Senso de admiração é um estado intelectual e emocional frequentemente utilizado em discussões de ficção científica (comumente abreviada para FC ou no inglês CF).

Definições A frase é geralmente usada em contextos que não tem relação com ficção científica. Os relatos seguintes são para o uso de "senso de admiração" no contexto de ficção científica. Em Brave New Worlds: The Oxford Dictionary of Science Fiction o termo senso de admiração é definido como se segue:

Jon Radoff tem caracterizado o senso de admiração como uma reação emocional que o leitor confronta repentinamente, o entendimento, ou ver um conceito novo num contexto de nova informação.

Na seção introdutória de seu ensaio 'On the Grotesque in Science Fiction', Istvan Csicsery-Ronay Jr., Professor de Inglês na DePauw University, clarifica:

John Clute e Peter Nicholls associam a experiência com a "descoberta conceitual" ou "mudança de paradigma" (Clute & Nicholls 1993). Em muitos casos, isso é conseguido através da reutilização de prévias experiências narrativas em um grande contexto. Isso pode ser encontrado em cenas curtas (e.g., em Star Wars Episódio IV: A Nova Esperança, e também poderá encontrá-lo m menor dose, dentro da linha "Isso não é uma lua; é uma estação espacial.") e requer romances inteiros para chegar nesse ponto (como na linha final do livro do autor Iain Banks chamado Feersum Endjinn).

George Mann define o termo como “o senso de maravilhamento inspirado que é criado em um leitor quando as implicações completas de um evento ou ação são realizadas, ou quando a imensidade de uma história ou ideia primeiramente se torna conhecida;” e ele associa o termo com a Golden Age doa FC e as revistas pulp prevalentes na época. Um dos escritores principais da Golden Age, Isaac Asimov, concordou com essa associação: em 1967 comentando sobre as mudanças ocorridas na FC, ele escreveu:

Senso de admiração como numinosidade Numinoso é definido nessa enciclopédia como sendo o que aumenta "uma emoção espiritual ou religiosa" ou é "misterioso ou inspirador".

Senso de admiração como um conceito especificamente conectado com a ficção científica George Mann sugere que esse 'senso de admiração' é associado apenas com ficção científica como distinta da fantasia científica, declarando:

Entretanto, o editor e crítico David Hartwell vê o ‘senso de admiração’ da ficção científica em termos mais gerais, como ”sendo a raiz da animação da ficção científica.” Ele continua:

Dizer que a ficção científica é em essência uma literatura religiosa é exagero, mas é um que contém verdades. FC é unicamente uma encarnação moderna de uma tradição antiga: o conto da maravilha. Contos de milagres, contos de grandes poderes e consequências além da experiência das pessoas em sua vizinhança, contos de deuses que habitam outros mundos e as vezes descem para visitar o nosso, contos de humanos viajando para a morada dos deuses, contos do estranho: todos agora existem na ficção científica.

Criticismo acadêmico da literatura de ficção científica (Robu 1988) identifica a ideia do sublime descrito por Edmund Burke e Immanuel Kant—infinito, imensidade, "horror delicioso"—como a chave para o entendimento do conceito de "senso de admiração" na ficção científica. Por exemplo, o Professor de Inglês na University of Iowa, Brooks Landon diz:

Edward James cita do Aldiss e história da ficção científica do Wingrove’s em apoio da sugestão a cima como sendo a origem do ‘senso de admiração’ na FC, como segue:

Paul K. Alkon em seu livro Science Fiction before 1900. Imagination Discovers Technology faz um ponto similar:

Alkon concluí que "ficção científica desde [o século 19] tem sido preocupada muitas vezes em provocar fortes reações emocionais como manter uma base racional para seus plots. Longe de ser mutualmente exclusivo, os dois campos podem reforçar um ao outro...",

Edward James, em uma seção de seu livro intitulado ‘O Senso de Admiração’ diz nesse ponto sobre a origem do 'senso de admiração' na FC:

James continua para explorar o mesmo ponto feito por David Hartwell em seu livro Age of Wonders (e citado abaixo) no que diz respeito à relação do 'senso de admiração' na FC com religião ou experiência religiosa. Ele declara que,

Como um exemplo, James pega o conto ‘The Nine Billion Names of God’ de Arthur C. Clarke. Ele explica:

É apropriado que Edward James escolha uma história de Arthur C. Clarke para fazer um ponto. Um crítico é da opinião de que Clarke "tem dedicado sua carreira à criar um "senso de admiração" nos espaços sublimes do Universo..."Seed, David. 'Introduction' in David Seed (ed.) A Companion to Science Fiction (Malden, MA: Blackwell, 2008) Editor e pesquisador de FC, Mike Ashley concorda:

Kathryn Cramer em seu ensaio 'On Science and Science Fiction' também explora a relação do 'senso de admiração' da FC com religião, declarando que "a primazia do senso de admiração na ficção científica põe um desafio direto à religião: A admiração da ciência e o mundo real como experimentado na ficção científica substituí a reverência religiosa?" Cramer, Kathryn. ‘Introduction: On Science and Science Fiction,’ in David G. Hartwell and Kathryn Cramer (eds.), The Ascent of Wonder. The Evolution of Hard SF (London: Orbit, 1994)

Entretanto, como Brooks Landon mostra, nem todo 'senso de admiração' precisa estar proximamente relacionado com o clássico senso do Sublime. Comentando sobre a história 'Twilight' de John W. Campbell ele diz:

Talvez o único mais famoso exemplo de "sensawunda" em toda ficção científica envolve um neologismo, do trabalho de A. E. van Vogt (Moskowitz 1974):

Apesar das tentativas acima de definir e ilustrar o 'senso de admiração' na FC, Csicsery-Ronay Jr. argumenta que "ao contrário da maioria das outras qualidades associadas com o gênero, o senso se admiração resiste á um comentário crítico." A razão que ele sugere é que,

Mesmo assim, apesar de sua "resistência á comentário crítico," o 'senso de admiração' tem 'um pedigree bem estabelecido em arte, separado em suas categorias relacionadas de resposta: o sublime expansivo e o grotesco intensivo." Csicsery-Ronay Jr. explica a diferença entre essas duas categorias como se segue:

Depois, nesse mesmo ensaio, o autor argumenta que "o sublime e o grotesco tão em tal próxima relação que eles são sombras um do outro," e que "não é sempre fácil distingui-los, e que o grotesco de uma era facilmente se torna o sublime de outra" Ele dá um exemplo do androide (T-1000) no segundo filme da franquia 'O Exterminador do Futuro' o filme O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final, dizendo que "o T-1000, como muitas figuras liminares da FC, é quase simultaneamente sublime e grotesco. Sua metamorfose fascinante seria objeto do sublime se não fosse por sua sadística violação da carne mundana."

Não há dúvida de de que o termo 'senso de admiração' é usado e entendido por leitores de FC sem a necessidade de explicação ou elaboração.Franson, Donald. Por exemplo, o autor de FC e crítico David Langford resenhando um romance de FC no New York Review of Science Fiction foi capaz de escrever "Eu suponho que é tudo um microcosmo terrivelmente mordaz de aspirações humanas, mas depois de tanta carnificina primitiva, o solavanco tão esperado do senso de admiração vem como um despejo de informações tardias em vez de..."Langford, David. 'Random Reading 2' in New York Review of Science Fiction April 2002, Number 164, Vol 14, No. 8

Jack Williamson em 1991 disse que a New Wave não durou na ficção científica por "falhou em tocar as pessoas. Não tenho certeza se essa falha foi por causa de seus temas pessimistas ou que as pessoas sentiram que as coisas eram muito pretensiosas. Mas nunca agarrou de verdade as imaginações das pessoas".Larry McCaffery and Jack Williamson. 'An Interview with Jack Williamson' in Science Fiction Studies, Vol. 18, No. 2 (Jul., 1991), pp. 230–252: page 234

