Medicina evolutiva ou medicina Darwiniana é um campo de aplicação da teoria da evolução que busca entender a saúde e a doença na modernidade. As pesquisas e práticas médicas habitualmente concentram-se nos mecanismos moleculares e fisiológicos subjacentes às doenças e mais recentemente em evidências clínicas obtidas em estudos clínicos, enquanto a medicina evolutiva busca compreender a moldagem desses mecanismos e a intrínseca vulnerabilidade a doenças que os seres humanos possuem. A abordagem evolutiva da medicina tem impulsionado avanços importantes na compreensão do câncer, de doenças autoimunes e da anatomia geral do corpo humano. A integração da medicina evolutiva nas universidades tem sido um lento processo, devido às limitações curriculares que as instituições apresentam.
Histórico right|thumb|182px|Charles Darwin Charles Darwin não envolveu a medicina em seu trabalho evolutivo. No entanto, inúmeros biólogos apreciam a teoria dos germes e suas implicações para a compreensão dos agentes patogênicos, bem como a necessidade de um organismo de defender-se contra eles. A medicina, por sua vez, ignorou a evolução e, em vez disso, concentrou-se em causas mecânicas.
O biólogo evolucionista foi primeiro cientista a aplicar a teoria evolutiva no contexto da saúde, em função da senescência, abstract isto é, o processo natural de envelhecimento ligada às células e aos processos envolvidos. Na década de 1950, o psicólogo John Bowlby abordou o desenvolvimento infantil desordenado a partir de uma perspectiva evolucionista. O etologista Nikolaas Tinbergen foi responsável pelo desenvolvimento teórico em relação à etologia dos mecanismos evolutivos e suas relações com outros fatores. Os livros "Evolutionary Biology and the Treatment of Signs and Symptoms of Infectious Disease" (1980), de Paul Ewald, e "The Dawn of Darwinian Medicine" (1991), de William Nesse, contribuíram para a relação médica-evolucionista moderna.
O etologista Randolph M. Nesse foi responsável pelo desenvolvimento teórico em relação à etologia dos mecanismos evolutivos e suas relações com outros fatores. O biólogo evolucionista resumiu a importância da evolução para a medicina:
Adaptações humanas Restrições AS adaptações só podem ocorrer se forem evolutivas. Adaptações que limitam a saúde não são, portanto, possíveis de ocorrência. O DNA não pode ser totalmente impedido de sofrer mudança ou replicação. Como exemplo, o câncer, que ocorre por mutações somáticas, não foi completamente eliminado da seleção natural Os seres humanos não podem biossintetizar a vitamina C. Portanto, correm o risco de adquirir escorbuto, doença causada pela ingestão dietética insuficiente da vitamina C Os neurônios que trabalham com o sistema óptico, evoluíram para dentro de células com camadas pigmentadas. Criou-se, portanto, uma restrição na evolução do sistema óptico, de modo que o nervo óptico é obrigado a sair da retina pelo disco óptico. Por sua vez, cria-se um ponto cego dentro da região ocular. Portanto, o risco de glaucoma, doença que aumenta a pressão do olho, está vulnerável a um possível aumento. Em seguida, a danificação do nervo óptico causa danos à visão
Trocas e conflitos de substâncias Nas mulheres, houve eficiência e melhora do tamanho do canal do parto Encefalização e mudança do tamanho do intestino Proteção da pigmentação da pele contra raios ultravioleta, além da síntese de vitamina D na pele
Competição genética Suscetibilidade às doenças, sejam sexuais ou não, devido a escolha do parceiro Conflito intragenômico entre a mãe e o feto, resultando em pré-eclâmpsia
Acometimentos evolutivos Durante a evolução humana, os seres evoluíram para viver como caçadores e coletores em tribos. Os tempos passaram e esta mudança de comportamento ligado à modernidade, trouxe suscetibilidade aos humanos, dando origem a uma série de doenças caracterizadas como "doenças da civilização". O homem evoluiu para desfrutar dos recursos disponíveis no meio-ambiente.
Mudanças na dieta Em contraste com a dieta dos homens primordiais, a dieta ocidental moderna contém grandes quantidades de gordura, sal, carboidratos, açúcares refinados e farinhas. Consequentemente, causam sérios problemas de saúde, tais como: Riscos de saúde ligados aos alimentos transgênicos Cárie Alimentos com alto índice glicêmico
Expectativa de vida thumb|direita|Expectativa de vida com base nos anos de 2003 a 2007 O envelhecimento atual está associado ao surgimento de aterosclerose, doenças cardiovasculares, câncer, artrite, catarata, osteoporose, diabetes tipo 2, hipertensão e doença de Alzheimer. A incidência das doenças, como supracitado, aumenta de acordo com o envelhecimento das pessoas e, com a idade, aumenta-se o risco de câncer. Cerca de 150.000 pessoas morrem diariamente, em todo o mundo, vítimas de doenças relacionadas à idade. Nos países industrializados, a ocorrência de doenças referentes à idade sobe em cerca de 90%.
