Rear Window http://portal.mj.gov.br/ClassificacaoIndicativa/jsps/DadosObraForm.do?select_action=&tbobra_codigo=1933 é um filme americano de 1954, dos gêneros suspense e mistério, dirigido por Alfred Hitchcock, e escrito por John Michael Hayes com base no conto "It Had To Be Murder" (1942), de Cornell Woolrich. Originalmente lançado pela Paramount Pictures, o filme é estrelado por James Stewart, Grace Kelly, Wendell Corey, Thelma Ritter e Raymond Burr. Ele foi exibido no Festival de Veneza de 1954.
O filme é considerado por muitos cinéfilos, críticos e estudiosos como um dos melhores de Hitchcock e um dos maiores filmes já feitos. O filme recebeu quatro indicações ao Oscar e foi classificado na 42.ª posição na lista 100 Anos... 100 Filmes do American Film Institute, que elegeu os melhores filmes estadunidenses, em 1998, e na 48.ª posição na edição de 10.º aniversário. Em 1997, Rear Window foi adicionado ao National Film Registry na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como sendo "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo".
Sinopse Após quebrar a perna, o fotógrafo L. B. "Jeff" Jefferies (James Stewart), está confinado a uma cadeira de rodas em seu apartamento em Greenwich Village para se recuperar. De sua janela dos fundos, ele assiste seus vizinhos: uma exuberante dançarina que ele apelida de "Senhorita Torso"; uma mulher solteira de meia-idade que ele chama de "Senhorita Coração Partido"; um solteiro compositor e pianista de meia-idade; vários casais; uma escultora; e Lars Thorwald (Raymond Burr), vendedor de jóias ambulante e sua esposa acamada.
Sua namorada, a socialite (Grace Kelly), o visita regularmente, assim como a enfermeira. Uma noite, Jeff ouve uma mulher gritar, e depois o som de vidro quebrando. Mais tarde, ele observa Thorwald deixando seu apartamento, e fazendo repetidas viagens carregando sua mala de amostras. Na manhã seguinte, Jeff percebe que a mulher de Thorwald sumiu, e então vê Thorwald limpando uma grande faca e um serrote. Mais tarde, Thorwald amarra um grande baú com uma corda grossa e uma companhia de mudanças a leva embora. Jeff discute tudo isso com Lisa e com Stella.
Jeff, convencido de que Thorwald assassinou sua esposa, relata isso ao seu amigo Tom Doyle (Wendell Corey), detetive da Polícia, que investiga mas não encontra nada de suspeito. thumb|240px|esquerda|James Stewart como L. B. Jeffries Logo depois, o cão de um vizinho é encontrado morto. Todos os vizinhos correm para as suas janelas para ver o que está acontecendo, exceto Thorwald. Certo de que Thorwald é culpado, Jeff acredita que Thorwald tenha enterrado algo no canteiro de flores, e matou o cachorro para pará-lo de cavar lá.
Quando Thorwald sai, Lisa e Stella cavam nas flores; porém não encontram nada. Lisa então escala a escada de incêndio e entra no apartamento de Thorwald por uma janela aberta. Quando Thorwald retorna e agarra Lisa, Jeff chama a polícia, que chega a tempo de salvá-la, prendendo-lhe. Thorwald nota a presença de Jeff quando vê Lisa balançando seu dedo com o anel de casamento da Sra. Thorwald para Jeff ver.
Jeff telefona para Doyle e deixa uma mensagem urgente. Stella vai à delegacia para pagar a fiança de Lisa. O telefone de Jeff toca, ele pensa ser Doyle, e diz que o suspeito deixou o apartamento. Quando ninguém responde, ele percebe que é Thorwald. Quando Thorwald entra em seu apartamento, Jeff repetidamente acende o flash de sua câmera, cegando Thorwald temporariamente. Thorwald agarra Jeff e consegue empurrá-lo a beira janela aberta, enquanto Jeff grita por ajuda. Agentes da polícia entram no apartamento quando ele cai da janela; outros oficiais amortecem sua queda, antes dele cair no chão. Thorwald confessa tudo à polícia logo depois.
Poucos dias depois, Jeff repousa em sua cadeira de rodas, agora com gesso em ambas as pernas. Lisa está, aparentemente, lendo O livro Além dos Altos Himalaias. Assim que Jeff adormece, Lisa larga o livro e, feliz, abre uma revista de moda.
