Aquiles Fernando Kupfer (Caçador, 25 de dezembro de 1958), mais conhecido como Cabinho, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como atacante. Teve grande destaque no futebol paraense, sendo o quinto maior artilheiro do Paysandu e figura importante também no último título estadual da Tuna Luso (em 1988).DA COSTA, Ferreira (2013). Cabinho - Fome de gol levou-o a artilheiro do Brasil. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 72-73 É o maior artilheiro do Paysandu considerando-se a partir da década de 1980.

Além de um jogador aguerrido e batalhador, Cabinho, de 1,77 metros e 74 quilogramas quando jogador, tinha boa velocidade, firmeza nos cabeceios e um chute forte de perna esquerda.OLIVA, Getúlio (1 jan. 1986). Vale quanto pesa. Placar n.815. São Paulo: Editora Abril, p. 48 Em 1987, foi o maior artilheiro estadual do Brasil, recuperando a imagem de quem não havia triunfado em clubes sulistas, declarando na ocasião que "o Sul não é nada do que a gente pensa. Às vezes, é melhor jogar numa grande equipe do Norte".OLIVA, Getúlio (14 set. 1987). O maior artilheiro dos Regionais. Placar n. 902. São Paulo: Editora Abril, p. 9

Carreira Antes do futebol paraense

Nascido no estado de Santa Catarina, sendo descendente de alemães, Cabinho começou na Caçadorense, de sua cidade natal. Estreou no time principal em 1978, marcando dois gols no campeonato catarinense daquele ano. Rumou inicialmente ao Novo Hamburgo e em 1979, passou ao Velo Clube, marcando um gol no campeonato paulista daquele ano pela equipe de Rio Claro.

Cabinho voltou a seu Estado em 1980, quando defendeu o Blumenau - que na época ainda chamava-se Palmeiras, mudando de nome no decorrer do campeonato. Curiosamente, seu primeiro gol pelo novo time foi diante de um adversário chamado Paysandu, em derrota de 3–1 para o time de Brusque. Foram ao todo nove gols no estadual, incluindo em duelos contra (um cada em dois empates em 1–1), Chapecoense (um em empate em 2–2) e o1utro em vitória por 3–0 sobre o campeão Joinville, que naqueles anos emendaria um octacampeonato seguido na competição.

Em 1981, o atacante voltou ao Velo Clube, disputando a segunda divisão estadual e chegando a integrar naquele ano a seleção paulista juvenil, pela qual marcou um gol em vitória por 2–0 sobre a Coreia do Sul. Em seu retorno ao Velo, marcou em somente dois jogos; mas terminou descoberto pelo Paysandu, em contratação considerada um "lance de muita sorte". Dez dias após marcar seus últimos dois gols pelo Velo, ambos em vitória por 2–1 em amistoso com o Lemense em 8 de fevereiro de 1982, marcava seu primeiro gol pela equipe paraense, em pleno Brasileirão daquele ano.

Primeira passagem pelo Paysandu

O clube alviazul procurava um substituto para o ídolo Chico Spina quando contratou Cabinho. Ele marcou quatro gols no Brasileirão de 1982, entre 18 de fevereiro (vitória por 3–1 no América de Natal) e 20 de março (empate em 1–1 com o XV de Jaú). Contudo, não evitou a eliminação na partida seguinte, em derrota para Sport na segunda fase de grupos - a equipe pernambucana avançou às oitavas-de-final.DA COSTA, Ferreira (2018). 1982 - PAYSANDU CONQUISTA O TRICAMPEONATO PARAENSE E VOLTA À TAÇA DE OURO. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 240-241

