

Algumas doutrinas que não foram incluídas entre os vibhajjavadins (mahaviharavasins) foram adotadas pelos mahāsāṃghikas, pelos sammitīyas (remanescente da escola Puggalavāda) e pelos sarvastivadins que foram considerados como possuindo "visões equivocadas", conforme os pontos de vista descritos na seção do Kathavatthu (do Abhidharma Pitaka "Theravada").The Buddhist Way of Life: Its's Philosophy and History. This short survey of the first four Buddhist Councils or Conferences indicates that four chief schools held the field: (1) Theravadins; (2) Mahasanghikas; (3) Sammitiyas; (4) Sarvastivadins. "...(1) Theravadins: '...Two other names for this school are Sthaviravadins and Vibhajjavadins.'" A doutrina atribuída aos kasyapiyas também foi discutida no Kv 1.8 como um dos pontos de vista que não foram adotados pelos vibhajjavadins do Sri Lanka (mahaviharavasins).

Visões Sectárias

Os mahāsāṃghikas e os sammitīyas acreditavam de modos diferentes a respeito de como surgiram os vibhajjavadins. Segundo os mahāsāṃghikas, os vibhajjavadins emergiram a partir do cisma radical do budismo que deu origem aos sthaviras, aos mahāsāṃghikas e aos vibhajyavādins, Para os sammitīyas, os vibhajjavadins se desenvolveram a partir da escola Sarvastivada.