Finley Peter Dunne (Chicago - ) foi um humorista, jornalista e editor estadunidense, um dos mais importantes cronistas da imprensa americana no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Era casado com a golfista Margaret Abbott, campeã da modalidade nos Jogos Olímpicos de 1900.

Em 1898, publicou Mr. Dooley in Peace and in War, sua primeira coletânea das crônicas de Mr. Dooley, que podiam ser lidas em diversos jornais do país."Literary Notes." The Independent. New York: March 16, 1899; Vol. 51, Iss. 2624. 771. A coluna de Dunne tornou-se tão popular e influente que era lida toda semana nas reuniões do gabinete da Casa Branca.Fanning, Charles. Finley Peter Dunne & Mr. Dooley: The Chicago Years. Lexington: The University Press of Kentucky. 1978. 199.

Escrito para dar a ideia de que o personagem falava com o vocabulário denso e o sotaque de um imigrante irlandês do Condado de Roscommon, o fictício Mr. Dooley dissertava sobre as questões políticas e sociais da época diretamente de trás do balcão de seu pub na Zona Sul de Chicago.Dunne, Finley Peter. Mr. Dooley in Peace and in War.Boston: Small, Maynard & Company. 1898. vii-xiii O humor astuto e a perspicácia política de Dunne conquistaram o apoio até mesmo do presidente Theodore Roosevelt, apesar deste ser um alvo frequente de suas farpas.Gibson, William M. Theodore Roosevelt Among the Humorists: W.D. Howells, Mark Twain, and Mr. Dooley. Knoxville: University of Tennessee Press. 1980.

Carreira e influência

Peter Dunne (que mais tarde adotou como primeiro nome Finley, o sobrenome de solteira de sua mãe) era um filho de pais imigrantes irlandeses nascido e criado em Chicago. Seu pai, também chamado Peter, era carpinteiro , enquanto sua mãe Ellen era muito instruída e criou para seus filhos um ambiente voltado aos livros.

Começou a trabalhar para jornais ainda na adolescência. No final do século XIX, ele e Eugene Field ganharam destaque pelas colunas humorísticas que publicavam separadamente no Chicago Daily News. Dunne também continuou sua carreira como repórter, cobrindo política frequentemente e passando por uma série de jornais de Chicago.

Infância e início de carreira Peter possuía um irmão gêmeo de nome John, que morreu ainda criança. Era o quinto dos sete filhos da família Dunne que chegaram à fase adulta. Reconhecendo seu potencial, os pais o enviaram para o ensino médio, sendo o único dos a frequentá-lo. No entanto sua mãe, que havia contraído tuberculose quando ele terminava o ensino fundamental, faleceu da doença enquanto o filho estudava na West Division High School. Sem conseguir se concentrar nos estudos após a perda da mãe, Dunne terminou em último lugar na sua turma, embora tenha se destacado na sociedade literária da escola e como debatedor. Ele havia seguido o currículo de preparação para a universidade durante seu período na West Division, mas suas notas baixas arruinaram esses planos. Então conseguiu um emprego como contínuo no Chicago Telegram, onde ingressou em 1884, pouco antes de completar 17 anos.

Por meio de seus parentes e por ser nativo da região, Dunne conhecia muito bem os tribunais de polícia e os quartéis de bombeiros locais. Quando os superiores perceberam que ele sabia escrever muito bem, o promoveram a repórter e o enviaram para cobrir o departamento de polícia. Seu talento ficou claro para os jornais concorrentes que examinavam as páginas do Telegram. Foi ai que Harry Ten Eyck White, editor-chefe do Chicago Daily News, o atraiu em 1885 propondo um aumento salarial. O Telegram mal conseguia pagar as contas, enquanto o Daily News era, de longe, o jornal de maior sucesso na região. Em vez de editoriais longos, White preferia comentários espirituosos que variavam de uma frase a um parágrafo de extensão, e deu treinamento a Dunne nesse estilo. Alguns elementos de sua experiência no Daily News podem ter ecoado em suas crônicas posteriores de Mr. Dooley. White, um humorista de destaque local e fã de corridas de cavalos, havia inventado um personagem, "o repórter de cavalos", e havia escrito uma série de esquetes sobre uma família irlandesa que vivia na Archer Avenue, o futuro lar de Dooley. Também na equipe do Daily News estava Eugene Field, um poeta e humorista e, facilmente, o jornalista mais bem pago de Chicago desde a década de 1880 até sua morte em 1895. O trabalho de Field tendia a não gerar polêmicas, contrastando com as crônicas de Dooley, mas o sucesso de Field provou que o humor jornalístico podia dar lucro.

White designou Dunne para as notícias gerais e também permitiu que ele escrevesse reportagens especiais, o que ele preferia, pois não gostava do trabalho de campo exigido no jornalismo geral. Em algum momento antes de 1886, Dunne adotou o sobrenome de solteira de sua mãe como seu nome do meio e, em 1888, inverteu os dois nomes, passando a se chamar Finley Peter Dunne.

