Jorge Wilson Wanghon Coelho (Belterra, na época ainda distrito do município de Santarém, 28 de outubro de 1961), mais conhecido como Belterra, é um ex-futebolista brasileiro que atuava como zagueiro, sendo considerado um dos maiores de sua posição na história do futebol do Pará, sendo um dos seis jogadores campeões paraenses pelos três grandes do Estado. Belterra venceu, na ordem, por Tuna Luso, Remo e Paysandu, destacando-se sobretudo nos dois primeiros. Foram ao todo oito títulos acumulados pelo trio, sendo seis deles seguidos. Também defendeu as principais equipes santarenas.DA COSTA, Ferreira (2013). Belterra - Zagueiro jogou o fino da bola. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 53-54
Chegando a ser rotulado de "Figueroa do Tapajós", Belterra era um zagueiro que conseguia impor segurança com lealdade nas jogadas, dotado de velocidade alta para a posição. Esteve no último título estadual da Tuna, em 1988; bem como em todo o pentacampeonato estadual do Remo, entre 1993 e 1997 permeado por uma invencibilidade de 33 partidas no mesmo período dos azulinos no clássico Re-Pa. O zagueiro só não esteve em uma dessas partidas (a sexta delas, em 1993) e na última delas participou como jogador-treinador.DA COSTA, Ferreira (2015). 1993. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 169-171DA COSTA, Ferreira (2015). 1994. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 172-174DA COSTA, Ferreira (2015). 1995. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 174-176DA COSTA, Ferreira (2015). 1996. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 176-178DA COSTA, Ferreira (2015). 1997. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 178-180 Era um zagueiro fixo na defesa; a única vez que marcou no clássico foi justamente um gol contra.DA COSTA, Ferreira (2015). Fatos e Personagens do Re-Pa. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 216-220
Além dos títulos locais, Belterra, como remista, também sobressaiu-se como um dos protagonistas das melhores campanhas de um clube da Região Norte na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro de Futebol, ambas encerradas na fase semifinal (respectivamente, em 1991 e em 1993), frente às equipes que terminariam campeãs. Em 2020, foi eleito oficialmente o maior zagueiro do Remo.
Origem
Seu sobrenome Wanghon é localmente influente, sendo o ex-jogador parente de políticos de Santarém e região, incluindo Alexandre "Von" Wanghon, o prefeito santareno do mandato 2012-2016. São descendentes de uma das famílias de confederados que, após a derrota na Guerra de Secessão, emigraram dos Estados Unidos para a área, cientes da escravidão no Brasil ainda ser legalizada enquanto nos EUA se encerrava. Wanghon seria uma corruptela do sobrenome Vaughan, grafia usada por Rogério Vaughan, narrador dos canais ESPN e também santareno.
Posteriormente, o então distrito de Belterra e região receberiam mais imigração estadunidense, ainda estando preservadas moradias em arquitetura característica dos EUA - simbolizada na construção da Fordlândia, em investimentos do próprio Henry Ford.
Início e Tuna Luso
O primeiro clube de Belterra foi o Náutico de Santarém, ainda como juvenil. Como adulto, foi o Flamengo de Santarém, onde esteve de 1979 a 1980. Em 1980, profissionalizou-se no São Francisco, uma das principais equipes da região. Pelo "Leão Azul de Santarém", foi tetracampeão municipal entre 1981 e 1984. Eram tempos em que os clubes santarenos não disputavam o campeonato estadual.DA COSTA, Ferreira (2013). 1981 - Paysandu traz de novo Chico Spina e ganha o bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 224-228 DA COSTA, Ferreira (2013). 1982 - Paysandu tira Mesquita do Remo, que comanda a conquista do Tricampeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 214-218DA COSTA, Ferreira (2013). 1983 - Tuna volta a reinar no futebol paraense, após 13 anos. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 214-218DA COSTA, Ferreira (2013). 1984 - Paysandu importa reforços de qualidade e levanta a taça. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 224-228
Em 1985, Belterra foi novamente campeão santareno, dessa vez pelo Fluminense local, o que fez sua fama de excelente zagueiro chegar à capital Belém. Foi contratado em 1986 pela Tuna Luso, que no ano anterior havia se tornado o primeiro clube paraense campeão nacional, vencedora da segunda divisão brasileira de 1985.