Elenco thumb|300px|direita|James Stewart e Grace Kelly em Rear Window James Stewart .... L. B. Jeffries (Jeff) Grace Kelly .... Lisa Carol Fremont Wendell Corey .... tenente Thomas J. Doyle Thelma Ritter .... Stella Raymond Burr .... Lars Thorwald Judith Evelyn .... Srta. Lonelyheart Ross Bagdasarian .... Compositor Georgine Darcy .... Srta. Torso Frank Cady e Sara Berner .... casal morando acima dos Thorwald, com seu cachorro Jesslyn Fax .... Srta. problema auditivo Rand Harper and Havis Davenport .... o casal recém casado Irene Winston .... Sra. Anna Thorwald
Não creditados Gig Young .... Voz doe ditor de Jeff ao telefone (não creditado) Harry Landers .... Convidado da Srta. Lonelyhearts (não creditado) Ralph Smiles .... Carl, o garçom (não creditado)
Nota sobre o elenco O diretor Alfred Hitchcock faz sua tradicional aparição, no apartamento do compositor, onde é visto ajustando a hora em um relógio.
Produção O filme foi inteiramente rodado nos estúdios da Paramount, incluindo um enorme set em um dos estúdios. Houve também um cuidadoso uso de som, incluindo sons naturais e música à deriva no pátio do edifício em frente ao apartamento de James Stewart. Em certo ponto, a voz de Bing Crosby pode ser ouvida cantando "To See You Is to Love You", originalmente do filme da Paramount de 1952 Road to Bali. Também ouvidos na trilha sonora estão versões de canções de Nat King Cole ("Mona Lisa", 1950) e de Dean Martin ("That's Amore", 1952), popularizadas no início da década, juntamente com segmentos de música de Leonard Bernstein para o ballet de Jerome Robbins Fancy Free (1944), a canção de Richard Rodgers "Lover" (1932), e "M'appari tutt'amor" da ópera de Friedrich von Flotow Martha (1844), a maioria pegos emprestados da produtora musical da Paramount, Famous Music.
Hitchcock usou a figurinista Edith Head em todos os seus filmes da Paramount.
Embora o veterano compositor de Hollywood Franz Waxman seja creditado com a música para o filme, suas contribuições se limitaram aos créditos de abertura e de encerramento e à melodia de piano ("Lisa"), escrita por um dos vizinhos no filme, um compositor (Ross Bagdasarian). Esta foi a trolha sonora final de Waxman para Hitchcock. O diretor usou principalmente sons "diegéticos"sons resultantes da vida normal dos personagensao longo do filme.
Recepção Uma "estreia mundial beneficente" para o filme, com o comparecimento de oficiais das Nações Unidas e de "membros proeminentes do mundo social e do entretenimento", foi realizada em 4 de agosto de 1954, no Teatro Rivoli, em Nova York, com os rendimentos sendo doados à Fundação América-Coreana (uma organização de ajuda fundada logo após o fim da Guerra da Coréia e presidida pelo irmão do presidente Eisenhower).
O filme ganhou um estimado de US$5,3 milhões nas bilheterias norte-americanas em 1954.
O filme recebeu críticas esmagadoramente positivas dos críticos e é considerado um dos melhores filmes de Hitchcock. No site Rotten Tomatoes, o filme tem sido universalmente elogiado, conquistando uma avaliação de 100% certified fresh, baseada em 61 avaliações, com o consenso afirmando que "Hitchcock exerceu pleno potencial de suspense nesta obra-prima."
O crítico Bosley Crowther, do The New York Times assistiu à estreia beneficente e em sua crítica chamou o filme de um "exercício tenso e emocionante" e Hitchcock um diretor cujo trabalho tem um "máximo de fomentação até o soco, um máximo de enganações e incidentes cuidadosamente engenhados enganadores para distrair e divertir." Crowther também observa: "O filme do Sr. Hitchcock não é 'significativo'. O que ele tem a dizer sobre as pessoas e a natureza humana é superficial e simplista. Mas de fato ele expõe muitas facetas da solidão da vida na cidade e tacitamente demonstra o impulso da curiosidade mórbida. O objetivo dele é sensação, e isso ele geralmente fornece no colorido de seus detalhes e na enchente de ameaça perto do fim."
