Fernando de Castro Velloso (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1941) é oficial do Exército da Arma de Engenharia reformado com proventos de General de Divisão, engenheiro civil e militar, mestre em Engenharia de Sistemas, professor e escritor brasileiro.

Velloso começou sua carreira militar e de engenharia em fevereiro de 1960 quando entrou na Academia Militar das Agulhas Negras - AMAN, graduando-se Aspirante-a-Oficial da Arma de Engenharia em 20 de dezembro de 1962 –Turma Duque de Caxias. Exerceu inúmeras funções de destaque ao longo de sua vida militar, particularmente na construção da estrada BR-163 (Cuiabá - Santarém), no Instituto Militar de Engenharia – como professor em cursos de Graduação e de Mestrado –, no Centro de Processamento de Dados, na Diretoria de Informática, na Comissão de Locação e Nivelamento da Ponte Rio-Niterói (EB/DNER) e, no Estado-Maior do Exército, como Assessor do Ministro do Exército no Conselho Nacional de Informática e Automação – CONIN, conselho este criado pela Lei 7.232/84, que dispõe sobre a Política Nacional de Informática. Em 1970 graduou-se Engenheiro Civil e Militar no Instituto Militar de Engenharia – IME, optando, então, por transferir-se para o Quadro de Engenheiros Militares – QEM e em 1979 concluiu o mestrado em Engenharia de Sistemas / Informática, também no IME, ocasião em que apresentou a dissertação intitulada “O emprego da aritmética de números p-ádicos e do código de Hensel na computação de pseudo-inversas de matrizes”. Concluiu curso da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG em 1983. Frequentou seminários de hardware e software na International Business Machines – IBM, nos Estados Unidos, em 1984.  Como Diretor Executivo e Presidente do Conselho Diretor da Associação da Turma Duque de Caxias - ATUDUCAX, associação sem fins lucrativos que congrega famílias de concludentes da Academia Militar das Agulhas Negras de 1962; para ela Velloso propôs brasão e canção, todos muito significativos. Organizou e editou (projeto, redação e arte) o Almanaque Atuducax, em 2012, publicação que atualizou em cinco edições sucessivas, tendo lançado a última em 2022, ano em que sua Turma na Academia Militar das Agulhas Negras completou 60 anos de formatura. Responsável pela edição da página da ATUDUCAX na Internet. Dedicou-se ao estudo da língua portuguesa a partir de 1963, quando ingressou no curso de Pedagogia na Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de União da Vitória, integrante da Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR. Em 2009 concluiu pós-graduação em Língua Portuguesa pela Universidade Castelo Branco – UCB/RJ, tendo apresentado como dissertação “O significado dos signos em níveis lexicais, frasais e textuais”.

Principais trabalhos na área de Engenharia

Rodovia BR 163 – Cuiabá-Santarém Nos anos de 1971 e 1972 Velloso foi o engenheiro chefe da implantação da topografia na construção da estrada BR-163 - Cuiabá-Santarém, no trecho de 800 quilômetros de Cuiabá (MT) a Cachimbo (PA).

A estrada BR-163 Cuiabá- Santarém foi concebida como parte do programa para integrar a Amazônia ao território brasileiro, no início dos anos 70. Teve como objetivo promover a expansão da agropecuária e a ocupação de grande vazio demográfico. Confiada a dois batalhões de Engenharia do Exército Brasileiro, em sua implantação atravessou a riqueza da biodiversidade da região – decorrente da coexistência de diferentes biomas – e três grandes bacias hidrográficas – rios Teles Pires-Tapajós, Rio Xingu e Rio Amazonas – que drenam a região. No seu texto “Cuiabá – Santarém: Uma estrada rasgando a floresta”, publicado na Revista da Cultura nº 26, de março de 2016, da Fundação Cultural Exército Brasileiro – FUNCEB, Velloso apresenta aspectos ligados à locação da estrada e comenta a respeito de seu momento atual, apresentando informações valiosíssimas sobre a construção da Cuiabá-Santarém, como síntese de trabalho de maior amplitude que publicara na Revista “A Defesa Nacional”, da Biblioteca do Exército, na edição nº 647 de jan/fev de 1973.

O Boletim Interno de 14 de dezembro de 1972 do 9º Batalhão de Engenharia de Construção publicou: “ (...) Foram dias memoráveis aqueles que marcaram o trabalho ingente das Frentes de Topografia, quando a Unidade, com o Cap VELLOSO como planejador e executor, procurava a todo custo, implantar no terreno o anteprojeto da LASA, ligando por terra Cuiabá a Cachimbo (...); foram dias marcados por fatos inesquecíveis e que passaram para a história da própria Unidade. A conquista das frentes do Caiabi e do Renato, a abertura da Frente de Cachimbo; os incidentes com os índios, a malária, o lançamento de paraquedistas, numa operação aéreo-terrestre para a recuperação do campo de pouso do Teles Pires, que deu condições para a abertura da Frente do Renato, o avanço sempre e sempre, apesar das chuvas e de todos os obstáculos, a subida e a descida da Serra do Cachimbo, a travessia dos rios, a alegria esfuziante enfim do encontro das turmas do Sul e do Norte, materializando a conclusão do trabalho, a conquista do objetivo. Esses fatos passaram a fazer parte de nós mesmos dada a intensidade com que foram gravados em nossa sensibilidade. O Cap Velloso deve se orgulhar de todos esses feitos, pois poucos brasileiros terão o privilégio de poder contar a seus filhos o que foi essa jornada épica da qual foi o principal protagonista (...) – TC Eng QEMA JOSÉ MEIRELLES – Comandante do 9º Batalhão de Engenharia de Construção.Boletim Interno de 14 de dezembro de 1972 do 9o. Batalhão de Engenharia de Construção - 4a. parte.