O campeonato paraense daquele ano começou em julho.DA COSTA, Ferreira (2013). 1982 - Paysandu tira Mesquita do Remo, que comanda a conquista do Tricampeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 214-218 Em amistosos preparatórios, Cabinho destacou-se especialmente por três gols em vitória por 4–2 sobre o Pinheirense. No estadual, foram treze gols, incluindo em dois clássicos com a Tuna Luso (um em vitória por 2–1 e o único de um 1–0) e outro em empate em 1–1 no Re-Pa, no jogo de ida da finalíssima. Cabinho foi o artilheiro do campeonato,DA COSTA, Ferreira (2018). CAMPEONATO PARAENSE DE FUTEBOL 1908-2018 Clubes Campeões - Técnicos - Artilheiros. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 303-312 mas não necessariamente o protagonista na visão da torcida e mídia, que considerou como maior destaque dos campeões o meio-campista Mesquita, retirado do rival Remo, onde era ídolo mas andava desmotivado. Cabinho inclusive chegou a ser vaiado em parte da temporada.LYNCH, Júlio (24 dez. 1982). Uma campanha gloriosa. Placar n. 657. São Paulo: Editora Abril, pp. 80-81

No ano de 1983, embora tenha chegado a marcar gol no campeão Flamengo pelo Brasileirão daquele ano, Cabinho não foi tão bem. Marcou somente três gols pelo estadual daquele ano, vencido pela Tuna Luso, que não era campeã havia treze anos.DA COSTA, Ferreira (2013). 1983 - Tuna volta a reinar no futebol paraense, após 13 anos. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 214-218 O atacante só marcou em um clássico, em Re-Pa amistoso. Chegou a ser emprestado à Desportiva Capixaba naquele ano.

Já em 1984 o catarinense enfim retomou um bom desempenho com regularidade no "Papão". Foram 21 gols no vitorioso estadual de 1984, rendendo-lhe nova artilharia da competição. O melhor jogador segundo a crônica esportiva local foi o colega Charles Guerreiro,DA COSTA, Ferreira (2013). 1984 - Paysandu importa reforços de qualidade e levanta a taça. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 224-228 mas Cabinho foi melhor reconhecido, eleito o melhor centroavante. Em contraste, desta vez o time é que era contestado, apesar do título; a equipe não apresentava um bom futebol, chegando a ser vaiada, em especial no primeiro turno - vencido pela Tuna após vitória cruzmaltina de 3–0 no clássico com o Paysandu. Os alviazuis, nessa fase do campeonato, já havia sido derrotados pelos tunantes por 2–1 (com Cabinho descontando) e também no Re-Pa, por 1–0. Mas na segunda fase, a equipe evoluiu. Ganhou o primeiro jogo por 5–0, com Cabinho marcando duas vezes sobre o Tiradentes; o segundo por 6–0, sobre o Pinheirense, com outros três de Cabinho; e teve desempenho invicto nos clássicos, batendo o Remo por 2–1 (Cabinho marcou) e a Tuna duas vezes por 1–0 - na segunda, o resultado garantiu ao "Papão" o título do segundo turno, forçando uma finalíssima em jogo único com a Tuna. O único gol da ocasião foi de Cabinho, convertendo um pênalti.

O bom desempenho foi mantido no estadual de 1985, com o "Papão" sofrendo somente uma derrota em 19 partidas, nas quais venceu quinze. Na campanha, ele chegou a marcar os três gols alviazuis em vitória por 3–2, sobre o Pinheirense, e outros quatro em 6–0 sobre a mesma equipe; além do único em vitória por 1–0 no clássico com a Tuna,DA COSTA, Ferreira (2013). 1985 - Paysandu chega ao bicampeonato com 1 derrota em 19 partidas. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 229-232 na época uma potência - além dos bons desempenhos domésticos, a rival foi campeã da segunda divisão brasileira daquele ano, façanha então inédita no futebol paraense.DA COSTA, Ferreira (2013). Tuna conquista título inédito. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 153-154 O artilheiro do campeonato foi o remista Dadinho, com 18 gols, mas Cabinho marcou quinze, prejudicado ao ausentar-se de muitas partidas em decorrência de uma lesão.

O sucesso no Pará levou Cabinho de volta ao futebol paulista, contratado pela . Não chegou a marcar gols pela equipe de Campinas, mas foi contratado a peso de ouro pelo Ferroviário, que buscava um substituto ao ídolo Luís Alberto Duarte dos Santos. Porém, não fez sucesso no Ceará, marcando um único gol em oito partidas, e em derrota de 3–2 para o Icasa. Depois, também esteve naquele ano no CSA, sem ter gols registrados pela equipe alagoana.