A revista Time chamou-lhe de "possivelmente ao segundo filme mais divertido (depois de The 39 Steps) já feito por Alfred Hitchcock" e um filme em que "nunca há um instante ... em que o Diretor Hitchcock não esteja na direção e no controle magistral de seu material." A mesma crítica também afirmou que "ocasionais lapsos estudados de gosto e, mais importante, a sensação estranha que um público de Hitchcock tem de reagir de forma tão cuidadosamente prevista a ponto de parecer praticamente preordenado." A revista Variety chamou o filme de "um dos melhores thrillers de Alfred Hitchcock" que "combina habilidades técnicas e artísticas de uma forma que torna esta uma incomumente boa obra do entretenimento de mistério do assassinato."
Quase 30 anos depois do lançamento inicial do filme, Roger Ebert analisou o re-lançamento feito pela Universal em outubro de 1983, depois de resolvidas as questões legais com o testamento de Hitchcock. Ele disse que o filme "desenvolve uma linha tão limpa, organizada do início ao fim que somos atraídos por ele (e para dentro dele) sem o menor esforço. A experiência não é bem como assistir a um filme, é mais como ... bem, como espionar seus vizinhos. Hitchcock nos fisga logo de cara ... E como Hitchcock nos faz cúmplices do voyeurismo de Stewart, nós vamos juntos nessa empreitada. Quando um homem enfurecido vem rompendo a porta para matar Stewart, nós não conseguimos nos distanciar, porque nós também estávamos espiando, e assim nós compartilhamos a culpa e, de alguma forma, nós merecemos o que está para acontecer com ele."
Rear Window também provou ser popular entre o público. Em agosto de 2016, Rear Window era o 40º filme de maior pontuação no Internet Movie Database, com uma classificação IMDb de 8,5/10; seis posições abaixo do filme de Hitchcock de 1960 Psycho, que também tem classificação de 8,5/10.
Prêmios e indicações Data da cerimônia Premiação Categoria Indicado(s) Resultado22 de agosto a 7 de setembro de 1954Festival de VenezaLeão de OuroAlfred Hitchcock20 de dezembro de 1954National Board of Review AwardsMelhor AtrizGrace KellyJaneiro de 1955NYFCC AwardsMelhor AtrizGrace KellyMelhor DiretorAlfred Hitchcock13 de fevereiro de 1955DGA AwardMelhor desempenho em Longa MetragemAlfred Hitchcock28 de fevereiro de 1955 Writers Guild of America AwardsDrama Americano Melhor EscritoJohn Michael Hayes10 de março de 1955BAFTA AwardMelhor FilmeRear Window30 de março de 1955OscarMelhor DiretorAlfred HitchcockMelhor Roteiro AdaptadoJohn Michael HayesMelhor Fotografia - CorRobert BurksMelhor Mixagem de SomLoren L. Ryder21 de abril de 1955Edgar Allan Poe AwardsMelhor Roteiro de FilmeJohn Michael Hayes18 de novembro de 1997 National Film Preservation BoardNational Film RegistryRear Window2002Online Film & Television Association AwardOFTA Film Hall of Fame — FilmeRear Window
Análise Em seu livro, Alfred Hitchcock "Rear Window", John Belton aborda as questões subjacentes de voyeurismo, patriarcado e feminismo que são evidentes no filme. Ele afirma que "a história de "Rear Window é "sobre" espetáculo, ela explora o fascínio com olhar e a atração daquilo que está sendo olhado."
Voyeurismo
John Fawell observa, no livro de Dennis Perry, Hitchcock and Poe: The Legacy of Delight and Terror, que Hitchcock "reconheceu que o aspecto mais sombrio do voyeurismo...é o nosso desejo de que coisas terríveis aconteçam para as pessoas... para nos fazer sentir melhor e nos aliviar do fardo de examinar nossas próprias vidas". O Mestre do Terror desafia o público, forçando-os a espiar pela sua janela indiscreta e a se exporem, como dito por Donald Spoto em seu livro de 1976, The Art of Alfred Hitchcock: Cinquenta anos de suas filmagens, ao "contágio social" de atuar como voyeur.
Em um exemplo explícito de condenação ao voyeurismo, a personagem Stella expressa sua indignação com os hábitos voyeuristas de Jefferies, dizendo: "Nos velhos tempos, eles arrancariam seus olhos com um ferro em brasas" e "O que as pessoas deveriam fazer é sair lá fora e olhar para dentro, pra variar".