Prática de exercícios físicos O homem contemporâneo pratica menos exercícios físicos do que os seus ancestrais. A prática de exercício físico atualmente está relacionada após o surgimento de doenças. Essa situação leva ao corpo a ter mudanças no seu metabolismo, ocasionando estresse, inflamações e doenças crônicas.
Higiene O homem contemporâneo, devido a tratamentos médicos e saneamento básico melhorados, estão amplamente livres de parasitas e de doenças ligadas ao intestino. Embora a higiene seja importante para a vivência humana, problemas relacionados ao sistema imunológico começam a aparecer, mesmo que haja uma busca para manter a saúde com qualidade. Crê-se que, a ausência de exposição a microorganismos que evoluíram no sistema imunológico, trouxeram problemas ao ser humano.
A exposição está ligada ao papel crucial que os organismos apresentam na proteção contra doenças modernas, como inflamações generalizadas e o Alzheimer.
Evolução dos estágios vitais Inicial
Tecido adiposo em crianças Artrite e inflamações crônicasStraub, R. H., del Rey, A., Besedovsky, H. O. (2007) "Emerging concepts for the pathogenesis of chronic disabling inflammatory diseases: neuroendocrine-immune interactions and evolutionary biology" In: Ader, R. (2007) "Psychoneuroimmunology", Volume 1, Academic Press, San Diego, pp.217-232 Envelhecimento Doença de Alzheimer InfânciaBogin, B. (1997) "Evolutionary hypotheses for human childhood". Yearbook of Physical Anthropology. 104: 63-89 abstract Menarca Menopausa Menstruação Enjoo matinal
Outros
Aterosclerose Artrite e inflamações crônicas Tosse Fibrose cística Oclusão Diabetes tipo 2 Diarreia Hipertensão arterial essencial Febre Hipertensão gestacional Gota Hemocromatose Deficiência de ferro Obesidade Fenilcetonúria Placebo Osteoporose Doenças polimórficas ligadas à hemoglobina Anemia falciforme Distúrbio comportamental ligado a doenças Câncer ovariano
Psicologia evolutiva As hipóteses de adaptação humana quanto à etiologia de transtornos psicológicos são, na maioria das vezes, baseadas em analogias com perspectivas evolutivas sobre disfunções de cunho médico e fisiológico.Nesse, R., & Williams, G. (1996) Why We Get Sick. NY: Vintage.Gaulin, Steven J. C. and Donald H. McBurney. Evolutionary psychology. Prentice Hall. 2003. , Chapter 1, p 1-24. Causas possíveis de anormalidades psicológicas em função da evolução humana Baseado em Buss (2011),Buss, D.M. (2011). Evolutionary Psychology. Gaulin & McBurney (2004),Gaulin & McBurney (2004), Evolutionary Psychology Workman e Reader (2004)Workman & Reader (2004), Evolutionary Psychology Causa possível Disfunção fisiológica Disfunção psicológica Adaptação de defesa Depressão ou ansiedade(respostas funcionais ao estresse)Adaptação de subproduto Gás intestinal (subproduto da digestão de fibras) Fetiches sexuais(possível subproduto de adaptações da libido, imprimindo o desejo sexual em objetos e situações incomuns) Adaptações de múltiplos efeitos Aumento da criatividade, surgimento do transtorno bipolar e predisposição para esquizofrenia(adaptações com efeitos positivos e negativos em função do desenvolvimento humano) Adaptação de deformação Alergias(respostas ao sistema imunológico) Autismo(mal funcionamento da teoria da mente) Adaptação morfológica de frequência Traços e desordem de personalidade (possível desenvolvimento de estratégias comportamentais em sociedade) Adaptação de incompatibilidade ambiental Surgimento de diabetes tipo 2 Interação frequente com estranhos, predispondo maior incidência de depressão e de ansiedade Adaptação de curvatura Diferenças de altura Personalidade introvertida ou extrovertida É possível, portanto, associar outros surgimentos de doenças e acometimentos por saúde humana com um fator psicológico.
Agorafobia Ansiedade Depressão Toxicodependência Esquizofrenia Infelicidade
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