A Beira é uma cidade de Moçambique, localizada no centro do país, capital da província de Sofala. Tem o estatuto de cidade desde 20 de Agosto de 1907 e, do ponto de vista administrativo, é um município com governo local eleito; e é também, desde Dezembro de 2013, um distrito, uma unidade local do governo central, dirigido por um administrador.Lei nº 26/2013, publicada no Boletim da República nº 101, I Série, de 18 de Dezembro de 2013, pág. 1059-1061 (3) A Beira é hoje a quarta maior cidade de Moçambique, após a Matola, Maputo e Nampula, contando com uma população de 533 825 habitantes de acordo com o Censo de 2017. Atendendo, porém, a que a Matola faz parte da mancha urbana de Maputo (sendo, pois, mais propriamente uma cidade-satélite da capital), a Beira, que já foi a segunda cidade de Moçambique, pode hoje ser considerada a terceira.
A cidade da Beira foi originalmente desenvolvida pela Companhia de Moçambique no século XIX, e depois diretamente pelo governo colonial português entre 1942 e 1975, ano em que Moçambique obteve sua independência de Portugal. Atualmente a cidade encontra-se modernizada, embora ainda mantenha algumas áreas degradadas e problemáticas, como é o caso do Grande Hotel da Beira. Depois de Maputo, a Beira é o segundo maior porto marítimo para o transporte internacional de cargas de para Moçambique. Em Março de 2019, o Ciclone Idai devastou a Beira, destruindo 90% da cidade.
História miniatura|direita|200px|Rua Conselheiro Enes, na Beira, em 1905 A povoação foi fundada pelos portugueses em 1887, numa área conhecida pelo nome de Aruângua, e logo suplantou Sofala como principal porto no território da atual província de Sofala. Originalmente chamada Chiveve, o nome de um rio local, foi rebatizada para homenagear o Príncipe da Beira, Dom Luís Filipe, primogénito de D. Carlos I que, em 1907, foi o primeiro membro da família real portuguesa a visitar Moçambique, trazendo de Lisboa o decreto real que elevava a Beira à categoria de cidade. Tradicionalmente, o príncipe herdeiro de Portugal levava o título de Príncipe da Beira, província histórica de Portugal.
A administração portuguesa construiu um porto e famílias portuguesas se estabeleceram na localidade recém-fundada, e começaram a desenvolver atividades comerciais. A cidade passou a ser administrada pela Companhia de Moçambique, fundada em 1891 e que tinha sua sede na Beira.Britannica, Beira, britannica.com, USA, acessado em 12 de janeiro de 2020 Foi então construída uma ferrovia que ligava à então Rodésia, aberta em 1899. Em 20 de agosto de 1907, a Beira era elevada à condição de cidade. Um ano depois era inaugurada a iluminação elétrica e, em 1911, um serviço telefónico urbano. Em 1926, ainda não existiam automóveis na Beira. Porém, em 1934, estes já somavam 596, juntamente com duas companhias de transportes coletivos.
Em 1942, com o fim da concessão da Companhia de Moçambique, a administração da cidade reverteu para a administração direta do governo Português. A construção de uma nova estação ferroviária foi concluída em 1966. Antes da independência, a Beira destacava-se pelo bem equipado porto da Beira, uma das principais instalações de seu tipo em toda a África Oriental, e também pelo turismo, pesca e comércio. A cidade prosperou como um porto cosmopolita com diferentes comunidades étnicas (portugueses, indianos, chineses, africanos indígenas) empregadas na administração, no comércio e na indústria. O grande número de habitantes que falam inglês deve-se ao facto de a cidade ter sido um destino de férias preferido para os brancos da Rodésia. Um sinal desta época é o Grande Hotel construído perto da costa do Oceano Índico. Em 1970, a cidade da Beira possuía 113.770 habitantes.
Após a independência de Portugal Após a independência de Portugal em 1975, a maioria dos portugueses deixaram a cidade. Moçambique foi devastado por uma guerra civil entre 1976 e 1992, que opunha os marxistas da FRELIMO, que controlavam o governo, e os rebeldes da RENAMO, chegando próximo ao caos total em dois anos e gerando fome, doença e miséria. O Grande Hotel foi ocupado por cerca de 1.000 beirenses desabrigados, e no fim da guerra civil, a cidade estava bastantes degradada.