Segunda passagem pelo Paysandu

Sem a artilharia de Cabinho, o Paysandu vira o rival Remo ser campeão estadual de 1986 após seis anos de jejum.DA COSTA, Ferreira (2013). 1986 - Remo põe fim a jejum de 6 anos e comemora o título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 233-236 A reação contratar, além do novato treinador Givanildo Oliveira, em seu primeiro trabalho no futebol paraense, o ídolo catarinense - e, curiosamente, Luís Alberto Duarte dos Santos, meia-armador de um trio ofensivo que Cabinho formou com Miguelzinho e a revelação Edil. O "Papão" foi campeão invicto, com Cabinho reestreando com bastante vigor: fez três gols na primeira rodada, em vitória de 4–0 sobre o Independente, enquanto na segunda fez os quatro gols alviazuis em um 4–1 sobre o Sport Belém.DA COSTA, Ferreira (2013). 1987 - Paysandu traz Givanildo Oliveira e levanta o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 237-240

Na sequência, Cabinho também marcou em especial os três gols do "Papão" em um 3–1 no Izabelense (quinta rodada) e o segundo do 2–1 no clássico com a Tuna, ainda pelo primeiro turno. No segundo, destacou-se sobretudo no 4–2 sobre o Pinheirense (dois gols) e em novo duelo com a Tuna, vencido por 3–2 com um gol do centroavante. Foram ao todo 24 gols, que deram a Cabinho, além de nova artilharia no campeonato, também a artilharia máxima naquele ano entre todos os estaduais do Brasil.

Em 1987, Cabinho também estreou pela seleção paraense, que não era reunida havia nove anos. Esteve nas duas partidas contra o Amazonas pelo Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. Cada equipe venceu a outra por 1–0 em casa, com Cabinho marcando o da vitória do Pará. Porém, no sorteio, os amazonenses terminaram favorecidos.DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331 O bom desempenho do atacante o devolveu ao futebol paulista, contratado por 3 milhões de cruzados pela Portuguesa.

Campeão pela Tuna Luso

Cabinho não conseguiu se destacar na Portuguesa, não marcando nenhum gol pelos rubroverdes. Em 1988, o time do Canindé emprestou o atacante de volta ao Pará, mas para defender a Tuna Luso, o clube local da colônia lusitana. A "Águia" fez campanha brilhante, com uma só derrota em 25 partidas, concorrendo contra o próprio Paysandu pelo título, que não se encerraria em 1988: a disputa se estendeu aos tribunais da justiça desportiva e da justiça comum, e somente em dezembro de 1992 a Federação Paraense de Futebol homologou a conquista cruzmaltina.DA COSTA, Ferreira (2013). 1988 - Após uma longa briga na Justiça, Tuna é confirmada Campeã. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 241-245

Na campanha, Cabinho marcou dez vezes, três abaixo do colega Luís Carlos, que terminou na artilharia da competição. Aquele título estadual, o décimo do clube, segue sendo o último dos tunantes na competição. Na campanha, Cabinho marcou tanto no clássico com o Remo (em 2–2) como contra o Paysandu (1–1).DA COSTA, Ferreira (2013). 1988 - Somente uma derrota na conquista do décimo título da Tuna Luso. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 114-121

Após o título, ele voltou à Região Sul, para defender o Pinheiros, antes da equipe curitibana originar em 1989 o atual Paraná Clube.

Fim de carreira: Paysandu, Tuna e interior do Sul

Cabinho voltou ao Paysandu em 1990, marcando dez vezes pelo estadual daquele ano, em que reeditou o trio de 1987 com Miguelzinho e Edil, o artilheiro do campeonato, com três gols a mais. Na campanha, Cabinho marcou três vezes no clássico com a Tuna Luso, um em vitória por 2–1 e dois em triunfo de 3–0. Inicialmente, o "Papão" começou melhor naquela competição, chegando a vencer por 3–0 o Re-Pa, resultado rendeu a demissão do então técnico remista Armando Bracalli, substituído por Paulinho de Almeida.DA COSTA, Ferreira (2013). 1990 - Remo coloca a faixa de bicampeão, sob a batuta de Paulinho de Almeida. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 251-255