Origem natural vs sintética Sharona Ben-Tov em seu livro The Artificial Paradise: Science Fiction and American RealityBen-Tov, Sharona. The Artificial Paradise: Science Fiction and American Reality (Ann Arbor: U of Michigan P, 1995) explora o 'senso de admiração' da ficção científica (FC) a partir de uma perspectiva feminista. O livro dela é "um trabalho que provoca pensamento de criticismo que provê uma nova e interessante perspectiva em alguns elementos básicos na ficção científica," incluindo o 'senso de admiração'.Dalgleish, David. Book review: 'The ambivalent paradise: Or, nature and the transcendent in British SF,' review of The Artificial Paradise by Sharona Ben-Tov', Extrapolation Kent: Winter 1997.Vol. 38, Iss. 4; pg. 327 Em sua resenha do trabalho de Ben-Tov para o jornal crítico Extrapolation, David Galgleish, citando o texto, aponta que:

Exemplos do uso 'casual' do termo na crítica de ficção científica "Muitos escritores de ficção científica desejam fazer seus leitores sentirem a emoção, o senso de admiração, que tanto marcou a juventude da FC que o gênero ainda clama como um tipo de logo marca, apesar de ser escassamente encontrado hoje." Tom Easton. Analog Science Fiction & Fact. Nova York: Maio de 2000. Vol. 120, Iss.5; página. 134 "O passado. Duas prévias expedições marcianas fracassaram.... Uma tripulação americana morreu mais ao sul, deixando uma base vazia... e o veículo de retorno, a Dulcineia.... Agora é a vez dos free-lancers internacionais...O pouso é bem sucedido, bem no alvo e a apenas um stroll de alguns minutos do Dulcineia. Senso de admiração jorra das páginas enquanto a tripulação anda pela superfície marciana." Tom Easton. Analog Science Fiction & Fact. Nova York: Jan 2001. Vol. 121, Iss. 1; página. 135 "Eu li originalmente Thrust Into Space de Maxwell W. Hunter II 30 anos atrás quando eu tinha 11 ou 12 anos. Na época eu já estava descobrindo a verdadeira ficção científica, e a primeira leitura dos trabalhos de Heinlein, Asimov, e Clarke, esse livro evocou para mim exatamente o mesmo "senso de admiração" como fizeram os trabalhos da grande trindade." Jeffrey D Kooistra. Analog Science Fiction & Fact. Nova York: Jul/Agost de 2002. Vol. 122, Iss. 7/8; página. 128 "A história é também bem menos melodramática do que seria se tivesse sido publicada durante os anos 50. Incluído tem discussões breves de problemas matemáticos e outros científicos que evocam um tipo de antigo senso de admiração sobre o Universo sem perturbar a fluidez da história." Don D'Ammassa. Analog Science Fiction & Fact. Nova York: Maio de 2009. Vol. 129, Iss. 5; página.101 David E. Nye trás um olho aguçado para a história da tecnologia dos Estados Unidos. Eu usei esse Sublime da Tecnologia Estado-unidense nas aulas por anos. Eu posso também usar seu último... também.... A tésis do livro anterior era—num extremo resumo—que nas maravilhas tecnológicas da América—de estradas de ferro à bomba nuclear—evocaram a mesma resposta emocional como as maravilhas naturais como o Grand Canyon. Essa mistura era espanto e terror e admiração que a muito tem sido chamada de "o sublime." Tinha também, para mim, uma clara conexão com o "senso de admiração" da ficção científica que ajudou a explicar o porque o FC do século vinte era predominantemente americano." Tom Easton. Analog Science Fiction & Fact. Nova York: Jun 2005. Vol. 125, Iss. 6; pg. 136 "O senso de admiração que marca a sensibilidade da FC é difícil para ensinar e certamente não pode ser ditado ou coberto por uma alma que não o tem. Isso deve vir de dentro, e quando o faz, todas as maravilhas do universo estão ao alcance." Tom Easton. Analog Science Fiction & Fact. Nova York: Dec 1998. Vol. 118, Iss. 12; pg. 133