Em 2000, a Beira e as zonas próximas foram devastadas por inundações que deixaram milhões de desabrigados e causaram graves danos à economia local.
Devastação por ciclone
Em Março de 2019, o Ciclone Idai devastou a Beira, destruindo 90% da cidade.
Geografia A Beira, capital da província de Sofala, está localizada a cerca de 1190 km a norte de Maputo, no centro da costa do oceano Índico. É uma cidade portuária no Canal de Moçambique. O município tem uma área de 633 km², e uma altitude média de 14 metros acima do nível do mar e está situado nas coordenadas 19° 50' sul e 34° 51' leste. Confina a norte e a oeste com o distrito de Dondo, a leste com o oceano Índico e a sul com o distrito do Búzi.
A cidade ergue-se numa região pantanosa, junto à foz do Rio Púnguè, e sobre alongamentos de dunas de areia ao longo da costa do Índico. A vegetação natural é caracterizada por terras baixas e litoral com mangais.
Clima
A Beira caracteriza-se por um clima tropical húmido chuvoso de savana, com temperaturas e humidade elevadas no verão, especialmente durante a estação das monções (hemisfério sul) de Outubro a Fevereiro.
Hidrografia e proteção litorânea A Beira está localizada na foz do rio Púnguè, porém o território citadino é cercado de afluentes e regiões alagadiças, sendo fonte de água doce, pesca e captura de mariscos para a população.Silva, António Fernandes da. Características hidrográficas do Estuário da Beira, Moçambique. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011.
O seu litoral está inserido na proteção litorânea conhecida como baía de Sofala, que forma um enorme complexo com a foz do Púnguè, conhecido como Estuário da Beira.
Demografia Crescimento populacional ano população %1940 24.700 -1950 42.000 70,01960 58.200 38,61970 113.770 95,51980 230.744 102,81997 412.588 78,82007 431.583 4,6 miniatura|250px|direita|Mulheres beneficiando arroz na Beira miniatura|250px|direita|Pescadores consertando rede na Beira
De acordo com o censo de 2007, a Beira possuía uma população total de 431.583 habitantes, sendo 219.624 homens e 211.959 mulheres. Um total de 259.728 habitantes tinha 15 ou mais anos de idade.
População por faixa etária e sexo Faixa etária Homens Mulheres Total 0 6.263 6.273 12.536 1-4 23.168 23.240 46.408 05-09 27.405 27.802 55.207 10-14 28.237 29.467 57.704 15 - 19 26.365 26.139 52.504 20 - 24 26.877 25.386 52.263 25 - 29 20.635 18.213 38.848 30 - 34 14.300 13.891 28.191 35 - 39 10.959 11.024 21.983 40 - 44 9.683 8.420 18.103 45 - 49 8.133 6.521 14.654 50 - 54 6.099 5.160 11.259 55 - 59 4.434 3.451 7.885 60 - 64 2.917 2.529 5.446 65 - 69 1.839 1.660 3.499 70 - 74 1.163 1.287 2.450 75 - 79 649 811 1.460 80 + 498 685 1.183 Total 219.624 211.959 431.583
A população da cidade da Beira pertence na sua maioria ao grupo bangue, resultante do cruzamento ocorrido entre os machangas, mateues (Ndaus e Shonas) e podzos (Cisena e Nyungues) do vale do Zambeze.
Religião A maioria da população é cristã, havendo também um elevado número de muçulmanos e hindus.
Entre os credos cristãos, existem principalmente templos da Igreja Católica Romana, sob coordenação da Arquidiocese da Beira, sede metropolitana de rito latino, criada em 4 de Junho de 1984. Entre os credos protestantes e reformados existe presença significativa de templos da Igreja Reformada em Moçambique, da Igreja Presbiteriana de Moçambique, da Convenção Baptista de Moçambique, da Igreja Universal do Reino de Deus, da Igreja Assembleia de Deus Missão, da Zion Christian Church e da Igreja Adventista do Sétimo Dia.J. Gordon Melton, Martin Baumann, ‘‘Religions of the World: A Comprehensive Encyclopedia of Beliefs and Practices’’, ABC-CLIO, USA, 2010, p. 1985 Há também mesquitas muçulmanas.
