, ou simplesmente Bashō, foi o poeta mais famoso do período Edo no Japão. Durante sua vida, Bashô foi reconhecido por seus trabalhos colaborando com a forma haikai no renga. Atualmente, após séculos de comentários, é reconhecido como um mestre da sucinta e clara forma haikai. Sua poesia é reconhecida internacionalmente e dentro do Japão muitos dos seus poemas são reproduzidos em monumentos e locais tradicionais. Foi ele quem codificou e estabeleceu os cânones do tradicional haikai japonês.

Bashō foi introduzido à poesia em tenra idade e, depois de integrar-se na cena intelectual de Edo (nome antigo da cidade atual de Tóquio), rapidamente se tornou conhecido em todo o Japão. Ganhava a vida como professor, mas renunciou à vida urbana e social dos círculos literários e ficou inclinado a vagar por todo o país, rumo ao oeste, leste e distante ao deserto do norte para ganhar inspiração para seus escritos e haiku. Seus poemas são influenciados por sua experiência direta do mundo ao seu redor, muitas vezes englobando o sentimento de uma cena em alguns poucos elementos simples.

Biografia thumb|left|Suposto local de nascimento de Bashō na província de Iga. Bashō nasceu em torno de 1644, em algum lugar perto de Ueno na província de Iga.Kokusai 1948, p. 246 O pai dele pode ter sido um Samurai de baixa hierarquia, o que oferecia a Bashō uma carreira militar, mas não muita chance de uma vida notável. Tradicionalmente os biógrafos tem afirmado que ele trabalhava na cozinha.Carter 1997, p. 62 No entanto, Bashō quando criança se tornou um pajem de , que compartilhava com Bashō um amor pela haikai no renga, uma forma de composição poética cooperativa. As sequências eram abertas com um verso no formato mora 5-7-5. Esse verso foi nomeado um hokku, e mais tarde seria rebatizado para haiku quando apresentado como obra autônoma. O hokku seria seguido por uma adição 7-7 ligada por outro poeta. Bashō e Yoshitada passaram a usar o nome artístico ou haikai. Bashō era , que era simplesmente a leitura on'yomi de seu nome samurai de . Em 1662 o primeiro poema existente por Bashō foi publicado. Em 1664 dois de seus hokku foram impressos em uma compilação e em 1665 Bashō e Yoshitada compuseram um renku de cem versos com alguns conhecidos.

A morte súbita de Yoshitada em 1666 encerrou a vida pacífica de Bashō como um pajem. Nenhum registro restou sobre essa época, mas acredita-se que Bashō desistiu da possibilidade de adquirir o status de samurai e saiu de casa.Ueda 1982, p. 21. Os biógrafos têm proposto vários motivos e destinos, incluindo a possibilidade de um romance entre Basho e uma miko xintoísta chamada , o que é pouco provável para ser verdade.Okamura 1956 As próprias referências de Bashō sobre esse tempo são vagas. Ele lembrou que "ao mesmo tempo eu cobicei um posto oficial e a posse de terra" e que "houve um tempo em que eu fiquei fascinado com as formas de amor homossexual", mas não há indicação se ele estava se referindo à obsessão real ou à ficção.Ueda 1982, p. 22. Estava indeciso quanto a tornar-se um poeta em tempo integral. De acordo com seu próprio relato, "as alternativas digladiavam-se em minha mente e fizeram minha vida agitada".Ueda 1982, p. 23. Sua indecisão pode ter sido influenciada pelo status então ainda relativamente baixo de renga e haikai no renga mais como atividades sociais do que sérios esforços artísticos.Ueda 1982, p. 9. Em qualquer caso, seus poemas continuaram a ser publicados em antologias em 1667, 1669 e 1671 e ele publicou a sua própria compilação de seus trabalhos e de outros autores da escola Teitoku, , em 1672. Por volta da primavera do mesmo ano ele se mudou para Edo, para continuar seu estudo da poesia.Ueda 1992, p. 29

Nos círculos da moda literária de Nihonbashi, a poesia de Bashō foi rapidamente reconhecida por seu estilo simples e natural. Em 1674 ele foi introduzido no círculo íntimo da profissão haikai, recebendo ensinamentos secretos de Kitamura Kigin (1624-1705).Carter 1997, p. 62. Ele escreveu este hokku numa homenagem irônica ao Shogun:

kabitan mo / tsukubawasekeri / kimi ga haru O chefe holandês, também, / se ajoelha, / primavera a meu Senhor.

Autodenominou-se com o haigō de Tōsei e por volta de 1680 teve um trabalho em tempo integral ensinando vinte discípulos, que publicaram , anunciando sua ligação ao talento de Tōsei. Naquele inverno, tomou a surpreendente decisão de mudar-se para o outro lado do rio até Fukagawa, longe dos olhos do público e para uma vida mais reclusa.Carter 1997, p. 57 Seus discípulos construíram uma cabana rústica para ele e plantaram uma no quintal, dando a Bashō um novo haigō e sua primeira casa permanente. Ele apreciou muito a planta, mas não estava satisfeito ao ver a miscanto nativa de Fukagawa crescendo junto com ela:

bashō uete / mazu nikumu ogi no / futaba kana pela minha nova bananeira / o primeiro sinal de algo que eu detesto-/ um broto de miscanto!

Apesar de seu sucesso, Bashō cresceu insatisfeito e solitário. Começou a praticar meditação zen, mas não parece ter acalmado sua mente.Ueda 1982, p. 25. No inverno de 1682 sua cabana incendiou-se e pouco depois, no início de 1683, sua mãe morreu. Em seguida, ele viajou para Yamura para ficar com um amigo. No inverno de 1683 seus discípulos lhe deram uma segunda cabana em Edo, mas seu temperamento não melhorou. Em 1684 seu discípulo Takarai Kikaku publicou uma compilação dele e de outros poetas, .Kokusai 1948, p. 247 Mais tarde naquele ano, deixou Edo para a primeira de quatro grandes peregrinações.Ueda 1992, p. 95.

É dessa época (1685) seu haikai mais célebre, No antigo lago, e também o seu livro mais famoso, Sendas de Oku.

Em sua última viagem, Bashō adoece em Osaka, antes de chegar ao local destinado, (Kiushu), e morre no dia 28 de novembro de 1694. Seu último haikai fala de sua jornada poética:

"tabi ni yande yume wa kareno wo kakemeguru"

"Doente em viagem sonho em secos campos Ir-me enveredar"

Obras Minashiguri (1684) - Antologia de versos Nozarashi Kikô (1685) - Um relato de viagem Sumidawara (1694) - Última antologia de versos do poeta, publicada por seus discípulos.

Bibliografia PIMENTEL, Luís Antônio. Gênese do Haicai. In, SAUERBRONN, Vinícius. Poesia, Budismo, Haicai. Niterói: Editora Ferraz, 1998. LEMINSKI, PAULO. Bashô, 1983.

Notas – Bashō (松尾芭蕉) - árvore semelhante à bananeira, foi registrado com o nome de Kinkasu. Foi daí que o poeta adotou o seu "haigo" (pseudônimo poético).

- Publicado em 1702, o livro baseia-se em uma viagem realizada por Bashō durante a primavera e o outono de 1689, de Edo à região de Oku. A viagem durou 156 dias, percorridos a pé.

Referências bibliográficas "Uma poesia delicada e telegráfica", por André Cunha, professor de japonês do Unilínguas - Instituto de Línguas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, para a revista História Viva - "Japão 1: 500 anos de história, 100 anos de imigração", Editora Duetto, março de 2008.

Ligações externas

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