A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), também chamada de Grande Belo Horizonte ou simplesmente Grande BH, é um recorte político-administrativo criado por lei com o objetivo de viabilizar a gestão da aglomeração metropolitana resultante da expansão da cidade de Belo Horizonte e a implementação de políticas públicas de interesse comum aos municípios metropolitanos pelo poder público. Foi instituída pela Lei Complementar Federal nº 14, de 8 de junho de 1973, que também estabeleceu outras sete RM's no território brasileiro.https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp14.htm#:~:text=LEI%20COMPLEMENTAR%20N%C2%BA%2014%2C%20DE,%2C%20Curitiba%2C%20Bel%C3%A9m%20e%20Fortaleza. Atualmente, a metrópole é regida por leis complementares do estado de Minas Gerais (LEC n.º88/2006 e LEC n.º 89/2006).
A RMBH é a a maior região metropolitana do país fora do eixo Rio-São Paulo. Conforme dados da Organização das Nações Unidas, em 2018 a Grande BH era a 52ª área metropolitana mais populosa do mundo, com número de habitantes equivalente ao de metrópoles internacionais como Madrid-Espanha; Houston-EUA; Toronto-Canadá; Washington/DC-EUA; Miami-EUA; Frankfurt-Alemanha.
Embora seja a terceira região metropolitana mais populosa do país, sua sede, o município de Belo Horizonte, ocupa a sexta posição entre os municípios. Só nos anos 2000, a população do município foi superada pelo Distrito Federal e Fortaleza. Esse fenômeno ocorre porque o município de Belo Horizonte, com área de 331 km2, é relativamente pequeno se comparado aos dois municípios mais populosos do Brasil, São Paulo ( km2) e Rio de Janeiro ( km2).
Outra peculiaridade é que a participação do município de Belo Horizonte na população total da região metropolitana vem caindo a cada ano, ou seja, os municípios vizinhos a Belo Horizonte crescem mais que a capital, uma vez que há falta de espaços disponíveis no município e os poucos que restam são encarecidos. Ainda assim, enquanto Metrópole, Belo Horizonte segue sendo a terceira mais populosa do Brasil, tendo um total de 6 milhões de habitantes, sendo imediatamente seguida pela Região de Brasília (RIDE-DF), que tem 4,8 milhões de moradores.
No viés econômico, a RMBH é o centro político, financeiro, comercial, educacional e cultural de Minas Gerais, representando em torno de 34,4% da economia e 27,9% da população do estado. Em 2021, seu produto Interno bruto (PIB) somava cerca de R$ 294,66 bilhões, dos quais cerca de 35,9% pertenciam à cidade de Belo Horizonte. Comparada a outras Regiões metropolitanas quanto ao PIB, em 2021, a Grande BH ocupou a quarta posição nacional, atrás da RMSP, da RMRJ e da RIDE-DF.
No que tange aos aspectos legais-institucionais, a legislação da Região Metropolitana de Belo Horizonte foi reformada em 2004 pelo Estado, por meio de uma Emenda à Constituição Estadual. Minas Gerais foi o primeiro Estado do país a criar o conceito de "cidadão metropolitano" em sua legislação. A sociedade civil, em uma Conferência que ocorre a cada anos, elege dois representantes dos cidadãos metropolitanos para o Conselho Deliberativo.
História thumb|direita|Contagem, o segundo município mais populoso da região metropolitana, depois de Belo Horizonte. 1967 - A Constituição Federal de 1967 atribui à União, mediante lei complementar, a competência para estabelecer regiões metropolitanas constituídas por municípios em todo o país.
1971 - Foi formado um grupo de estudos na Fundação João Pinheiro para tratar da caracterização e definição da RMBH. Neste ano também foi realizada a primeira pesquisa de Origem e Destino.
1973 - É criada a Região Metropolitana de Belo Horizonte, juntamente com outras 7 regiões metropolitanas, através da Lei Federal Complementar nº 14, de 8 de junho de 1973. Em seu parágrafo segundo, esta Lei constituiu a RMBH de 14 municípios: Belo Horizonte, Betim, Caeté, Contagem, Ibirité, Lagoa Santa, Nova Lima, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Sabará, Santa Luzia e Vespasiano.