Belterra conseguiu desde logo a vaga de titularidade no campeão elenco tunante. Em março de 1986, os cruzmaltinos, vencendo por 3-2 o clássico com o Remo, por 1-0 o clássico com o Paysandu e segurando o 0-0 em final reencontrando o "Leão", faturaram o primeiro turno do estadual daquele ano. O zagueiro esteve nessas duas partidas contra o Remo, que desde 1979 não vencia o torneio. Adiante, o adversário venceria o segundo turno ao vencer por 1-0 o duelo. Houve em seguida um quadrangular final a envolver também Paysandu e Sport Belém. A despeito de haver nessa fase novo triunfo da Tuna sobre o "Papão", por 2-1, Belterra e colegas terminaram com o vice-campeonato após derrota de 3-1 no derradeiro compromisso, contra o campeão Remo, já em agosto.DA COSTA, Ferreira (2013). 1986 - Remo põe fim a jejum de 6 anos e comemora o título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 233-236
Adiante, a Tuna de agosto a outubro participou da primeira divisão brasileira de 1986, na última vez em que esteve na elite nacional. Belterra foi titular na modesta campanha, a 43ª de 48 clubes, com duas vitórias nas dez partidas realizadas na primeira fase, em que a "Águia do Souza" terminou eliminada no Grupo C - agrupada com Náutico, Bahia, Cruzeiro, Vasco da Gama e o finalista Guarani, dentre outros.DA COSTA, Ferreira (2013). 1986 - Primeira Divisão - Copa do Brasil. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 162-164
Em 1987, o campeão estadual daquele ano foi o Paysandu, de forma invicta - mas em confrontos parelhos contra Belterra. Os clássicos com os alviazuis encerraram-se em vitórias do adversário por 2-1 no primeiro turno e 3-2 no segundo, além de empate em 0-0 no terceiro, em agosto.DA COSTA, Ferreira (2013). 1987 - Paysandu traz Givanildo Oliveira e levanta o título invicto. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 237-240 Em outubro, os dois clubes se reencontraram no módulo branco do Brasileirão daquele ano, com vitória por 1-0 do clube de Belterra. As duas equipes continuaram a avançar e fizeram confronto eliminatório pela terceira fase, favorável ao adversário após um 2-2 no estádio do Remo e uma derrota de 1-0 no do Paysandu, que adiante seria vice-campeão.DA COSTA, Ferreira (2013). 1987 - Segunda Divisão - Módulo Branco. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 165-167
A revanche diante dos alviazuis viria em 1988, com os dois clubes disputando o título estadual daquele ano até 1992: em um torneio que em campo durou de março a novembro, os cruzmaltinos foram declarados campeões após vitória por W.O. no compromisso final contra o Paysandu, que contestou nas justiças desportiva e comum a decisão da federação paraense. Somente em 1992 o título tunante seria definitivamente homologado, em campanha de uma única derrota em 25 partidas.DA COSTA, Ferreira (2013). 1988 - Após uma longa briga na Justiça, Tuna é confirmada Campeã. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 241-245 Trata-se da última conquista estadual da Tuna,DA COSTA, Ferreira (2013). 1988 - Somente uma derrota na conquista do décimo título da Tuna Luso. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 114-121 que terminou por não participar do campeonato brasileiro de 1988.DA COSTA, Ferreira (2013). 1988 - Não tomou parte. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, p. 168
Em 1989, Belterra esteve no Ceará, obtendo o campeonato cearense daquele ano. Sem ele, a Tuna não teve um bom ano, sem concorrer a sério pelo título estadual naquele ano,DA COSTA, Ferreira (2013). 1989 - Remo inicia trajetória que o levaria a mais um tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 241-245 e terminando na última colocação do Grupo C da segunda divisão brasileira. DA COSTA, Ferreira (2013). 1989 - Segunda Divisão. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 168-170
Em 1990, a Tuna conseguiu vencer o clássico com o Remo por 1-0 no terceiro turno do estadual daquele ano, mas viu o certame ser decidido em finais entre a dupla Re-Pa, já em agosto.DA COSTA, Ferreira (2013). 1990 - Remo coloca a faixa de bicampeão, sob a batuta de Paulinho de Almeida. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 251-255 Os cruzmaltinos voltaram a não participar do Brasileirão e emprestaram alguns atletas ao Paysandu no segundo semestre.DA COSTA, Ferreira (2013). 1990 - Não tomou parte. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, p. 171 Dentre eles, Belterra e Ageu Sabiá, que chegou a fazer gol importante na classificação alviazul aos mata-matas da terceira divisão brasileira daquele ano.DA COSTA, Ferreira (2013). Ageu - Com 37 gols, é recordista do Pará em certames nacionais. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, p. 122-123
O "Papão" terminaria adiante promovido à segunda, e como jogador do clube Belterra estreou no clássico Re-Pa. Em dezembro daquele ano, ocorreram dois clássicos amistosos pela "Taça Cândido Neiva". O zagueiro esteve em ambos, com cada um vencendo por 1-0.DA COSTA, Ferreira (2015). 1990. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 160-164 Três meses depois, Belterra voltava a disputar o duelo, mas já como jogador do rival Remo, pela segunda divisão brasileira de 1991. DA COSTA, Ferreira (2015). 1991. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 164-166
Remo Início A segunda divisão brasileira de 1991 foi realizada no primeiro semestre e terminou vencida pelo próprio rival Paysandu.DA COSTA, Ferreira (2002). 1991 - Segunda Divisão - Campeão Brasileiro de Futebol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 113-119 Na mesma época, o Remo, por sua vez, também se sobressaía nacionalmente: Belterra e colegas terminaram na quarta colocação geral da Copa do Brasil daquele ano, em campanha na qual chegaram a eliminar o Vasco da Gama em pleno estádio de São Januário em 21 de março, em 1-1 que classificou os visitantes.
O "Leão" terminaria eliminado na semifinal pelo futuro campeão Criciúma. O confronto em Belém contra a equipe treinada por Luiz Felipe Scolari rendeu um público recorde na competição em jogos travados na Região Norte. A campanha semifinalista segue sendo a melhor de uma equipe dessa região no torneio. E a Tuna Luso, sem Belterra, não avançou de fase na segunda divisão,DA COSTA, Ferreira (2013). 1991 - Segunda Divisão. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 171-174 precisando disputar no ano seguinte a a terceira (onde seria campeã).
O estadual de 1991 desenrolou-se no segundo semestre. O Remo jogou com alto nível em todo o certame, conquistando-o sem maiores dissabores e de forma invicta, no que representou um tricampeonato seguido dos azulinos no torneio.DA COSTA, Ferreira (2013). 1991 - Remo traz o técnico Waldemar Carabina, que comanda a conquista do Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 256-260 Em seguida, o clube festejou em 1992 o acesso à primeira divisão para 1993, favorecido pela promoção de doze clubes em regulamento visto como que beneficente ao Grêmio. Aquela campanha nacional foi por mais de trinta anos a última vez em que o Remo subiu à Série A, com o rebaixamento sofrido dela em 1994 sujeitando o "Leão" a aguardar até 2025 para comemorar novamente nova promoção à elite.