A cidade estava, nessa época, louca por beisebol devido ao sucesso do Chicago White Stockings e, na primavera de 1887, o Daily News começou a cobrir os jogos, ao invés de apenas divulgar o placar final. White escalou Dunne para isso. Tanto nos jogos em casa quanto nas viagens, ele enviava comentários, geralmente sobre as primeiras seis entradas, o máximo que podia ser composto em tipos mecânicos antes da edição das seis horas, a última do dia (os placares das entradas posteriores eram gravados diretamente na placa de impressão). De acordo com James DeMuth em seu livro sobre humoristas da imprensa de Chicago, Dunne juntamente com Charles Seymour, repórter esportivo do Chicago Herald, "moldou amplamente os formatos modernos do jornalismo esportivo americano". Em vez de resumos secos, como era comum até então, ambos adotaram as gírias dos jogadores de beisebol como termos técnicos. Um termo cuja criação é creditada a Dunne é southpaw (canhoto) para descrever um arremessador que lança com a mão esquerda; no estádio do White Stockings o arremessador ficava de frente para o oeste ao lançar em direção à base; assim, ele arremessava com o braço do lado sul (south). Dunne não era fã de beisebol e via que muitos jogadores eram musculosos, mas ignorantes; isso faria com que Mr. Dooley comentasse sobre a carreira de um jovem jogador: "as frações o expulsaram da escola, e as leis contra a vadiagem o empurraram para o beisebol".

Em janeiro de 1888, Dunne foi contratado pelo Chicago Times, deixando o Daily News. O Times estava em declínio desde a morte de seu antigo editor, Wilbur F. Storey e a nova administração buscava revitalizar sua equipe tirando profissionais de outros veículos. Dunne viu ali um potencial de grande avanço profissional em um ano eleitoral. Charles Fanning, que viria a ser seu biógrafo, considerou a cobertura de Dunne das convenções nacionais, tanto a republicana quanto a democrata, como "brilhante". Seu sucesso nessa cobertura o levou a ser promovido a editor, embora tivesse apenas 21 anos.

Outras conquistas Dunne foi editor de Cidade no Times por menos de um ano antes de sair para assumir um cargo no Chicago Tribune. Durante esse período, o Times publicou uma série de textos contendo dialeto irlandês, embora a autoria não possa ser atribuída a Dunne com certeza, pois não traziam assinatura. Foi enquanto ocupava esse cargo que conseguiu seu maior furo jornalístico: desvendar o caso Cronin. Alexander Sullivan, líder local da Clan-na-Gael, uma organização republicana irlandesa, estava pegando fundos emprestados da organização para especulação de mercado, algo a que um dos membros, o médico John Patrick Cronin, se opunha firmemente. Posteriormente, dr. Cronin desapareceu após entrar no veículo de homens que disseram que os serviços dele eram necessários. Poucos deram muita importância à sua ausência até que Dunne soube da situação da Clan, que havia escapado da atenção da imprensa. Dunne pressionou por uma investigação sobre o desaparecimento de Cronin, e o detetive Daniel Coughlin foi designado pelo Departamento de Polícia para acompanhar o caso. Ele trabalhou por pouco tempo no incidente antes de anunciar que não havia evidências de crime, e manteve sua indolência mesmo depois que o corpo do médico foi descoberto brutalmente espancado. Dunne ficou desconfiado do policial e mandou vigiá-lo. Por meio de contatos, descobriu que Coughlin havia alugado um cavalo e uma carruagem que correspondiam à descrição daquela que havia levado Cronin, e mandou parar as prensas. Coughlin foi preso, mas sua condenação por homicídio foi revertida após um recurso, e ele foi absolvido em um novo julgamento. Apesar do furo bombástico, Dunne foi forçado a deixar o Times devido a uma disputa de poder entre os editores. Seu cargo seguinte no Tribune, como repórter, foi um rebaixamento.

Por volta desta época da mudança de emprego, ele e outros jovens jornalistas de Chicago fundaram o Whitechapel Club, batizado em referência ao local dos crimes do famoso serial killer inglês Jack, o Estripador. O clube chamava a atenção por suas ações extravagantes, incluindo duas campanhas eleitorais satíricas para a prefeitura de Chicago e a cremação à meia-noite de um membro que havia cometido suicídio, um evento amplamente coberto pelos jornais. O clube servia de espaço para discussões políticas francas entre membros que, no geral, eram muito mais progressistas do que seus patrões, e os jovens jornalistas criticavam abertamente os textos uns dos outros. Dunne era um dos que se especializavam em rebaixar os pretensiosos, exatamente como Mr. Dooley faria nos anos seguintes. Fanning, constatou que a experiência no Whitechapel foi crucial para o desenvolvimento de Dunne como pensador e escritor.

Seis meses no Tribune renderam a Dunne uma promoção a editor da edição de domingo, no início de 1890. Isso o livrou da rotina cansativa do plantão diário de repórter, da qual ele não gostava. Antes do fim daquele ano, mudou de emprego novamente, dessa vez para o Chicago Herald, onde o editor John R. Walsh e o diretor de redação James W. Scott estavam montando uma equipe composta principalmente por jornalistas mais jovens e entusiasmados, incluindo Seymour, o antigo colega de Dunne na época da cobertura do basebol. Vários membros do Whitechapel estavam lá, assim como o futuro político e diplomata Brand Whitlock, que mais tarde escreveu: quando eles convenceram "Pete" Dunne a vir do Tribune, a equipe pareceu completa. Outro motivo pelo qual Dunne aceitou trocar de jornal foi a oportunidade de realizar reportagens políticas.

Embora contratado como repórter e não como editor, a experiência e a competência de Dunne rapidamente o colocaram em uma posição de destaque na equipe do Herald. Realizou a cobertura política, trabalhando nas convenções democrata e republicana de 1892. No entanto, também foi obrigado a fazer trabalhos que considerava menos interessantes. Theodore Dreiser, na época ainda um jovem repórter, foi escalado com Dunne para cobrir uma convenção de floristas, e notou que o colega parecia desprezar não apenas o evento, mas o fato de ter sido designado para estar ali. Apesar de sua afetada indiferença durante essas tarefas, ainda assim entregava textos brilhantes.