1974 - A Lei Estadual nº 6.303/74 Regulamentou a Região Metropolitana de Belo Horizonte e criou a autarquia PLAMBEL - Planejamento da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
1978 - Todo o gerenciamento de trânsito, tráfego e transporte público foi centralizado através da empresa pública METROBEL (Companhia de Transportes Urbanos da Região Metropolitana de Belo Horizonte), criada neste ano. miniaturadaimagem|Ribeirão das Neves, 4° município mais populoso da RMBH. 1987 - A empresa pública METROBEL é extinta e então é criada a autarquia Transmetro (Transporte Metropolitano) que continua mantendo centralizado o gerenciamento de trânsito, tráfego e transporte público de toda a região metropolitana.
1989 - São acrescidos os municípios de Mateus Leme, Igarapé, Esmeraldas, Brumadinho, totalizando 18 municípios na Região Metropolitana.
1994 - O gerenciamento do trânsito e do transporte público municipais são descentralizados, voltando a ser de responsabilidade das prefeituras, sendo extinta neste ano autarquia Transmetro. A partir de então apenas o transporte público intermunicipal ficou centralizado do DER-MG.
1995 - Os distritos de Juatuba (pertencente à Mateus Leme) e São José da Lapa (pertencente a Vespasiano) foram emancipados, e portanto, acrescidos à Grande Belo Horizonte, totalizando 20 municípios. Neste ano também foi institucionalizado o Colar Metropolitano com 20 municípios: Matozinhos, Jaboticatubas, Taquaraçu de Minas, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Itabirito, Moeda, Belo Vale, Bonfim, Rio Manso, Itatiaiuçu, Itaúna, Florestal, Nova União, Pará de Minas, São José da Varginha, Fortuna de Minas, Capim Branco, Sete Lagoas, e Inhaúma. thumb|Sete Lagoas - Princípal cidade do Colar Metropolitano. 1997 - Foram emancipados os municípios de Confins (antes, distrito de Lagoa Santa), São Joaquim de Bicas (antes, distrito de Igarapé), Sarzedo e Mário Campos (antes, distritos de Ibirité) que passaram a fazer parte da RMBH. Os municípios de Florestal e Rio Manso, que faziam parte do Colar Metropolitano, também passaram a fazer parte da Região Metropolitana. Com estas mudanças o total de municípios integrantes da RMBH subiu para 26 municípios e o total de municípios integrantes do Colar Metropolitano foi reduzido para 18 municípios.
1999 - São acrescidos à Grande BH os municípios de Baldim e Itaguara, assim como os municípios de Capim Branco, Itabirito, Matozinhos e Nova União que eram do Colar Metropolitano. Prudente de Morais e Funilândia passam a fazer parte do Colar totalizando 32 municípios na RMBH e 16 municípios no Colar Metropolitano.
2000 - Os municípios de Jaboticatubas e Taquaraçu de Minas, que eram do Colar Metropolitano, são acrescidos à RMBH; enquanto Itabirito sai da RMBH e retorna ao Colar. O total de municípios integrantes da RMBH sobe para 33 municípios o número de municípios do Colar Metropolitano cai para 15.
2002 - Itatiaiuçu sai do Colar e entra para a RMBH, completando o número atual de municípios de 34 municípios pertencentes à RMBH. Com a saída de um município do Colar, o número então caiu para 14 municípios.
2012 - Foram acrescidos ao Colar Metropolitano os municípios de Bom Jesus do Amparo e São Gonçalo do Rio Abaixo, totalizando 16 municípios no Colar. A Região Metropolitana se mantém com 34 Municípios.
Municípios
A Região Metropolitana de Belo Horizonte, propriamente, é constituída por 34 municípios, a saber: Baldim, Belo Horizonte, Betim, Brumadinho, Caeté, Capim Branco, Confins, Contagem, Esmeraldas, Florestal, Ibirité, Igarapé, Itaguara, Itatiaiuçu, Jaboticatubas, Juatuba, Lagoa Santa, Mário Campos, Mateus Leme, Matozinhos, Nova Lima, Nova União, Pedro Leopoldo, Raposos, Ribeirão das Neves, Rio Acima, Rio Manso, Sabará, Santa Luzia, São Joaquim de Bicas, São José da Lapa, Sarzedo, Taquaraçu de Minas e Vespasiano.