Política e administração O município encontra-se dividido em cinco postos administrativos: Central, Munhava, Inhamízua, Manga-Loforte e Nhangau, que se dividem em 26 bairros no seguinte modo: Posto AdministrativoBairrosCentralChaimite, Chipangara, Esturro, Matacuane, Macurungo, Macuti, Pioneiros, Ponta-Gêa,MunhavaChota, Mananga, Maraza, Munhava-Central, VazInhamízuaAlto da Manga, Chingussura, Inhamízua, Matadouro, Nhaconjo, Vila MassaneManga-LoforteManga Mascarenhas, Muave, Mungassa, NdundaNhangauNhangau, Nhangoma e Tchonja
A partir de 1998 que o município passou a ser governado por um Presidente do Conselho Municipal eleito e desde então foram eleitos os seguintes autarcas:
Tomada de possePresidente do Conselho MunicipalPartido1998Chivavice MuchangageFrelimo2003Daviz SimangoRenamo2009Daviz SimangoIndependente2014Daviz SimangoMDM2019Daviz SimangoMDM2021Albano CarigeMDM2024Albano CarigeMDM
Cidades-irmãs A Beira mantém geminações com as seguintes localidades: Sintra, Portugal (2009) Porto, Portugal Bristol, Reino Unido (desde 1990) Pádua, Itália Aracaju, Brasil
No passado, Beira era irmanada com Amsterdão, Holanda (até 2005).
Economia miniatura|direita|200px|Farol do Rio Macuti, em 2006 A Beira tem uma economia especializada nos serviços de logística, graças ao seu estratégico porto e às linhas férreas que convergem para a cidade, fazendo dela a integrante principal do "Corredor Logístico da Beira".Ross, Doris C. (org.). Mozambique Rising: Building a New Tomorrow. International Monetary Fund, 20 de agosto de 2014. pg. 100.
Indústrias
Graças ao corredor da Beira, a cidade é um dos principais terminais de hidrocarbonetos da Petromoc, fazendo parte da rede de oleodutos que abastece o Zimbabué, também servindo de abastecimento ao Malaui.Petromoc projecta construção de terminal de gás no porto da Beira. Portal do Governo de Moçambique. 2015. A cidade também é especializada nos serviços de estalagem e reparos de embarcações.
A cidade da Beira é o segundo maior parque industrial do país logo após a Matola.
Comércio e serviços A cidade vive do comércio e dos serviços logísticos do porto da Beira, que movimenta carga geral (carga solta/não contentorizada), mas também existe um terminal de contentores. Na maré alta, o canal de navegação tem apenas 6,20 - 7,40 m de profundidade. A cidade está na origem de dois corredores de transporte, formadores do Corredor da Beira: o primeiro liga ao Zimbabué, por via rodoviária e ferroviária e facilita o acesso do interior do continente ao litoral como, por exemplo, de Lusaca, capital da Zâmbia, país sem acesso directo ao mar, e; o segundo corredor liga ao Maláui e Zâmbia, sendo principalmente rodo-ferroviário. Depois de atravessar o rio Zambeze, pela Ponte Dona Ana, a linha ferroviária toma dois sentidos, sendo um ao noroeste rumo a Moatize, para servir as minas de carvão locais, e outro à norte, para alcançar Blantyre. Pela Beira, saem açúcar, tabaco, milho, algodão, fibra de pita agave, cromo, minério de ferro, cobre e chumbo, carvão.
Já o subsetor turístico vem mostrando certo potencial na Beira, em função do grande património arquitetónico e natural. A cidade ainda não possui infraestrutura adequada para o turismo internacional. São poucos restaurantes e hotéis de padrão turístico e a segurança pública é deficiente em algumas áreas.
Infraestrutura Transportes miniatura|direita|200px|Aeroporto internacional da Beira