Ponte Rio-Niterói Tendo sido designado engenheiro do escritório da Comissão Especial de Locação e Nivelamento da Ponte Rio-Niterói – COSELP, por força de convênio assinado entre o então Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – DNER e o então Ministério do Exército, Velloso foi o chefe daquela comissão em 1973 e 1974, até a data de sua inauguração, a 4 de março de 1974, na ocasião a terceira maior ponte do mundo em extensão. A respeito dessa grandiosa obra, publicou, em 1974, no Instituto Militar de Engenharia – IME, o livro "Os trabalhos da Comissão Especial de Locação da Ponte Presidente Costa e Silva – Ponte Rio-Niterói" e, posteriormente, na iminência de a obra completar 40 anos, Velloso publicou, em maio de 2013, o trabalho “Ponte Rio-Niterói, um marco em nossa engenharia”, na Revista da Cultura nº 21, da Exército Brasileiro – FUNCEB.

Delimitação Geodésica de Grande Fazenda na Região Amazônica Levantamento e determinação dos exatos limites de uma fazenda na Amazônia, com área de 315.871ha – equivalente a cerca de 15% de todo o estado de Sergipe – sobre cartografia matemática, apoiada em campo em determinações geodésicas (coordenadas a partir de rastreamento doppler de satélites) e, no gabinete, por interpretação de imagens de radar e fotografias aéreas.

Docência Velloso dedicou grande parte de sua vida à cultura e à arte de ensinar. Foi Diretor Cultural do Círculo Militar da Praia Vermelha, Diretor da Revista da Sociedade Brasileira de Cartografia, Diretor Cultural e da Revista da Associação dos Diplomados do Instituto Militar de Engenharia – ADIME, nos anos de 1969 e 1970 e Assessor Técnico da Diretoria do Clube Militar, em 1978 e 1979. Em docência, na área de engenharia, atuou como professor na graduação e na pós-graduação em engenharia de sistemas no IME. Na graduação lecionou as disciplinas de geodésia, astronomia, estradas, cálculo numérico, cálculo das compensações, computação eletrônica e lógica matemática, tendo publicado “Geodésia”, como suporte a suas palestras. Na pós-graduação, lecionou lógica matemática. Constituiu, ao lado dos eméritos professores César Dacorso Netto – PhD UFF e Luiz Oswaldo Teixeira da Silva – DC IME, a banca que examinou a tese “Tópicos Combinatórios nas Configurações Geométricas”, apresentada com êxito por Alzira Ramalho de Assumpção, para obtenção de título de Mestre-em-Ciências em Engenharia de Sistemas. Foi também professor no curso de engenharia civil na Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT, nas disciplinas de aerofotogrametria, mecânica dos fluidos e cartografia matemática; lançou nesta época o trabalho “Emprego da Imagem de Radar e do Posicionamento Geodésico por Satélites como Contribuição Imediata ao Mapeamento Sistemático na Escala 1:100.000”, editado pelo Instituto Militar de Engenharia e apresentado em congresso promovido pela Sociedade Brasileira de Cartografia. Atuou no curso de arquitetura na Universidade Santa Úrsula no Rio de Janeiro, na disciplina de topografia, onde lançou a obra “Topografia” em dois volumes. Na Diretoria de Processamento de Dados (DPD) / Diretoria de Informática do Exército (DInfo) apresentou propostas para reformulação dos currículos das disciplinas na área de Processamento de Dados/Informática na, Academia Militar das Agulhas Negras - AMAN, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais - EsAO e na Escola de Comando e Estado Maior do Exército - EsCEME, tendo apresentado palestras nessas escolas como chefe de RH do órgão encarregado do assunto, ocasião em que lançou (1982) o livro “Computador, o que tem a me dizer?”, abordando aspectos das linguagens de computação mais utilizadas à época.

Nos anos 1982 e 1983, foi o coordenador dos cursos de Análise de Sistemas e de Programação de computadores ministrados na Fundação Centro de Formação do Servidor Público - FUNCEP, em Brasília, que, na evolução (1986), originou a Escola Nacional de Administração Pública – ENAP. Nessa época, Velloso teve publicado, pela Associação Nacional de Fundações Públicas - ANFUP (associação formada pela FUNCEP e mais treze filiadas distribuídas por capitais no Brasil), seu livro "Tópicos em Processamento de Dados".