Além dos 34 municípios metropolitanos definidos na Lei Complementar nº 89 de 12 de janeiro de 2006, há ainda outros 16 municípios no denominado Colar Metropolitano de Belo Horizonte. A população total da Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluindo o Colar Metropolitano, é de 5.733.783 habitantes, segundo o Censo 2022, com uma área de 14.979 km².
Colar Metropolitano
A Lei Complementar nº 89, de 12 de janeiro de 2006, define o Colar Metropolitano de Belo Horizonte como sendo a formação de municípios do entorno da região metropolitana atingidos pelo processo de metropolização, sendo composto por 16 municípios: Barão de Cocais, Belo Vale, Bom Jesus do Amparo, Bonfim, Fortuna de Minas, Funilândia, Inhaúma, Itabirito, Itaúna, Moeda, Pará de Minas, Prudente de Morais, Santa Bárbara, São Gonçalo do Rio Abaixo, São José da Varginha e Sete Lagoas. O Colar Metropolitano possui 605.501 habitantes, segundo o Censo 2022, com uma área de 5.508 km².
Com economia baseada principalmente no setor industrial, Sete Lagoas é a maior e mais importante cidade do Colar Metropolitano. O Município abriga fábricas de empresas como a Ambev, Bombril, Elma Chips, Itambé Laticínios e Iveco, dentre outras. Outros municípios do Colar que se destacam são Itabirito e São Gonçalo do Rio Abaixo com elevados PIB baseados na mineração de ferro; também Itaúna e Pará de Minas, que possuem população se aproximando de 100 mil habitantes em cada município.
Demografia e expansão
O crescimento demográfico da RMBH diminuiu nas últimas décadas, embora ainda permaneça superior à média do estado. O crescimento concentra-se cada vez mais nos municípios periféricos, reduzindo-se ano após ano a participação de Belo Horizonte. Desde a década de 1980, Belo Horizonte cresce a taxas bem menores que a média da RMBH. Na década de 1990, enquanto a capital cresceu apenas 1,1% ao ano, a RMBH cresceu 3,9%. Em 2022, a população do município de Belo Horizonte chegou a reduzir 2,5%, ao passo que os moradores da região metropolitana na totalidade aumentou em 5,6%. A principal explicação para esse fenômeno é o reduzido espaço territorial de BH, que encarece o preço dos terrenos na cidade e leva a população a morar em municípios fora da capital mineira.
A população da Região Metropolitana de Belo Horizonte no Censo Demográfico de 2022 somou o total de 5.733.783 habitantes, sendo 5.128.282 moradores nos 34 municípios metropolitanos e outros 605.501 nos 16 do colar metropolitano, figurando como a terceira maior aglomeração urbana do Brasil, e a 60º maior do mundo.. Os municípios mais populosos da RMBH são, em ordem decrescente, Belo Horizonte, Contagem, Betim e Ribeirão das Neves, que juntas reúnem aproximadamente dois terços da população da região metropolitana.
O processo de conurbação da Grande BH começou no final da década de 1940 pelo Vetor Oeste quando Belo Horizonte, Contagem e Betim se ligaram, no chamado Eixo Industrial, mesma época também da primeira fase de crescimento do Vetor Norte, na mesma época. Entretanto, das dezenas de municípios que hoje compõem a RMBH, apenas 13 estão efetivamente conurbados, o que leva alguns especialistas a defenderem uma redução do número de cidades pertencentes à RMBH. Outros argumentam que alguns municípios não-conurbados da RMBH são responsáveis por funções de interesse comum, como a preservação de mananciais, devendo, portanto, fazer parte de região metropolitana. Atualmente, são dois os vetores principais que puxam o crescimento da conurbação metropolitana em direções opostas: o Vetor Norte e o Vetor Sul.
Vetor oeste
O Crescimento populacional desta região foi intenso começando nos anos 40 até se consolidar, no final dos anos 70. Este período foi marcado por importantes intervenções públicas que definiram os futuros processos de expansão da capital e sua conurbação com os municípios de Contagem e Betim.